2011/04/18

Albatroz engaiolado

Descobri, através da Sara, o blog "Caged Albatross" de um português radicado no estrangeiro à tantos anos quantos os que eu ando neste mundo.



Um blog muito interessante, com uma leitura extremamente cativante. E com uma escrita deveras inteligente e analítica, aos olhos de quem nos vê de fora que é sempre bem melhor do que quem analisa de cá, e em partícular uma série de 9 artigos onde descreve o fim desta 3ª República. Que seguiu, sem grandes diferenças, a via das duas anteriores e terminando em colapso financeiro.

Só me falta ler agora como poderemos fundar a 4ª República. Porque as anteriores nasceram de revoluções e não me parece que desta vez isso seja possível. Mas que venha ela rapidamente, que sejam revistos a Constituição e os organismos de Estado, que seja redesenhado o mapa administrativo do país. Porque se isso não for feito, é certo para mim que a terceira falência do país desde 1978 não será a última...

2011/04/14

Roseta de prata, 25 anos de sócio do FC Porto



Apesar de já ter cumprido o ano passado esse aniversário, só esta noite recebi, em cerimónia no Estádio do Dragão, onde estavam presentes mais de 500 associados do FC Porto, a roseta de prata que simboliza os 25 anos de associado.

E foi um orgulho imenso ter recebido a mesma das mãos do Fernando Gomes, o bibota de oura e o meu grande ídolo de infância, o grande capitão de quem me recordo dos golos memoráveis que marcou (em especial um em pontapé de moínho/bicicleta, contra o Covilhã, na última jornada do campeonato no velhinho estádio das Antas) nesse longínquo mês de Abril do ano de 1986.

Gomes foi o meu primeiro idolo, seguido por muitos outros como Vítor Baía, Domingos, Fernando Couto, Jorge Costa e Jardel. Deste último, ainda ao serviço do FC Porto, encontrei-o certa vez no posto da Galp da A3 na Maia e tenho uma t-shirt com a caricatura que lá comprei assinada por ele. Mas as outras assinaturas ainda não as tenho...

Ao longo do dia pensei várias vezes quem me iria entregar a roseta. O presidente não seria porque está em Moscovo, bem como todo o plantel. E pensava para mim que ele poderia estar lá, visto que tem estado muito próximo da direcção do clube, em particular desde que o Baía se afastou...

E estou feliz por ter ao meu lado, neste momento tão especial, o meu pai. E, já agora, a Sara, que fez das tripas, coração, e foi também!

Estou feliz.

Só o facto de faltarem 25 anos para receber a de ouro é que me desagrada...


Sardoeira Pinto a abrir a sessão


Maria Amélia Canossa a cantar a "Marcha do FC Porto"


O meu pai, o Gomes e eu


A Sara, o Gomes e eu

2011/04/12

Chegou o FMI



Enquanto Sócrates, mais uma vez, mente e não cumpre o que disse ("Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI") mantendo a sua tradição de fazer da verdade de hoje a mentira de amanhã, o FMI já cá está para, conjuntamente com a UE, ver em que ponto andam as nossas contas e o que se pode fazer por elas, bem como decidir o valor do empréstimo, o prazo e as tranches.

Quem, no entanto, ouviu o partido do poder gestionário a falar no comício de Matosinhos, parece que, de facto, ainda somos nós que vamos emprestar dinheiro ao FMI... Já não há pachorra! Nem para gestão servem! Veja-se apenas o caso do TGV, que ontem foi, finalmente, suspenso por "bom senso"... por ter sido apenas ontem, apesar dos avisos que há 2 anos o PSD e o PP vêm a fazer, vai custar uns milhões, talvez mais de cem milhões, em indemnizações aos adjudicados vencedores dos concursos que nunca deveriam ter sido lançados... E quem paga, mais uma vez? Sócrates? Não, todos nós...

Acho que está na altura de se estudar de forma séria e rigorosa se não podemos fazer o que se fez na Islândia, levar a tribunal o primeiro-ministro que os colocaram naquela situação, por negligência que causou a crise!

2011/04/11

Nobre decisão?



Antes de mais, uma declaração de posição.

