2011/03/31

Regionalização, sim ou não?



Esta é uma questão que me deixa dividido e para a qual não encontrei ainda uma (boa) resposta.

Por um lado, acho que o país precisa de uma reforma do sistema administrativo, onde se diminuam as freguesias e concelhos do país, onde se extingam os Governos-Civis, onde se ajuste a forma de eleição dos deputados a circulos que os aproximem dos eleitores, onde se ajuste a eleição dos autarcas de forma a dar maior liberdade de escolha do elenco governativo, onde se descentralize os poderes excessivamente centralizados.

Por outro lado, a experiência política portuguesa diz-me que essas tentativas de descentralização e reformas acabam por funcionar ao contrário do pretendido, criando mais centralização e as reformas por serem inconsequentes e, por vezes, deixando as coisas piores que antes.

Ainda em relação à regionalização, não tenho a certeza qual o melhor mapa para fazer esta reforma. Porque não há "verdadeiras" regiões em Portugal (com excepção das ilhas por geografia) como há em Espanha (antigos reinos/países) ou na Bélgica e Suiça (diferentes línguas) resta a regionalização "a régua e esquadro". E aqui já vi de tudo, desde as micro-regiões (tipo área metropolitana do Porto) até às macro-regiões (todo o norte, todo o centro, todo o sul a sul do Tejo...), passando pelas intermédias (as antigas províncias). Sou levado a pensar que as macro-regiões funcionarão melhor por agregarem mais massa critica, maior dimensão e peso - mas por norma quanto maior, mais distantes estão das suas periferias e mais centradas na sua capital se tornam, à imagem do que se passa no país e nos concelhos...

Daí que não sei o que pensar por o PSD nada dizer, nas linhas de orientação que saíram do último Conselho Nacional, sobre o assunto. Por um lado, o PSD diz que é preciso fazer a "reforma do Sistema Político, nomeadamente do sistema de representação eleitoral e do reforço do regime de responsabilidade de titulares de cargos públicos" mas não sei se só isso será o necessário para o efeito pretendido.

É urgente mudar.

Mas o proverbial receio que as mudanças trazem inibem-me de dizer se incluir a Regionalização será o melhor para o país. Porque, convenhamos, um país com a nossa dimensão (que basicamente é da dimensão de certas regiões de alguns países europeus) se tivesse políticos mais preocupados com as populações dos locais onde são eleitos não precisava de regionalização para nada. E isso poderá ser alcançado com a criação dos circulos uninominais pequenos, onde os eleitores votam nos candidatos mais do que nos partidos e podem sempre, em eleições posteriores, penalizar ou beneficiar os mesmos em função dos seus desempenhos.

A forma executiva da Regionalização também me deixa algo indeciso, entre um modelo mais descentralizado onde o Governo do país abdica de várias pastas em detrimento das regiões fazerem essa mesma gestão política-técnica e entre um modelo mais "soft" onde as regiões são, acima de tudo, um parlamento onde se discutem as necessidades e planificam as actividades que o Governo central deverá executar na zona.

Também a questão financeira é mais uma razão para me perguntar da validade desta proposta, pois a criação de mais um órgão político implica um orçamento próprio e muitos lugares públicos, quer de eleição, quer de nomeação, quer políticos, quer administrativos. E o estado financeiro do país actualmente não comporta isso, antes requer uma drástica diminuição de todos estes cargos com parlamentos, governos, ministérios, direcções gerais e institutos públicos bem mais leves.

Voltando assim à pergunta inicial: Regionalização, sim ou não? Neste momento, diria que NIM...

2011/03/30

O autismo

Ontem reuniu-se o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, organizadora da CEC2012 e apenas serviu para 3 coisas: dar umas senhas de presença do tamanho de um ordenado mínimo aos participantes por uma reunião de 4 horas, aprovar uma moção altamente crítica à gestão da CEC2012 e reforçar a ideia de autismo e distanciação da CEC2012 à realidade que a envolve.


Imagem retirada de De Guimarães

Vamos por partes.

As senhas de presença são na ordem dos 500 Euros. Um escândalo que personalidades que vivem do Estado (com reformas e outras prebendas) deveriam ter tido a coragem de recusar num momento de crise no país como este.

