2006/02/20

Cordão humano: sucesso total!

Foi de facto memorável aquilo que se passou em Guimarães na tarde de sábado.

Mesmo debaixo de um temporal como não me lembro, com chuva, rajadas de vento que deitaram árvores e outdoors ao chão, granizo e trovoada, alguns milhares de pessoas sairam às ruas e às varandas e a uma voz se juntaram para carregar em ombros a equipa local que haveria assim de sair vitoriosa do embate contra o ainda campeão nacional.

Nas minhas contas, há duas semanas atrás, após o empate com o Belenenses, pensei que o Vitória estivesse condenado a ser campeão da II Liga na próxima época, já que pelas minhas contas precisaria de fazer pelo menos 37 pontos quando tinha então apenas 17.

Neste momento já não sei o que poderá acontecer. Porque dos 3 jogos seguintes que achava complicado o Vitória ganhar (Maritimo, Benfica e Nacional) o Vitória já venceu dois e sempre pensei que dos jogos que faltam até ao final da época há 4 que são para ganhar (Setúbal, Paços de Ferreira, Gil Vicente, Penafiel) e portanto o clube estará no limiar de conseguir os pontos necessários para assegurar a manutenção, tão desejada quanto merecida, entre os clubes da 1ª Liga. Vamos a ver os próximos jogos...

1 ano de vida, 365 dias de amargura

Este é resumo do primeiro aniversário do Governo Sócrates. Não é que não tenha razão nalgumas medidas que tomou quanto à função pública. Porque tem. Mas a maneira como está a actuar é que não está nada bem. O problema não é o conteúdo, é a forma! A maneira insensivel como tem actuado, o espirito autista e autoritário como não aceita dialogar com ninguém, a forma de entrar nas negociações com as ideias previamente fechadas, tudo isso faz com que o espirito positivo das reformas caiam por terra e sobre apenas o pó da contestação dos destroços.

Mais grave é a ideia - real - que fica de incumprimento generalizado das promessas eleitorais. Os 150 mil empregos que ia criar deram num aumento do desemprego (já dramático há um ano) para valores na ordem dos 8% e 500.000 mil desempregados, coisa que já não acontecia há uns bons 20 anos, desde que por lá passou Mário Soares, não sei se conhecem... O não aumento dos impostos tem sido até agora o contrário: o IVA aumentou 10,5% (passou de 19% para 21%), o Imposto Automóvel aumentou, o Imposto sobre Produtos Petroliferos aumentou, etc, etc, etc... A nomeação consecutiva de "boys" para os cargos públicos (de que Fernando Gomes para a Galp foi aquele que mais deu nas vistas, entre os mais de 2000 nomeados...) quando se dava a entender o contrário também é grave. Além disso, o facto de terem elegido o famoso e odiado "défice" como monstro nº 1 a ser combatido (quem os ouvisse na campanha...) e de terem tido um resultado, no mínimo, igual ao dos últimos anos antes de medidas extraordinárias (5 virgula muitos, quase 6%) é um rotundo falhanço na política económica. Para além disso, o erro de casting de muitos ministros é evidente - Finanças, Cultura, Educação, Negócios Estrangeiros, sendo que o primeiro já foi remodelado... e os outros vão ser a breve prazo, talvez a seguir à tomada de posse do Presidente Cavaco Silva a 9 de Março...

Enfim, a única coisa agradável mesmo hoje é saber que um ano já passou e só faltam 3 e uns meses para nos tentarmos ver livres destes laparotos que lá foram calhar, graças aos santanistas e ao prórpio Santana, Il Demo!

2006/02/16

Cordão humano

Sábado vamos fazer um cordão humano para acompanhar o autocarro do nosso Vitorinha desde o Hotel de Guimarães até ao nosso Estádio!

O percurso é o seguinte:

Hotel de Guimarães --- Av. D. João IV --- Campo da Feira --- Alameda --- Toural --- R. Santo António --- R. Gil Vicente --- Av. S. Gonçalo --- ESTÁDIO D. AFONSO HENRIQUES

Não se juntem em grupos, mas espalhem-se ao longo das ruas para que o cordão percorra o percurso completo entre o Hotel de Guimarães e o Estádio. A concentração começa às 15h.

Aparece e divulga!!!!!!

