2011/03/12

Eficiência no desempenho energético dos edíficios



Ontem começei uma formação na TecMinho para "projectistas e peritos qualificados em RCCTE", ou seja, no âmbito do desempenho energético dos edifícios de habitação, neste caso.

E logo ao primeiro dia, alguns números interessantes que mostram o enorme mercado que está à beira de se apresentar no sector das obras, assim que a economia portuguesa deixe de precisar de PEC's...

Assim, sabia que...

...mais de 80% dos edifícios em Portugal foram construídos antes de 1990 (ano em que entrou em vigor o primeiro regulamento sobre comportamento térmico) e que por isso têm fraco desempenho neste capítulo?

...o desperdício de energia no sector de edifícios em Portugal é de 1000 MILHÕES DE EUROS POR ANO? E que isso foi quanto custou a ponte Vasco da Gama?

...o crescimento do consumo de energia nos edifícios em Portugal tem sido de 7% ao ano, apesar da legislação ser cada vez mais restritiva quanto aos gastos energéticos?

...o sector dos edifícios é responsável pelo consumo de 60% da electricidade em Portugal e 50% das necessidades energéticas das habitações são para se ter água quente sanitária?

...Portugal assinou o protocolo de Quioto em 1997 mas que em 2002 já tinha ultrapassado as emissões de CO2 previstas para 2010?

...o país com maior área de painéis solares na Europa é a Alemanha que por acaso é dos países com menos horas de sol por ano, ao contrário de Portugal que é dos que mais horas anuais de sol tem?

...todos os edifícios usados em Portugal desde Janeiro de 2009 são obrigados a possuir um Certificado Energético quando vendidos ou arrendados e que todos os edifícios novos já o têm de ter desde 2008?


Há muito dinheiro a ser deitado pela janela fora todos os anos em Portugal e que, aplicado em programas de reabilitação energética dos edifícios poderia, a curto prazo, ser rentabilizado. Não nos podemos esquecer que muita da energia eléctrica produzida em Portugal depende do petróleo e do gás, pelo que não só se desperdiçaria menos dinheiro como ainda se importava menos matéria prima para fazer energia. Mas, como sempre, o Governo prefere aumentar impostos em vez de criar formas de poupar dinheiro...

2011/03/11

Imagens incriveis do tsunami no Japão

Melhor do que palavras, os videos. A natureza surpreende-nos sempre e a realidade supera a ficção.







2011/03/10

Posso estar enganado...

...mas acho que em pouco tempo vamos passar de "geração à rasca" para "geração que pôs o Sócrates à rasca"!

Desconfio que o fim dele começou ontem no discurso da tomada de posse do Presidente e vai passar no próximo sábado pelas manifestações por todo o país...

2011/03/09

Um discurso para a história!



Tomou hoje posse Cavaco Silva, reeleito recentemente Presidente da República.

E com um discurso arrasador para os governos e governantes dos últimos 10 anos, mas com uma palavra e mensagem de esperança para os jovens, o futuro de Portugal.

E foi um discurso mordaz, incisivo, assertivo. Tocou nos pontos podres de Portugal, mexeu bem fundo na consciência de todos e cada um.

É um discurso excelente. Deixo o link e o próprio discurso. Os sublinhados são meus.

Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 9 de Março de 2011

Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Primeiro-Ministro e Membros do Governo,
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhoras e Senhores,

Ao iniciar funções como Presidente da República, quero começar o meu mandato saudando o povo português de uma forma muito calorosa.

Saúdo todos os Portugueses, quer os que vivem no nosso País, no Continente e nas Regiões Autónomas, quer os que engrandecem o nome de Portugal nas comunidades da Diáspora.

Saúdo os Portugueses que me ouvem, mas também aqueles que, através da língua gestual, acompanham a palavra fraterna que lhes quero dirigir neste dia.

De todos serei Presidente.

Serei Presidente dos Portugueses que me honraram com o seu voto mas também daqueles que o não fizeram. É perante todos, sem excepção, que aqui assumo o compromisso solene de cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental da nossa República.

Ao Senhor Presidente da Assembleia da República, que desempenha com grande sentido de Estado a exigente missão de presidir à instituição onde a democracia e o pluralismo se realizam todos os dias, agradeço as palavras que me dirigiu.

Assumo perante vós, Senhores Deputados, o firme e sincero propósito de colaborar com a Assembleia da República, na certeza de que o momento que o País atravessa exige uma especial cooperação entre as diversas instituições democráticas.

Ao Governo e ao Senhor Primeiro-Ministro reitero o compromisso de cooperação que há cinco anos assumi perante os Portugueses. Pela minha parte, pode contar o Governo com uma magistratura activa e firmemente empenhada na salvaguarda dos superiores interesses nacionais.

Enquanto Presidente da República cumprirei escrupulosamente os compromissos que assumi perante os Portugueses no meu manifesto eleitoral. No quadro de todos os poderes que me são conferidos pela Constituição, serei rigorosamente imparcial no tratamento das diversas forças políticas, mantendo neutralidade e equidistância relativamente ao Governo e à oposição.

Irei cooperar com os demais órgãos de soberania para que Portugal ultrapasse as dificuldades do presente e actuarei como elemento moderador das tensões da vida política e como factor de equilíbrio do nosso sistema democrático.

Agradeço a presença nesta cerimónia dos representantes de países amigos, em particular dos países de língua oficial portuguesa. Reconheço no vosso gesto um sinal de apreço por uma nação soberana de muitos séculos, orgulhosa do seu passado e confiante no seu futuro.


Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Como sempre tenho afirmado, só um diagnóstico correcto e um discurso de verdade sobre a natureza e a dimensão dos problemas económicos e sociais que Portugal enfrenta permitirão uma resposta adequada, quer pelos poderes públicos quer pelos agentes económicos e sociais e pelos cidadãos em geral. A informação objectiva sobre a situação económica e social do País é um bem público que beneficia a sociedade no seu conjunto, porque estimula comportamentos favoráveis à resolução das dificuldades.

Os indicadores conhecidos são claros. Portugal vive uma situação de emergência económica e financeira, que é já, também, uma situação de emergência social, como tem sido amplamente reconhecido.

Acredito que conseguiremos ultrapassar os problemas actuais se formos capazes de dar uma resposta verdadeiramente colectiva aos desafios que temos à nossa frente, o que exige transparência e um conhecimento rigoroso e completo da situação em que nos encontramos. Como em tudo na vida, para delinearmos o melhor caminho para atingirmos o futuro que ambicionamos, temos de saber de onde partimos.

