2003/09/05

Irreflexões

Estava a ver nos "referrers" de onde vieram os meus últimos visitantes e descobri que alguns vinham do blog Irreflexões, do qual eu nunca tinha ouvido falar.
Fui ver o que era e o que tratava. E nestes casos gosto de começar... pelo principio! E logo no segundo post, diz o seu autor: "Comentários são bem-vindos, desde que feitos irreflexivamente (sim, o advérbio de modo também existe)"... Ora quem faz e aceita comentários irreflectidos não é para ser levado em muita conta!

Mas fui ver o que era o dito blog...

Após então uma leitura geral, na "diagional", do blog, concluí que o senhor que o escreve é economista, de Lisboa e da esquerda caviar chique, quando muito um PS por interesse mas não convicção... Posso estar errado, mas foi a impressão com que fiquei. E este senhor desafiou alguns dos "laranjinhas" da blogosfera a serem "arautos do Governo" para com ele polemizarem sobre o défice orçamental do ponto de vista técnico! E ainda se dá ao luxo de acusar um dos que lhe deu resposta (Veto Político) de não o fazer tecnicamente...

Pois bem, da minha parte, aviso desde já: polémicas é com quem quero e falar de economia de uma forma tão técnica não é para mim de certeza absoluta... Já me basta conferir o saldo da minha conta bancária!!! E não sou arauto do Governo, nem o Governo precisa de arautos quando tem pessoas que fazem tão boa propaganda dele como o senhor!

Mais a sério um pouco: discutir o quê? Como quer esse senhor comparar números falsos do orçamento socialista (assim o disse Vitor Constâncio no seu relatório de análise do Banco de Portugal às contas de 2000, que num país evoluído ainda dava cadeia a esses governantes, ao último ano do engenheiro-pior-primeiro-ministro-desde-D.-Maria) com a dura realidade de recessão mundial, europeia e nacional que este Governo encontrou? O que o engenheiro desfez (e agora vou ser simpático...) em dois anos - 1999/2001 - pode levar 20 a refazer; apenas um governo reformista (como este está a ser neste ano e meio) poderá, talvez, abreviar as coisas... Pelo menos, segundo ouvi há dias, Portugal foi o país onde houve um maior crescimento do investimento estrangeiro este ano na CE; ora todos sabem que para um estrangeiro vir aqui investir, em tempos de crise generalizada, é porque terá garantias que tal lhe trará benefícios futuros, é porque acredita no país, é porque acredita no governo e nos governantes deste país! E isto já não acontecia desde os tempos do Prof. Cavaco Silva, quando Portugal estava à frente da Irlanda e da Grécia e era um "bom aluno" da CEE. Depois veio o engenheiro e passamos a receber avisos por não cumprir défice (1999/2000), a Irlanda deixeou-nos lá para trás e até a Grécia já está à nossa frente!

Portanto, discutir o quê? O que este país precisa é de acção, porque para treta já chegaram as cantigas de embalar laxistas do guterrismo nos seis piores anos de governação que este país teve desde... D. Afonso Henriques (logo estou a incluir os Filipes e dos espanhóis gosto deles longe daqui!) que se fosse Rei de Portugal em vez de termos como Presidente da República a figura que lá ainda se encontra, com toda a certeza tinha tomado atitudes drásticas contra a situação - afinal, combateu a própria mãe...

2003/09/03

Mais explicito que o Big Brother 4!

Não resisti a colocar esta pequena frase no titulo como forma de aumentar as probabilidades de encontrarem este meu cantinho devido à enorme procura que algumas palavras chave como essa (e outras como Jordana Jardel, por exemplo) têm nos motores de busca...
E para não defraudar as expectativas, aqui deixo a imagem de um "David" a preparar-se para o assalto ao "forte" da "Golias"!!!
Não acreditam?
Então vejam mais abaixo...

Porto 4 x Sporting 1

Hoje fui às Antas, onde já não ia há 4 anos...

Da última vez, ainda o agora treinador (?) do SCP estava no banco do FCP...