Jorge Sampaio, Adriano Moreira, José Manuel dos Santos e Luís Braga da Cruz, na moção que aprovaram, recomendam melhor comunicação da FCG, maior envolvimento e relacionamento com os actores culturais locais e, last but not least, que o envolvimento com a CMG seja maior, envolvendo mais a Vereadora da Cultura.

A tudo isto, como sempre, a presidente da FCG responde... nada. Atira para o lado, sacode a água do capote e faz a fuga em frente! Diz a presidente que na moção pode "encontrar uma metodologia para que cada um possa entender melhor o que está a ser montado"! Ou seja, sobre o essencial, que é a critica generalizada à forma como a CEC2012 está a passar ao lado das empresas de Guimarães, dos actores culturais de Guimarães, dos habitantes de Guimarães, prefere nada dizer.

Fica, para memória futura, uma frase lapidar em vários sentidos de Jorge Sampaio sobre o assunto:

"É preciso transformar o acontecimento em algo que os vimaranenses sintam também que é deles"


Ou seja, antes de mais, assume que isso não acontece actualmente, dando razão a muitos que o dizem há muito e colocando em causa a posição e estratégia da FCG e até da CMG que foi quem gizou a forma de actuar perante a CEC2012. Mas, mais grave, dá a entender que a CEC2012 não é dos vimaranenses, apenas que também é deles. O "também" aqui faz toda a diferença. Porque não devia lá estar. A CEC2012, por mais que custe à elite pseudo-intelectual de Lisboa, É dos vimaranenses! Sem Guimarães, não haveria CEC2012, sem a sua gente e o seu trabalho ao longo dos anos, não havia CEC2012. E todo o problema que tem dividido e afastado a FCG/CEC2012 das instituições e pessoas de Guimarães tem sido exactamente esse, o de não sentirem como SEU aquilo que alguns querem fazer NOSSO... Não é nosso, país ou Lisboa/Porto, é nosso, vimaranense!

E num país normal, com todos os escândalos que têm acontecido em torno da administração da CEC2012, já se teriam demitido. Mas em Portugal, tal nunca acontece, ficando os visados remetidos ao proverbial autismo que os atinge quando nesses cargos...

2011/03/29

Arquitectos: Francisco Castro Rodrigues

Este vestuto senhor foi (quando no activo, porque ainda é vivo e inscrito na OA com o n.º 58!) um dos mais brilhantes arquitectos portugueses a trabalhar em Angola, tendo à sua conta gisado boa parte da cidade do Lobito e ainda deixado marcas em vários outros locais.



Após a independência ficou em Angola e assumiu-se de pleno direito como angolano, tendo trabalhado activamente até ao final da década de 80, tendo só então regressado a Portugal, onde ainda hoje vive em Azenhas do Mar.

Muitas das mais bonitas obras que pude visitar foram da sua autoria, obras de uma modernidade fantástica e dotadas de um saber e soluções para responder ao clima tropical que ainda hoje são avançadas (e por isso utilizadas), sendo um arquitecto muito à frente do seu tempo. Como aliás foram vários, como o já aqui mencionado Frederico Ludovice.

Por indicação da minha leitora Maria Amorim, descobri uma pequena reportagem sobre este arquitecto que me levou a várias outras páginas com informação variada sobre ele.


Tudo começou por uma noticia da Ordem dos Arquitectos que indica que este Arquitecto recebeu, recentemente, o prémio SP-AICA 2010, sendo ainda possível encontrar mais coisas no site Buala pela colega que venceu o prémio Távora em 2008/09, Cristina Salvador, e no Jornal dos Arquitectos (JA n. 234), pela colega Ana Vaz Milheiro.