Pessoalmente não gosto muito do político Fernando Nobre, porque acho que é mais uma pessoa, como tantos independentes que aí andam, que só querem os lugares da política sem estarem nos partidos que é onde a política é feita.
Mas reconheço que o trabalho que desenvolveu na AMI e o seu espírito de independente, verdadeiramente independente como prova ter declarado simpatia pela causa monárquica, ter apoiado Durão Barroso em 2002, Soares em 2006, o Bloco de Esquerda em 2009 e ter sido candidato a PR em 2010 o comprovam, são de facto uma matriz de alguém que não estará no nível partidário mas sim no nível da cidadania.

Assim, posta a minha posição sobre o homem, comentarei agora o convite que lhe foi feito e aceite ontem para integrar e liderar a lista de Lisboa do PSD nas próximas eleições de Junho e ser o seu candidato a Presidente da nova AR.

Em primeiro, parece-me que foi uma excelente mas arriscada jogada política de PPC. Excelente porque conseguiu o apoio de uma pessoa que tem uma boa base eleitoral e que captará sempre muitos votos, nem que seja um quarto ou um quinto dos votos que obteve nas presidenciais - e que eram votos de descontentes e abstencionistas crónicos, bem como de socialistas descontentes - e que será sempre positivo, demonstrando já que de facto, o PSD pretende ter e formar um governo abrangente, não limitado à sua cor politica. Mas é também arriscado porque pelo sua característica de independente que cultiva, poderá vir a trazer alguns amargos de boca ao PSD e a PPC, já que ele não se irá "segurar" quando falar dissonantemente da orientação do partido sobre vários assuntos - talvez em campanha ele seja mais moderado, mas na AR e já como deputado e possivelmente presidente da AR, não me acredito que se contenha de todo.

Desde já, encontro uma coisa positiva neste anuncio. Colocou a esquerda "à nora" por perder uma das suas vozes e por ter recolocado o debate político na campanha eleitoral, depois de ligados à maquina partidária do PS com o comício, perdão, congresso do nacional socialismo, perdão socialista, deste fim de semana.

É triste ver o ponto a que chegou o PS. A aclamação encenada de Sócrates não corresponde nem à realidade do país nem, provavelmente, à realidade socialista, que no "day after" irá reclamar a pele de cordeiro que Sócrates vestiu este fim de semana. Faz-me lembrar, em certo sentido, o que se passou no PSD com Santana e Menezes, em que o aparelho foi mobilizado para dar a ideia de grandes lideranças apenas contestada esporadicamente por um outro militante e que, após algum tempo e derrotas eleitorais, foram amplamente criticadas e demitidas.

Acho que foi preciso coragem para avançar com o convite, que provavelmente será alvo de criticas internas, por parte de PPC. E acho que foi preciso coragem aceitar o convite, por ser do partido menos previsível e por, evidentemente, arrastar para si um coro de criticas de toda uma esquerda incapaz de aceitar a independência que traz nos seus genes. Percebo ter aceite o convite quando lhe é prometido ser mais que deputado, porque quando lhe dá a hipótese de ser o próximo presidente da AR, figura n.º 2 da hierarquia do Estado, está-lhe a ser oferecido o palco para ele poder continuar a sua luta de "cidadania" de que se auto-proclama ser a voz representante de tantos descontentes com a política e os políticos. E, sejamos coerentes, depois da sua candidatura derrotada em Janeiro passado, não lhe restavam grandes alternativas se queria continuar a ser uma voz activa - porque as próximas presidenciais são só em 2016 e porque não lhe ficava bem criar um partido ou ser militante em qualquer outro, só através de uma candidatura como independente poderia manter um palco. O PSD teve a clareza de ver que ao cargo de deputado teria de juntar algo mais - coisa que, pelo visto, mais ninguém viu porque sabe-se já que Fernando Nobre manteve contactos e convites de outros partidos e optou por aceitar este...

Por isso, não sei se foi Nobre a decisão, mas sei que foi corajosa!

2011/04/07

Ajuda. Ajuda?



O Público usa hoje um fundo negro com a palavra AJUDA para dar a conhecer o pedido de ajuda financeira que o Governo, mesmo que de gestão, finalmente resolveu realizar à Comissão Europeia.

Mas o cenário não ficou negro agora com o pedido de ajuda, antes pelo contrário.

