2003/11/17

Estádio do Dragão - A opinião do adepto!

Eu estive lá! O bilhete diz tudo: bancada Nike, porta 25, boca 31, sector 36, fila 26 (bem lá em cima!) e lugar 6. Ao lado, no lugar 7, está o meu pai.



Quando cheguei ao estádio acedi rapidamente ao seu interior. Os breves relances do interior que fui tendo do exterior anunciavam desde logo uma óptima imagem. Mas ainda não recuperei o folego do "baque" que tive no momento em que através da boca 31 pude - finalmente! - vislumbrar o Estádio do Dragão na sua globalidade. E aquilo que vi foi lindo! Espectacular! Fabuloso! Fantástico! Impressionante! Magnifico! Estonteante! Maravilhoso! Não sei, mas apesar de ter usado 8 palavras para adjectivar aquilo que senti, julgo que mesmo assim não consigo reproduzir a sensação de esmagamento que senti perante a multidão azul que vi, perante as bancadas repletas, perante a cobertura que pairava sobre as nossas cabeças, perante uma iluminação feérica, perante os paineis electrónicos de alta resolução, perante o relvado que fica tão próximo da bancada...

Já por fora ele é bonito, apesar de ser uma enorme massa construtiva, parece que sempre esteve ali, parece que aquele local sempre foi para lá colocarem um estádio. Mas por dentro, que coisa linda! Já estive no estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. Já fui ao local do estádio do Braga, do Arq. Souto Moura. Mas não há comparação com isto.

Se mais não tivesse feito, Pinto da Costa entrava para a história do F.C.Porto pela magnifica casa que soube oferecer ao clube. Mas como para além disso ele ofereceu titulos nacionais e internacionais, em diversas modalidades, Jorge Nuno Pinto da Costa ficará para sempre e incontornavelmente ligado à história do Porto-clube e do Porto-cidade e do desporto em Portugal.

E, sem dúvidas, este é o estádio mais bonito de todos...

Para aperitivo, e antes de colocar as fotos que tirei (se é que sairam bem...) fiquem com esta animação flash da TSF:


O ridiculo mata...

...e mais não digo!
Mas diz o Bartoon desenhado pelo magnifico Luis Afonso do Público de hoje muito melhor do que eu...

Mais um desafio...

Em breve darei conta das minhas emoções como adepto e como arquitecto do novo Estádio do Dragão.

Mas entretanto surgiu mais um desafio: participar no debate que o Picuinhas lançou sobre o "direito à arquitectura". Coisa que não recuso, mas não sei ainda quando o poderei fazer.

2003/11/16

O Desafio

A Lapiseira desafiou-me para aquele que será o mais dificil de todos os trabalhos de casa que já tive!
Despir a farda do adepto "fanático" e colocar o capacete de obra para apreciar o Estádio do Dragão hoje.

Confesso que o trabalho será ciclópico! Mas vou tentar fazer o meu melhor...

Para amanhã deixo novidades sobre o Estádio D. Afonso Henriques, onde fui ontem assistir à derrota de Portugal frente a uma França claramente mais forte e poderosa. Para "adoçar o bico": de todos os parques de estacionamento onde já estive, este é, sem margens para dúvidas, o pior! E para já mais não digo que hoje o dia é de festa...

2003/11/14

Noticia do Independente sobre a Casa da Música no Porto

Dá-lhes música

Arquitecto responsável pela Casa da Música desrespeitou os prazos e os custos previstos,
mas já recebeu 900 mil contos do contrato e 200 mil em prémios de produtividade