2006/02/14

Forum Vimaranis, período 2006-08

Foram eleitos na passada sexta, dia 10 de Fevereiro, os órgãos sociais do Forum Vimaranis até 2008. Mais uma vez vou emprestar a minha presença nas funções que ocupo desde a 1ª hora, de Secretário da Direcção.

Para memória futura, ficam aqui as listas completas:

Assembleia Geral

Presidente - Alexandra Xavier
Vice-Presidente - André Coelho Lima
Secretários - Miguel Alves, Vânia Dias da Silva, Marco Bravo

Conselho Fiscal

Presidente - Francisco Gama Lobo
Vice-Presidente - João Carlos Duarte
Secretário - Rui Barreira

Direcção

Presidente - César Teixeira
Vice-Presidentes - Jorge Castelar Guimarães, José João Torinha, Dinis Monteiro,
Luís Pires
Tesoureira - Susana Almeida
Secretário - Nuno da Silva Leal

2006/02/07

Opa!

Belmiro did it again... Quando há uns tempos vendeu os activos no Brasil à Wallmart (ou Kmart?) comentei com alguém que ele devia estar a preparar-se para comprar outra coisa qualquer. Acertasse nos números do Euromilhões assim e era hoje um concorrente dele!

Foi arrojada a sua proposta de aquisição da PT. Foi arrojada e pelo que leio, foi num timing perfeito, pois a Telefónica está com pouca liquidez em virtude de ter adquirido uma operadora telefónica britanica recentemente e porque cavalgou as indicações da UE em terminar a golden share da PT. Para além de que o efeito surpresa irá sempre gerar dividendos muito positivos...

De resto, estou tão cheio dos serviços da PT que neste momento estou em fase de transição entre a PT e a Novis e entre a Sapo e a Clix. Só não concluí ainda o processo porque a PT já adiou 2 vezes a migração da linha telefónica... Por isso, espero que a Sonae tenha sucesso na operação porque cheio dos desmandos da PT ando eu!

2006/02/03

Novo e-mail!

A partir de agora, com novo e-mail - eu tinha-me prometido não mudar mais, mas falhei... mudei novamente! Ainda com alguns sobressaltos na net, mas em breve tudo regressará à normalidade...

2006/01/30

Quo vadis, Vitória?

Pois é, se o meu FC Porto não anda bem, o que direi do meu outro clube, o Vitória de Guimarães? É que como as coisas estão, para o ano vai jogar a Liga de Honra! 17º lugar, 16 pontos em 20 jogos, a 4 da linha de água... Está mais negro que o equipamento do clube!

Não sei o que se passa ao certo, mas desde o principio da época que desconfiava um pouco do plantel por causa da 2ª revolução em 2 anos... E como me parecia que o plntel não era construído à semelhança da imagem do treinador Jaime Pacheco, pelo que a contratação de Vitor Pontes a meio da época pareceu-me o emendar do erro inicial mas, verdade seja dita, não me está a parecer que a coisa vá a tempo de se emendar.

A bem do pessoal de cá, a ver vamos se se safa!

2006/01/29

FC Porto, quo vadis?

Para onde vais tu navamente este ano, FC Porto?

Tenho me abstido de comentar a carreira do FC Porto por aqui, até pela minha participação noutro blog temático desportivo. Mas de facto, apesar de um pouco melhor do que na época passada, este ano os caminhos que a equipa estão a trilhar mostram-se muito obscuros e cujo trajecto final ainda não é claro...

Tenho andado com o credo na boca a cada jogo, não tenho confiança na equipa, no geral, mas no treinador, em particular. Porque ele é um nabo no banco, não percebe de futebol defensivo, recorre a tácticas ofensivas suicidas, tacticamente não é inovador nem consegue responder às situações específicas que cada jogo apresenta, é arrogante e teimoso, insiste em más opções, um "clone" do "clown" Scolari! Para um adepto do FC Porto que percebeu muito cedo o erro de casting que o seleccionador se revelou ter como "prenda" da administração da SAD depois de 3 treinadores sem gabarito para o clube um "scolari" de sangue laranja não é animador!

Não mencionando o facto de ter sido humilhantemente eliminado da Liga dos Campeões e de apenas ter ganho um jogo contra equipas grandes ou do topo da tabela (Inter, no Dragão) ainda se arrogou a colocar Jorge Costa de forma humilhante como 5ª opção e destitui o Vitor Baia da titularidade após um erro num jogo, isto depois de nas semanas anteriores ele ter sido reconhecidamente o garante dos resultados escassos que o FC Porto conseguiu (as vitórias tangenciais contra a Naval, contra o Boavista...).