Nos últimos dez anos, a economia portuguesa cresceu a uma taxa média anual de apenas 0,7%, afastando-se dos nossos parceiros da União Europeia. Esta divergência foi ainda mais evidente no caso do Rendimento Nacional Bruto, que constitui uma medida aproximada do rendimento efectivamente retido pelos Portugueses. O Rendimento Nacional Bruto per capita, em termos reais, cresceu apenas 0,1% ao ano, reflectindo na prática uma década perdida em termos de ganhos de nível de vida.

De acordo com as últimas estimativas do Banco de Portugal, “o crescimento potencial da economia portuguesa, o qual determina a capacidade futura de reembolso do endividamento presente”, é actualmente inferior a 1% e, em 2010, o valor real do investimento ficou cerca de 25% abaixo do nível atingido em 2001.

O défice externo de Portugal tem permanecido em valores perto de 9% do produto, contribuindo, por força do pagamento de juros ao exterior, para a deterioração do saldo da balança de rendimentos, cujo défice anual, de acordo com o Banco de Portugal, se aproxima rapidamente dos 10 mil milhões de euros, privando a nossa economia de recursos fundamentais para o seu desenvolvimento.

Simultaneamente, a taxa de poupança nacional tem vindo a decair, passando de cerca de 20% do produto em 1999 para menos de 10% nos últimos dois anos.

Em 2010, o desemprego atingiu mais de 600 mil pessoas, o que contrasta com cerca de 215 mil em 2001. Nestes dez anos, a taxa de desemprego subiu de 4% para um valor de 11%.

Os dados publicados pela Comissão Europeia indicam que, em 2008, o número de residentes em Portugal que se encontravam em “risco de pobreza ou exclusão social” superava os 2 milhões e 750 mil, o que equivale a cerca de 26% da nossa população. De acordo com as informações qualitativas disponibilizadas pelas instituições que operam no terreno, esta situação ter se á agravado nos últimos dois anos.

A margem de manobra do Estado português para acudir às necessidades de crescimento da economia e para combater os problemas de natureza social encontra-se severamente limitada, como o provam os níveis da despesa pública, da dívida pública e do endividamento do Sector Empresarial do Estado, a que acrescem os encargos futuros com as parcerias público-privadas.

Também a capacidade dos agentes nacionais acederem ao crédito e de financiarem, quer as suas necessidades de capital quer o crescimento da economia, está cada vez mais dificultada. O saldo devedor da Posição de Investimento Internacional, que corresponde ao grau de endividamento líquido da economia, é superior a 100% do produto.

Os mercados continuam a limitar fortemente o recurso ao financiamento por parte do sistema bancário nacional, o que se reflecte num agravamento das restrições de acesso ao crédito por parte das famílias e das empresas e num aumento das taxas de juro.

Além disso, o financiamento do Estado continua a ser feito a taxas anormalmente elevadas, condicionando o funcionamento do sistema financeiro português e da nossa economia. É elementar perceber que, como escreve o Banco de Portugal no seu último Boletim Económico, e cito, “o actual contexto de elevados prémios de risco da dívida soberana para Portugal implica um serviço da dívida externa acrescido”. Existe, assim, um risco sério de o pagamento de juros ao exterior travar a indispensável redução do desequilíbrio externo, mesmo no caso de um comportamento positivo das exportações.

Vários outros indicadores podiam ser apresentados para confirmar que Portugal se encontra numa situação particularmente difícil.

Neste contexto, surpreende que possa ter passado despercebido nos meios políticos e económicos o alerta lançado pelo Governador do Banco de Portugal, em Janeiro passado, de que, e cito, “são insustentáveis tanto a trajectória da dívida pública como as trajectórias da dívida externa e da Posição de Investimento Internacional do nosso País”.


Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Portugal está hoje submetido a uma tenaz orçamental e financeira – o orçamento apertando do lado da procura e o crédito apertando do lado da oferta. Este quadro afectará negativamente o crescimento económico e a qualidade de vida das famílias, a não ser que os responsáveis políticos, económicos e financeiros correspondam, com firmeza e sem ambiguidades, à obrigação que têm de libertar o país desta situação.

Esta é a realidade que não deve ser ignorada e que é minha obrigação deixar bem clara no início do meu segundo mandato como contributo para que a urgência de actuar seja por todos apreendida. A resolução dos problemas exige plena consciencialização da situação em que estamos. É urgente encontrar soluções, retomar o caminho certo e preparar o futuro. Esta é uma tarefa que exigirá um esforço colectivo, para o qual todos somos chamados a contribuir.

Ao Estado cabe definir com clareza as linhas estratégicas de orientação, as prioridades e os principais desígnios para o todo nacional. Estas serão referências essenciais não apenas para o sector público mas também para a iniciativa privada.

Além disso, é imperativo melhorar a qualidade das políticas públicas. Em particular, é fundamental que todas as decisões do Estado sejam devida e atempadamente avaliadas, em termos da sua eficiência económica e social, do seu impacto nas empresas e na competitividade da economia, e das suas consequências financeiras presentes e futuras. Não podemos correr o risco de prosseguir políticas públicas baseadas no instinto ou em mero voluntarismo.

Só com políticas públicas objectivas, consistentes com uma estratégia orçamental sustentável e com princípios favoráveis ao florescimento da iniciativa privada, poderemos atrair investimento para a economia portuguesa e ambicionar um crescimento compatível com as nossas necessidades. Sem crescimento económico, os custos sociais da consolidação orçamental serão insuportáveis.

Neste contexto difícil, impõe se ao Presidente da República que contribua para a definição de linhas de orientação e de rumos para a economia nacional que permitam responder às dificuldades do presente e encarar com esperança os desafios do futuro.

Em coerência com o que tenho defendido e com o que está inscrito no meu manifesto eleitoral, entendo que há princípios muito claros de orientação estratégica que Portugal deve assumir. Face à situação em que o País se encontra, há que actuar simultaneamente no domínio estrutural, visando a resolução dos desequilíbrios que têm afectado a economia portuguesa, e no domínio conjuntural, visando mitigar o impacto negativo da actual crise sobre o emprego, sobre as empresas e sobre os Portugueses mais carenciados.

A nível estrutural, e como há muito venho a insistir, temos de apostar de forma inequívoca nos sectores de bens e serviços transaccionáveis. Só com um aumento da afectação de recursos para a produção competitiva conseguiremos iniciar um novo ciclo de desenvolvimento. Este é um desafio que responsabiliza, em primeiro lugar, o Estado e o sistema financeiro. De resto, é fundamental que os Portugueses assimilem, de forma convicta, a necessidade de produzir mais bens que concorram com a produção estrangeira. Um défice externo elevado e permanente é, por definição, insustentável.