"A obra do arquitecto Castro Rodrigues
Em meados do século XX, os colonialismos africanos – e em especial o colonialismo português – são alvo de cada vez maiores pressões ao nível internacional. Neste contexto, a estratégia desenvolvida e posta em prática por Portugal em Angola incluiu o investimento nas colónias, quer a nível da melhoria das infraestruturas quer ao nível da imagem de um colonialismo modernizador e vanguardista. A tradução desta estratégia, ao nível arquitectónico, passou pela planificação urbana e pela edificação moderna e de vanguarda – esta última extremamente reprimida na metrópole pelo regime de Salazar que apostava numa visão tradicionalista e revivalista – tentando assim disseminar a imagem de uma colónia que pretendia desenvolver e melhorar as condições de vida das populações em Angola. Em todo o caso, alguns arquitectos que trabalhavam para o regime como foi o caso de FCR puderam aproveitar a sua localização fora da metrópole para contestar com a sua obra a visão colonial. A análise da obra de FCR principal arquitecto da cidade do Lobito – onde se situava o maior porto angolano, quer em termos de dimensão quer das trocas comerciais aí realizadas – permite a constatação do nível do investimento realizado pela colónia e também o conflito existente com a administração colonial. Um dos testemunhos deste conflito é a planificação da cidade de forma que contrariava a divisão espacial/racial prevista pelo estado colonial e o novo plano do Lobito do final dos anos 60, baseado nos conceitos do urbanismo moderno da “Carta de Atenas”.

Durante (mais de) trinta anos FCR ofereceu o seu saber e as suas convicções, experimentados no terreno, à colónia portuguesa e mais tarde à jovem República Popular de Angola. A condição política do território em nada alterou o seu modo de projectar, a atenção e o empenhamento que investiu em todos os trabalhos que conduziu, apoiado num princípio simples, “temos uma realidade objectiva local que temos de melhorar e daí é que vamos partir para o futuro”, e em ideias políticas vigorosas sobre o sentido das melhorias que deviam ser encontradas.

Do extraordinário percurso de Castro Rodrigues em Angola, construtor de cidade e de arquitecturas notáveis no Lobito, podemos destacar:

* Bloco de habitação prédio do Sol (1952) “…de intensa modernidade” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Jardim Infantil João de Deus (1955);
* Cine-Esplanada Flamingo no Lobito (1963) “com uma elegante pala em betão, tensionada por cabos” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Mercado municipal do Lobito (1963) “de delicada escala e desenho” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91)
* Aerogare do Lobito (1964) “um volume transparente com extensos planos de grelhagem para ventilação” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Liceu do Lobito (1966);
* Auto silo da casa Americana (1970);
* Bairro municipal de autoconstrução do Alto do Liro 7 500 fogos (1970-1973) “inovador…percursor do que se fez em Portugal com o SAAL” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Catedral de Sumbe ex-Novo Redondo (1972?)
* Liceu do Sumbe (1972-73);
* Paços do Concelho no Sumbe (?)
* Plano Director do Lobito aprovado em 1975 pelo governo da República de Angola .

Como tem sido destacado por J. M. Fernandes,
“Por um lado, o seu trabalho longo e contínuo no Lobito (depois de 75 parcialmente em Luanda) entre 1953 e 1987; por outro, a sua participação, decisiva e simultânea, nos planos municipal, urbanístico, infraestrutural e arquitectónico – tornaram Castro Rodrigues num verdadeiro “fazedor da cidade moderna” em relação ao Lobito.”
(Fernandes, J. M. – Arquitectura e Urbanismo na África Portuguesa. Lisboa: Caleidoscópio, 2005, p. 89)

O mesmo respeito que FCR mantinha pelas populações promovendo tanto quanto possível a auto-construção, o uso de materiais e técnicas locais, “aprendemos realmente, com as razões que o povo nos apresentou, a construir melhor”, e a participação, “a certa altura fazia-se o chamamento da população para discutir certos pontos do Plano Director, para falar”.
“A propósito das aldeias, comunais ou não” é o título de um trabalho que desenvolve para Agostinho Neto (198?) e um tema recorrente sobre o qual trabalha e que conclui com o exemplo dos processos experimentados no Alto do Liro.
Em 1979 integrou a Direcção Nacional de Edificações de Angola e mais tarde, até 1984, o Gabinete Regional de Urbanização de Benguela.
Em 1982 concluiu o estudo “História do Lubito e da Catumbela”.

FCR fixou-se em Portugal em 1987 e voltou a Angola (em 1993) para a assembleia popular lhe entregar um diploma como trabalhador de mérito."


Já agora, recomenda-se a leitura do livro referido de José Manuel Fernandes intitulado "Arquitectura e Urbanismo na África Portuguesa" da editora Caleidoscópio.