Como dizia, fui às Antas e voltei de barriga cheia!
O FCP deu um festival de bola e a jogar daquela forma, com jogadores medíocres como Ricardo, Miguel Garcia, Hugo, Toñito, Tello ou Lourenço, os "lagartos" não vão longe... O "Frango da Guia" (Ricardo, para os amigos...) não vale nada - pode ser um bom guarda-redes para o Boavista que joga à defesa e que lhe permitia nunca sair debaixo dos postes onde ele é bom, mas no SCP onde o guarda-redes é um líbero, ele não vai longe e se só levou quatro é porque não foram muitas mais bolas com a direcção da baliza... O defesa direito é inocente, tanto quanto o Lourenço que marcou ao Belenenses e à Académica, mas que com a marcação do melhor defesa central em Portugal (sim, Scolari, deixa de ser BURRO e leva o Ricardo Carvalho à selecção...) não teve hipóteses! O Hugo não tem categoria para jogar num grande e pergunto-me: como pode o Polga estar no banco? O Toñito anda a maior parte do jogo alheado do mesmo e o Tello falta-lhe um "bocadinho assim" para ser um jogador interessante - ninguém tem 1,65 numa equipa a lutar pelo título a não ser os génios e ele nem para "lampada" está...

Enfim, gostei de ver a equipa do FCP dar razão ao Mourinho - afinal sempre foi o SCP que pagou a factura da derrota com o AC Milan.

E daqui a 15 dias espero voltar lá para ver o Benfica levar outros tantos (ou ainda mais, se possível...) e daqui a 30 dias espero ver os "galácticos" nas Antas - infelizmente ainda no velhinho estádio mas quando for no novo deve ser fabuloso, pois o aspecto dele, para já, é fantástico... Estou "em pulgas" para entrar lá dentro e apreciar aquela magnifica obra de arquitectura do colega Arquitecto Manuel Salgado.

E entretanto, para história ficam os quatro que o SCP levou na despedida do Estádio das Antas. Para o ano, no Estádio do Dragão, cá vos esperamos para "levarem" outros tantos...

2003/09/02

Zangam-se as comadres...

...e descobrem-se as verdades, diz o ditado popular!

E eu assisto da minha bancada, deliciado, à calorosa troca de galhardetes entre os adversários. O espectáculo promete, resta esperar pelo resto do jogo!

2003/09/01

Construir o Futuro

Foi o lema da festa-comício do PSD em Caminha.
Infelizmente não pude ir, mas pelo que li nos jornais e pelo que ouvi nas televisões, em particular o comentário de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa (o seu "inimigo" interno de estimação...) julgo que esteve muito bem o nosso Primeiro Ministro e julgo que o lema reflectiu muito bem o que o líder transmitiu no seu discurso de improviso.

Mais tarde tentarei fazer aqui uma análise ao mesmo. Quando tiver tempo...

Entretanto, actualizei um pouco os Blogs com link aqui ao lado e deixo menção especial para um que não sei muito bem como qualificar: o Muito Mentiroso! Anónimo, parece ser de alguém com muita imaginação ou que está muito por dentro do processo Casa Pia... Não sei se o que lá li é revoltante e indigno ou se é a realidade... Mas que já tinha ouvido uns "zum-zuns" de alguns destes assuntos, lá isso ouvi! Cada vez menos sabemos em que é que devemos acreditar!

2003/08/29

Perdeu, mas com honra!

Pois é, o FC Porto perdeu... Mas o jogo, com excepção dos primeiros 15 minutos - que foi onde perdeu o jogo - foi muito bom, tendo mesmo "humilhado" o Milan AC durante largos períodos de tempo, com trocas de bola constantes e total domínio do meio campo.
No entanto, hoje o ataque não ajudou... O Derley não era o do costume; o McCarthy não estava no Mónaco; o Deco não era o "mago" que os adeptos esperavam que fosse... Enfim, falharam os primeiros quinze minutos e falhou o ataque. E como o Milan AC não é o Benfica, um falhanço da defesa basta para deitar por terra um jogo inteiro e um ataque desinspirado não consegue marcar a dois dos melhores defesas centrais do mundo (Maldini e Nesta).

E assim a Supertaça fugiu...

Mas pelo menos o treinador do FC Porto pode afirmar, com razão, que a sua equipa está no bom caminho para grandes vitórias europeias e nacionais esta época - afinal, quem fez do poderoso Milan AC uma banal equipa à defesa durante todos os 45 minutos finais, só pode esperar o melhor do futuro próximo.

Supertaça?