Negro estava até então, em que o Governo foi fazendo asneira atrás de asneira e derrubando a esperança e a credibilidade de Portugal e dos portugueses. Deixando prolongar a agonia, deixando que as agências de rating fossem descendo as notações até ao "lixo", deixando as taxas de juro subir até valores insuportáveis e continuando a repetir pedidos de mais empréstimos, aumentando os impostos todos, duplicando o défice externo no seu período de governação de 80 mil para 170 mil milhões de Euros, relacionando-se cordial e afectuosamente com ditadores e congelando ou diminuindo ordenados e pensões mas nada ou muito pouco fazendo em matéria de diminuição de despesas próprias. Isso sim, foi um cenário bem negro que o Governo montou e prolongou até à exaustão - e não fossem os bancos fecharem a torneira e ele teimosa e orgulhosamente não teria tomado a atitude que tomou, finalmente, ontem à noite.

É consensual e generalizado entre os entendidos, desde ex-ministros das finanças a professores de economia, passando por jornalistas de economia, que o pedido já devia ter sido feito há mais tempo, muito mais tempo. Entre Outubro de 2010 e Março de 2011, o pedido deveria ter sido feito.

Porque nessa altura nem os juros eram estes actuais, nem os ratings eram estes, nem nós estávamos com a corda na garganta em vias de ter empresas públicas ou o próprio Estado a não pagar ordenados por falta de liquidez na tesouraria.

Daí eu continuar a achar que esta atitude da dupla José Sócrates e Teixeira dos Santos dever ser criminalmente estudada. Porque foi com dolo e contra todos os indicadores que o fizeram e custam agora, a Portugal e aos portugueses, muitos milhões de Euros em juros a mais e nas más condições negociais perante as entidades que nos vão emprestar o dinheiro. Estes dois senhores nem para governantes de gestão servem, se querem a minha modesta opinião!

Por isso, julgo que mais apropriado seria uma noticia do tipo E AGORA?

Porque como muito bem acentuou Passos Coelho ontem, este não é o momento de encontrar culpados de termos chegado a esta situação - até porque, sejamos sinceros, não é preciso ser um detective para encontrá-los - e é antes o momento de trabalharmos sobre a forma de sair deste buraco, deste sufoco.

Sabemos, desde já, que o apoio financeiro virá de dois sítios: da UE (cerca de 75%) e do FMI (cerca de 25%) e que ambas entidades vão negociar com Portugal um pacote de medidas adicionais para resolver o nosso problema principal, que é o défice oriundo das despesas a mais que temos. Por isso, sabemos de antemão que terão de haver cortes em muitas coisas que temos por adquiridas, umas temporariamente e outras em definitivo. O chamado e tão querido da esquerda "Estado Social" tem de ser revisto e os "almoços grátis" também, ou seja, não há estradas nem pontes nem caminhos de ferro nem aeroportos grátis e tudo tem um custo para o Estado que o deve repercutir nos utilizadores. Sabemos de antemão que alguns impostos, nomeadamente os de consumo, deverão ter de ser temporariamente aumentados. Sabemos que a "treta" da educação grátis tem de acabar, todos têm de comparticipar e dar um contributo adequado que seja aos rendimentos que têm. Sabemos ainda que o nosso país tem excesso de funcionários públicos ou dependentes de empresas públicas e que terão de ser redimensionados e colocados no sector privados - através de acordos, parcerias ou despedimentos, mas não é suportável para um país ter quase 15% (800 mil em 6 milhões) da sua força de trabalho ao serviço do Estado ou de empresas públicas.

Sei bem que os próximos 3 anos serão muito complicados a todos os níveis. Tenho plena consciência que vai haver alguma revolta social por parte de uma esquerda aguerrida e radicalista que vai acenar com as conquistas de Abril. Mas é preciso cortar despesas do Estado, é preciso perceber que muitas conquistas são para países que têm superavit e não défice crónico, que só é possível manter essas regalias se houver dinheiro para as pagar. E esse dinheiro é o nosso, dos nossos impostos e não chega, neste momento, para cobrir tudo isso.

Confio que o novo Governo saído das eleições de 5 de Junho saberá levar a cabo as medidas de aperto durante dois ou três anos para, depois de controlado o despesismo, poder começar a tomar novas medidas de expansão económica sob novos moldes, de maior supervisão e menor intervenção directa, de forma a que Portugal possa ser, novamente, um país saudável economicamente. E confio que o Governo em causa será liderado pelo Pedro Passos Coelho e abrangente externamente ao PSD. Eu acredito!

2011/04/06

E o inevitável aconteceu...



