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2012/04/11

Parque Escolar - as audições parlamentares

Foto Público
Tem pano para mangas a Comissão de Educação do Parlamento que está a auditar os responsáveis técnicos e políticos pelo desastre financeiro da Parque Escolar, a empresa criada no tempo de Sócrates para recuperar o património escolar do secundário. Vamos por pontos.

1. Desde logo, a questão ideológica debate-se fortemente ali. De um lado, a "direita", como acintosamente dizem os partidos mais à esquerda, que segundo este defende o fim do programa e não quer recuperar as escolas. Do outro lado, o PS que defende com unhas e dentes a "festa" e os partidos mais à esquerda que atacam os gastos mas concordam que nem que seja preciso gastar muito as obras tinham de ser feitas.
Ora sobre este ponto, a "direita" não quer parar o programa nem deixar as escolas ao abandono - bem pelo contrário! O que quer o Governo é uma boa gestão do programa. E isso é possível, basta ver que a nova administração da Parque Escolar em poucas semanas já conseguiu reduzir custos nas escolas em obra no valor de 60 milhões de Euros. E o objectivo desta redução de custos é conseguir angariar verbas para completar o programa pois a verba inicial já foi gasta em metade das escolas... Sejamos claros: o programa é uma boa ideia mas mal desenhada na forma concretizada (Parque Escolar) e nas políticas seguidas para a concretização física (despesista, de luxos, mal planeada).

2. “O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”, Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação entre 2005 e 2009.
Ora bem, aqui chegados, e depois de serem públicos os relatórios do IGF e do Tribunal de Contas, deixe-me dizer que não foi uma festa, foi um REGABOFE (do dicionário da Priberam, "Festa em que se come e bebe à farta. = FARRA, PÂNDEGA, REGALÓRIO") pois a realidade indicada pelos ditos relatórios é que alguns, poucos, projectistas e empresas se alambuzaram com o presunto, alguns, poucos, ficaram o osso, e muitos, a generalidade, nem sequer teve acesso à festa.
É que não são "pormenores" que estão errados. São derrapagens que duplicam, triplicam e quadriplicam preços. São pagamentos sem autorização. São escolhas ostentatórias de materiais, muitas vezes estrangeiros, (os famosos candeeiros do Siza, os mármores e granitos em wc's, os chuveiros da Grohe, os sistemas de rega automática, o sistemas de AVAC caríssimos, etc) quando poderia e deveria ter sido optado por materiais nacionais sempre que possível (não recorrendo a importações) e mais económicos.

3. As escolhas dos projectistas por ajuste directo quando estão envolvidas verbas na ordem dos 100 milhões de euros só podia correr mal, como é evidente. E quando mais se aprofunda o assunto, pior fica a fotografia... Depois do ranking dos projectistas que foram escolhidos (que já aqui foi abordado anteriormente) sabe-se agora que pelo menos 7 dos projectistas "eleitos" eram colegas e/ou subordinados no IST de uma administradora, que é também arquitecta e professora do IST, da empresa Parque Escolar - e ninguém achou estranho nem deontologicamente questionável tal situação...

4. Novos dados têm vindo a ser abordados na audição, como o livro que a Parque Escolar publicou sobre a intervenção nas 106 primeiras escolas cujo valor anunciado lá é 180 milhões inferior ao que foi apurado pelo Tribunal de Contas. Ou seja, parece haver uma clara intenção de camuflar e dissimular os verdadeiros custos, o chamado "dourar a pílula". As únicas conclusões possíveis é que, ao contrário do que afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, a Parque Escolar foi muito mal gerida, foi o tal regabofe que falei atrás travestido de boas intenções para o ensino. E já que os anteriores governantes falam tanto da OCDE que gabou o programa (e como eu disse, a ideia é boa mas a concretização é preocupante) deixo aqui uma dica da OCDE sobre a nossa educação após estes anos de governação: o que é preciso é centrar a aprendizagem no processo educativo, ter mais pedagogia - e menos festa!

Em conclusão, espero que para lá da responsabilidade política, seja possível algumas responsabilidades civis sobre este assunto, porque as há, claramente, quando os relatórios citam ilegalidades...

2012/03/27

Mies Van der Rohe, 126 anos de boa arquitectura

Infografia de excelente qualidade sobre os 126 anos do nascimento de Mies Van der Rohe, clicar para aumentar.

Retirado de Archdaily.

2012/03/21

Dia mundial da poesia

E porque um arquitecto é também um poeta, um poema sobre a arquitectura de uma arquitecta, Lienne Liarte:

Sou arquitecto,
Aquele que dizem ser engenheiro frustrado,
Decorador disfarçado,
Esquisito, meio pirado,
Às vezes alienado, outras, por demais engajado;
Às vezes de Havaianas, outras engravatado

Sou arquitecto,
Aquele que chamam de sonhador;
Ah! pudesse eu ter meus sonhos de volta,
Mas sou ainda um aprendiz na escola da vida;
Dominei a forma, distribuo espaços,
Mas muitas vezes me sinto fora de esquadro,
Perdido em linhas paralelas demais,
Numa escala indefinida.
Mas sou arquitecto.



Sou poeta,
E sou muito mais que um sonhador,
Porque possuo em cima da velha prancheta,
Projectos para todos os sonhos;
Casas para abrigar um novo amor;
Caminhos para chegar ao arco-¡ris;
E jardins para o aconchego do entardecer...

2012/03/17

Ainda sobre a Parque Escolar

Continuam a ser tornados públicos os números que fizeram a história negra da Parque Escolar.

No Sol, uma reportagem intitulada "Parque Escolar: 636 milhões para 13 empreiteiros" mostra claramente como esta empresa serviu, para de uma forma legal e encapotada, financiar determinadas empresas seleccionadas e não para revitalizar o mercado das obras públicas, ao contrário do objectivo previsto do Governo.