Daqui a pouco mais de uma hora, o FC Porto vai disputar mais uma final europeia, agora a Supertaça frente ao Milan AC, campeão europeu. Poderá ser mais uma prova da validade do nosso futebol e do futebolista português, pois o Porto é uma equipa que aposta nos portugueses - da equipa inicial, entre 8 a 9 jogadores deverão ser portugueses e seleccionáveis (ao contrário do Benfica, por exemplo, que prefere apostar em estrangeiros consagrados como Argel, Zahovic, Féher, Anderssen eoutros que tais para fazer exibições caricatas frente à Lázio que o FC Porto despachou pelo mesmo resultado há 3 meses atrás...) e que assim comprova o valor dos jovens portugueses. E destes 3 até são nascidos em Guimarães: César Peixoto, Pedro Mendes e Ricardo Fernandes...

Espero daqui a umas horas estar a comemorar mais um titulo europeu... para desespero de muitos benfiquistas e alegria de ainda mais portistas e portugueses!

PPPPPooorrrrttttttooooo!!!

2003/08/26

Porque as férias estão a chegar...

...voltei a não ter tempo de escrever ontem e para hoje é mesmo só este pedido de desculpas!
Afinal, uma vez que vou tirar dois dias esta semana e três na próxima, com o exame no dia 5 e a entrega da revisão ao trabalho da bolsa de estudo "Cidade e Democracia: 25 Anos Depois" com que fui contamplado em 2000 e cuja publicação está a ser ultimada, provavelmente nos próximos dias não terei grandes oportunidades de escrever com regularidade.
Mas a ver vamos e que venham as férias que bem preciso delas!

2003/08/24

Para assim renascer, mais valia ficar calado!

O líder do principal partido da oposição (sim, ainda é o PS...) esteve practicamente calado no último mês. Talvez estivesse de férias, talvez tenha compreendido que assim prestava melhores serviços ao seu partido do que quando falava... Não sei, mas o facto é que andava ausente. Ouviu-se SA Mário Soares (SA=Sua Agnosticidade...) a defender a honra da família... Ouviu-se a ex-embaixadora Ana Gomes a defender não se sabe muito bem o quê... Viu-se António Costa a fazer puzzles... Mas do líder (como é que ele se chama?...) é que pouco se ouviu! Umas curtas declarações sobre os incêndios (tipo "a culpa é do Primeiro Ministro") e pouco mais...

Entretanto, uma invenção dos últimos anos (a "reentré política") surgiu e o líder teve de falar... Pressionado por SA que andou a dizer mal do Portas, que o líder estava ausente, mal do Portas, que o Primeiro Ministro não governa, mal do Portas, que o líder não tem carisma (pois, foi o Candal, mas é a mesma coisa...), enfim, lá teve que dar a cara...

Ainda consta que terá procurado convencer alguém a ir lá fazer aquilo por ele, mas foi mais uma iniciativa condenada ao fracasso...
Então o que podia ele dizer... Estava a leste do que se passava... Afinal, este mês de férias é para ser férias, especialmente depois de um ano tão atarefado como este! "Tive que falar mais com os telemoveis todos este ano do que trabalhar nos ministérios nos 6 anos de governação Guterres" chegou a comentar no seu circulo intimo, soube a Linha de Rumo de fontes pouco seguras e completamente anónimas...

Então o que podia ele dizer... Fez uma breve leitura dos jornais... E lá está... Ideias para o país não há muitas, mas no PS também não há muito quem pense o país, a especialidade mesmo é aproveitar-se do país! Então só restava mesmo satisfazer SA e criticar o Ministro da Defesa. Afinal, isso dá garantia de noticiário, contenta o clã de SA e desvia as atenções da falta de conteúdo político, de iniciativas e de capacidade de produzir um slogan (quanto mais uma ideias de país...) para camuflar o estado de catalépsia em que todos no partido se encontram... "Governação Progressista"? Mas o que é isto? Como diria o mais famoso dos provedores, "qualquer dia, zzzz, acabam os comícios a cantarem Avante Camarada... zzzz, não havia nexexidade!!!"

Agora mais a sério. Para dizer o que tinha a dizer, mais valia estar calado! É que o seu discurso foi tão falho de ideias, tão bota-abaixo, tão revelador da falta de postura governativa... Aquele discurso estava bem na boca de dirigentes secundários para fazerem "mossa" e criarem o "búrburinho", não no líder do maior partido da oposição e candidato a Primeiro Ministro.