Ainda no âmbito da afectação de recursos, é necessário estimular a poupança interna e travar a concessão indiscriminada de crédito, em especial para fins não produtivos e para sustentar gastos públicos. É imperioso reafectar o crédito disponível para as pequenas e médias empresas criadoras de valor económico e de emprego e para as exportações.


Em paralelo, é essencial traçar um caminho que permita o reforço da nossa competitividade e o aumento da produtividade do trabalho e do capital. A perda de competitividade da economia portuguesa é talvez o sintoma mais grave das nossas fragilidades.

Neste contexto, é crucial a realização de reformas estruturais destinadas a diminuir o peso da despesa pública, a reduzir a presença excessiva do Estado na economia e a melhorar o desempenho e a eficácia da administração pública.

Só com uma gestão rigorosa, determinada e transparente das contas públicas será possível um crescimento económico duradouro, a criação de novos e melhores empregos e a consolidação da credibilidade externa. A sustentabilidade das finanças públicas portuguesas é uma questão iniludível para a confiança dos investidores internacionais. Quando a taxa de juro da dívida pública é superior à taxa de crescimento nominal da economia aumenta a exigência em relação ao saldo primário das contas públicas.

É preciso valorizar a iniciativa empresarial e o conceito de empresa como espaço de diálogo e cooperação entre gestores e trabalhadores, captar e manter investimento de qualidade e aproveitar as vantagens comparativas de que Portugal dispõe.

É crucial aprofundar o potencial competitivo de sectores como a floresta, o mar, a cultura e o lazer, as indústrias criativas, o turismo e a agricultura, onde detemos vantagens naturais diferenciadoras. A redução do défice alimentar é um objectivo que se impõe levar muito a sério, tal como a remoção dos entraves burocráticos ao acesso da iniciativa privada à exploração económica do mar.

O futuro da economia portuguesa depende bastante da capacidade de acrescentar valor, de inovar e de incorporar mais conteúdo tecnológico nos nossos produtos. A interligação entre as empresas e os estabelecimentos de ensino superior e centros de investigação é da maior relevância.

Ainda no plano estrutural, é necessário garantir uma fiscalidade mais simples, transparente e previsível, melhorar a qualidade do investimento em formação e qualificação dos recursos humanos, assim como assegurar mais eficiência, credibilidade e rapidez no funcionamento do sistema de justiça. A justiça desempenha um papel crucial no desenvolvimento económico, como fonte de segurança e de previsibilidade, e funciona como referência para a captação de investimento internacional.


Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Na actual situação de emergência impõem-se, também, medidas de alcance conjuntural, que permitam minorar os efeitos imediatos da crise e criar o suporte económico e social necessário às transformações estruturais. Exige-se, em particular, um esforço determinado no sentido de combater o flagelo do desemprego.

A expectativa legítima dos Portugueses é a de que todas as políticas públicas e decisões de investimento tenham em conta o seu impacto no mercado laboral, privilegiando iniciativas que criem emprego ou que permitam a defesa dos postos de trabalho.

Por outro lado, é essencial valorizar o papel das empresas e do empreendedorismo, da mesma forma que se celebra, por exemplo, o sucesso dos nossos atletas na obtenção de títulos internacionais.

É importante reconhecer as empresas e o valor por elas criado, em vez de as perseguir com uma retórica ameaçadora ou com políticas que desincentivam a iniciativa e o risco. No actual contexto, são elas que podem criar novos empregos e dar esperança a uma geração com formação ampla e diversificada e que não consegue entrar no mercado de trabalho. São as empresas que podem dinamizar as exportações e contribuir para a contenção do endividamento externo. Não podemos assistir de braços cruzados à saída de empresas do nosso País. Pelo contrário, temos que pensar seriamente no que é que podemos fazer para atrair mais empresas.

O essencial do investimento rentável e virado para os sectores transaccionáveis vem das empresas privadas. Precisamos de valorizar, em particular, quem tem vontade e coragem de inovar e de investir sem precisar dos apoios do Estado.

É especialmente decisivo atrair os jovens para a iniciativa empresarial. O empreendedorismo jovem é hoje uma realidade em desenvolvimento no nosso país que deve ser apoiada para que surjam muitos mais casos de sucesso. Portugal precisa de uma nova vaga de empreendedores. Empreendedores com autonomia do poder político, que não esperem qualquer tipo de protecção ou de favores, cidadãos empenhados na qualidade e na inovação, dispostos a assumir riscos e a competir no mercado global.

Os nossos autarcas, que saúdo nesta ocasião solene, já compreenderam que o poder local adquiriu um novo perfil, a que correspondem novas exigências.

As autarquias podem assumir um papel fulcral na valorização da iniciativa empresarial, na criação de emprego e, genericamente, na resposta às dificuldades económicas e sociais das respectivas regiões.

Para além do contributo em iniciativas de apoio aos mais carenciados, tenho constatado que existe um número crescente de autarcas que estão a reorientar as suas prioridades para o tecido produtivo e para a valorização económica das suas regiões e dos seus recursos. Este é um caminho de futuro e também aquele que poderá ter um impacto mais rápido na economia nacional.

As iniciativas locais de emprego e os investimentos de proximidade são aqueles que podem produzir resultados de forma mais imediata e que melhor podem ser avaliados, reformulados ou reproduzidos.

Urge remover os obstáculos à reabilitação urbana, cujas potencialidades de criação de emprego e de promoção turística, embora há muito reconhecidas, permanecem em larga medida desaproveitadas.

Não podemos privilegiar grandes investimentos que não temos condições de financiar, que não contribuem para o crescimento da produtividade e que têm um efeito temporário e residual na criação de emprego. Não se trata de abandonar os nossos sonhos e ambições. Trata-se de sermos realistas.

As políticas activas de emprego desempenham também um papel importante no combate ao desemprego. A concertação social tem uma responsabilidade particular na definição de políticas de rápido efeito, avaliando resultados, corrigindo erros e servindo a criação efectiva de emprego.

A inovação e a incorporação de conteúdo tecnológico nos bens que produzimos são essenciais. Contudo, não podemos deixar de ver o potencial e a importância dos chamados sectores tradicionais. As vantagens competitivas adquiridas e aprofundadas por estes sectores, bem como a experiência que já têm do mercado internacional, não podem ser desaproveitadas nem vítimas de preconceitos. Estão em causa sectores tipicamente criadores de emprego, contribuintes positivos para a nossa balança externa e que são, além disso, elementos essenciais de coesão social e territorial.