A concentração em determinadas empresas, construtoras e projectistas, apesar de como refere o relatório da IGF, ter sido feita legalmente, denúncia por trás uma estratégia obscuramente clara sobre o assunto.

Vejamos o que nos revela o Sol:
"Oito construtoras e dois consórcios ganharam um terço das empreitadas adjudicadas pela Parque Escolar, por um valor superior a dois mil milhões de euros."
Ou seja, cerca de 80% do valor previsto para o programa ficou alocado a apenas 8 empresas e 2 consórcios, tendo havido 198 empresas a concorreram à totalidade das obras lançadas (cerca de 250). Isto não é concentração propositada e estratégica? É!

Mais, agora sobre os projectos:
"O valor total contratualizado com gabinetes de arquitectura suplantou os 100 milhões de euros, sendo que apenas dez sociedades concentraram 10% desse valor."
Ou seja, cerca de 10% do valor total investido em projectos foi gasto com apenas e só 10 gabinetes, todos por adjudicação directa - aqui, apesar de legal, nem se deram ao trabalho de fazer concursos, com a tradicional desculpa da "necessidade de cumprimento de prazos".

Logo a seguir, adianta o Sol novamente:
"São 636 milhões de euros que ficaram concentrados em 13 empresas, de um total de 98 sociedades que participaram nos concursos públicos de reconstrução de escolas secundárias"
Ou seja, cerca de 13% das empresas concorrentes ficaram com quase um quarto do bolo previsto em 2007 para realizar a totalidade das obras no país. Só a Mota-Engil (pois claro...) ganhou 17 obras de 162 milhões de Euros - foi, "de longe" diz a IGF, a empresa que mais obras e dinheiro ganhou - seguida da Teixeira Duarte com 9 obras e quase 100 milhões de Euros e concluo eu que se foram executadas ou estão em execução cerca de 250 escolas (das 332 previstas inicialmente) significa que estas duas empresas juntas ficaram com cerca de 10% do total das obras realizadas. Pergunto eu: era assim que se pretendia revitalizar o sector da construção?

Tudo legal, dentro dos preços máximos estabelecidos. Mas tudo extremamente duvidoso quanto à estratégia seguida e resultados obtidos: as obras derraparam em preço e prazos, os projectos revelaram-se desadequados e extremamente onerosos construtivamente e no uso posterior.

E, diga-se, o objectivo de dar vitalidade ao sector da construção, falhou por completo, mostram-no os factos: há vários anos (incluindo os de 2008 e 2009 quando a Parque Escolar esteve na sua máxima força "gastadora") que o sector vê empresas (de construção e de projectos) a fecharem aos milhares de trabalhadores e muitas dezenas de (pequenas e médias) empresas e empresários anualmente e a fugirem para o estrangeiro para sobreviverem.
O enorme buraco financeiro que é a empresa e as enormes facturas que deixa às escolas para pagar no seu uso diário são, talvez, um dos maiores escandalos que o Governo de José Sócrates nos lega e que irá demorar muitos, mas mesmo muitos anos a corrigir (e pagar)!

2012/03/11

Arte?

Hoje fui ao Laboratório de Curadoria, a antiga fábrica ASA em Guimarães, onde no âmbito da CEC 2012 foram ontem inauguradas duas exposições, uma de arquitectura (O Ser Urbano, nos Caminhos de Nuno Portas) e outra de um colectivo de artistas (Collecting Collections and Concepts).

Se a primeira é aquilo que se espera dela, ou seja, uma mostra da vida de Nuno Portas desde o inicio de carreira até aos projectos mais recentes, mostrando projectos, maquetas e influências exercidas no seu trabalho, passando pelos projectos urbanisticos como os PDM's e várias urbanizações em que participou e culminando com um video sobre o arquitecto, estava bem organizada e pensada. Mas falta uma melhor explicação daquelo que estamos a ver, não há um guia da exposição, muito pobre do ponto de vista informativo.

Home? Pensei que era factory...
Aliás, informação sinalética é coisa que não há no edifício todo. Entrei e vi um quiosque de madeira e pensei que fosse um ponto de venda de livros e material da CEC. Nada dizia que era uma bilheteira, nem tinha aspecto de ser uma. Fui avançando e passei por uma menina numa porta (vamos chamar-lhe "Menina 1"), sem problemas, apesar de ter hesitado entre ir para lá ou para o que parecia ser uma conferência - mas como não vi nada a dizer sobre a conferência e vi um cartaz do "Ser Urbano" atrás da menina, pensei que a exposição fosse por esse lado. Entrei num corredor e nada vi, avancei pela direita e passei por outro cartaz "Ser Urbano" e pensei para mim: deve ser por aqui... e continuei a andar até chegar ao fim do corredor e... nada! Voltei para trás e olhei novamente para o cartaz, tendo lido lá em letras pequenas que a exposição era no 1º piso... e pensei então que por isso estava o cartaz ali, junto aos elevadores...Entrei, subi ao piso e só na entrada da exposição é que mais 2 meninas me dizem que tinha de comprar bilhete... Por isso, desci, fui ao quiosque (que afinal era bilheteira) e voltei a subir (isto sem que a Menina 1 me perguntasse ou dissesse coisa alguma) e vi a exposição sobre Nuno Portas. Terminada a exposição, desci e por exclusão de partes, decidi ir pelo corredor da esquerda (é sempre a minha última opção, a esquerda...) e avancei sem nada que me dissesse que a exposição do colectivo de artistas era ali. De repente, atrás de uma mesa de madeira, vejo um cartaz que me pareceu ser o da exposição - pensei para comigo: deve ser por aqui...
Uns cacos de tijolos, umas toalhas do Continente...
e parece que isto é arte!
Depois, vejo um painel grande com umas lampadas fluorescente a dizerem HOME enquanto apagavam e acendiam - voltei a pensar: de facto, deve ser mesmo por aqui... Já mais confiante que estava no caminho certo, avancei um pouco mais e, finalmente, vejo mais duas meninas noutra entrada e lá estava a exposição sobre Colecções.
Aqui percebi a arte: é o galo de Barcelos!
Sinalética? Zero. Para além de dois cartazes, sem setas, sem mais nada, zero indicações. WC's também havia, mas não havia sinalética a indicar onde era. Saídas de emergência também era capaz de haver, mas não as vi e menos ainda a indicação delas...