2011/03/28

Pritzker para Souto Moura



Mais uma vez, a Fundação Hyatt resolveu agraciar um arquitecto com o seu prémio anual, que se diz equivaler ao Nobel. A honra coube, desta vez, a Eduardo Souto Moura, depois de em 1992 Siza Vieira ter sido o primeiro a alcançar este feito.

É, de facto, uma honra poder ver estes dois portugueses numa extensa lista junto de nomes como Niemeyer, Tadao Ando, Norman Foster, Aldo Rossi, Luis Barragan ou o primeiro de todos os galardoados em 1979, Philip Jonhson.



Segundo a revista Visão, o júri destaca o "trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitetura tradicional", sendo que "durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitetura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza", realça ainda o comunicado sobre o Arquitecto nascido em 1958.

Da sua vasta obra, há a destacar a Casa das Histórias em Cascais, a Casa das Artes no Porto, a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança, o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga, a Marginal de Matosinhos-Sul, o Estádio AXA-Braga, o Crematório de Kortrijk (Bélgica), o Pavilhão de Portugal na 11ª Bienal de Arquitectura de Veneza (Itália) ou a Casa Llabia (Espanha), entre tantas outras obras.

Ao colega que eu tanto aprecio, os meus sinceros parabéns pela justa atribuição deste prémio.

Link para fotos da obra e texto para a imprensa do site do prémio.

2011/03/27

O abismo (para reflectir)

Pacheco Pereira, no Abrupto, escreveu um curto texto mas muito interessante.

Para reflexão, quer do país, quer do PSD.



"Um dos poucos provérbios verdadeiramente universais começou em latim: abyssus abyssum invocat. Embora muita gente pense que este provérbio faz parte daquela massa de sabedoria greco-romana que nos chegou condensada, a frase tem origem num Salmo e é da Bíblia em latim, a Vulgata, também uma das fontes da sabedoria ocidental, com um toque de helenismo oriental. Pouco importa a origem, a sua lição está em todas as línguas: “um abismo atrai outro”, “l'abîme appelle l'abîme”, “el abismo llama al abismo”, “l’abisso chiama l’abisso”. E os rifonários associam este provérbio a outros: “uma desgraça nunca vem só”, “misfortunes never come singly”, “una desgracia nunca viene sola”, "le disgrazie non vengono mai sole”, entre outros.

Na tradução clássica em inglês da “King James Bible”, em vez de “abismo” temos “profundezas”, “inferno”, o que é mais próximo do sentido original, mais grego que latino. Mas a chave de tudo é o “invocat”, “calls”, “chiama”, “apelle”, “llama”, “atrai”, “chama” - o abismo chama, melhor, o abismo seduz. A frase, um verdadeiro teasing à nossa cabeça, uma frase que faz pensar, devia estar hoje inscrita por todo o lado, nas ruas, nas praças, a fogo para se ver de noite: portugueses, aqui está o abismo, aqui está o inferno, aqui estão as profundezas, não vos deixeis fascinar pelo tenebroso caminho com que o inferno nos seduz. Ganância, superficialidade, desespero, fuga em frente, irresponsabilidade, pequenos interesses, tudo leva a que muitos dancem nas bordas esfareladas do abismo. É só uma questão de tempo até caírem.

José Sócrates e o PS foram os grandes escavadores do abismo. Não fizeram outra coisa nos últimos seis anos, com ajuda de outros escavadores nos últimos quinze. O gigantesco buraco que escavaram ficou a olhar para cima com uma pantagruélica, incomensurável boca, na qual um dente de falso ouro, engana os que o olham de cima, atraídos pela luz escassa, que ilude o escuro das profundezas. Luz que parece prometedora, a luz do poder. Também já foi dito: quando alguém olha para o abismo, o abismo olha também de volta. Invocat. Chama. E O PSD atirou-se, iludido pelo falso ouro, e pelas vozes. Duvido que alguém saiba muito bem o que está lá no fundo. No inferno."

2011/03/25

Será o FMI o demónio?

Sejamos claros: NÃO!

É evidente que era melhor não ser necessário recorrer ao FMI. Mas, como bem disse Pedro Passos Coelho esta noite na SIC, "tem-se diabolizado a questão do FMI porque o primeiro-ministro a tornou uma questão de honra do Estado" sendo que "Portugal faz parte do FMI" e que o organismo "existe para ajudar os países a superar crises de financiamento".