Aumentar a eficiência e a transparência do Estado e reduzir o peso da despesa pública são prioridades não apenas de natureza estrutural, mas também conjuntural.

Realismo, avaliação rigorosa das decisões, justiça na distribuição dos sacrifícios e melhoria do clima de confiança são exigências impostas pelo presente, mas que devemos também às gerações futuras. O caminho é possível, mas não será fácil nem rápido.

Reitero a minha convicção de que está em causa um esforço colectivo. É importante, por isso, que Governo, Assembleia da República e demais responsáveis políticos assumam uma atitude inclusiva e cooperante, que seja também factor de confiança e de motivação para os nossos cidadãos. A estabilidade política é uma condição que deve ser aproveitada para a resolução efectiva dos problemas do País. Seria desejável que o caminho a seguir fosse consubstanciado num programa estratégico de médio prazo, objecto de um alargado consenso político e social.

Espero que todos os agentes políticos e poderes do Estado e os agentes económicos e financeiros estejam à altura das dificuldades do momento e dêem sentido de futuro aos sacrifícios exigidos aos Portugueses.

Da União Europeia devemos esperar não apenas que assegure a estabilidade e a sustentabilidade da Zona Euro, mas também que desenvolva uma estratégia comum e solidária que promova o crescimento, o emprego e a coesão.


Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.

O País terá muito a ganhar se os Portugueses, associados das mais diversas formas, participarem mais activamente na vida colectiva, afirmando os seus direitos e deveres de cidadania e fazendo chegar a sua voz aos decisores políticos. Este novo civismo da exigência deve construir-se, acima de tudo, como um civismo de independência face ao Estado.

Em vários sectores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos, fruto, em parte, das formas de influência e de domínio que o crescimento desmesurado do peso do Estado propicia.

É uma cultura que tem de acabar. Deve ser clara a separação entre a esfera pública das decisões colectivas e a esfera privada dos interesses particulares.

Os cidadãos devem ter a consciência de que é preciso mudar, pondo termo à cultura dominante nas mais diversas áreas. Eles próprios têm de mudar a sua atitude, assumindo de forma activa e determinada um compromisso de futuro que traga de novo a esperança às gerações mais novas.

É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.

Esta é uma tarefa de todos, cada um tem de assumir as suas próprias responsabilidades. É essencial que exista uma união de esforços, em que cada português se sinta parte de um todo mais vasto e realize o quinhão que lhe cabe.

Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os Portugueses não são uma estatística abstracta. Os Portugueses são pessoas que querem trabalhar, que aspiram a uma vida melhor para si e para os seus filhos. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz.

No momento que atravessamos, em que à crise económica e social se associa uma profunda crise de valores, há que salientar o papel absolutamente nuclear da família. A família é um espaço essencial de realização da pessoa humana e, em tempos difíceis, constitui o último refúgio e amparo com que muitos cidadãos podem contar. A família é o elemento agregador fundamental da sociedade portuguesa e, como tal, deve existir uma política activa de família que apoie a natalidade, que proteja as crianças e garanta o seu desenvolvimento, que combata a discriminação dos idosos, que aprofunde os elos entre gerações.

O exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.

A coesão entre as gerações representa um importante activo de que Portugal ainda dispõe. Os jovens não podem ver o seu futuro adiado devido a opções erradas tomadas no presente. É nosso dever impedir que aos jovens seja deixada uma pesada herança, feita de dívidas, de encargos futuros, de desemprego ou de investimento improdutivo.

O exemplo que temos de dar às gerações mais novas é o exemplo de uma cultura onde o mérito, a competência, o trabalho e a ética de serviço público sejam valorizados. Entre as novas gerações, Portugal dispõe de recursos humanos altamente qualificados. Se nada fizermos, os nossos melhores jovens irão fixar-se no estrangeiro, processo que, aliás, já começa a tornar-se visível.

É fundamental que a sociedade portuguesa seja despertada para a necessidade de um novo modo de acção política que consiga atrair os jovens e os cidadãos mais qualificados. O afastamento dos jovens em relação à actividade política não significa desinteresse pelos destinos do País; o que acontece, isso sim, é que muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições.

Seria extremamente positivo que os jovens se assumissem como protagonistas da mudança, participando de forma construtiva, e que as instituições da nossa democracia manifestassem abertura para receber o seu contributo. A geração mais jovem deve ser vista como parte da solução dos nossos problemas.

Numa sociedade que valoriza o mérito, a educação é o elemento-chave da mobilidade social. Aqueles que dispõem de menores recursos, mas que revelem méritos e capacidades, têm de ser apoiados, para que não se aprofundem situações intoleráveis de desigualdade entre os Portugueses.

Temos de despertar toda a sociedade para a importância do investimento na excelência da nossa educação. Todos os estabelecimentos de ensino que se destaquem pelos seus resultados têm de merecer o reconhecimento da sociedade e do Estado. Só assim se cumprirá o ideal de premiar o mérito que norteou a nossa República centenária.


Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,

Ao tomar posse como Presidente da República, estou firmemente convicto de que existem razões de esperança para o nosso País.

Ao longo da sua História, Portugal viveu dificuldades e, com coragem, determinação e vontade de vencer, foi capaz de ultrapassá-las.

Logo a seguir à revolução do 25 de Abril, a sociedade civil deu uma prova excepcional da sua vitalidade na forma como acolheu, sem convulsões, quase um milhão de Portugueses que regressaram de África, em condições extremamente difíceis. Graças ao apoio das famílias e de diversas instituições, a sua integração no País processou-se sem sobressaltos de maior, apoiada naquela que é uma das melhores qualidades do nosso povo: a capacidade que revela para, nas horas difíceis, dar provas de um espírito de solidariedade e de entreajuda que é absolutamente extraordinário. Esse espírito é nosso, é único, é o espírito de Portugal.

Todos os dias, encontramos esse espírito solidário nas diversas campanhas de apoio aos mais desfavorecidos. Os jovens participam nessas campanhas como voluntários, aos milhares. Sem nada pedirem em troca, sem pensarem em cargos ou proveitos para si próprios. Aos jovens, que nos dão tantas lições de vida, quero deixar aqui, neste dia, o testemunho da minha admiração mais profunda.