Sim, isto é arte
(e não, não estou a brincar, estou a falar a sério)
Voltando então às exposições, vi depois a exposição sobre Colecções. Confesso que não percebo porque aquilo é arte. Criatividade não é arte, porque se fosse assim o Marketing era dado na Faculdade de Belas Artes... Ser criativo não é o mesmo que ser artista, apresentar trabalhos criativos não é o mesmo que apresentar obras de arte, saber usar um lápis, um pincel, uma máquina fotográfica ou de filmar não faz da pessoas um pintor, um fotografo ou um cineasta. Vi coisas criativas e que me fizeram rir muito. Mas não acho que tenha visto arte. Se calhar por isso é que da exposição toda apenas gostei de ver dois quadros (segundo a célebre máxima da caricatura do Djaló feita pelo Manuel Marques no Estado de Graça, se "está pendurado numa parede, é arte...") que descubi serem do Pomar e do José de Guimarães... e que estavam "semi-escondidos" numas montras viradas para umas casas de banho...

Um pouco mais de arte urbana, grafitis (mas com qualidade)
Mas arte? Ver arte? Só no piso 1... Enfim...

2012/03/10

Parque Escolar - Uma irresponsabilidade que não pode ficar impune!

Começam agora a ser públicos pormenores do que foi a actuação da Parque Escolar - empresa criada por Sócrates ainda no seu primeiro Governo que visava a reconstrução do parque escolar português e ao mesmo tempo que injectava dinheiro nas empresas de construção dinamizando a economia com 2,4 mil milhões de Euros nas mais de 300 escolas abrangidas.

No entanto, cedo se percebeu que havia problemas muito graves.

Primeiro, na fase dos projectos, muitas vezes sem concurso (isto é, por adjudicação directa...) e (quase) sempre aos mesmos gabinetes.

Depois com as primeiras adjudicações de obras, percebeu-se que era um grupo restrito de empresas que ganhavam as obras, ou seja, cada empresa ganhava 2 ou 3 escolas e reduziu-se assim a quantidade de construtoras "ajudadas".

Por fim, com as primeiras obras concluídas, perceberam-se os problemas que as obras traziam às escolas: maior consumo de electricidade que esgotava os orçamentos que eram para educação em consumos, depois problemas de construção com soluções desajustadas e mal pensadas que começaram a apresentar patologias várias.

E com o tempo começamos a ouvir noticias de professores, pais e alunos que falavam sobre as condições das escolas, com pedras nobres, chuveiros Grohe, candeeiros de design de autor a torto e a direito (no interior e exterior das escolas) e outras coisas mais...

Agora, com o relatório da IGF tornado púlico, sabe-se com mais detalhes coisas que configuram. na minha modesta opinião, gestão danosa e, se calhar, coisas ainda mais graves...

Repare-se na resposta para o (brutal)  aumento do consumo de electricidade dos novos edifícios: "a empresa justificou a situação com as novas regras de eficiência energética, aprovadas em 2006." Então se a ideia associada à lei era ter mais eficiência no uso da energia, como é possível que o resultado seja um brutal aumento (de 30% e até mais) no consumo da mesma, levando as escolas novas a optarem por simplesmente desligarem o sistema de AVAC e colocando a comunidade escolar a trabalhar sobre calor intenso no Verão e frio glaciar no Inverno.

Percebe-se agora que os projectos eram concebidos sem um caderno de encargos adequado e que, para além disso, não eram alvo de revisão critica (técnica e financeira) antes da sua execução, sendo lançados a concurso como eram entregues e aceites sem discussão. Ou isso ou não se percebe como ninguém achou anormal o uso de betão branco, de pedras nobres, de madeiras nobres, de iluminações topo de gama, de utilização redundante de equipamentos e até de espaços, entre tantos outros exemplos.

Evidentemente, os administradores da empresa demitiram-se. A questão é que a sua demissão não os isenta da responsabilidade de terem gerido mal, muito mal, o projecto que  tinham em mãos: repare-se que tendo um mega orçamento de 2,4 mil milhões de Euros para reabilitar 332 escolas, conseguiram-no ultrapassar em 5 milhões de Euros ao fim de apenas 181, ficando por isso 151 escolas não cabimentadas no orçamento previsto. Isto é um escândalo e o mínimo que se exige agora é que o Governo actue de forma a verificar se se confirma a gestão danosa e que procure se ressarcir junto dos (ir)responsáveis dessa hipotética má gestão. E, já agora, que implemente medidas que visem que a situação não se repita, isto é, que façam no imediato uma revisão aos cadernos de encargo modelo utilizados, bem como implementem uma revisão ao projecto final - coisa que no estrangeiro já acontece há muitos anos como forma de evitar erros de projecto que em obra custam muito dinheiro (ou tempo, o que é igual porque tempo é dinheiro) rectificar.

2012/02/02

Mobilidade em Guimarães: ainda sobre o debate

Ainda sobre o debate realizado na 2ª feira passada pela Comissão Permanente de Cidadãos e a que tive a honra de moderar, deixo o texto que preparei para abrir a sessão e onde, de forma quase telegráfica, resumi os temas que marcaram a discussão virtual na plataforma do Facebook antes desde debate live.