Adelino Cunha
acunha@oindependente.pt


A Casa da Música já pagou cerca de 5,5 milhões de euros (1,1 milhões de contos) ao arquitecto responsável por um projecto que está quatro anos atrasado e cujos custos derraparam quase 200 por cento.
O Independente soube que o anterior Conselho de Administração (CA) pagou ao holandês Rem Koolhaas 4,5 milhões de euros (900 mil contos) a título de remunerações contratuais e cerca de um milhão de euros (200 mil contos) em prémios de produtividade. O valor actual contratualizado é de oito milhões de euros (1,6 milhões de contos). Os pagamentos adicionais autorizados pela administração de Rui Amaral estão a levantar dúvidas junto dos seus sucessores e dos auditores do Tribunal de Contas, responsáveis pela análise em curso às contas da sociedade.
O arquitecto desrespeita os prazos estabelecidos e, apesar de os contratos preverem o accionamento de cláusulas de penalização, os anteriores administradores optaram por pagar prémios de produtividade.
Rem Koolhaas venceu o concurso público para a construção da Casa da Música essencialmente por garantir duas condições exigidas pela sociedade promotora da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura: conclusão das obras até 2001 e contenção dos custos.
As informações da actual administração revelam que a Casa da Música talvez esteja pronta em meados do próximo ano e que o projecto irá custar quase 100 milhões de euros.A data inicial para a inauguração apontava para 2001 e os custos estimados deveriam rondar os 34 milhões de euros.
Filhos e enteados. O relatório de actividades da Sociedade Porto 2001 correspondente ao exercício de 1999 pontava Outubro de 2001 como data-limite para a conclusão das obras.
Nos exercícios seguintes, a inauguração da Casa da Música foi sendo remetida para Abril de 2002, Agosto de 2002 e Junho de 2004.
O atraso total será de quase quatro anos, e até a actual previsão de data está seriamente comprometida, conforme já admitiu o administrador Manuel Alves Monteiro. A derrapagem nos custos é também evidente. Em 1999, as obras deveriam custar 33,8 milhões de euros, passaram para 42,3 no ano seguinte, 55,3 em 2001 e 7,7 milhões de euros em 2002. Os actuais dados oficiais assumem como previsão orçamental para este ano um custo de 98,9 milhões de euros, ou seja, 192,47 por cento acima do orçamento previsto em 1999.
Em escudos, os custos da Casa da Música passaram de seis milhões para 19 milhões de contos.Três vezes mais. A impossibilidade de cumprir o orçamento previsto e as datas exigidas justificou que muitos outros potenciais candidatos optassem por não concorrer. Caso do prestigiado arquitecto portuense Alcino Soutinho. Em recente entrevista ao “Diário de Notícias”, o arquitecto disse que se praticou “uma injustiça aos arquitectos portugueses que disseram não poder cumprir os prazos estipulados. Koolhaas disse que sim e não os respeitou: faltam as infra-estruturas, o que se repercutirá nos custos”.

Martelada.

No final de 1998, Rem Koolhaas assinou um contrato com a administração da Casa da Música no valor de cerca de quatro milhões de euros. As partes também definiram o pagamento das despesas correntes e uma fórmula para os prémios por objectivos. O arquitecto holandês teria direito a 10 por cento do valor global se superasse o cronograma aprovado. Pelo meio houve ainda um reforço de honorários.
O decorrer das obras tem demonstrado um total desrespeito pelos orçamentos e permanentes atrasos na entrega dos projectos de especialidade. Mas Koolhaas continua a receber os seus prémios por objectivos.
Rem Koolhaas é um prestigiado arquitecto holandês já distinguido com o “nobel da arquitectura”, o Pritzker
de 2000. Uma das suas biografias, que circula na internet, é ilustrativa: “As suas propostas arquitectónicas
destacam-se pela polémica, e mesmo quando não são construídas tornam-se paradigmáticas.”

Parabéns, Pai!

É apenas uma palavra, mas com muito significado: PARABÉNS! A tua prenda chega domingo... no Estádio do Dragão. Que tenhas um bom dia...

2003/11/13

Afinal já se fala do Congresso da OA

Pois é, parece que já não estou só na blogosfera a falar sobre o assunto!
A Epiderme já falou sobre o assunto, bem como umas breves referências do Projecto, do Blog Sem Nome e do RandomBlog.