Muito depois do que o devido, e por isso sem as mesmas condições negociais, finalmente Teixeira dos Santos admitiu que vai pedir o apoio do FEEF ou do FMI, tanto me dá, para financiar o nosso país.

Melhor dizendo, para financiar o nosso país com taxas de juro competitivas e aplicando, de facto, um programa de reformas à nossa economia, agora supervisionadas por entidades e pessoas mais credíveis.

Mas esta teimosia e casmurrice de meses de adiamento custa-nos milhões e milhões de Euros em juros a mais do que aquilo que deveríamos ter pago e no prolongar desta crise de tesouraria por mais alguns meses (1 ano, eventualmente) para além de ter conseguido trazer o rating do Estado e das empresas públicas até níveis miseráveis, compatíveis com qualquer país de 3º mundo.

Este senhor, juntamente com o Primeiro-Ministro ainda em funções, deveriam ser responsabilizados CRIMINALMENTE pelo que andaram a fazer ao país. Porque toda a gente, com excepção deles, percebia que o que estavam a fazer era o pior para o país, a afundar todos os dias mais um pouco e por orgulho recusavam-se, durante meses, a agarrar a bóia de salvação. Foi preciso dizerem que estavam loucos para finalmente recorrerem ao apoio externo.

A minha geração e a que me seguiu vai pagar, muitos anos, pelos erros e asneiras destes senhores. E eu não me conformo com isso. Só vou ficar satisfeito no dia em que vir estes dois senhores sentados num banco dum tribunal a responderem pelos actos danosos e dolosos de desgovernação que praticaram neste anos.

Mais uma vez, o processo é conduzido "às 3 pancadas"! O anúncio é feito em resposta ao Jornal de Negócios e mais uma vez sem informar os outros do mesmo - pelo menos, o PSD não terá sido informado, a ver vamos se o PR foi ou não... Mais uma vez, vem dizer que a culpa é dos outros. Só dos outros. Nunca vi ninguém com tanta responsabilidade como estes dois senhores serem tão irresponsáveis e incapazes de assumir a quota parte das culpas - diria que 99% - da situação a que chegámos, por desgoverno deles!

E agora, que venha a ajuda do FEEF. Ou do FMI. E que venham pessoas que ajudem a superar este sufoco em que estamos. E que estes dois desapareçam rapidamente do Governo. Porque ao contrário do Brasil em Tiririca dizer que pior que está, não fica, aqui pior do que está, só com o Sócrates a governá...

2011/04/04

Vídeo Oficial do novo CAMPEÃO NACIONAL

Vitória nas trevas



Durante 90 minutos mostrou-se superior ao visitado. Durante 25 jornadas mostrou-se ainda mais superior. E a vitória, com a feliz coincidência de ter sido na Luz, acabou à luz de velas graças à pequenez dos dirigentes que não só mostraram não saber perder em campo como, mais grave, não mostraram saber perder fora de campo.



Mas ainda assim agradeço o apagão. Porque dos 14 títulos que comemorei nos últimos 20 anos nenhum me ficará na memória como este, que à boleia dos 5-0 no Dragão e do apagão da Luz ficará para a história e memória daqui a muitos, muitos anos.



O importante é que este é o 25º título da nossa história (para se perceber a superioridade, é o 14º em 20 anos, o 7º em 10 anos, o 5º em 6 anos...) e um dos mais justos e, simultaneamente, fáceis de conquistar.



Os parabéns à direcção e aos jogadores, mas acima de tudo à equipa técnica e ao André Villas Boas em particular, que se mostrou o obreiro deste título.

O título está de volta a casa. E, se tudo decorrer com a normalidade dos útlimos 20 anos, por cá continuará mais alguns anos...

2011/04/03

Chuva



Mariza brindou ontem o público com um excelente concerto, cujo set foi alterado em relação ao concerto do Coliseu do Porto que abriu esta tournée, mas que não ficou pior, bem pelo contrário.

Gostei muito do Beijo de Saudade (que é um dos meus favoritos) e gostei de ver uma Mariza muito interactiva com o público, que se divertia tanto como o próprio, bem como da cumplicidade com os seus fantásticos músicos.