Partilho assim aqui o meu texto:

Mobilidade Urbana

A terminar o ano de 2011, o amigo JOSÉ CUNHA lançou no grupo um post que poderia ter sido apenas mais um, como dezenas outros que ali têm sido colocados e amplamente discutidos. Mas não foi apenas mais um. Porque gerou um imenso debate, polémica quanto baste e derivou em muitos temas também que paralelamente foram sendo discutidos. E mostrou, se ainda fosse preciso, da validade desta Conferência Permanente de Cidadãos e a prova que a cidadania activa é fundamental para a comunidade, para o seu progresso, para o seu bem-estar. E o tema de tão interessante que é, permite-nos estar aqui hoje à noite reunidos para o debater.

MOBILIDADE EM GUIMARÃES.

Perguntava então o José Cunha que “somos património mundial há dez anos, mas passam mais carros que turistas no Largo da Oliveira, e as nossas ruas e largos do centro histórico são parques de estacionamento. Não será a CEC uma oportunidade de mudança? Concordam com o actual estado?”

Mobilidade, qual o sentido actual da palavra?

Das inúmeras definições possíveis, agrada-me uma que diz que a mobilidade visa a melhoria contínua das condições de deslocação, a diminuição dos impactes no ambiente e o aumento da qualidade de vida dos cidadãos, indo ao encontro das grandes orientações estratégicas comunitárias e nacionais neste âmbito, numa lógica de sustentabilidade. Portanto, a mobilidade urbana deve ser sustentável. Deve diminuir o impacto no ambiente e melhorar a qualidade vida dos cidadãos, naquilo que normalmente se associa à qualidade do ar, que é uma das principais queixas dos cidadãos, para além da poluição visual que os carros por vezes se transformam ao ocuparem as nossas ruas e praças.

E como está Guimarães neste capítulo?

Recentes obras, intervenções que se queriam de fundo, não alteraram o trânsito nas áreas intervencionadas – o Toural continua rodeado de carros por todos os lados, a Alameda continua com automóveis a circular em cima, em baixo e agora também ao meio e as ruas Santo António e Gil Vicente continuam com trânsito automóvel a mais e passeios a menos. Discute-se onde deveria haver parques de estacionamento e se os actuais chegam e estão bem localizados. Uma associação vimaranense, a AVE, propôs um plano de mobilidade ciclável em Junho que, pelo que se vê na cidade, não teve grande acolhimento pela autarquia.

Comecemos então por aqui. Será Guimarães uma cidade amigável dos ciclistas?

Pessoalmente, julgo que não. Não só não tem vias próprias para estes, como não há espaços próprios para estes parquearem as bicicletas como ainda os pisos existentes das ruas do centro histórico e arredores são extremamente desconfortáveis (até para quem anda de carro) e nada convidativos a passar de bicicleta lá. E os transportes públicos, respondem às necessidades dos habitantes e utilizadores da cidade? Não sei, tenho algumas dúvidas. E por experiência própria, em vários anos que habitei no centro, poucas vezes usei os transportes públicos por dificuldades de encontrar carreiras que se ajustassem às minhas necessidades ou horários. Parecem-me grandes para algumas ruas estreitas, parecem-me que falham todo o centro histórico, apenas o contornando. E sendo transportes antigos, são pouco amigos da qualidade do ar…

E estacionamentos, como está Guimarães servida?

Por um lado, há muitos estacionamentos no arco urbano do centro histórico. Mas no Centro Histórico, não há quase nenhum parque “intramuros” – exceptuando o Largo João Franco e o Largo Martins Sarmento. Na fronteira existem os parques de S. Francisco, de S. António e da Mumadona. Todos os restantes estão a 5 minutos a pé de distância, ou mais ainda. E todos estes parques são de pequena dimensão, totalizando cerca de 1000 automóveis, mais ou menos, e todos pagos. Será suficiente? Não havendo um estudo sobre a quantidade de carros que se deslocam ao centro da cidade e sobre os objectivos das pessoas que aí vão (ou se há não é do meu conhecimento) é difícil responder a essa pergunta. Mas utilizando esse medidor impressionante que todos temos, o “olhómetro”, diria que para permitir maior mobilidade em Guimarães seriam necessários mais parques perto do Centro Histórico, com maior ligação a transportes públicos, implementando o uso de bicicletas (talvez no sistema de Aveiro, a Buga) e baixando os preços/hora do estacionamento.

E a qualidade de vida de quem vive na cidade?

Do ponto de vista do ruído, o empedrado onde circulam os veículos é inimigo do conforto. Os veículos em baixa velocidade e a antiguidade do parque automóvel de transportes públicos poluem o ar. E a passagem de veículos nas ruas perturba a utilização das mesmas por quem habita, impedindo até por vezes o acesso por automóvel destes às suas próprias casas.

E quem trabalha na cidade?

Como bem mostrou o Pedro Escobar Meireles Graça, por vezes há determinados serviços onde não é possível cumprir sem ter o carro bem perto do local de trabalho. Há quem carregue uma simples pasta, há quem carregue uma fotocopiadora ou uma máquina de lavar. Também não é fácil ajuizar esta questão, mas penso que determinadas pessoas têm imensa dificuldade em trabalhar no centro de Guimarães.

Julgo que haverá espaço a melhorar muito, em muitas coisas.

Por exemplo, há neste momento em curso a implementação de um programa de mobilidade sustentável, pela Agência Portuguesa do Ambiente, que uma das cidades do Quadrilátero Urbano, Barcelos, está já a implementar – vale a pena procurar pelo estudo deles na net, muito completo e interessante e perceber o que ainda pode ser feito – e por vezes com pequenas verbas – para melhorar a mobilidade urbana.

A lógica que explicava o desenvolvimento urbano dos últimos anos era:

Carros > Edifícios > Espaços > Pessoas > Vida

O desafio hoje é inverter essa ordem, começando a nossa preocupação de projecto por:

Vida > Pessoas > Espaços > Edifícios > Carros

Esta é uma ideia que julgo muitos de nós subscrevemos e é também uma boa questão de partida para o debate: saber em que sentido vai Guimarães.