Custou, mas parece que finalmente começa a surgir a obra depois do projecto devidamente aprovado pelas autoridades competentes (ou então não!, como diria o Nuno Markl, Pedro Ribeiro e Maria de Vasconcelos no para mim saudoso Programa da Manhã...).

McCarthy em destaque no site da UEFA

Esta semana, na revista da UEFA o detaque é do Benny.
A ler aqui.

Estádio do Dragão

No domingo é a inaguração do Estádio do Dragão e eu já tenho o meu bilhete...

O espaço, do ponto de vista urbanistico, parece-me excepcional: tem um beleza enorme, resolve uma série de situações daquela zona e faz um remate explendido quer da VCI (que fractura toda a zona de Campanhã) quer da nova Alameda criada para o efeito. Só falta resolver a enorme escarpa do lado direito (quem desce a alameda) que deixa à vista as traseiras de uma série de prédios que desvirtuam aquele local para a intervenção ser perfeita.

Agora quero ver a funcionalidade: não só a do espectador (como eu) mas vou estar atento ao que os repórteres vão dizer na rádio e às imagens que a TV nos vai fazer chegar. Passo a explicar: o Alvalade XXI tem problemas de organização dos espaços para a comunicação social (diferenças de 3 ou 4 andares entre duas zonas de trabalho que deveriam estar anexas) e as camaras de TV estão posicionadas de tal forma que quase nem se vêem as bancadas opostas, deixando apenas à vista o fosso que as separa do campo, o que é sempre desagradável visualmente. O Bessa XXI também padece de um problema idêntico ao Alvalade XXI no que toca a organização e distribuição dos espaços. Do novo Estádio da Luz não ouvi grandes queixas, tal como do Estádio D. Afonso Henriques (neste os problemas parecem ser outros, bem mais graves...).

Por isso, não vejo a hora de estar na bancada poente Nike D, sector 36, fila 26, cadeira 6! Nunca mais é domingo...

2003/11/11

Congresso da Ordem dos Arquitectos

Com este post de hoje terminei uma série de posts dedicados a este assunto.
Dos vários blogs de arquitectura que costuma visitar, apenas um fez menção de falar sobre o assunto (o Random Blog) e até agora ainda não concretizou.
Em todo o caso, a problemática do Gehry em Lisboa (por um lado o valor dos honorários, por outro lado a questão da adjudicação directa da obra) tem feito correr alguma tinta entre os blogs (e não só os de arquitectura...).

Mas pergunto eu: o que é mais importante? Saber se uma determinada obra deverá ser entregue directamente ou por concurso a um estrangeiro ou discutir sobre toda a classe, os seus problemas, anseios, dificuldades?

Eu julgo que mais interessante do que andar a debater a qualidade do Gehry (que tem obras excepcionais e outras medianas...) é discutir o presente e o futuro dos arquitectos em Portugal e na Europa. Porque sempre vão existir projectos de grande envergadura que serão entregues aos grandes nomes mundiais. Mas o que preocupa a maior parte dos mais de 10 mil arquitectos não são esses projectos; são aqueles que lhe garantem os rendimentos necessários para manter um atelier aberto, alimentar a familia e poder viver em vez de sobreviver...

Por isso exorto daqui os restantes arquitectos da blogosfera a entrar nesta discussão que poderá trazer muito mais coisas importantes para cada um de nós do que os milhões do Gehry para fazer o Parque com ou sem casino e mais as torres do Siza em Alcantara...

2º Congresso da Ordem dos Arquitectos - Conclusões

A primeira conclusão é que o Congresso vem em boa hora: urge debater alguns dos temas que se apresentam, a aprovação da petição nacional apresentada no Parlamento trouxe novas responsabilidades (mormente no que toca à substituição do velhinho, vestuto e desactualizado Decreto Lei 73/73) e porque a Ordem precisa de afirmar a classe para lá da própria classe e do "circuíto fechado" dos promotores que (já) apostam nos arquitectos como forma de valorizarem os seus produtos.
Para além disso, o programa paralelo ao Congresso, não sendo muito diversificado, acaba por complementar bastante bem o mesmo, com especial destaque para a Exposição "Arquitectura Moderna Portuguesa 1920-1970" que irá estar no Paço dos Duques de Bragança, que focará, certamente, de uma forma muito positiva um período que foi extremamente rico no campo da arquitectura mas que é quase desconhecido do grande público.
Agora, só espero que o meu trabalho me permita participar no Congresso...