Não sei o que pretende, mas sei o que conseguiu: virar o plantel contra ele, virar os sócios contra ele, virar a imprensa contra ele. Pinto da Costa, teimoso como se tem mostrado nos últimos 10 anos e alheio da realidade como anda, persiste novamente no erro. O FC Porto não precisa de treinadores nem de jogadores que por nunca terem ganho nada sejam ambiociosos e queiram ganhar coisas. O FC Porto precisa é de treinadores e jogadores que sejam de qualidade reconhecida, com provas dadas e potencial comprovado, porque depois num clube como o nosso o mais natural é começarem a ganhar coisas!

Para este ano já só peço que ganhem a Liga. A vontade de comemorar começa a ser muito pequena, porque quando ganha um jogo já a coisa é mais um alivio do que uma sensação de alegria!

Vou voltar para a cozinha...

...porque aqui no congelador está de lascar! Brrr!!! -3º ontem à noite, o que vale é que não chuvia, senão estava tudo branquinho cheio de neve.

2006/01/27

Novos edifícios obrigados a usar painéis solares

Faz hoje manchete em vários jornais e rádios esta notícia, sendo que a mim a única coisa que me espanta é que tenha demorado quase 3 anos a tornar-se realidade. Porque em 2002-03, quando fiz o curso de especialização na UM em Engenharia Civil, uma das cadeiras (Térmica) teve uma aula dada pelo responsável pela alteração ao RCCTE que nos foi alertando para essas (e outras alterações) bem como para a futura obrigatoriedade de certificação energética dos edificios e suas fracções.

De resto, medidas com as quais estou em absoluto acordo e que tenho vindo a implementar sempre que possível nos meus projectos partículares e, em especial, na obra que estou a gerir desde 2003, o VizelaPlace - Condomínio Privado, cujas casas terão paineis solares instalados, isolamento térmico nas coberturas de 6 cm em poliestireno extrudido, janelas com roptura térmica e outros cuidados para que o conforto térmico seja bem acima da média do que é construído. Felizmente, nesse sentido, tal só é possível porque o administrador da firma para a qual trabalho é, sem dúvidas, uma pessoa com amplos horizontes e percebeu rapidamente as vantagens de trabalharmos sobre uma legislação futura em vez de nos baseramos nos decrépitos regulamentos que norteiam a nossa construção civil.

2006/01/26

A lenta dissolução dos partidos

Hoje, n'O Público e no Abrupto, o Pacheco Pereira deixou-nos o inicio de uma excelente reflexão sobre os partidos políticos. E apenas acho que no seu texto está a solução do problema: são as pessoas que importam, as "elites" como ele lhe chama, que têm de voltar aos partidos. Os partidos, por sua vez, têm de criar condições para que voltem, adaptando-se aos tempos modernos, pois os partidos têm estruturas e regras baseadas num período de tempo há muito ultrapasado. O PSD parece-me querer regenerar-se: marcou um congresso para rever estatutos em 17 e 18 de Março e ontem mesmo anunciou uma regra sobre o pagamento de quotas moralizante. Só gostaria que o PSD reflectisse muito mais do que a questão das directas que não são para mim o essencial na reformulação estrutural que o PSD necessita...

Mas não me vou alongar muito mais hoje. Prefiro deixar-vos com o Pacheco Pereira:

"Pouco a pouco, os partidos políticos democráticos (PS, PSD, CDS) conhecem uma lenta, mas segura, dissolução. Se se quiser, assiste-se uma mudança para outra coisa, menos poderosa, mais vulnerável do que a anterior, mais frágil. Esta é uma afirmação que se tem que escrever e ler com muita prudência, uma afirmação que deve ser lida com um grão de sal, e acima de tudo não deve ser tida como uma constatação de um facto, mas de uma tendência. Todavia, como tendência parece-me ter fundamento, à luz de mais uma série de acontecimentos recentes ocorridos à volta das eleições presidenciais. Não é um juízo de valor, é uma constatação de facto.