Ângelo Freire, na guitarra portuguesa, não é ainda um Luís Guerreiro, mas é um virtuoso e fará, também ele, história na música, estou certo. O Mestre José Marino é, de facto, um mestre! Diogo Clemente é o elemento fulcral na música, marca os momentos e autor de várias das letras e ainda o produtor que fez Mariza regressar ao fado tradicional. Vicky é o percussionista que marca a diferença dos concertos de Mariza, como antes era o João Pedro Ruela, e que dá um toque diferente aos seus fados.

É, de facto, um espectáculo muito bom e profissional, de uma qualidade que não está ao alcance de muitos no mundo e menos ainda em Portugal, pelo que não é de admirar que faça tanto e cada vez mais sucesso pelo mundo fora. Nem é de admirar que tenha admiradores de todo o mundo que a seguem, incansavelmente, para todo o lado; ontem conheci a Genoveva, que veio de Barcelona de carro na 6ª feira ao final da tarde! Ou como a Ubi que constantemente a vai ver desde Andorra e leva a mãe, que vai fazer 100 anos em breve, com ela!

Mariza é única no panorama português. E é um dos nossos (poucos) orgulhos e alegrias nestes dias que correm...


Na foto: Sara, Mariza, eu e Genoveva

2011/04/02

Hoje à noite, Mariza



Hoje à noite irei, mais uma vez e com imenso prazer, assistir a mais um dos espectáculos da Mariza, no Multiusos de Guimarães, sabendo que este é um dos últimos espectáculos que poderei ver dela este ano em virtude da sua gravidez!

Tendo assistido ao primeiro espectáculo desta tournée no Coliseu do Porto, não espero um espectáculo muito diferente desse, apenas mais rotinado e, talvez, mais emocional, em função de ser o primeiro após o feliz anúncio.

2011/04/01

5 de Junho


Calendário adaptado a partir de High Closet


Estão marcadas. As Legislativas serão a 5 de Junho. Por mim, demasiado tarde, não encontro razões para não serem em Maio, é uma semana perdida...

Mas o que interessa é que faltam 64 dias para o momento do Povo dizer da sua justiça, sobre o que pretende para o futuro próximo.

Há duas mais uma opção.

A primeira opção é mais do mesmo. Manter Sócrates, Teixeira dos Santos e Pedro Silva Pereira na gestão (danosa) do país que o trouxe até ao ponto de pré-falência em que se encontra hoje, describilizado perante os mercados, sem dinheiro nos cofres.

A segunda opção é mudar para a equipa do Pedro Passos Coelho, que há muito vem a denunciar e apontar que o caminho seguido pelo desGoverno nos levaria a este ponto e que sabe, pelo menos, que as coisas não podem ser feitas da forma como o foram nos últimos anos.

A opção extra é fazer o voto de protesto e votar nos partidos pequenos ou até votar branco ou nulo. Ou abster-se e nem votar. É tudo igual, no actual momento do país, que precisa da força do voto de todos os eleitores para poder decidir o que fazer neste momento tão grave.

Da primeira opção já nem tenho mais palavras para falar dela. A máquina de propaganda continua a carborar, mas muita imprensa já abriu os olhos e não lhes dá margem de publicidade. As mentiras do desGoverno têm sido muitas, nos últimos meses nem se fala. Mas acima de tudo, falhou todas as previsões e promessas: lembrem-se dos 150 mil empregos, dos PEC1, PEC2 e PEC3 que resolviam tudo, dos crescimentos fantásticos que afinal eram recessões (a 2ª em dois anos) ou dos défices excelentes que afinal foram todos agora revistos e são catastróficos, das promessas de não subir impostos e em 6 anos o IVA passou de 19% para 23% e o IRS aumentou e o IRC aumentou e cobram IRS aos reformados e nada do que foi prometido foi feito. Já para não falar da diplomacia comercial que nos levou a ser parceiros preferenciais de gente como Chavez, Khadafi, Ben Ali ou Eduardo dos Santos - eu não gosto dessa fotografia...

Da segunda opção apenas posso dizer que há muitos anos que acredito em PPC, na sua qualidade de líder. Ainda líder da JSD, teve a coragem de afrontar o PSD de Cavaco Silva, votando contra medidas do próprio partido e governo em defesa dos jovens e da política da JSD. Sei que tem ideias e tem uma extensa e qualificada equipa a trabalhar em soluções para o país a partir do estado em que se encontra. Poderão não resultar ou ser as melhores. Mas alguém que tem coragem de lutar para ser Governo num momento destes, merece algum crédito. E mais ainda quando já afirmou que mesmo que o PSD ganhe com maioria, o que não é ainda certo que possa acontecer, ele irá procurar pessoas fora do partido - noutros partidos e sociedade civil.