Aliás, como sabemos, já por outras vezes o nosso país precisou desse apoio e só após esse apoio ter sido concretizado Portugal conseguiu entrar em fases de crescimento efectivo - porque disciplinou contas públicas, acabou com certas despesas sem nexo e permitiu que o Governo se concentrasse na governação efectiva.

Assim sendo, a mim, como pelo visto ao PPC, não me causa nenhum problema o FMI entrar em Portugal novamente. As coisas, como estão, claramente que não são para resolvermos por meios próprios - e desconfio que nem conhecemos da missa a metade, basta ver o que se está a passar com o défice de 2010 que em vez de ser inferior a 7% segundo indicações da UE deverá ser superior a 8%...

Aliás, é possível encontrar pessoas que concordam com esta posição de aceitar o FMI, como por exemplo José Soromenho-Ramos ou Medina Carreira. Pessoas que, evidentemente, estão longe de precisar ou estar dependente de politiquices.

Tenho gostado da calma e ponderação que PPC tem dado provas nestes últimos meses. Enquanto a máquina de propagando do Governo/PS (já nem se distingue onde acaba um e começa outro) e os partidos radicais de esquerda urram, ele tem sido a voz da razão. E está a colher benefícios disso mesmo, como demonstra a sondagem de hoje da TSF que lhe dá o limiar da maioria e, coligado com o PP, cerca de 53% dos votos.

Estou razoavelmente optimista quanto ao futuro. Porque reconheço, cada vez mais, mas de há muito, em PPC um líder, para o PSD e para Portugal. E da actual gesta de políticos disponíveis, claramente que ele é um dos mais positivos e preparados para o cargo.

Fica aqui o registo da entrevista:

2011/03/23

Portugal, dia 0

Amanhã, começa um novo país. Hoje, acabou este período obscuro da democracia em Portugal.

Resta agora enxaguar o chão de S. Bento das muitas lágrimas de crocodilo que Sócrates está a derramar.

Amanhã, repito, começa um novo país. Livre de Sócrates, Silva Pereira, Teixeira dos Santos, Santos Silva e tantos outros.

Amanhã, começa um novo país!

Game over?

2011/03/22

O Pântano II



Depois de Guterres, agora é Sócrates (juntamente com Pedro Silva Pereira e Teixeira dos Santos) que brinca no pântano e dobra a factura para o futuro dos portugueses pagarem.

O pântano está instalado, em força, daqueles bem lamacentos e pegajosos.

Mas, e tudo correndo bem, hoje será o último dia em que Sócrates, Teixeira dos Santos e Pedro Silva Pereira deixam de brincar no pântano. Porque amanhã, a partir das 15H00, com a votação do PEC4, nada poderá ficar como antes, ou seja, com o anunciado chumbo do pacote de medidas adicionais para este ano e de novas medidas para os 2 próximos anos que a oposição em bloco anunciou, nada mais restará, se ainda houver um pingo de seriedade dos governantes, que não seja ir a Belém apresentar a demissão - em consonância com o que anunciou há uns dias atrás. Ao menos, uma vez na vida fale verdade e faça o que disse que ia fazer!

Os três brincalhões andam divertidos espalhados pelo país e pela Europa a tentar dizer e desdizer o assunto, a lançar confusão e a tentar atirar areia para o pântano de forma a não se afundarem nele. O problema é que areia no pântano torna-o em areia movediça, para limpar o pântano é primeiro preciso drenar o excesso de água...


De uma vez por todas, o PEC4 foi elaborado e apresentado à Comissão Europeia antes de ser mostrado a Portugal (aos partidos da oposição, ao PR e até ao próprio Governo) e foi assim que foi aprovado pelos parceiros europeus.

Como admitiu Luís Amado, MNE do mesmo Governo, Sócrates é principal culpado da situação de crise política por andar há muito tempo a jogar aos dados com a economia deste país. Se isto não fosse verdade, bastava ver o que dizia Sócrates a semana passada (não precisamos de intervenção externa) e o que disse ontem Teixeira dos Santos (até ao final desta semana poderá ser necessário solicitar a intervenção externa na nossa economia) para se perceber como não há rumo ou ideias. Apenas há um desespero de se manterem agarrados a um lugar para os quais nunca tiveram, mas em especial agora não têm, qualquer capacidade de o representar.