É verdade que os partidos ainda detêm um grande poder em Portugal, mas grande parte desse poder vem do monopólio que têm sobre a representação política, e, em todos os locais do sistema onde não o detêm, há uma crise de controlo. Já de há muito que os partidos perderam as suas características de agremiação cívica, sendo mesmo o seu papel como máquinas eleitorais contestável. Não me custa aceitar que toda a parte de "rua" desta campanha presidencial podia desaparecer sem alterar muito significativamente os resultados eleitorais. Televisão, outros media, marketing e publicidade fazem o grosso do trabalho, e ele é feito por jornalistas, especialistas de imagem, publicitários e não pelos militantes partidários.

Os partidos, hoje, são "pestíferos" e reduzir o fenómeno apenas ao antipartidismo e antiparlamentarismo vindo do passado da ditadura, ou gerado dentro da democracia por ideologias e correntes políticas como o populismo, o comunismo e o radicalismo parece-me pouco. Os partidos conhecem um desgaste que tem causas novas nas democracias, mais universais do que as circunstâncias portuguesas, que também ajudam. Como resultado, estão demasiado expostos nas suas fraquezas, cada vez melhor se conhecem os seus mecanismos perversos, cada vez aparecem como miméticos uns dos outros. Mesmo na versão clássica de oligarquias organizadas estão sujeitos a uma usura que tem precedentes, mas revela novidades, semelhantes ao mesmo tipo de usura que têm os parlamentos e começam a ter os tribunais. Uma parte significativa dessa usura tem que ver com a forte pressão para a democracia directa que os media modernos instituem, gerando sociedades cujo tempo e espaço simbólicos tiram oxigénio à democracia representativa. Por outro lado, a perda de autonomia dos partidos face aos interesses, aos grupos de pressão e aos lobbies muda-lhes as características originais e coloca-os, numa sociedade em transição como a portuguesa, numa encruzilhada.

Voltemos às presidenciais. Sejam quais forem as reservas que se tenham sobre a efectiva independência de Alegre do PS, e ao facto de o tom de a sua campanha ter sido antiaparelhístico mais por necessidade do que por vontade, o que é incontornável é que um candidato presidencial pode escapar ao controlo partidário, concorrer contra ele e obter bons resultados. É possível em eleições presidenciais e é possível em eleições autárquicas, como os casos de Oeiras e Gondomar revelaram. Só não é possível em legislativas, porque os partidos têm o monopólio da participação política nessas eleições, senão também se verificaria.

Embora o caso de Cavaco fosse diferente, e a sua distanciação dos partidos PSD e CDS tivesse na origem a sua autoridade política sobre eles, o que é certo é que a sua campanha os tratava como indesejáveis enquanto tal, embora recorresse aos seus serviços para montar uma infra-estrutura nacional. Mas, de novo, aqui repito o que disse antes: se Cavaco não tivesse os partidos para lhe assegurar a "volta" pelo país, seriam os resultados assim tão diferentes?

O que são hoje os partidos em Portugal? Estruturas particularmente desertificadas, pouco ou nada credíveis, com problemas na cabeça, no tronco e nos membros. Na cabeça, onde habitualmente se fazia o recrutamento mais qualificado, cada vez é mais difícil encontrar pessoas capazes. Existe uma enorme distanciação entre a disponibilidade para "dar o nome" em iniciativas simbólicas de carácter partidário - comissões de honra, conferências ou convenções pré-eleitorais, grupos de estudo - e a disponibilidade para exercer funções partidárias enquanto tais. Uma coisa é participar em colóquios e conferências, muitas vezes uma antecâmara para funções governativas, outra aceitar ser o porta-voz partidário para a justiça, ou a economia, ao mesmo tempo que se mantêm a actividade profissional normal.

O resultado é uma degradação da imagem partidária, que encontra apenas personalidades desconhecidas ou sem credibilidade para exercerem essas funções, o que é particularmente negativo nos partidos quando estão na oposição. A degradação acentuada dos grupos parlamentares (quantas vozes credíveis nos grupos parlamentares do PSD e do PS para falar de economia, ou de cultura, ou de educação?) é um retrato da idêntica degradação dos aparelhos partidários locais e da desertificação dos centrais.