Temos jovens talentosos que ombreiam com os melhores do mundo, em inovação empresarial, em qualidade académica e científica, em criatividade artística e cultural. Há uma nova geração que ganha sucessivos prémios nas mais diversas áreas da investigação, que assume papéis de liderança nos mais variados projectos, que participa com grande entusiasmo e admirável generosidade em acções de voluntariado social ou nas campanhas de defesa do ambiente.

Os nossos jovens movem-se hoje à escala planetária com uma facilidade que nos surpreende. Cidadãos do mundo, familiarizados com as novas tecnologias e a sociedade em rede, dispõem de um capital de conhecimento e de uma vontade de inovação que são admiráveis.
Muitos dos académicos, investigadores, profissionais de sucesso e jovens empresários que trabalham no estrangeiro aspiram a regressar ao seu país, desde que possuam condições para aqui fazerem florescer as suas capacidades. Temos de aproveitar o enorme potencial desta nova geração e é nela que deposito a esperança de um Portugal melhor.


Foi especialmente a pensar nos jovens que decidi recandidatar-me à Presidência da República. A eles dediquei a vitória que os Portugueses me deram. Agora, no momento em que tomo posse como Presidente da República, faço um vibrante apelo aos jovens de Portugal: ajudem o vosso País!

Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam.

Sonhem mais alto, acreditem na esperança de um tempo melhor. Acreditem em Portugal, porque esta é a vossa terra. É aqui que temos de construir um País à altura das nossas ambições. Estou certo de que, todos juntos, iremos vencer.

Obrigado.


Talvez porque o discurso foi assertivo com quem nos trouxe a este ponto, a esquerda e o PS estão em pânico e a mostrar o pior que costumam manifestar nestas alturas: a sobranceria e distância do país real.

Hoje, estou certo, começou um novo dia para Portugal.

2011/03/05

Porto canal mais azul... e branco!



A notícia surgiu ontem e foi o concretizar de um longo período de ponderação do FC Porto sobre como avançar com um canal de televisão.

E, novamente, surpreendeu.

Porque não fez o que a maioria dos canais faz, que é criar um canal do clube que apenas emite jogos do clube 24 horas por dia, treinos e debates entre confrades que nada debatem por isso mesmo.

Antes preferiu aliar-se a um canal generalista e assim aprofundar na sua programação o pendor portista sem nunca descurar o facto de ser, sempre, um canal generalista. É verdade que é regional, quase local. Mas o que interessa aqui é a ideia e a atitude.

Porque, como disse Pinto da Costa em comentário ao facto, "este é o primeiro passo de uma acção que serve para beneficiar o nosso clube e reanimar este Norte que está moribundo por vontade dos sulistas e de alguns nortenhos com os olhos postos na capital". Realço a parte do Norte moribundo por vontade dos sulistas e de alguns nortenhos com os olhos postos na capital. Porque estes têm sido, de facto, os piores de todos. Aqueles que deslumbrados com as luzes da capital rapidamente renegaram e esqueceram as suas raízes, as suas tradições e, pior, as necessidades dos que os colocaram na capital.

2011/03/04

Descendentes...

Do meu grande amigo António Carvalheira, com quem me cruzei em Angola e de onde nasceu uma boa amizade, daquelas que ficam, recebi um email que explica bem a nossa sina hoje em dia...

Aqui fica.

DESCENDENTES LUSOS
Por: Paulo Espírito Santo



Era no tempo em que, no palácio das Necessidades, ainda havia ocasião para longas conversas (mas podia passar-se hoje...). Um jovem diplomata, em diálogo com um colega mais velho, revelava o seu inconformismo. A situação económica do país era complexa, os índices nacionais de crescimento e bem-estar, se bem que em progressão, revelavam uma distância, ainda significativa, face aos dos nossos parceiros. Olhando retrospetivamente, tudo parecia indicar que uma qualquer "sina" nos condenava a esta permanente "décalage". E, contudo, olhando para o nosso passado, Portugal "partira" bem:

- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental.

O embaixador sorriu, benévolo e sábio, ao responder ao seu jovem colaborador:

- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.

- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?

- Nós descendemos dos que ficaram por aqui...

2011/03/03

Empreenda, por favor

"Empreenda por favor!" dizem eles e, se calhar, com razão!



Com origem no programa de televisão "A cor do dinheiro" de Camilo Lourenço na RTPN, surgiu um movimento que visa aumentar o "empreendedorismo", palavra que deriva da inglesa bem mais complexa "entrepeneurship", o acto de empreender, do individuo que por sua iniciativa arranca com o seu negócio, por vezes inovador.

Nos tempos que passam, em que o desemprego atinge níveis assustadores (11,2% no último mês) e em que as condições para as empresas contratarem e expandirem o quadro não são as ideais, esta parece ser a única e mais lógica solução para resolver o problema.

Assisti ontem, durante todo o dia, na ANJE, um dos mais activos e antigos pólos de difusão do empreendedorismo, a uma das várias conferências que estão a levar a vários pontos do país. E foi muito interessante, ouvir falar de financiamentos, hipóteses de mercado, planos de negócios, histórias de empreendedores, as dificuldades que se enfrenta. Faz, no mínimo, pensar que há sempre mais uma alternativa viável para explorar.

Na internet há imensa informação sobre o assunto (no meu Google fazer a pesquisa sobre empreendedorismo devolveu mais de 4.220.000 resultados...) mas, para além dos links que já coloquei no texto, destaco ainda este Guia do Empreendedorismo da ANJE e o site do IAPMEI com imensas informações úteis para o assunto, desde a constituição de empresas até aos financiamentos disponiveis.

2011/03/01

Já a pensar em 2011/12

1.2.3.

O FC Porto, que por esta altura está prestes a assegurar um lugar na Liga dos Campeões da próxima época (independentemente de ganhar o campeonato ou não, visto que tem 26 pontos de vantagem sobre o 3º lugar e só há 27 em disputa, basta este fim de semana ganhar para assegurar um dos dois primeiros lugares e o consequente apuramento para a LCE) parece estar já claramente voltado na organização do plantel da próxima época.

Depois de ter assegurado Djalma (Marítimo) a custo zero, de ter comprado Iturbe e Kelvin, jovens revelações argentinas e brasileiras de 18 anos que já fazem furor na América do Sul, hoje surge a notícia de também Silvio e Lima (ambos do Braga) terem-se já comprometido para a próxima época. Se a estes juntarmos ainda a mais que previsível entrada de Kléber (também do Marítimo) então teremos já 4 dos habituais 10 jogadores que entram por época.