2012/01/31

Conferência/Debate sobre Mobilidade pela Conferência Permanente de Cidadãos

Decorreu esta noite nova conferência da CPC dedicada ao tema da "Mobilidade em Guimarães" e que tive o grato prazer de moderar.

Antes de mais, uma coisa que me surpreendeu foi a casa cheia, talvez mais de 40 pessoas, entre elas imensos jovens. É bom saber que este tema desperta mesmo atenções.

Depois, as opiniões diversas e controversas que aconteceram ao longo das mais de 2 horas de aceso debate e troca de ideias foram muito interessantes.

Abordados que foram os temas dos transportes públicos, dos estacionamentos, da criação de mais ruas pedonais, da desertificação habitacional e comercial do centro histórico, dos diferentes utilizadores do espaço (os habitantes e comerciantes em oposição aos turistas e aos frequentadores dos espaços nocturnos), da implementação de zonas cicláveis, da implementação de planos de mobilidade em cidades limitrofes, da forma como se pode regular o transito, chegamos no final a algumas conclusões: em Guimarães não aparenta haver uma estratégia subjacente à questão da mobilidade. Tomam-se pelo poder político atitudes contraditórias, com fins antagónicos, da forma mais natural do mundo.

Seria positivo existir um estudo profundo, coerente e com procura de soluções que fossem integradoras das várias situações que permitissem melhorar todos os tipos de mobilidade, de quem anda a pé, de bicicleta, de transportes públicos e de automóveis. À semelhança, por exemplo, do que está a fazer com algum sucesso, a cidade de Barcelos (partes 1, 2 e 3), integrante do nosso Quadrilátero Urbano.

Há, por isso, muito a fazer sobre o assunto em Guimarães. Que está melhor nalguns aspectos do que se apresentava há alguns anos atrás, mas que se não mudar de paradigma e alterar alguns conceitos, poderá vir a ter sérios problemas a médio prazo.

Moderado por mim e com as presenças de José Gonçalves e José Cunha.

Deixo, por fim, aquela que é uma boa definição de mobilidade urbana e que serve a todos, da autoria da Engenheira Civil brasileira, Cristina Baddini:

"Mas, afinal, o que é mobilidade urbana?Quando uma cidade proporciona mobilidade à população, oferece as condições necessárias para o deslocamento das pessoas. Em outras palavras, ter mobilidade é conseguir se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer e para qualquer outro lugar onde o cidadão tenha vontade ou necessidade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. (...) Ter mobilidade urbana é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejados, salvo em caso de acidentes, por exemplo. É ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir ao trabalho a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo. É dispor de cicloviase também de calçadas que garantam acessibilidade aos deficientes físicos e visuais. E, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convir e não ficar preso nos engarrafamentos."

2012/01/20

E finalmente vai começar a CEC2012!

Ao fim de 21 dias deste ano de 2012, irá, finalmente, arrancar a sério o evento Capital Europeia da Cultura 2012 em Guimarães.

E, pelo que vou lendo, para além de termos uma imprensa nacional mobilizada e cooperante - TSF, SIC, RTP, Público, Visão, Expresso, entre tantos outros, têm vindo nos últimos dias a fazer extensas reportagens e peças jornalísticas sobre o assunto - e, de entre tantas, destaco uma diferente do habitual.

Foto do Fugas
É um roteiro do Fugas, do Público, "Dez passeios por Guimarães, dez séculos de arquitetura(s) aos nossos pés".

E é diferente porque faz aquilo que eu acho que a CEC2012, através da FCG, deveria ter feito e estar a dar agora à estampa: é um roteiro para visitar Guimarães através da arquitectura. Ou seja, foge aos habituais roteiros turísticos e mostra outro concelho, através, por exemplo, dos diferentes tipos de arquitectura que aconteceram no concelho ao longo dos últimos 10 séculos de história.

E como este roteiro, feito com calma e ponderação por um vimaranense com tempo para pesquisar, fotografar, catalogar e mapear tantos bons e belos exemplos de arquitectura que se encontram cá, deveria ser um belo livro.

E poderiam ser ainda feitos outros, como um Roteiro da Arte Sacra, um Roteiro das Casas Senhoriais, um Roteiro da Boa Mesa, sei lá, tantos e belos livros poderiam ter sido deixados para a posteridade representando o valiosíssimo património cultural vimaranense e ajudando a difundir, ainda mais longe, a cultura de Guimarães. Infelizmente, para já, só nos jornais e revistas se vão encontrando, casuisticamente, estas propostas...

Vale a pena ler as propostas do Fugas e procurar as mesmas no concelho - conheço quase todas de as palmilhar desde infância (menos a quinta do falecido arquitecto Távora) e merecem a visita.

E podem começar amanhã mesmo, na inauguração, pelo Toural, onde irão actuar os La Fura del Baus e onde eu conto estar a assistir.

2012/01/18

Da arquitectura do ferro

Na TSF, uma série de programas do Fernando Alves sobre Guimarães e a CEC teve, logo no seu inicio, um dedicado ao amigo Jerónimo Silva, actual proprietário da famosa casa "Ferreira da Cunha", bem no centro histórico de Guimarães, na sua principal praça, o Toural.

E foi por isso com muito agrado que ouvi esta reportagem, excelente, de resto, como já nos habituou o Fernando Alves e complementada com o endereço do site desta secular casa, onde podemos apreciar algumas maravilhas confeccionadas artesanalmente, conforme ditam os sabores dos tempos.

Vale a pena a visita ao site, para ver fechaduras, aldrabas, trinquetas, puxadores, batedores, pedreses, dobradiças, lemes, espelhos ou pregos de outros tempos. E vale mais ainda a visita à própria loja, no largo do Toural, onde não se sai sem trocar umas palavras sobre a sua arte ou a nossa cidade - por exemplo, a sua mágoa, que é a minha também, sobre o "novo" Toural...