2003/11/08

No próximo post: Conclusões

Para terminar, conto ainda este fim de semana apresentar algumas conclusões aos 4 últimos posts quie aqui deixei.

2º Congresso da Ordem dos Arquitectos - Os Temas III (A Arquitectura Como Práctica)

Por último, o congresso vai tentar abordar os temas da qualidade e do dever da concorrência desleal. Ou seja, irá abordar a práctica da arquitectura. E muito haverá a dizer, com toda a certeza, neste capí­tulo. Em primeiro porque a qualidade - no projecto, como na própria construção - não deve ser imposta pelo arquitecto mas deve ser reivindicada pelo utilizador. E deve ser encarada por todos os profissionais envolvidos no processo construtivo - isto é, desde os projectistas até aos construtores, passando pelos promotores - como um objectivo que permitirá, a breve prazo, aumentar o nível geral da construção, permitindo uma maior credebilização de todo o sector e maximizando, num futuro próximo, o potencial financeiro deste sector. Porque o tempo em que o "lucro" vinha da mão de obra barata e do aproveitamento dos recursos existentes de fraca qualificaçao já acabou - o presente é já o tempo da especialização da mão de obra, dos materiais, dos projectistas e dos construtores!
Por isso esta palavra tem de entrar rapidamente no vocabulário da construção - Qualidade, uma aposta no presente para um futuro melhor!
Já no que toca à questão da concorrência, a mesma pode ser abordada sobre dois angulos distintos: a relação arquitectos-outras profissões similares e a relação arquitectos-arquitectos.
Se a primeira está em vias de ser resolvida após a aprovação da petição pelo direito à arquitectura, que revogando o Decreto Lei 73/73 irá permitir legislar de forma correcta e justa quem deve ter acesso à profissão e em que condições a concorrência pode acontecer, já a segunda fase relação tem de ser bem estudada e debatida. Antes de mais, julgo que será importante a Ordem dos Arquitectos - como outras Ordens em Portugal - definir uma tabela de honorários de referência. Este gesto iria desde logo permitir esclarecer quem anda a trabalhar dentro de preços de mercado ajustados à realidade sócio-económica de Portugal e quem anda a trabalhar com honorários "tipo-Gehry"! E fundamental será definir as relações entre os arquitectos do sector público e do sector privado. Porque de todas as formas de concorrência desleal que se podem fazer, a maior delas é aproveitar um cargo no sector público, bem remunerado (pelo menos a remuneração é garantida e na data fixada) em serviço de exclusividade para fazer trabalhos no sector privado, concorrendo com quem apostou apenas no sector privado (e que pode ser, em certos casos, melhor remunerado, mas sem garantias de pagamento, muito menos em datas fixas...), sabendo-se que os "privados" não têm acesso ao "interior" do "aparelho administrativo" como têm os "públicos", daí derivando uma clara vantagem destes - em especial junto dos clientes mais "apetecíveis" que são os promotores imobiliários que garantem com regularidade os serviços que o cidadão comum (que necessita de um serviço esporádico e ocasional) não garante aos projectistas - por exemplo, com a publicação de um relatório anual em cada Câmara Municipal com os projectos aprovados e reprovados e os seus autores, pois assim toda a população poderia perceber quem são os técnicos que melhor trabalham e daria uma pública forma de transparência quanto à quantidade de projectos de cada técnico e da qualidade através da análise estatística da quantidade de projectos aprovados - afinal, depois de passar por tantos crivos como hoje passa um projecto (câmara, bombeiros, direcções gerais de turismo, ambiente, industria, comércio, etc, CCR's, entre outras, um projecto aprovado é desde logo uma garantia de qualidade mínima! E quando este problema estiver sanado, não tenho duvidas que o sector da construção sairá em muito dignificado. Porque nada melhor do que a total transparência de mercado para que o mercado possa optar por quem dentro de um determinado orçamento melhor cumpre os objectivos que o cliente pretende atingir...