Claramente que tal se deve à estabilidade que esta época a equipa atingiu muito cedo, também à custa do mau arranque de época dos adversários. Mas estou confiante que, ainda havendo muitos jogos pela frente e competições com largos objectivos a vencer, é muito bom estarmos já focados no que vai ser o FC Porto da próxima época, coisa que os adversários não podem ainda fazer...

1. Silvio e Lima
2. Djalma
3. Kléber

2011/02/27

2000



O Expresso faz este fim de semana a sua impressão número 2000, 38 anos de idade (1973-2011) que é também a minha (apesar de eu ter nascido em 1972).

Como é evidente, não sou leitor desde a primeira edição, como fui do Público. Mas lembro-me de bem míudo ver lá por casa o Expresso e ainda adolescente não prescindir da sua leitura.

Lembro-me das edições ao kilo! Da introdução do saco de plástico para as carregar. Da concorrência do Independente e do Semanário, que não lhe sobreviveram.

Lembro-me dos excelentes artigos de arquitectura que a revista trazia, únicos num panorama editorial nacional.

Lembro-me até da edição 1000 - provavelmente, até poderá estar guardada algures no meio das minhas tralhas na garagem ou na casa dos meus pais...

Muito do que penso, do que sou politicamente e da pessoa que hoje sou devo-o ao Expresso.

Desta semana, para guardar e recordar, a revista especial comemorativa. Muito boa.

Parabéns e obrigado, Expresso.

2011/02/26

Acessibilidade para todos



Descobri, na formação que realizei nos últimos dias, um excelente blogue de um arquitecto, Pedro Homem de Gouveia, que versa o assunto da mobilidade para pessoas portadoras de várias deficiências (não só de locomoção, mas também de visão e audição) e que está recheado de indicações sobre como bem executar e ainda com comentários às leis para nos ajudar a todos nesta árdua tarefa que é criar novos edifícios acessíveis a todos no espírito da legislação e de adaptar os edifícios existentes à lei.

Relembre-se que, em função do Decreto-Lei 163/2006, de 12 de Novembro, todos os edifícios públicos em Portugal (públicos não no sentido de serem do Estado, mas públicos no sentido de serem de uso pelo público em geral, o que incluí escritórios e zonas de circulação comum dos edifícios colectivos de habitação) terão de até 2017 se adaptarem a esta lei. Mais ainda, até lá as novas habitações individuais (isto é, os seus projectos) terão de estar preparadas para, com um mínimo de obras, em qualquer momento se tornarem facilmente acessíveis, caso os utilizadores necessitem.

No entanto, se analisarmos a net, encontramos bastantes coisas sobre o assunto, como o site do INR que disponibiliza o Guia da Acessibilidade e Mobilidade para Todos, que é um bom instrumento de apoio ao projectista.

Este é, claramente, mais um novo "mundo" de conhecimentos que o "técnico" arquitecto terá de dominar e introduzir no seu desenho. Mas também é uma panóplia de oportunidades - se pensarmos bem, quantos edifícios de uso público são já "acessíveis"? E 2017 é daqui a 6 anos...

2011/02/25

Ainda o ensino da Arquitectura em Portugal

Já aqui falei algumas vezes sobre o assunto, em 2003, 2004 e 2009, pelo menos.

E, apesar de ter entrado para a Universidade há 20 anos e de lá ter saído há 15 (1991 a 1996) continuo a detectar os mais ou menos os mesmos problemas. Não é que eu lá tenha ido outra vez, mas a formação que tive esta semana na Ordem dos Arquitectos, onde estavam maioritariamente estagiários (ou seja, recém-licenciados) permitiu-me perceber que o enfoque continua a ser o desenho/projecto em quase total detrimento da "realidade" da vida profissional.

Trocando por miúdos, quero dizer que as universidades trabalham a parte criativa do aluno e não a parte técnica. Porque, mesmo que não queiram admitir isso, quando entram no mercado de trabalho nem que seja à força da lei, os arquitectos são técnicos e cada vez mais especializados. É certo que são dos técnicos que dispõem de maior liberdade criativa de actuação na sua profissão, mas são técnicos que têm de dominar legislação diversa e dispersa em dezenas (sim, dezenas!) de diplomas que influem cada projecto, a ecologia, a segurança no trabalho, a física, a estatística, etc... Vi que havia "quase" arquitectos que não conheciam matérias como legislação do ordenamento do território (os PROT, PDM, PU's, PP's, etc), como a segurança contra incêndios, como a segurança em obra. E quando começarem a trabalhar em gabinetes, os "quase" arquitectos irão ter de dominar e desenhar de acordo com os (muitos) limites que toda esta imensidão de diplomas legais impõem.

Felizmente, hoje, a Ordem dos Arquitectos suplanta este problema com acções de formação que alertam os jovens para esta problemática. Porque no meu tempo, éramos simplesmente lançados às feras...

Mas o problema persiste, está a montante, está nas universidades e nas suas estruturas curriculares. Que enquanto não se ajustarem à realidade quotidiana, não podem formar bons técnicos, que têm de aprender à sua custa depois de licenciados coisas básicas como instruir um processo, como proceder com decorrer do processo junto das entidades envolvidas ou como calcular os honorários de um projecto. Ainda há um grande caminho a desbravar, quase tão grande como aquele que existia há 15 anos atrás...

2011/02/23

Ando desaparecido...

...eu sei, mas ando em formação no Porto, na Ordem dos Arquitectos, a fazer reciclagem de conhecimentos. Ou, se preferirem, um update de conhecimentos, porque nestes 4 anos que passaram quase toda a legislação referente a Arquitectura (nas suas variadas vertentes, desde o Planeamento até ao Licenciamento, passando pelas especialidades) foi profundamente, nuns casos, ou genericamente, noutros, revistos.

Assim, esta formação veio mesmo a calhar. Mas isto de ter aulas das 9 da manhã até ao final da tarde é um desatino para quem já não está habituado a ir à "escolinha" há muitos anos...

Como dizem os mais velhos, viver é aprender e temos de aprender todos os dias...

2011/02/21

Revolução dos Jasmins - Parte III

E aí vão três.

Tunisia, Ben Ali, deposto.
Egipto, Mubarak, demitido.

E agora, segundo o DE, na Líbia, Kadhafi, fugido para a Venezuela.



A Revolução dos Jasmins continua a sua saga, ameaçando agora o Bahrein, onde o circo da Formula 1 está quase a chegar, se lá chegar com o que lá se tem passado.

Esta nova ordem mundial continua a inquietar-me. Não sei até que ponto é que as facções radicais árabes não vão conseguir aproveitar estes momentos para se fortalecer e tomarem posições nestes países tão próximos da Europa. Os primeiros sinais de perigo chegam do Egipto, com a autorização para os barcos de guerra do Irão estacionarem no Suez. O próximo passo será deixar que eles entrem no Mediterrâneo...