Eu sei que o PSD teve dificuldades e passou por 2 líderes antes de Durão Barroso chegar novamente ao Governo. Mas nunca teve ninguém com tão poucas qualificações nem com tão pouca qualidade como este líder do PS...

2003/08/23

Daisy

Estou com a minha cadelinha, Daisy! É uma caniche branquinha, linda, com uns olhos amorosos e um nariz preto que parece uma borrachinha!!!

Faz amanhã sete semanas (nasceu a 29 de Junho) e é um espanto!!!

Em breve cá estará uma foto da cadelinha mais bonita do mundo...

Insónias...

É noite.
Está calor, pois é Verão. Lá fora, troveja. Chove um pouco... Ainda ouço o ruído do trovão cujo flash disparou há alguns segundos atrás...

É noite, está calor, é Verão...

O sono fugiu, talvez com o ruído da trovoada...

É estranho como estas horas são longas, mais longas que as do dia... Às vezes penso que gostaria que as horas dos meus dias fossem tão longas como as das minhas noites: assim, talvez pudesse nelas fazer tudo aquilo que não consigo fazer por serem tão curtas... Se fosse cientista, diria que as horas encolhem com a luz do sol!

É noite, está calor, é Verão... Troveja... Vou dormir!

2003/08/21

Leituras [1] - Sangue Romano, de Steven Saylor, da Quetzal

Estou a ler uma série de livros policiais históricos, romanceados, do autor Steven Saylor. Passam-se na Roma antiga, e o primeiro intitula-se Sangue Romano.

A sinopse reza assim:
"Numa Primavera anormalmente quente, no ano 80 a.C., Gordiano o Descobridor é chamado à casa de Cícero, um jovem advogado e orador que se está a preparar para o seu primeiro caso importante.
O seu cliente é um proprietário da Úmbria, Sexto Róscio, acusado de um crime imperdoável: a morte do prórpio pai.
Gordiano aceita a incumbência de investigar o crime - numa sociedade onde reina a traição, a falsidade e a conspiração, onde nem os escravos dizem a verdade.
Mas nem mesmo Gordiano está preparado para o espectacular desfecho deste terrível e difícil caso.
Sangue Romano, do escritor e historiador americano Steven Saylor é o primeiro de uma série de policiais históricos passados na Roma antiga com o título genérico Roma sub-rosa. Esta série, que a Quetzal publicará na totalidade tem constituído um enorme e merecido sucesso."

São publicados pela Quetzal Editores e valem mesmo a pena. Aconselho vivamente!

Bagdad/Jerusalém por Pacheco Pereira no Abrupto

Um post recente de Pacheco Pereira no Abrupto está a causar muito burburinho, como ele o previra, em especial por causa destas frases: "Por que é que não se pode dizer que Sérgio Vieira de Mello morreu pelo mesmo objectivo por que morrem os soldados americanos? Por ter sido funcionário da ONU? Por que razão é que as mortes israelitas, na sua enorme brutalidade, não suscitam um milionésimo de reacção, da fácil reacção que outras mortes causam, mas apenas incomodo?".

No seu modo desassombrado, como lhe é ainda mais caracteristico no seu blog, Pacheco Pereira soube, quanto a mim, tocar no ponto fraco da questão.

É que neste mundo de hoje há sem dúvidas duas formas de analisar o conflito que se estende por todo o médio oriente! Existe um lado, onde considero integrar-me, que acha que o problema é civilizacional, que confronta uma civilização dita "moderna" - que é a nossa, com o capitalismo/liberalismo, a democracia, o pluralismo, a representatividade, a busca do conhecimento e todos os defeitos e virtudes que tais coisas acarretam - com uma outra civilização muito mais atrasada, quase medieval - pois imperam as ditaduras, por vezes de cariz religioso ou tribal, por vezes de pendor comunista, quase sempre totalitárias, onde poucos têm acesso ao conhecimento. A outra forma de ver este conflito é com o olhar romantico e nostálgico das lutas dos fracos contra os fortes - como alguém já escreveu, dos indios de lanças contra os cowboys de pistola - mas que, como quase todas as visões romanceadas, pecam por distorcer claramente a realidade: afinal, os indios usavam lanças mas muitas vezes atacavam à traição - ou se transferirmos para Jerusalem, não serão os bombistas suicidas que se fazem explodir nos autocarros matando civis e crianças atancantes à traição, matando quem não tem nada a ver com o assunto?