2003/10/23

2º Congresso da Ordem dos Arquitectos - Os Temas II (A Arquitectura Como Conhecimento)

Pergunta-se, e muito bem, "o que sabemos"?
E realmente é possivel afirmar que se sabe muito pouco sobre a arquitectura. Não é fácil justificar perante pessoas que nunca tiveram o hábito de irem a um arquitecto que eles são as pessoas recomendadas (e necessárias) para tratar dos assuntos relacionados com o projecto de uma construção. Porque tiveram a formação adequada para isso; porque têm uma visão mais abrangente de um projecto e estão habituados a servir de "ponte" entre as várias disciplinas/matérias envolvidas. Por isso defender a arquitectura passa por explicar, de forma clara, que um projecto não é apenas um conjunto de "riscos" numas folhas! É muito mais, é ter vários conhecimentos (cada vez menos básicos e mais aprofundados) de diversas matérias de forma a fazer a gestão e coordeação de algo que é cada vez mais complexo, que é realizar um projecto de uma construção. Quantas pessoas saberão o que é necessário para se poder obter uma licença de construção? Este é um bom tema para um próximo texto...
Por isso é importante analisar os conhecimentos que temos e que deveriamos ter! Ou analisar o impacto da arquitectura, de cada projecto, na vida real e no espaço urbano. Ou da importância da arquitectura nas políticas culturais.
Por tudo isto, é necessário também analisar também, para além da formação inicial (o curso!) a formação contínua - pois esta é a que permite a qualquer profissional manter-se actualizado e apto a desenvolver de uma forma mais eficiente a sua profissão. E no caso dos arquitectos, essa formação é essencial devido ao novo regime de responsabilidade e qualificação profissional que substituiu o "velhinho" Decreto-Lei n.º 73/73.

No próximo post: Os Temas III (A Arquitectura Como Práctica)

2003/10/21

2º Congresso da Ordem dos Arquitectos - Os Temas I (A Arquitectura Como Recurso)

Com algum atraso, cá vai um breve comentário sobre os temas a que se vai dedicar este congresso.

A ARQUITECTURA COMO RECURSO
A ideia de conceber a disciplina Arquitectura como um recurso parece-me interessante. Aliás, julgo mesmo que se poderá dizer que é um recurso fundamental na área da construção civil, mas que não é valorizado de forma equitativa a outros recursos. Senão, a média de cerca de 7% de despesas com projectos, por vezes inferior ao que se gasta em taxas e licenciamentos, provam-no!
O grosso do orçamento é com a construção; apenas uma pequena parte serve para compensar os projectistas (e destes 7% não é tudo para os arquitectos, pois também aqui estão projectistas engenheiros...).
É por isso fundamental valorizar este recurso, em especial num mercado cada vez mais aberto, técnico e cheio de específicidades.
É também fundamental fazer valer o peso deste recurso junto do poder decisório, i.e., político! Porque só assim será possível exigir dele o estabelecimento de uma estratégia nacional para a arquitectura, património, urbanismo e ordenamento do território.
É preciso que o poder político perceba que este recurso tem sido desbaratado e muitas vezes apenas utilizado como forma de defender decisões políticas que os políticos não querem assumir, usando do prestígio dos arquitectos junto da comunidade para tal.
O que traz à colação o problema de quem deve o arquitecto servir: o requerente, o licenciador, a própria arquitectura, a comunidade onde se insere? Porque por vezes há uma total incompatibilidade entre todos estes interesses e é o arquitecto que se vê com o problema nas mãos e tem de lhe dar uma resposta que agrade a todas as partes, sob pena de não o fazendo não conseguir completar a obra!
Por último, julgo que será ainda intenção do congresso falar nesta parte sobre questões de autoria (nomeadamente na função pública mas também se poderá falar da problemática dos gabinetes) e da autonomia dos arquitectos quando ao serviço de outros (seja função pública, sejam privados). Porque como profissionais liberais não estamos sujeitos a nenhum ditame, mas como profissionais do quadro ao serviço de políticos ou outros arquitectos, poderão surgir situações de conflito que poderão ser minoradas se houver uma maior clarificação quanto a estes aspectos.