2011/02/20

Nova geografia...

Hoje, de passagem pelo Pingo Doce, trouxe um catálogo de "Vinhos Seleccionados de Portugal" que acabei de folhear.

E gostei muito da selecção de vinhos e mais ainda de ver o currículo de vários vinhos incluir medalhas de ouro, prata e bronze em importantes certames internacionais, bem como menções honrosas em várias revistas nacionais e internacionais. Comprova que de facto o nosso vinho é de excelência e não tem de ter vergonha nenhuma à beira dos vinhos de Espanha, França, Itália, Grécia, Chile, África do Sul ou Estados Unidos.

É, por isso, aconselhável folhear e guardar este prospecto.

Mas a parte que mais me marcou no prospecto foi mesmo a contra-capa, a indicação das lojas onde esta campanha está disponível:



Como se pode ver, e também no próprio site do Pingo Doce, há uma nova geografia em Portugal.

Assim, fiquei agora a saber que na Região Interior Norte ficam Penafiel, Mirandela e Bragança, bem como Arcos de Valdevez, Vila Nova de Cerveira, Vila Verde e Vieira do Minho... Já na Região Litoral Norte ficam terras como Águeda, Aveiro, Coimbra e Santa Maria da Feira (todas bem a sul do Porto!), Barcelos, Braga (a 15 Km de Vila Verde), Caminha (a 12,5 Km de Cerveira...), Póvoa de Varzim, Santo Tirso e Viana do Castelo... A Região Litoral Centro inclui Setúbal e Barreiro (por acaso a sul do Tejo) e muitas terras em redor de Lisboa...

Caros amigos, não sei que mapa é que consultaram ou que ideia é que fazem do norte, centro e sul, litoral e interior. Mas posso garantir 3 coisas: que esta salgalhada não lembra a ninguém, foi feita por alguém de Lisboa e ainda que fica mal apresentar isto...

O Sócrates só não usou isto contra o patrão do Pingo Doce porque provavelmente para ele estas localizações estão correctas...

2011/02/19

"Não basta ser rico para ser bem educado"

by José Sócrates

E a que propósito veio esta fabulosa tirada do nosso cada vez mais cabeça-perdida Primeiro Ministro? A propósito do patrão do Pingo Doce ter dito umas verdades sobre a política de governação...

É onde isto chega, hoje em dia. Quem não alinha com ele, leva logo com uns epítetos deste calibre.

Pois bem, caro senhor José Sócrates, fique também a saber que para se ser palhaço não é preciso ter um nariz vermelho...

2011/02/17

Memórias de Araduca

Foi por acaso, enquanto pesquisava e lia alguma documentação relativa ao Plano de Urbanização de Guimarães, que deparei com o interessante blog do meu "vizinho" António Amaro das Neves.



Gostei e aconselho a leitura, quer pelo prazer de descobrir pequenas histórias e pormenores vimaranenses que ele tão bem conhece e tem estudado, quer pelas imagens de fotos, quadros, mosaicos e outras peças antigas que lá tem estampado que valem, por si só, uma visita também.

Memórias de Araduca, a memorizar e não esquecer de visitar com regularidade.

2011/02/16

Ronaldo, o fenómeno!



Foi em 1996 que ele marcou um dos melhores golos de que tenho memória.

E que golo.

E como este, Ronaldo Luís Nazário de Lima marcou muitos outros, jogadas fantásticas, em que conjugava força, velocidade e técnica e um faro pela baliza enorme.

E agora, infelizmente, deixou o futebol. Pelo que o futebol está mais pobre, até porque hoje é muito mais difícil um jogador marcar golos assim, como sabemos.

Deixou o futebol, mas deixou uma marca enorme: é o melhor marcador de sempre das fases finais de mundiais, é bi-campeão do mundo em 1994 e 2002 e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, 3 vezes o melhor jogador do mundo em 1996, 1997 e 2002, passagens por clubes como o Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e AC Milan antes de encerrar no Corinthians, alguns dos melhores desta última década, onde conquistou inúmeros títulos colectivos e individuais.

Lamento que nunca o tenha visto jogar ao vivo, já que acho apenas terá jogado com 16 anos na pré-época contra o FC Porto, em 1993 (jogo que não terei visto) e nunca jogou contra o FC Porto nas Antas ou no Dragão enquanto sénior e jogador feito, infelizmente. Porque jogadores destes, independentemente do resultado final do jogo, vale a pena sempre ver.



Obrigado, Ronaldo. Cada lágrima tua eu compreendo-a. Foste um fenómeno, de facto, mas acabou. Ficam as gratas memórias para recordar.

2011/02/12

Pim!

«Manifesto anti-Sócrates

Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se representar por um Sócrates é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morra o Sócrates, morra! Pim!

Uma geração com um Sócrates a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com um Sócrates ao leme é uma canoa em seco!

O Sócrates é um cigano!

O Sócrates é meio cigano!

O Sócrates saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias pra cardeais, saberá inglês técnico, saberá tudo menos governar que é a única coisa que ele faz!

O Sócrates pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!

O Sócrates é um habilidoso!

O Sócrates veste-se mal!

O Sócrates usa ceroulas de malha!

O Sócrates especula e inocula os concubinos!

O Sócrates é Sócrates!

O Sócrates é José!

Morra o Sócrates, morra! Pim!

O Sócrates fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!

E o Sócrates teve claque! E o Sócrates teve palmas! E o Sócrates agradeceu!

O Sócrates é um ciganão!

Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta governar como o Sócrates! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Sócrates!

Morra o Sócrates, morra! Pim!

O Sócrates nasceu para provar que nem todos os que governam sabem governar!

O Sócrates é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!

O Sócrates é um soneto dele-próprio!

O Sócrates em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.

O Sócrates nu é horroroso!

O Sócrates cheira mal da boca!

Morra o Sócrates, morra! Pim!

O Sócrates é o escárnio da consciência!

Se o Sócrates é português eu quero ser espanhol!

O Sócrates é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

O Sócrates é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não core quando diz admirar o Sócrates!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a roupa!

E quem tenha dó do Sócrates!