5 de Junho. Para mudar Portugal?

2011/03/31

Regionalização, sim ou não?



Esta é uma questão que me deixa dividido e para a qual não encontrei ainda uma (boa) resposta.

Por um lado, acho que o país precisa de uma reforma do sistema administrativo, onde se diminuam as freguesias e concelhos do país, onde se extingam os Governos-Civis, onde se ajuste a forma de eleição dos deputados a circulos que os aproximem dos eleitores, onde se ajuste a eleição dos autarcas de forma a dar maior liberdade de escolha do elenco governativo, onde se descentralize os poderes excessivamente centralizados.

Por outro lado, a experiência política portuguesa diz-me que essas tentativas de descentralização e reformas acabam por funcionar ao contrário do pretendido, criando mais centralização e as reformas por serem inconsequentes e, por vezes, deixando as coisas piores que antes.

Ainda em relação à regionalização, não tenho a certeza qual o melhor mapa para fazer esta reforma. Porque não há "verdadeiras" regiões em Portugal (com excepção das ilhas por geografia) como há em Espanha (antigos reinos/países) ou na Bélgica e Suiça (diferentes línguas) resta a regionalização "a régua e esquadro". E aqui já vi de tudo, desde as micro-regiões (tipo área metropolitana do Porto) até às macro-regiões (todo o norte, todo o centro, todo o sul a sul do Tejo...), passando pelas intermédias (as antigas províncias). Sou levado a pensar que as macro-regiões funcionarão melhor por agregarem mais massa critica, maior dimensão e peso - mas por norma quanto maior, mais distantes estão das suas periferias e mais centradas na sua capital se tornam, à imagem do que se passa no país e nos concelhos...

Daí que não sei o que pensar por o PSD nada dizer, nas linhas de orientação que saíram do último Conselho Nacional, sobre o assunto. Por um lado, o PSD diz que é preciso fazer a "reforma do Sistema Político, nomeadamente do sistema de representação eleitoral e do reforço do regime de responsabilidade de titulares de cargos públicos" mas não sei se só isso será o necessário para o efeito pretendido.

É urgente mudar.

Mas o proverbial receio que as mudanças trazem inibem-me de dizer se incluir a Regionalização será o melhor para o país. Porque, convenhamos, um país com a nossa dimensão (que basicamente é da dimensão de certas regiões de alguns países europeus) se tivesse políticos mais preocupados com as populações dos locais onde são eleitos não precisava de regionalização para nada. E isso poderá ser alcançado com a criação dos circulos uninominais pequenos, onde os eleitores votam nos candidatos mais do que nos partidos e podem sempre, em eleições posteriores, penalizar ou beneficiar os mesmos em função dos seus desempenhos.

A forma executiva da Regionalização também me deixa algo indeciso, entre um modelo mais descentralizado onde o Governo do país abdica de várias pastas em detrimento das regiões fazerem essa mesma gestão política-técnica e entre um modelo mais "soft" onde as regiões são, acima de tudo, um parlamento onde se discutem as necessidades e planificam as actividades que o Governo central deverá executar na zona.

Também a questão financeira é mais uma razão para me perguntar da validade desta proposta, pois a criação de mais um órgão político implica um orçamento próprio e muitos lugares públicos, quer de eleição, quer de nomeação, quer políticos, quer administrativos. E o estado financeiro do país actualmente não comporta isso, antes requer uma drástica diminuição de todos estes cargos com parlamentos, governos, ministérios, direcções gerais e institutos públicos bem mais leves.

Voltando assim à pergunta inicial: Regionalização, sim ou não? Neste momento, diria que NIM...

2011/03/30

O autismo

Ontem reuniu-se o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, organizadora da CEC2012 e apenas serviu para 3 coisas: dar umas senhas de presença do tamanho de um ordenado mínimo aos participantes por uma reunião de 4 horas, aprovar uma moção altamente crítica à gestão da CEC2012 e reforçar a ideia de autismo e distanciação da CEC2012 à realidade que a envolve.


Imagem retirada de De Guimarães

Vamos por partes.

As senhas de presença são na ordem dos 500 Euros. Um escândalo que personalidades que vivem do Estado (com reformas e outras prebendas) deveriam ter tido a coragem de recusar num momento de crise no país como este.