2011/11/23

Da Arquitectura Popular em Portugal

Capa do 1º dos meus 3 volumes da 3ª Edição,
da Arquitectura Popular Portuguesa, 1988
No meio de pesquisa de soluções para um caso "bicudo" que tenho em mãos, lembrei-me deste famoso livro que resultou do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal e de procurar nas "raízes" profundas populares aquilo que não encontrava no esquisso.

E vai daí, sendo possuidor de um exemplar da 3ª edição de 1988 da ainda Associação de Arquitectos Portugueses, reparei ao abrir e folhear o livro que o mesmo está a fazer 50 anos da sua primeira edição e lembrei-me que ainda há dias houve um programa na TSF (programa "Encontros com o Património") sobre o assunto.

Vai daí, pesquisei sobre isto e encontrei muito e bom material sobre o assunto.

Desde logo, a reportagem que a TSF emitiu (com cerca de 40 minutos, com a presença do actual bastonário da OA, João Belo Rodeia, Manuel Graça Dias e Francisco da Silva Dias, do antropólogo João Leal e que pode ser ouvida aqui) é uma excelente peça e que me fez lembrar algumas das aulas que tive logo no primeiro ano do curso, pois o meu professor da principal cadeira (Projecto) foi um dos participantes deste trabalho, o Arq. Carlos Carvalho Dias - como dizem na reportagem, foi um dos "esgalhantes" da zona de Trás-os-Montes e que tantas vezes nos falou sobre esta obra.
Edição de 2004
da Ordem dos Arquitectos
na Bertrand

Depois, no blogue "Do Porto e não só" uma extensa e bem documentada fotograficamente e incluindo uma reflexão profunda sobre o assunto e as suas consequências que vale a pena ler e ver.

Também no mais antigo (e infelizmente descontinuado) blogue "O Projecto" o assunto foi abordado, mas neste apenas num contexto mais limitado e reflexivo a partir das introduções/prefácios das 1ª e 2ª edições do livro.

Encontrei ainda na Bertrand à venda (quer dizer, não está à venda porque diz estar esgotado/indisponível) por 106,00€ uma edição mais recente, de 2004, já pela Ordem dos Arquitectos, do que penso ser a última vez que esta obra foi impressa.

A 1ª edição do livro de 1961
na Livraria Manuel Santos
Por último, e como curiosidade, encontrei num famoso alfarrabista do Porto, a Livraria Manuel Santos (artigo n.º 5132) à venda uma 1ª edição de 1961 (editada pelo então Sindicato Nacional dos Arquitectos) por uns "módicos" 175,00€.

Resta-me dizer que aguardo impaciente que a Ordem dos Arquitectos coloque on-line a extensa documentação que tem em mãos, um enorme espólio fotográfico, desenhado e de textos/anotações que os participantes deixaram e que nunca foi publicado - segundo nos dizem na reportagem da TSF, a grande maioria da documentação não foi editada e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian poderá ver agora, finalmente, a luz do dia.

A parte engraçada (ou não...) é que no final disto tudo, o problema bicudo que tinha para resolver continua por lá com uns bicos bem pontiagudos! Vamos ao trabalho, ainda tenho muito para "esgalhar" - e que saudades que eu tinha desta expressão que tanto usávamos nos tempos universitários!

2011/11/17

Exportar arquitectura?

Fotografia Público
No Ípsilon do passado dia 10, surgiu uma noticia mais sobre arquitectura - como muitas vezes, o Público é dos jornais que mais atenção dá à matéria, juntamente com o DN e o Expresso.

A noticia da Alexandra Prado Coelho é sobre uma exposição em Lisboa ("as usual") no Museu da Electricidade que foi montada por 6 gabinetes de arquitectos portugueses e que andou já a correr mundo. Às expensas destes.

E daí que a noticia começa, rapidamente e ainda bem, a derivar da própria exposição para as opiniões dos arquitectos/as envolvidos sobre a promoção da arquitectura portuguesa no estrangeiro.

Pergunta-se então qual o papel do Estado na divulgação da arquitectura portuguesa/made in Portugal?

E a conclusão é simples: generalizando, não tem papel, passa ao lado do assunto.

O Estado não assume a arquitectura como uma indústria mais a exportar, os arquitectos têm de se promover por eles próprios, quer através dos concursos que amiúde vão ganhando no estrangeiro, quer através de organização/participação de exposições no estrangeiro.

A questão é simples. Com uma despesa mínima, o Estado pode promover a arquitectura portuguesa no estrangeiro, desde que assuma, através do AICEP e da rede de embaixadas, que essa industria tem de ser promovida. Como? Por exemplo, apoiando a organização de exposições itinerantes na embaixadas portuguesas, trabalhando a comunicação / marketing das exposições na imprensa desse país. Apoiando a participação de arquitectos portugueses em actividades no estrangeiro, promovendo Workshops/Feiras de arquitectura (e porque não de engenharia também) na rede de embaixadas, dando a conhecer o trabalho, obra e conhecimentos dos arquitectos portugueses. Preferindo, sempre que possível (porque nem sempre é, devido à legislação comunitária), os arquitectos portugueses aos estrangeiros.

Era importante o Estado olhar com atenção para esta matéria. Como disse o presidente da Ordem dos Arquitectos há uns dias, cerca de 40% dos arquitectos não tem trabalho em Portugal. Assim, em vez de exportar arquitectos, seria bem melhor exportar arquitectura... E há um largo papel que a diplomacia portuguesa pode desenvolver de forma a ajudar esta classe profissional. Só é preciso boa vontade, muito mais que dinheiro.

2011/10/20

Concreta 2011

Hoje fui à Concreta, a feira de materiais de construção, onde não ia desde o já longínquo ano de 2005.

Primeira impressão à vista desarmada, sem conhecer números: menos stands, menos gente, menos empresas. Logo, menos oportunidades de negócios. Provavelmente, reflexos do cenário de crise que a indústria da construção vive desde há vários anos e acentuada neste último ano, onde fecham cerca de 300 empresas do sector por mês, onde fecham imobiliárias, onde os técnicos emigram, onde os promotores pararam de investir como demonstram as constantes quedas de licenças de construção emitidas.