No próximo post: Os Temas II (A Arquitectura Como Conhecimento)

2003/10/16

2º Congresso da Ordem dos Arquitectos - Os Objectivos

Recebi esta semana a publicação publicitária do congresso que se realizará aqui em Guimarães, de 27 a 29 de Novembro, no Pavilhão Multiusos.

Desde logo ressaltam os ambiciosos objectivos do evento:
* constituir um momento de grande afirmação da arquitectura;
* discutir a situação nacional da arquitectura, do património construído e do território;
* abordar os problemas concretos que afectam a prática profissional;
* fomentar um debate aberto;
* alcançar conlusões objectivas e definir prioridades de actuação no quadro da profissão;
* proporcionar, através de uma organização efeciente, oportunidades de convívio e de qualificação profissional.

Dissecando um pouco estes objectivos, julgo que qualquer congresso de determinada categoria profissional é sempre um momento de afirmação da mesma. Assim seja possível discutir a situação nacional da arquitectura e do urbanismo e isso trará, com toda a certeza, essa mesma afirmação.
A abordagem dos problemas concretos é fundamental: julgo que durante muitos anos a OA (então apenas Associação, AAP) andou alheada da realidade, imersa num ante-projecto onirico que não se transpunha para o projecto de execução do quotidiano. Mas, reconheço até porque não votei na actual Bastonária, hoje as coisas estão diferentes.
Por último, e este é um objectivo deveras ambicioso para qualquer português, pretende-se alcançar conclusões objectivas (sabe-se como nós gostamos de dialogar, mas quando chega o momento de tirar uma conclusão para actuar é que são elas...) e definir prioridades de actuação no quadro da profissão. Caso se cumpram estes objectivos, este será, sem dúvidas, um congresso de sucesso e afirmativo da classe perante o país!

Amanhã: Os Temas

2003/10/09

Ainda sobre o Dia Mundial da Arquitectura

O meu amigo Xana, estudante de Engenharia Civil, deixou algumas considerações interessantes ao meu "post" de ontem.

Cabe-me esclarecer que tudo aquilo que falei são casos dos quais tenho conhecimento pessoal mas cuja prova, para mim sendo dificil de a fazer, é relativamente simples de produzir para quem puder fazer uma contabilidade dos autores de processos nos serviços de urbanismo e loteamentos das Câmaras Municipais. Quando falei de turbo-engenheiros, não quero dizer que são todos assim; nem que são Engenheiros Civis! Para além destes, também os Engenheiros de Minas e os Engenheiros Técnicos assinam projectos de arquitectura. E se os Engenheiros permitem que bacharlados em engenharia sejam chamados de Engenheiros, a culpa não é minha... Aliás, costumo fazer a distinção dizendo que uns são Engenheiros e outros são Técnicos em engenharia!
Mas o que é facto é que há pessoas com este grau académico que assinam centenas de projectos por ano. A partir de casa ou pequenos escritórios. E eu sei que isso não é possivel assim, pelo que só podem ser TURBO-engenheiros...

Quanto às competências que as universidades facultam aos seus alunos, em teoria estão muito bem. O pior é quando estes chegam ao mercado de trabalho e vêm que afinal a maior parte daquilo que andaram a estudar tem muito pouco campo de aplicação e sentem-se desorientados e com necessidade de voltar a aprender outra vez. Foi o que se passou comigo e com diversos outros arquitectos e engenheiros com quem fui contactando ao longo destes anos desde que me licenciei. A conclusão a que rapidamente cheguei é que o ensino superior na área da construção é muito pouco orientado para o mercado de trabalho. Mas o mesmo não se passa com as pós-graduações, que são muito mais próximas da realidade laboral.