Jorge Sampaio, Adriano Moreira, José Manuel dos Santos e Luís Braga da Cruz, na moção que aprovaram, recomendam melhor comunicação da FCG, maior envolvimento e relacionamento com os actores culturais locais e, last but not least, que o envolvimento com a CMG seja maior, envolvendo mais a Vereadora da Cultura.

A tudo isto, como sempre, a presidente da FCG responde... nada. Atira para o lado, sacode a água do capote e faz a fuga em frente! Diz a presidente que na moção pode "encontrar uma metodologia para que cada um possa entender melhor o que está a ser montado"! Ou seja, sobre o essencial, que é a critica generalizada à forma como a CEC2012 está a passar ao lado das empresas de Guimarães, dos actores culturais de Guimarães, dos habitantes de Guimarães, prefere nada dizer.

Fica, para memória futura, uma frase lapidar em vários sentidos de Jorge Sampaio sobre o assunto:

"É preciso transformar o acontecimento em algo que os vimaranenses sintam também que é deles"


Ou seja, antes de mais, assume que isso não acontece actualmente, dando razão a muitos que o dizem há muito e colocando em causa a posição e estratégia da FCG e até da CMG que foi quem gizou a forma de actuar perante a CEC2012. Mas, mais grave, dá a entender que a CEC2012 não é dos vimaranenses, apenas que também é deles. O "também" aqui faz toda a diferença. Porque não devia lá estar. A CEC2012, por mais que custe à elite pseudo-intelectual de Lisboa, É dos vimaranenses! Sem Guimarães, não haveria CEC2012, sem a sua gente e o seu trabalho ao longo dos anos, não havia CEC2012. E todo o problema que tem dividido e afastado a FCG/CEC2012 das instituições e pessoas de Guimarães tem sido exactamente esse, o de não sentirem como SEU aquilo que alguns querem fazer NOSSO... Não é nosso, país ou Lisboa/Porto, é nosso, vimaranense!

E num país normal, com todos os escândalos que têm acontecido em torno da administração da CEC2012, já se teriam demitido. Mas em Portugal, tal nunca acontece, ficando os visados remetidos ao proverbial autismo que os atinge quando nesses cargos...

2011/03/29

Arquitectos: Francisco Castro Rodrigues

Este vestuto senhor foi (quando no activo, porque ainda é vivo e inscrito na OA com o n.º 58!) um dos mais brilhantes arquitectos portugueses a trabalhar em Angola, tendo à sua conta gisado boa parte da cidade do Lobito e ainda deixado marcas em vários outros locais.



Após a independência ficou em Angola e assumiu-se de pleno direito como angolano, tendo trabalhado activamente até ao final da década de 80, tendo só então regressado a Portugal, onde ainda hoje vive em Azenhas do Mar.

Muitas das mais bonitas obras que pude visitar foram da sua autoria, obras de uma modernidade fantástica e dotadas de um saber e soluções para responder ao clima tropical que ainda hoje são avançadas (e por isso utilizadas), sendo um arquitecto muito à frente do seu tempo. Como aliás foram vários, como o já aqui mencionado Frederico Ludovice.

Por indicação da minha leitora Maria Amorim, descobri uma pequena reportagem sobre este arquitecto que me levou a várias outras páginas com informação variada sobre ele.


Tudo começou por uma noticia da Ordem dos Arquitectos que indica que este Arquitecto recebeu, recentemente, o prémio SP-AICA 2010, sendo ainda possível encontrar mais coisas no site Buala pela colega que venceu o prémio Távora em 2008/09, Cristina Salvador, e no Jornal dos Arquitectos (JA n. 234), pela colega Ana Vaz Milheiro.