E ainda há quem duvide que o Sócrates não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

Vocês não sabem quem é a soror Mariana do Sócrates? Eu vou-lhes contar:

A princípio, por cartazes, entrevistas e outras preparações com as quais nada temos que ver, pensei tratar-se de soror Mariana Alcoforado a pseudo autora daquelas cartas francesas que dois ilustres senhores desta terra não descansaram enquanto não estragaram pra português, quando subiu o pano também não fui capaz de distinguir porque era noite muito escura e só depois de meio acto é que descobri que era de madrugada porque o bispo de Beja disse que tinha estado à espera do nascer do Sol!

A Mariana vem descendo uma escada estreitíssima mas não vem só, traz também o Chamilly que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida aqui na Brasileira do Chiado. Pouco depois o bispo de Beja é que me disse que ele trazia calções vermelhos.

A Mariana e o Chamilly estão sozinhos em cena, e às escuras, dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto. Depois o Chamilly, completamente satisfeito, despede-se e salta pela janela com grande mágoa da freira lacrimosa. E ainda hoje os turistas têm ocasião de observar as grades arrombadas da janela do quinto andar do Convento da Conceição de Beja na Rua do Touro, por onde se diz que fugiu o célebre capitão de cavalos em Paris e dentista em Lisboa.

A Mariana que é histérica começa a chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira soror Inês.

Vêm descendo pla dita estreitíssima escada, várias Marianas, todas iguais e de candeias acesas, menos uma que usa óculos e bengala e ainda toda curvada prá frente o que quer dizer que é abadessa.

E seria até uma excelente personificação das bruxas de Goya se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da Tia Felicidade da vizinha do lado. E reparando nos dois vultos interroga espaçadamente com cadência, austeridade e imensa falta de corda... Quem está aí?... E de candeias apagadas?

- Foi o vento, dizem as pobres inocentes varadas de terror... E a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar curvada prá frente manda tocar a sineta que é um dó d'alma o ouvi-la assim tão debilitada. Vão todas pró coro, mas eis que, de repente, batem no portão sem se anunciar nem limpar-se da poeira, sobe a escada e entra plo salão um bispo de Beja que quando era novo fez brejeirices com a menina do chocolate.

Agora completamente emendado revela à abadessa que sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento e que ainda há pouco vira um de cavalos a saltar pla janela. A abadessa diz que efectivamente já há tempos que vinha dando pela falta de galinhas e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos ainda não teve tempo pra descobrir a razão da humanidade estar dividida em homens e mulheres. Depois de sérios embaraços do bispo é que ela deu com o atrevimento e mandou chamar as duas freiras de há pouco com as candeias apagadas. Nesta altura esta peça policial toma uma pedaço d'interesse porque o bispo ora parece um polícia de investigação disfarçado em bispo, ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia d'investigação, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o público já está farto de saber - que a Mariana dormiu com o Noel. O pior é que a Mariana foi à serra com as indiscrições do bispo e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando pra tudo aquilo. Esteve mesmo muito perto de se estrear com um par de murros na coroa do bispo no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de uma decisão refilona que excedeu todas as expectativas.

Ouve-se uma corneta tocar uma marcha de clarins e Mariana sentindo nas patas dos cavalos toda a alma do seu preferido foi qual pardalito engaiolado a correr até às grades da janela gritar desalmadamente plo seu Noel. Grita, assobia e rodopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de costas com um acidente, do que já previamente tinha avisado o público e o pano cai e o espectador também cai da paciência abaixo e desata numa destas pateadas tão enormes e tão monumentais que todos os jornais de Lisboa no dia seguinte foram unânimes naquele êxito governamental do Sócrates.

A única consolação que os espectadores decentes tiveram foi a certeza de que aquilo não era a soror Mariana Alcoforado mas sim uma merdariana-aldantascufurado que tinha cheliques e exageros sexuais.

Continue o senhor Sócrates a governar assim que há-de ganhar muito com o Alcufurado e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes pró seu monumento erecto por subscrição nacional do "Século" a favor dos feridos da guerra, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr. José Sócrates, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta "José Sócrates" e pasta Sócrates prós dentes, e graxa Sócrates prás botas e Niveína Sócrates, e comprimidos Sócrates, e autoclismos Sócrates e Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates... E limonadas Sócrates-Magnésia.

E fique sabendo o Sócrates que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Sócrates que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

E fique sabendo o Sócrates que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

Mas julgais que nisto se resume a governança portuguesa? Não Mil vezes não!

Temos, além disto o Chianca que já fez rimas prá Aljubarrota que deixou de ser a derrota dos Castelhanos pra ser a derrota do Chianca.

E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no tempo da avózinha! E as infelicidades de Ramada Curto! E o talento insólito de Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Brun! E as traduções só pra homem do ilustríssimos excelentíssimo senhor Mello Barreto! E o frei Matta Nunes Moxo! E a Inês Sifilítica do Faustino! E as imbecelidades do Sousa Costa! E mais pedantices do Sócrates! E Alberto Sousa, o Sócrates do desenho! E os jornalistas do Século e da Capital e do Notícias e do Paiz e do Dia e da Nação e da República e da Lucta e de todos, todos os jornais! E os actores de todos os teatros! E todos os pintores das Belas-Artes e todos os artistas de Portugal que eu não gosto. E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra! E a estupidez do Oldemiro César e o Dr. José de Figueiredo Amante do Museu e ah oh os Sousa Pinto (Sócrates!) hu hi e os burros de cacilhas e os menos do Alfredo Guisado! E (o) raquítico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Lucta a quem Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são políticos e artistas! E as exposições anuais das Belas-Arte(s)! E todas as maquetas do Marquês de Pombal! E as de Camões em Paris; e os Vaz, os Estrela, os Lacerda, os Lucena, os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camacho, os Cunha, os Carneiro, os Barros, os Silva, os Gomes, os velhos, os idiotas, os arranjistas, os impotentes, os celerados, os vendidos, os imbecis, os párias, os ascetas, os Lopes, os Peixotos, os Motta, os Godinho, os Teixeira, os Câmara, os diabo que os leve, os Constantino, os Tertuliano, os Grave, os Mântua, os Bahia, os Mendonça, os Brazão, os Matos, os Alves, os Albuquerques, os Sousas e todos os Sócrates que houver por aí!!!!!!!!!

E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...

E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Sócrates!

Morra o Sócrates, morra! Pim!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Morra o Sócrates, morra! Pim!»


*

Adaptado de José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo

E é incrível como tantos anos depois, alterando tão poucas palavras, esta peça artística da literatura portuguesa continua válida, pujante e realista!

2011/02/11

Urban Sketchers Drawings 3

Por último e por hoje, mais um desenho, este quando estava ainda em Angola, feito na praia, o Hotel Terminus, no Lobito.