Pacheco Pereira tem razão! Acho que Sérgio Vieira de Mello morreu por um ideal que também é o meu: estender mais longe uma civilização moderna, fazer chegar a países como o Iraque o século XXI da internet, das liberdades, do conhecimento. Coisa que ajudou a fazer no Kosovo (saído da pesada ditadura comunista, que perdurou na Sérvia muitos anos) e em Timor (saído da ditadura Indónesia) e que hoje são mais próximos do século XXI onde nos encontramos do que do século XIX onde estavam fechados.

E já agora, gostei da atitude do Primeiro Ministro em aprovar a condecoração, com a ordem de mais alto grau em Portugal, este cidadão do Mundo que Sérgio Vieira de Mello foi. Gostava de ver Guimarães, na sua Assembleia Municipal, dedicar-lhe igual honra, atribuindo-lhe até o nome de uma rua ou praça em local compatível à dignidade que ele merece.

Linha de Rumo n.º 53 - E eu nem sabia!

Hoje no quiosque onde costumo comprar os jornais deram-me os parabéns pelo meu artigo. E eu pensava não ter publicado nada, pois não tive tempo de realizar uma intervenção de fundo, como habitualmente costumo fazer...
Quando pergunto "que artigo?" diz-me a Teresa (dona do quiosque, ex-aluna da minha mãe) que era o do Noticias de Guimarães... e no mesmo momento pegou no jornal, folheou e mostrou-me: lá estava, a Linha de Rumo, com uma foto de Sérgio Vieira de Mello e o título do post de terça feira, escrito no calor do momento em que soube que havia falecido no bárbaro atentado de que ele foi a maior das vitimas - mas não a única, até porque este atentado foi contra a Humanidade e não contra pessoas!

Assim, descobri que a minha amiga Teresa Ferreira será leitora habitual deste blog e que aproveitou um dos meus posts para incluir na minha rúbrica habitual no jornal, o que achei uma excelente ideia. Parabéns pela iniciativa.

E já agora, comprem o jornal, não leiam só o meu blog!!!

2003/08/20

A informação dos média

aqui escrevi criticas aos média que fogem a assuntos de muito maior relevo para, apenas, nos apresentar aqueles cujo consumo, porque recorrendo a imagens ditas "fortes", se torna mais apelativo - ou então por medo de afrontar os poderes instalados!

Mas Pacheco Pereira, hoje no seu Abrupto num post pelas 08:13 da manhã (e cujo link não funciona) foi mais longe e disse algumas verdades que os jornalistas não gostam (nunca) de ouvir! A ler, reflectir e... concordar!

2003/08/19

Para Sérgio Vieira de Mello


Para este brasileiro que tinha um enorme futuro à sua frente e talvez pudesse vir a ser ainda o Secretário-Geral da ONU, o primeiro a falar português, que morreu hoje barbaramente e de forma cobarde no Iraque onde representava o Kofi Anan, deixo uma palavra especial de apreço e de consideração pelo muito que fez em todo o mundo - Kosovo, Timor, entre outros - pela pacificação e pela esperança em levar até aos países destruídos por ditaduras e guerras civis um pouco mais do mundo moderno e civilizado onde temos a imensa felicidade de podermos viver.

Os terroristas - da Al Qaeda? Apoiantes do Saddam? - tiveram hoje uma breve vitória nesta batalha pela irradicação dos fundamentalismos. Mas tenho a certeza que com esta morte - estúpida e trágica pois ele era um homem bom! - apenas servirá para revitalizar a força com que os países onde as liberdades são palavra de ordem e não palavras vãs, enquanto homenagem, tragam no final a vitória sobre o mal - eixo ou não... - que é transformar o Iraque e todo o médio oriente num local onde se persiga a prosperidade e termine o obscurantismo em que aquelas populações são forçadas a viver por uma minoria que detem o poder e a força!

Para este grande Homem, perante a sua memória e perante a sua grande vida diplomática e que tão ligada esteve a Portugal, em particular por causa de Timor, as minhas sentidas condolências.

2003/08/18

Direito à Arquitectura

Em busca de elementos para preparar o relatório de admissão à tese de mestrado, deparei-me à pouco no site da Sacção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos com os textos de resolução da petição apresentada na Assembleia da Republica e com a sua discussão no plenário.