Não sei o que aí vem. Pedro Passos Coelho ou não, coligado ou não, com intervenção externa ou não. A única coisa que sei é que, neste momento, a incerteza de um futuro diferente é muitíssimo melhor que a certeza de um presente desastroso e que se encaminha a passos largos para o abismo.

Como dizia o poeta, "não sei para onde vou [ao optar por este futuro incerto] mas sei que não vou por aí [pelo caminho que estamos a trilhar]". Mas o "dia da libertação" está a chegar e será, de certeza, largamente comemorado em todo o país, da esquerda à direita, do novos à rasca aos velhos enrascados, se calhar até nas ruas e com foguetes e sinos a rebate!

2011/03/19

A Lua...


Foto Nuno Leal

...que inspira poetas e namorados, está hoje um pouco maior e mais brilhante.

A lua

Num site brasileiro encontrei algumas referências engraçadas à Lua, cujo interesse me foi suscitado em função do acontecimento raro que está prestes a acontecer: a proximidade maior que o habitual da Lua à Terra e que, por isso, aumenta não só o brilho da mesma como ainda o aspecto dimensional da mesma.



E se o acontecimento é raro, é porque são uma série de factores conjugados: ser lua cheia e até estar bom tempo...

A máquina fotográfica, a objectiva 300mm e o tripé estão prontos.

Segundo o que pude perceber, neste momento a Lua encontra-se no oposto do Sol (180º ou 12 horas) pelo que quando o Sol se "deitar", irá nascer a Lua no outro extremo, algures a E (nascente), cerca das 19H ou 20H (ou mais, tudo depende se do local onde estamos temos obstáculos visuais, naturais ou não, que o impeçam.

Assim, a propósito, a célebre música dos Pink Floyd, The Dark Side of the Moon. Exactamente o outro lado do que vamos ver hoje à noite.

Porque hoje é 19 de Março...

...um beijo especial para o meu Pai!

2011/03/18

Abril, jogos mil...

Depois de ontem assegurar num jogo que ganhou na primeira jogada (livre aos 50 segundos marcado por Hulk para a baliza, num misto de cruzamento-remate) e após o jogo deste fim de semana, o mês de Abril tem já garantidos 7 jogos (de 3 de Abril a 1 de Maio) e poderá ter mais outro, a 28 de Abril, nas meias finais da Liga Europa se ultrapassar a 2ª leva de moscovitas...



É evidente que num plantel extenso, com uma equipa técnica numerosa e com dirigentes habituados a ganhar constantemente, é muito dificil saber de quem são os maiores méritos da boa época até ao momento.

Mas de uma coisa eu sei.

Se o mês de Abril se saldar num sucesso (como acredito que venha a ser) então sei que claramente muito do sucesso será de um homem, que não gostando de se individualizar, pela competência que tem mostrado, é credor disso: André Villas Boas.

Claramente ele é a grande diferença para a época passada. É o "plus" que faltava à equipa, à organização.

É metódico, planeado e no banco mostra bom serviço - ainda ontem, por exemplo, ganhou o jogo em vez de empatar porque soube lançar os suplentes certos nas alturas certas, refrescando a equipa e dando peso nos sectores e faixas necessárias para segurar os russos. E muitos jogos este ano foram ganhos assim, com mexidas estratégicas.

Estou confiante para o mês de Abril. Que venha a Académica e a paragem por causa da Selecção, porque o mês mais importante da época está a chegar...

2011/03/17

Ainda sobre "A Capital é nossa"

Já estão na blogosfera e espero que em breve comece a ver os primeiros projectos dos "excluídos" da CEC - e são tantos, conheço uns poucos que se queixam disso mesmo, de nem uma resposta ter ao fim de vários meses de solicitação, apesar de invariavelmente tal ser negado pela CEC.

A primeira actividade, embora com impacto, não foi, para mim, a melhor: pintura de algumas paredes com o símbolo do movimento.

Mas a segunda actividade, relacionada com a limpeza desses locais e a alteração do suporte das pinturas, já demonstra mais cuidado nas intervenções, próprio de artistas e vimaranenses preocupados com o património e a cidade.