No restante, gostei de alguns produtos que vi. Algumas empresas procuram sobreviver à custa da diferenciação no mercado, de se tentarem colocar num patamar de qualidade ou inovação mais elevado do que a concorrência.

CONCRETA

 No entanto, também achei engraçado que há empresas que neste período de tempo não inovaram nada, pelo menos do ponto de vista expositivo. A Cimpor é o exemplo mais flagrante: o stand e os catálogos são do mesmo género desde 2005 - com excepção dos produtos que, mau era, foram evoluindo ao longo do tempo. Pelo contrário, a Valadares e a Sosoares tinham dos mais interessantes e bem conseguidos stands da feira, quanto a mim.

Num sinal positivo, de aposta e crença no país e no mercado, vi também bastantes empresas estrangeiras a tentarem entrar no nosso mercado (ou reentrarem) no que me parece um claro manifesto de que há ainda espaço para o sector progredir e voltar a ter melhores dias.

Lamentavelmente, não vi - ou não reparei - em nenhum empresa de Guimarães. Do distrito, sim: Braga, Barcelos, Famalicão. E assim, não havendo promoção, não há vendas nem há evolução do negócio...

Até ao próximo sábado (até sexta apenas aberto a profissionais do sector), na Exponor, em Matosinhos.

2011/10/08

Uma boa colecção do Público: ARQUITECTOS PORTUGUESES

O Público lançou esta semana uma nova colecção, sobre alguns "Arquitectos Portugueses" de renome, ao longo de 13 capítulos que cobrem os últimos 100 anos da arquitectura portuguesa.

Nomes como Raul Lino, Marques da Silva, Pancho Guedes, Cassiano Branco ou Viana de Lima, entre os mais antigos, e os presentes Souto Moura, Siza Vieira, Taveira ou Gonçalo Byrne são alguns dos visados nesta colecção.

Realço que várias obras focadas, até nas capas, são em Guimarães (pelo menos Raul Lino, com a Igreja da Penha, José Gigante com a Casa na Penha e Távora, com a Pousada da Costa).

Às quintas-feiras no Público, até ao final do ano, 29 de Dezembro. E espero que continue, ainda há muitos nomes a (re)tratar nesta colecção. Parabéns ao jornal pela iniciativa tão a propósito neste mês que a Ordem dos Arquitectos dedica a promover a classe.

A colecção completa:
6/10 - Raul Lino
13/10 - Souto de Moura
20/10 - Marques da Silva
27/10 - Pancho Guedes
3/11 - Viana de Lima
10/11 - Fernando Távora
17/11 - João Mendes Ribeiro
24/11 - Cassiano Branco
1/12 - Álvaro Siza Vieira
8/12 - Tomás Taveira
15/12 - Gonçalo Byrne
22/12 - José Gigante
29/12 - Arménio Losa

Resta dizer que o primeiro volume custou 3,00 € e os restantes 12 volumes serão a 6,90 € cada.

2011/10/03

Dia Mundial da Arquitectura

Hoje é o Dia Mundial da Arquitectura.

A Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte, decidiu prolongar a data não apenas a um dia, mas a todo o mês de Outubro, numa iniciativa denominada ARQ OUT, sendo que o "out" tanto abrevia o Outubro como significa "fora" em inglês, numa analogia a que a Arquitectura deve sair do seu reduto mais corporativo e vir para "fora", dar-se a conhecer.

Apesar de este ano o mapa cultural traçado pela OA-SRN se ter reduzido apenas à cidade do Porto, é objectivo desta que no próximo ano a iniciativa se alargue a outras cidades/áreas do Norte. Guimarães, sendo a Capital Europeia da Cultura, deveria desde já agarrar esta oportunidade/ideia e trabalhar com a OA-SRN, através da Fundação Cidade de Guimarães, para ter o seu nome na agenda do próximo ano. Por um lado, permitirá divulgar a arquitectura junto de quem visitar a CEC nesse período de tempo. Por outro lado, atrairá atenções devido ao incremento de visibilidade que a Arquitectura portuguesa teve nos últimos tempos, também devido ao prémio Pritzker de Souto Moura.
"Para tal, desafiou cidadãos, instituições e membros da OASRN – através dos seus órgãos de comunicação –, a apresentar ideias, projectos e eventos, da sua iniciativa, que gravitassem em torno da cidade e da arquitectura, ou que fossem relevantes para a formação profissional e cultural dos arquitectos. Após uma apreciação inicial, por parte da OASRN, esses eventos estão agora inscritos neste “mapa” cultural, o qual tem o espaço urbano do Porto como epicentro, mas que se pretende progressivamente alargado a outras realidades regionais, em próximas edições. Os eventos mantêm a sua autonomia organizativa e divulgativa, contando, deste modo, com um amplo reforço de difusão, por parte dos órgãos de comunicação da OASRN. Este primeiro “mapa” inclui diversas iniciativas – entre festivais, exposições, colóquios, debates, visitas guiadas, concertos, lançamentos de livros e revistas – realizadas por colectivos institucionais, associativos e outros, de natureza mais espontânea, entre os quais se destacam espaços e grupos emergentes que, fora do âmbito institucional, começam a estabelecer uma interessante teia criativa na região. A primeira edição do ARQ OUT pretende, por isso, ser muito mais do que um roteiro ou um guia cultural para a arquitectura no mês de Outubro; deseja, antes, ser o embrião de uma plataforma colectiva de produção e divulgação, incentivando o contacto “em rede”, e numa lógica bottom-up, entre criadores e instituições com acções em torno da cidade e da arquitectura."
Fica o convite às pessoas que se desloquem ao Porto, de propósito ou quem lá tiver de ir, que aproveite para visitar alguns dos pontos onde a Arquitectura vai estar disponível.