A maioria das estruturas locais dos partidos é hoje constituída por pequenos grupos fechados, com pouca renovação (quase só feita pelo turnover geracional com as "juventudes" partidárias), estreitamente associados ao poder autárquico, quer estejam no governo, quer estejam na oposição. A ligação ao poder autárquico é correlativa da ligação com outro vértice do triângulo, os interesses da construção civil e da urbanização, que dissolvem a especificidade partidária.

Todo um conjunto de outros subsistemas está ligado a este cluster, incluindo associações locais, bombeiros, clubes de futebol, jornais e rádios locais, associações "culturais". A autonomia respectiva de cada um deste tipo de subsistemas ante o sistema autarquias-partidos políticos-interesses económicos é muito escassa. A alternância entre oposição e situação faz-se dentro de uma plataforma de interesses instalados rígida, muitas vezes favorecida pela participação da oposição local no governo da autarquia por via da concessão de pelouros ou de lugares nas empresas municipais. Também o corpo e os membros dos partidos estão doentes, para não dizer que já mutaram para outra espécie de animal que não o homo sapiens.

Funcionou a campanha de Mário Soares a contrario destas tendências? Sim e não. Sim por necessidade, porque Soares precisava como pão para a boca de tudo o que podia ter, e é verdade que a sua formação política o torna um defensor do sistema de partidos que ele tanto contribuiu para criar. Mas há um "não": quando lhe convinha, por exemplo na eleição presidencial de 1985-6, tentou manter os dirigentes do PS à distância, por razões não muito distintas das de Cavaco. Não os queria ao seu lado, não os queria nas fotografias, não os queria muito perto nos comícios.

Por tudo isto, contrariamente ao que se anda aí a dizer, a afirmação do primado dos partidos não chega para combater a sua crise, pode inclusive ser factor da sua aceleração, porque parece, e é, uma defesa das coisas como estão. Por isso, não basta acantonarem-se os defensores dos partidos na centralidade destes na vida democrática, para resolver a questão. O problema é que os partidos já não estão no centro da vida democrática, descentraram-se, perderam esse papel, e uma defesa a outrance do sistema partidário versus o populismo não chega. Há que pensar os partidos políticos em democracia de forma diferente, exactamente para manter as suas características de democracia representativa, mas isso significa que o velho modelo que combinava a pedagogia cívica com máquina eleitoral já não existe, e, mesmo que existisse, já não chegava para lhes restaurar o papel de expressão de "partes" da sociedade, das classes, dos grupos, dos interesses, das representações políticas e ideológicas."

Ha, Ha, Ha, Hamas!

Hoje de manhã acordei a rir-me quando ouvi esta notícia. Mas se calhar isto é caso para chorar...
Cá está, é por isso que os árabes me causam uma certa impressão. Então deixam que um partido que tem um braço armado (ou será um braço armado que tem um partido?) não só concorra a eleições como ainda por cima lhe dão a vitória com maioria absoluta? Mas ganhou por quem nele votou apoiou as suas ideias ou porque temia as suas armas? Pior, são conhecidos por promoverem a pior de todas as guerras - o TERRORISMO! Captam jovens com promessas de paraíso e muitas virgens para se fazerem explodir. Quem vão ser os negociadores, homens e mulheres com uma cinta de explosivos? E os deputados na Assmbleia, que farão quando uma lei não estiver ao seu gosto, explodirão a sua cinta de explosivos ou dispararão as suas armas?

Isto é o grau 0 da democracia. Pensei que não fosse ver pior do que o Chavez tem feito na Venezuela, mas enganei-me, há sempre alguém que se consegue superar! Isto era permitir que a ETA ou o IRA concorressem a eleições antes de deporem as armas. Ninguém no seu perfeito juízo aceitaria sequer negociar com estes palestinianos, pelo que esta eleição pelo menos serviu para uma coisa: demonstrar que a "causa palestiniana" morreu, explodiu num auto-atentado! Seguir-se-à, dentro de momentos, às guerras de palavras e diplomática, a intervenção militar no terreno. E de preferência, que ainda lá esteja o Miguel Portas (e mais alguns amigos bloquistas a protestar que lá éque é democrático!) que os israelitas tratarão muito bem do que sobrar da saúde desses loucos...

2006/01/23

The day after

O dia seguinte é quase tão importante para reflexão como o dia anterior às eleições. Porque se no sábado nós procuramos "limpar" a cabeça da "poluição sonora e visual" da campanha eleitoral de forma a termos a certeza que a opção que tomamos é realmente a melhor, na segunda-feira temos de avaliar que a opção que os portugueses tomaram é de facto a melhor e quais as consequências que advêm dos resultados.