Esta é uma actividade que pode ser muito interessante, um sobressalto cívico que os vimaranenses estão a ter e que eu vejo como muito positivo. Porque significa que por mais que a Fundação através da CEC e a CMG tentem, não conseguem controlar e dominar a enorme força associativa vimaranense...

2011/03/15

A Capital é nossa!


E o inevitável aconteceu.

Sentindo-se excluidos pela equipa da CEC2012, vários agentes vimaranenses formaram uma CEC paralela, que visa fazer uma programação onde estejam, de facto, envolvidos.

E com grande adesão, como se infere pelo crescimento exponencial do site do Facebook.

Fica a notícia do I:
"Um grupo de artistas e associações culturais que se sente "excluído" da Capital Europeia da Cultura pela Fundação Cidade de Guimarães criou o movimento "A Capital é Nossa" para, paralelamente, dinamizar o evento em 2012.

"Queremos promover ações construtivas de dinamização da Capital Europeia da Cultura em Guimarães de forma a podermos ter sustentabilidade para aparecer em público sem sermos mais um movimento contra a gestão do evento", afirmou o porta-voz do "A Capital é Nossa", Alberto Araújo.

Numa primeira ação visível, o movimento pintou no fim-de-semana grafitis em vários pontos de Guimarães incluindo o tag "A Capital é Nossa", uma imagem de "Santa Cristina" criada por um artista anónimo, e um "boneco" de Cristina Azevedo, a presidente da Fundação Cidade de Guimarães, com a mão no bolso onde está o símbolo do euro."

2011/03/14

Eu Não Sou Rasca!

Eu Não Sou Rasca!

Isto diz o criador deste blog que pretende denunciar os abusos nos anúncios de proposta de emprego que andam por aí. E, diga-se, com toda a razão, como se afere nos primeiros exemplos apontados com interesse. A seguir de perto...

Urban Sketchers Drawings 4

urban sketch 004 - desafio da semana

O que eu comi ontem durante o dia, Challenge XLI do blog USK-Portugal.

Irá o país parar?



Em 2008, o país parou com a paralisação deles, sendo os motivos que os levaram a essa acção serem quase iguais aos de hoje.

E hoje, há uns minutos, começou nova paralisação.

Com a agravante que em 2008 não havia crise económica nem Portugal estava à beira da falência. Quer dizer, se calhar já havia crise e já estávamos à beira da falência, mas a propaganda camuflava a coisa...

Esta será, sem dúvidas, mais uma prova de fogo ao Governo, que juntamente com o PEC4 que irá ser discutido no Parlamento (quer ele queira, quer não queira) e provavelmente chumbado, será uma semana intensa novamente.

Começo a acreditar que esta semana será crucial para a definição governativa de Portugal, simbolicamente paralisado pelos camionistas...

2011/03/12

Manifestação da geração (que pôs o Sócrates) à rasca!



Algumas frases:
- revolução precária
- e quem não salta é do governo;
- não há liberdade com precaridade;
- liberdade, igualdade, fraternidade;
- nós, crianças, que futuro teremos?;
- basta de se governarem;
- filhos não são luxo;
- fuck the system;
- juventude exige mais direitos e outra política;
- estado gordo=povo magro;
- basta de escravidão;
- Sócrates vai para a rua;
- revolução já;
- defender a agricultura e melhorar a auto-suficiência alimentar;
- ordenado mínimo para os políticos já;
- 'tou à rasquinha (e ao lado noutro cartaz) eu também!

O povo está na rua... dizem ser 200 a 300 mil em Lisboa e 50 a 80 mil no Porto, mais gente em Braga, Viseu, Coimbra e ainda outras cidades portuguesas. E até em Madrid!



Entretanto, os caminiostas parece que vão entrar em greve às 0h00 de segunda-feira! Em 2008, acabaram bens nos supermercados, esgotou combustível nas bombas, o país parou.

Agora, pergunto-me eu: e depois disto e do que aí vem, o que se poderá fazer e o que vai acontecer?

Será que Sócrates não percebe que esgotou o seu tempo? Tem o Presidente contra ele, tem a oposição contra ele, tem os professores contra ele, tem os camionistas contra ele, enfim, tem o Povo contra ele, mais ainda depois do PEC4 à revelia de tudo e de todos de ontem. O que será que está à espera para se demitir?