Achei muito interessante a forma como se colheu a unanimidade do plenário (raras vezes as bancadas de um partido aplaudem e vibram com intervenções de adversários políticos...) e a forma não só como esta sessão legislativa tratou o assunto como também o pequeno mas muito esclarecedor texto do relatório da comissão de obras públicas, transportes e comunicação que aprovou a petição, do qual gostaria de realçar estas passagens: "Importa, por último, reflectir também sobre a posição dos profissionais com outras qualificações, que actualmente salvaguardados pelo Decreto n.º73/73, podem subscrever projectos de arquitectura, a quem deve ser conferido um tempo de adaptação e a possibilidade de serem reencaminhados para as tarefas que, de acordo com as respectivas qualificações, estão materialmente aptos a desempenhar" e que "não havendo direitos adquiridos nem expectativas legítimas a proteger, deverá, no entanto, recomendar-se que seja definido um período razoável de transição, para reencaminhamento dos profissionais reconhecidos pelo Decreto n.º 73/73."

Ou seja, isto apenas vem confirmar que durante muitos anos houve muita gente, os famosos "patos-bravos" que andaram a usufruir ILEGALMENTE de benefícios para os quais não estavam "materialmente aptos a desempenhar" e que não há "direitos adquiridos" por parte dos "patos-bravos" que desta forma andaram, durante anos, a ROUBAR serviços a profissionais que, esses sim, estavam legitimados a realizar.

Apenas venho realçar estas duas questões porque muitas pessoas achavam que conferir o direito da arquitectura EXCLUSIVAMENTE aos arquitectos ia contra direitos adquiridos de muitas pessoas que viviam desses serviços apesar de não serem arquitectos - os "patos-bravos"!
Tal nunca poderia ser assim, uma vez que o decreto-lei que veio abrir a excepção (o famoso 73/73) apenas o fazia numa ocasião circunstancial de existirem poucos profissionais na época e estarem perante um "boom" de construção devido às remessas dos imigrantes. Era uma situação que deveria ter sido temporária mas que, como muitas outras neste país, acabou por se eternizar ao longo de 30 anos, indo contra normativas europeias e legislação nacional (que transpôs as normativas europeias para Portugal logo nos inicios dos anos 90) e prejudicando milhares de arquitectos que viam a concorrência desleal levar-lhes muitos trabalhos...

Agora, só falta concretizar tão grande unanimidade e fazer sair a lei que substituirá o Decreto-Lei n.º 73/73. Espero que ainda este ano...

Rebola a bola...

...nos estádios deste Portugal em preparação para o Euro-2004.

Finalmente começou o campeonato (não sem polémicas, como de costume, com o adiamento de um jogo por ainda não se saber se é o Estrela que fica na 1ª dividão ou se é a Naval...) e já rolou a bola em muitos estádios deste país.
O "meu" FCP lá ganhou, mesmo usando os serviços mínimos para tal - como já o fizera com o Leiria, para a Supertaça Candido de Oliveira - porque, por um lado, ainda está a afinar a máquina e, por outro lado, os jogadores já estão a pensar na Supertaça da UEFA a 29 de Agosto contra o Milão "de" Rui Costa. E se com isso quem perdeu foi o Braga, tanto melhor...
O Vitória joga hoje à noite e vou tentar marcar presença, pois para além de já ter o cartão para a época também ainda não fui ver o estádio depois das obras.
O Benfica começou mal - para felicidade de muitos portugueses - e não fez melhor do que um empate no Bessa com um Boavista em reconstrução e ainda longe de ser o "boavistão" de outras épocas. Para quem quer ser campeão, não deixou lá grande imagem...
O Sporting ganhou com muita dificuldade frente aos "estudantes" que apesar de tudo se revelam melhores jogadores que gestores: bilhetes a 60 Euros em férias e tempos de crise? Estou que nem posso...
O outro clube de Guimarães, o Moreirense, conseguiu averbar a primeira vitória, pelo que já só faltam aí uns 33 pontos para a época estar salva...
Já tinha saudades de ver a bola a rolar!!!