Com o apoio de algumas frases do Presidente eleito, vou apresentar alguma reflexões que tenho feito mentalmente desde que ontem ouvi o seu discurso de vitória.

"A minha vitória, a vitória que os portugueses me deram não é a derrota de ninguém porque é apenas uma escolha livre e legítima dos portugueses para os próximos cinco anos."


Esta é principal razão da vitória do Prof. Cavaco sobre os 5 adversários oriundos da esquerda. Enquanto estes assumiram desde o 1º minuto que a razão da sua candidatura era derrotar o adversário da direita, este sempre assumiu que a razão da sua candidatura era Portugal, tornar Portugal Maior. No momento da vitória soube com esta frase traduzir isso mesmo, não derrotou ninguém... Também o facto dos candidatos da esquerda não terem percebido, como o disse num post, que o Prof. Cavaco Silva era o candidato da direita, centro-direita, centro e centro-esquerda, penetrando até residualmente na esquerda - transversal, por isso, a todas as ideologias e candidaturas - foi outro factor, já que baseado num falso pressuposto atacaram os eleitores que nele se reviam mas nunca se reviram na direita. Para além disso, foram troculentos, violentos até, nas palavras e acusações que faziam constantemente, remetendo para coisas do passado quando o Povo queria ouvir falar do futuro que do passado estamos há muito conversados...

"A eleição Presidencial termina aqui. É um capítulo que se encerra.
Também neste exacto momento se dissolve a maioria que me elegeu. Quero ser e serei Presidente de todos os portugueses.Como Presidente estarei atento às preocupações e anseios de todos os meus concidadãos como também daqueles que, não tendo nascido portugueses, escolheram a nossa terra para viverem e realizar os seus sonhos."

A clara separação partidária da sua candidatura foi também um trunfo. Que a espaços tocou no PSD (também no CDS-PP, mas muito menos, proporcional ao seu peso político quase inexpressivo actualmente) mas que não necessitou da sua "máquina" para fazer caminho, porque ele sempre caminhou por si e quem quis, como eu, basyou seguir as suas pisadas... Mais ainda, a sua candidatura era desejada pelo PSD de forma quase unanime e pelo CDS-PP maioritariamente mas surgiu apenas no timing, no modo e nos locais que o Prof. Cavaco achou adequados. De forma diversa aconteceram as 5 candidaturas da esquerda... Os 3 candidatos mais pequenos eram candidaturas partidárias, hoje eram o Francisco, o Jerónimo e o Garcia porque são os lideres dos respectivos partidos, daqui a 5 anos serão o Miguel, o Joaquim e o Manuel que liderarem então esses partidos. As candidaturas foram decididas pelas comissões políticas e não o foram por motu próprio. Os 2 candidatos socialistas, que claramente fracturaram o partido, surgiram ambos em ambiente partidário. Manuel Alegre assumiu a sua candidatura num jantar-comicio do PS para as autárquicas em Águeda. Mário Soares, no primeiro dos lapsos da sua candidatura, foi primeiro apoiado oficialmente pelo PS e só uns dias depois se apresentou como candidato num hotel, numa cerimónia carregada de lapsos... nunca descolando da imagem de candidatura partidária, não muito diferente das 3 mais pequenas nesses aspecto.
O facto de assumir que a partir daquele momento a maioria que o elegeu se dissolve significa apenas e tão só que a partir daquele momento ele é o Presidente eleito, de todos os 10 milhões de portugueses e não apenas dos 50,6% que nele ontem votaram.
Enquanto o PS andar a acusar Manuel Alegre de este ser o culpado da eleição à 1ª volta, enquanto Manuel Alegre não perceber que ele não ficou a 0,7% de conseguir uma vitória (ele ficou a quase 30% de conseguir a vitória, ou ganhar para ele era apenas e tão só forçar o favorito a uma 2ª volta?, triste ambição se assim foi...) provam, demonstram como ainda não perceberam porque é que o Povo que há 11 meses e 2 dias votaram em Sócrates e no PS maioritariamente mudaram tão depressa de orientação política...

"O lema que escolhi para a minha campanha foi ‘Portugal Maior’,
fazer ‘Portugal Maior’. É esse o meu sonho!"