Programa completo (PDF)

2011/08/31

Estação de S. Bento é uma das mais bonitas do mundo

Soube-se há dias que a estação de S.Bento, no Porto, foi eleita como uma das mais belas do mundo por uma revista internacional, de grande tiragem, como uma das mais belas do mundo, numa restrita lista de estações de comboios.

Concordo inteiramente.

Inaugurada em 1915, a obra de arquitectura, de José Marques da Silva - uma das maiores referências da época - localiza-se numa zona central da cidade, no local de um antigo convento. Mas a maior beleza dela está no seu interior, nos paineis de azulejos que o mestre Jorge Colaço pintou para serem ali aplicados, contando as vivências das gentes do norte e histórias da História de Portugal, como o Torneio de Arcos de Valdevez, nos dealbares da nação portuguesa (século XII), Egas Moniz a apresentar-se com a mulher e os filhos ao rei de Leão, oferecendo as suas vidas (século XII), a entrada de D. João I, o Mestre de Avis, na cidade Invicta, para celebrar o seu casamento com D. Filipa de Lencastre (século XIV), o Infante D. Henrique durante a conquista de Ceuta (século XV) e diversos outros momentos que remetem para a história dos transportes no nosso país.

Para quem nunca lá foi, mesmo que não tenha de andar de comboio, vale a pena visitar.



2011/07/28

Plano de Promoção de Mobilidade em Guimarães

Ontem tive a oportunidade de assistir à apresentação do Plano Municipal de Promoção da Acessibilidade de Guimarães, que a Câmara contratou externamente.

Pareceu-me um documento interessante, bem construído, com muita informação relevante para melhorar e facilitar a circulação das pessoas com mobilidade reduzida - sendo que estas não são só os comummente aceites deficientes motores, mas também todos aqueles que por algum motivo não se podem deslocar normalmente num dado momento, e só quem já andou de muletas, por exemplo, sabe o que isso às vezes é difícil numa cidade cheia de obstáculos.

Estudos apontam que 55% da população tem problemas de mobilidade: dificuldade de visão, de locomoção, de audição - tudo isto pode dificultar a vida de cada pessoa numa cidade.

É por isso fundamental que as cidades se ajustem a toda a gente e este plano numa primeira fase faz uma análise bastante exaustiva a alguns edifícios públicos e, acima de tudo, a espaços públicos - 320 Km de espaços públicos na quase totalidade das freguesias do concelho. Só não foram algumas do centro da cidade, que não foi abrangido pelo estudo, não tendo eu percebido bem porquê, apesar de ter percebido que as obras em curso na cidade tiveram o apoio desta equipa.

Outra coisa que também não foi dita é quanto tempo será necessário para implementar as soluções apontadas por todo o concelho. Nem quem será responsável por isso - departamento de obras da Câmara?, delegação de competências nas Juntas de Freguesia?, concurso por "pacotes" de obras por zonas ou freguesias?

E, nesse seguimento, também não foi dito qual o valor previsto para essas obras, apesar de ter sido divulgado que o software utilizado permite dar uma estimativa orçamental dos trabalhos.

Aspecto positivo foi a execução deste plano, sem quaisquer dúvidas. Agora falta saber qual é o plano para implementar estas medidas, os custos das mesmas e como poderá ser executado isso. Bem como a duração deste plano - porque qualquer plano deste género tem um "prazo de validade" onde depois terá de ser analisado o que foi feito, o que falta fazer e novos problemas detectados.

2011/06/03

Pritzker 2011: A noite em que Obama elogiou Souto de Moura



Foi um dia grande para a arquitectura portuguesa ontem, com a entrega do prémio Pritzker de Arquitectura ao "nosso" arquitecto Eduardo Souto de Moura, incluindo um enorme elogio pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que foi orador e presidiu à sessão.

E que elogio!



E ao elogiar Souto Moura, acabou por, como ele próprio o disse, elogiar todos os arquitectos de Portugal.

Que grande noite de promoção de Portugal e da arquitectura portuguesa!

2011/05/11

Novas escolas da Parque Escolar não são sustentáveis

Excelente reportagem esta do programa Biosfera que, não sei porquê, passou ao lado do grande público e mostra o escândalo que tem sido o processo de reconstrução das escolas em Portugal promovido pela Parque Escolar, empresa pública que o Governo Sócrates criou para o efeito.

Desde logo, esta empresa é a 5ª mais endividada do sector público português, o que é uma enormidade e está em risco de não ter receitas para fazer valer todas as despesas que lhe entram todos os dias.

Depois, porque as obras que executou são de muito cara manutenção, nomeadamente na factura energética. Estes edifícios dependem enormemente da ventilação mecânica forçada e do ar condicionado, o que chegou a triplicar nalguns casos a factura mensal de energia que as escolas têm de pagar - implicando com isso que estão a ficar sem dinheiro para pagar essas contas e a desligar esses sistemas. O que está a criar um mau ambiente de funcionamento, excessivo calor e pouca renovação de ar nestes locais - tornando assim as escolas "novas" bem piores de suportar que as escolas "velhas", bem mais confortáveis termicamente.

As escolas não são sustentáveis termicamente e deixam uma enorme pegada ecológica no meio ambiente, bem como promoveram a importação de milhares de equipamentos de ar condicionado.



É urgente parar esta empresa pública de se endividar e endividar as escolas. Urge mudar, também aqui, o rumo da governação do país...

Google vai expandir sede com escritórios “verdes”

Dentro ainda do tema da construção sustentável que abordei há pouco, surge hoje esta notícias que a Google vai expandir sede com escritórios “verdes”, tendo para o efeito contratado um escritório alemão conhecido pelos seus edifícios altamente ecológicos, a Ingenhoven Architects, para desenhar a expansão da sede social da empresa nos EUA, de forma a que seja um edifício o "mais verde e sustentável possível".

Uma boa iniciativa desta empresa, no segmento de outras que tem vindo a tomar ao longo dos anos.