As voltas da Volta

Acabou ontem a Volta a Portugal em bicicleta e ganhou-a um jovem corredor, para mim um desconhecido, de seu nome Nuno Ribeiro. Pelo que pude ver, o rapaz tem pinta e terá futuro - se não for fazer de aguadeiro para uma equipa estrangeira!
Para quando em Portugal uma equipa de topo na Europa - como a Maia já provou ser possível fazer, mas recorrendo a muitos estrangeiros - com os nossos melhores nacionais: o Nuno Ribeiro, o Cândido Barbosa, o Zé Azevedo, o Gamito, o Sérgio Paulinho, o Nélson Vitorino, o Rui Sousa... Não é que não reconheça valor a estes estrangeiros, mas gostava de ver o real valor dos ciclistas portugueses reconhecidos numa equipa portuguesa com portugueses. Como fez o FCP no futebol este ano, com 8/9 portugueses e apenas 2/3 estrangeiros que acrescentavam valor à equipa... e ganharam tudo o que havia a ganhar!

2003/08/14

Os incêndios

Portugal ainda está a arder. Depois do centro do país, agora é nas serras do Algarve onde a tragédia se desenvolve.
Casas cercadas pelo fogo, familias angustiadas pela proximidade do fogo aos seus bens que tanto lutaram para os obter. Tudo isto é grave mas a pergunta tem de ser feita: afinal, de quem é a culpa?

A resposta não é simples - nunca é, senão o problema nem sequer existia... - e tem uma imensidão de variáveis que não permitem uma resposta simples e directa. Mas podemos com alguma simplicidade apontar algumas causas desta tragédia que em 2003 se tem desenvolvido nestas últimas 3 semanas.

Causa primeira - O aquecimento global e desertificação dos solos, com desaparecimento de espécies verdes e progressivo avanço de zonas secas. Resultado do abuso que ao longo dos últimos 100/150 anos se tem feito ao nível da poluição, a temperatura média tem vindo a aumentar e a provocar maiores desequilibrios na natureza - grandes inundações, ondas de calor, aumento do buraco do ozono, etc... - e por esse motivo aumentam as probabilidades de desastres naturais acontecerem.

Causa segunda - A desertificação do interior de Portugal. A progressiva migração das populações para o litoral tem como efeito um progressivo abandono das terras que as populações tratavam - e isso incluí­ não só as terras agricolas como tambem as florestais, que deixam de ser tratadas, limpas e desobstruídas. Desta forma, a quantidade de árvores existentes aumenta, aumenta a quantidade de residuos caidos das árvores e com o tempo forma-se uma generosa camada de "lenha" que com a presença do fogo não só arde com facilidade como tambem permite manter uma "cama de brasas" que alimenta o incêndio durante mais tempo.

Causa terceira - A alteração de actividades industriais. Com o evoluir e aproximação às chamadas médias europeias, Portugal tem vindo a alterar radicalmente as suas actividades, nomeadamente com o progressivo abandono do sector primário e aumento dos sectores secundário e, sobretudo, terciário. Assim, havendo uma cada vez menor actividade primária - como a agricultura, pastoricia, madeireira, etc - há cada vez mais área de terra abandonada ou sem grande tratamento. Como é evidente, quando a tragédia se verifica, o perigo é muito maior.

Causa quarta - A não organização da floresta em Portugal. Conforme se pode verificar por uma reportagem da RTP com o presidente da Câmara da Lousâ e tambem dos bombeiros, Jaime Soares, até há poucos anos a floresta no local não dispunha de caminhos largos de acesso aos terrenos, de corta-fogos, de pontos de água e pequenos açudes de apoio, etc. Foi preciso um incêndio de proporções idênticas aos de este ano para que o autarca - que é considerado modelo e é o mais antigo em funções no paí­s - re-ordenasse todo o território florestal do seu concelho. Mas tambem as espécies de árvores de Portugal são muito propensas a incêndiar, em especial as resinosas e como não há o "hábito" de introduzir folhosas para "cortar" a progressão do fogo, os incêndios não têm grandes barreiras à sua progressão. Tambem não há o hábito se realizarem fogos controlados de inverno, que são facilmente circunscreviveis e que permitem reduzir de forma drástica o surgimento de fogos de verão.

Enfim, podería estar aqui muito mais tempo a discorrer sobre o assunto, mas o que achei mais interessante até agora foi a reacção do Governo a esta tragédia: prometeu para Setembro diversas acções tendentes a introduzir a reforma da floresta em Portugal. Se conseguir levar essa reforma por diante e com efeitos prácticos concretos ao ní­vel do combate das causas que acima descrevi, tenho a certeza que irá fazer algo que não é feito desde os tempos de D.Dinis: re-ordenar vegetalmente o território nacional! E essa será uma das maiores vitórias deste Governo...