Depois, não contesto a separação de funções. Antes pelo contrário, defendo-a! Admito deixar de fazer direcções de obra - para as quais só ao fim de algum tempo de trabalho me passei a sentir mais vocacionado - se ficar com o exclusivo do projecto. Mas não aceito que não possa fazer algumas das especialidades, pelo menos até determinadas dimensões, uma vez que posso adequirir esses conhecimentos. Afinal, para poderem subscrever determinados projectos (como gás, acústica ou térmica) os engenheiros têm de frequentar uma acção de formação; e se os arquitectos puderem frequentar algumas acções de formação em determinadas áreas, porque para tal estão vocacionados, podem perfeitamente subscrever esses projectos (aliás, essa é a ideia que preside aos alvarás dos construtores, por escalões dos valores de obras que podem realizar em função dos pessoal que dispõem nos quadros da firma).

Por último, no que toca ao capitulo financeiro, a questão dos honorários é sempre complicada... Mas a qualidade que um projecto elaborado por um arquitecto pressupõe é, à partida, superior àquela conferida por um não-arquitecto. Aliás essa questão é tão importante que é em função dela que escolho os meus colaboradores em cada projecto: se é algo com qualidade e que me garanta bons honorários, trabalho com um Engenheiro Civil; se é um projecto simples e despretencioso, cujos honorários são normalmente mais fracos, então trabalho com Técnicos de Engenharia. Agora, Xana, tira as conclusões...

Mas foi bom teres tocado nesses assuntos, pois é sempre agradável debater desta forma com alguém que está disposto a trocar argumentos de forma correcta.

2003/10/06

Dia Mundial da Arquitectura

Hoje é dia mundial da Arquitectura.

E este ano que passou foi um ano muito positivo para os arquitectos portugueses.

Em primeiro devido à petição "Pelo Direito à Arquitectura" que juntou mais de 50 mil assinaturas de cidadãos que entendem que a arquitectura deve ser practicada pelos arquitectos - nada mais justo e idêntico ao que se passa noutras classes profissionais: a medicina é dos médicos, a advocacia é dos advogados...

Depois porque a Ordem dos Arquitectos tem sabido promover diversas actividades - conferências, exposições, visitas a obras - que de algum modo têm vindo a ter impacto público e bastante divulgação por parte da comunicação social.

Finalmente, porque este ano irá se realizar o 2º Congresso da Ordem dos Arquitectos, aqui mesmo em Guimarães, e que provavelmente abrirá ainda ao público, dando mais visibilidade, esta arte/disciplina/profissão que durante tantos anos foi tão mal tratada neste país de empreiteiros de lucro fácil, de desenhadores de vão de escada e de turbo-engenheiros autores de mais de 200 projectos por ano!

Mas hoje é dia de festa! Vamos todos celebrar este dia, "pelo direito à Arquitectura"!

2003/10/02

Eu não disse?

Pois disse, estava com a sensação que a coisa não ia correr bem!

Não é que não tivesse começado bem, porque até começou. E quando o Real Madrid empatou, o FC Porto estava mais próximo de marcar o 2º do que de sofrer aquele golo. Mas como diz a velha máxima do "futebolês", quem não marca, sofre! E como não marcou, o FC Porto sofreu o golo que acabou por virar o desfacho final do jogo, já que a partir daí não mais o Real foi o mesmo - começaram a ser mais "galácticos" e menos "superstars"...

Enfim, este ano ainda não vi o FC Porto do ano passado que arrasou a Europa. Mas acredito que ele está aí para surgir...

2003/10/01

Está na hora Real!

Por motivos profissionais - e pelo estado do tempo - não fui às Antas ver a bola!

Bolas!!!

Mas também não estou com grande fezada. Pode ser que me engane...

Mas vou mas é ver o jogo que já começou. PPPOOOORRRRRTTTTTOOOOO!!!!!