A genuinidade, o reconheciemnto da competência, a seriedade e humildade, o patriotismo e a sinceridade e verdade nas palavras que profere foi, para mim, a razão final que levaram à sua eleição. Porque quando o ouvimos falar anunciando que quer um "Portugal Maior", de facto sentimos que ele o quer não para ele mas para todos nós, para os filhos e netos dele, que sente aquilo que diz.

Portugal precisava desta "sapatada". Precisava de abanar as consciências dos políticos e precisava de políticos sérios e que tragam seriedade à política. A eleição do Prof. Cavaco Silva ontem poderá constituir-se como um marco histórico na democracia portuguesa, que trará novos valores à política e aos políticos e, por arrastamento, espero eu, à sociedade.

Hoje tenho um pouco mais de esperança no futuro. Queira o futuro ser clemente com o Portugal...

2006/01/22

Resultados finais (ou quase...)




TOTAL NO PAIS

Candidato Votos %
CAVACO SILVA 2745491 50,59
MANUEL ALEGRE 1124662 20,72
MÁRIO SOARES 778389 14,34
JERÓNIMO SOUSA 466428 8,59
FRANCISCO LOUÇÃ 288224 5,31
GARCIA PEREIRA 23650 0,44


TOTAL CONCELHO - GUIMARAES
Candidato Votos %
CAVACO SILVA 42825 48,44
MÁRIO SOARES 16102 18,21
MANUEL ALEGRE 15832 17,91
JERÓNIMO SOUSA 7834 8,86
FRANCISCO LOUÇÃ 5491 6,21
GARCIA PEREIRA 333 0,38

Portugal!

Portugal! Portugal Maior! Portugal venceu, venceu o Prof. Cavaco Silva. Hoje Portugal está um pouco maior! Viva Portugal!

Eu já votei!

No Prof. Cavaco Silva, como é evidente! E tu?

2006/01/21

Mensagem do Prof. Anibal Cavaco Silva

"Portugueses, está a terminar a campanha eleitoral que nos conduz às eleições Presidenciais do próximo Domingo.

Ao longo destes três últimos meses empenhei-me em ouvir os Portugueses. Homens e mulheres de todas as idades, de todas as regiões e de todas as condições sociais. Quis que ficassem ainda mais claros no meu espírito os verdadeiros problemas que nos preocupam como povo. Quis também sentir os sonhos e ambições dos Portugueses, a todos falei com muita sinceridade, procurei tornar clara a minha visão dos problemas e sobretudo transmitir a todos as minhas ambições para o nosso país. Consciente dos problemas quis ser uma voz de esperança nesta campanha. Acredito que há muitas razões para termos esperança, sei que todos os povos passam por momentos mais difíceis, mas eu acredito nas pessoas e por isso sei que os problemas que enfrentamos podem ser vencidos. A nossa História de nove séculos é prova disso, muitos dos nossos antepassados passaram também por momentos difíceis, souberam ultrapassa-los, foram capazes de os vencer. E é exactamente por isso que aqui estamos hoje como Estado Nação mais antigo da Europa.

Procurei também deixar claro o meu absoluto respeito pela Constituição da República e pela separação de poderes nela consagrados. Afirmei com clareza um conjunto de princípios e ideias basilares em que acredito. Desde logo a ideia de Democracia, que para além de eleições e alternância é um código moral. A ideia de que o desenvolvimento só é económico para ser social. A certeza de que o Estado não é um feudo dos que ganham. O Estado tem de ser uma entidade ao serviço de todos, o agente activo na criação de condições de mais justiça social. Afirmei também, a minha crença no valor do diálogo, o diálogo que congrega vontades, mais vontades para construir um Portugal melhor. A minha certeza de que a transparência é hoje, mais do que nunca, um principio inerente ao exercício do poder democrático. No quadro destes princípios assumi o compromisso de colocar o meu saber e a minha experiência ao serviço de Portugal e dos Portugueses.

Esta foi a minha campanha eleitoral. Em nenhum momento recorri ao ataque pessoal ou ao insulto a qualquer dos meus adversários políticos, pelo contrário, por todos demonstrei o maior respeito. No final desta campanha sei que há uma vaga de esperança que percorre o país. Temos todos que nos congratular com este facto, porque a esperança, a confiança em nós próprios, é a primeira condição do nosso sucesso colectivo. Fiquei convencido de que os portugueses conhecem hoje a importância desta eleição. E encontram nela uma oportunidade que não querem perder. Este é o resultado muito positivo desta campanha, que levei a cabo com sinceridade e empenhamento. No próximo Domingo é dia de votar, é dia de expressar pelo voto a nossa vontade em relação ao futuro e, se me é permitido, gostaria de apelar a todos para que não deixem de ir votar, não deixem de exercer aquilo que é um direito e um dever de cidadania. Se estas eleições têm tanta importância para o nosso futuro, não podemos deixar que uma parte decida por todos.

A terminar esta campanha quero reafirmar a minha confiança no meu país e no seu povo, no povo a que me orgulho de pertencer. Tenho a certeza de que se quisermos, se quisermos todos, podemos fazer Portugal Maior. É este o meu sonho, é esta a minha ambição, uma ambição que não é de poder, uma ambição que é de servir para melhorar a vida dos portugueses. No final desta campanha fiquei a saber melhor, que é este o nosso sonho e a nossa ambição colectiva.

Vamos conseguir!

Aníbal Cavaco Silva"

2006/01/20

Sondagens...

Esta sexta-feira é dia grande para as sondagens antes das presidenciais. Vou deixar aqui uma resenha.

Correio da Manhã:
Cavaco - 52,5%
Alegre - 16,9%
Soares - 13,1%

Diário de Noticias / TSF:
Cavaco - 53%
Alegre - 20,6%
Soares - 12,4%
Jerónimo - 7%
Louçã - 6,5%
Garcia Pereira - 0,5%

Público:
Cavaco - 52%
Alegre - 19%
Soares - 15%
Jerónimo - 7%
Louçã - 6%
Garcia Pereira - 1%

Expresso:
Cavaco - 53%
Soares - 16,9%
Alegre - 16,2%
Jerónimo - 7,2%
Louçã - 5,8%
Garcia Pereira - 0,9%

2006/01/17

Então e eu?

Recebi hoje este interessante texto num e-mail, retirado do blog Verbo Jurídico, que gostaria de compartilhar com os leitores. É que o visado é o mesmo que há uns tempos dizia que o que uma determinada "corporação" não queria era ter um cartão da ADSE igual ao dele, recordam-se?

Então, é assim:

"Segundo o "Correio da Manhã", o cidadão (porque foi nessa qualidade que foi esquiar para a Suíça) Sr. José Sócrates Carvalho Pinto Sousa logo imediatamente quando chegou a Lisboa na sexta-feira passada fez uma ressonância magnética e foi submetido a uma artroscopia no Hospital da Força Aérea. A operação foi executada pelo dr. Henrique Jones, militar e médico da selecção nacional de futebol. Segundo os dados conhecidos, não consta que o cidadão em causa tenha apresentado o seu cartão da ADSE, tenha marcado consulta e ficado a aguardar por uma data na agenda do médico, que tenha ido às 6 da manhã para a fila de espera, nem outrossim que seja militar de carreira ou na reserva, aviador ou páraquedista (embora tenha tendência para muitas quedas...) para ter o privilégio de ser imediatamente consultado, operado e assistido no Hospital da Força Aérea, necessariamente com a alegre comparticipação de todos os cidadãos contribuintes portugueses. Está assim provado, como o mesmo em alto e bom som afirmou, que este cidadão tem precisamente os mesmos direitos na assistência na saúde que os Magistrados Judiciais e do Ministério Público e dos Oficiais de Justiça e outros funcionários públicos, razão por que todos eles vão passar a marcar consultas instantâneas, operações imediatas e assistências permanentes no Hospital da Força Aérea, face ao princípio constitucional da igualdade. Viva o Pinóquio!"

2006/01/16

Esclerose ou parvoíce no mais puro estado eleitoral?

Pensei que o único candidato que andasse a mandar bocas de mau gosto fosse aquele senhor economista líder de uma coligação de partidos da extrema-esquerda não democrática.

Mas afinal enganei-me...

Segundo li no Diário de Noticias, a vitória do Prof. Cacavo Silva seria "golpe de Estado constitucional"! Quem disse isto é, ainda por cima, Ministro dos Assuntos Parlamentares e um dos principais estrategas do Governo. Isto não é normal...