"A obra do arquitecto Castro Rodrigues
Em meados do século XX, os colonialismos africanos – e em especial o colonialismo português – são alvo de cada vez maiores pressões ao nível internacional. Neste contexto, a estratégia desenvolvida e posta em prática por Portugal em Angola incluiu o investimento nas colónias, quer a nível da melhoria das infraestruturas quer ao nível da imagem de um colonialismo modernizador e vanguardista. A tradução desta estratégia, ao nível arquitectónico, passou pela planificação urbana e pela edificação moderna e de vanguarda – esta última extremamente reprimida na metrópole pelo regime de Salazar que apostava numa visão tradicionalista e revivalista – tentando assim disseminar a imagem de uma colónia que pretendia desenvolver e melhorar as condições de vida das populações em Angola. Em todo o caso, alguns arquitectos que trabalhavam para o regime como foi o caso de FCR puderam aproveitar a sua localização fora da metrópole para contestar com a sua obra a visão colonial. A análise da obra de FCR principal arquitecto da cidade do Lobito – onde se situava o maior porto angolano, quer em termos de dimensão quer das trocas comerciais aí realizadas – permite a constatação do nível do investimento realizado pela colónia e também o conflito existente com a administração colonial. Um dos testemunhos deste conflito é a planificação da cidade de forma que contrariava a divisão espacial/racial prevista pelo estado colonial e o novo plano do Lobito do final dos anos 60, baseado nos conceitos do urbanismo moderno da “Carta de Atenas”.

Durante (mais de) trinta anos FCR ofereceu o seu saber e as suas convicções, experimentados no terreno, à colónia portuguesa e mais tarde à jovem República Popular de Angola. A condição política do território em nada alterou o seu modo de projectar, a atenção e o empenhamento que investiu em todos os trabalhos que conduziu, apoiado num princípio simples, “temos uma realidade objectiva local que temos de melhorar e daí é que vamos partir para o futuro”, e em ideias políticas vigorosas sobre o sentido das melhorias que deviam ser encontradas.

Do extraordinário percurso de Castro Rodrigues em Angola, construtor de cidade e de arquitecturas notáveis no Lobito, podemos destacar:

* Bloco de habitação prédio do Sol (1952) “…de intensa modernidade” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Jardim Infantil João de Deus (1955);
* Cine-Esplanada Flamingo no Lobito (1963) “com uma elegante pala em betão, tensionada por cabos” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Mercado municipal do Lobito (1963) “de delicada escala e desenho” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91)
* Aerogare do Lobito (1964) “um volume transparente com extensos planos de grelhagem para ventilação” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Liceu do Lobito (1966);
* Auto silo da casa Americana (1970);
* Bairro municipal de autoconstrução do Alto do Liro 7 500 fogos (1970-1973) “inovador…percursor do que se fez em Portugal com o SAAL” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Catedral de Sumbe ex-Novo Redondo (1972?)
* Liceu do Sumbe (1972-73);
* Paços do Concelho no Sumbe (?)
* Plano Director do Lobito aprovado em 1975 pelo governo da República de Angola .

Como tem sido destacado por J. M. Fernandes,
“Por um lado, o seu trabalho longo e contínuo no Lobito (depois de 75 parcialmente em Luanda) entre 1953 e 1987; por outro, a sua participação, decisiva e simultânea, nos planos municipal, urbanístico, infraestrutural e arquitectónico – tornaram Castro Rodrigues num verdadeiro “fazedor da cidade moderna” em relação ao Lobito.”
(Fernandes, J. M. – Arquitectura e Urbanismo na África Portuguesa. Lisboa: Caleidoscópio, 2005, p. 89)

O mesmo respeito que FCR mantinha pelas populações promovendo tanto quanto possível a auto-construção, o uso de materiais e técnicas locais, “aprendemos realmente, com as razões que o povo nos apresentou, a construir melhor”, e a participação, “a certa altura fazia-se o chamamento da população para discutir certos pontos do Plano Director, para falar”.
“A propósito das aldeias, comunais ou não” é o título de um trabalho que desenvolve para Agostinho Neto (198?) e um tema recorrente sobre o qual trabalha e que conclui com o exemplo dos processos experimentados no Alto do Liro.
Em 1979 integrou a Direcção Nacional de Edificações de Angola e mais tarde, até 1984, o Gabinete Regional de Urbanização de Benguela.
Em 1982 concluiu o estudo “História do Lubito e da Catumbela”.

FCR fixou-se em Portugal em 1987 e voltou a Angola (em 1993) para a assembleia popular lhe entregar um diploma como trabalhador de mérito."


Já agora, recomenda-se a leitura do livro referido de José Manuel Fernandes intitulado "Arquitectura e Urbanismo na África Portuguesa" da editora Caleidoscópio.

2011/03/28

Pritzker para Souto Moura



Mais uma vez, a Fundação Hyatt resolveu agraciar um arquitecto com o seu prémio anual, que se diz equivaler ao Nobel. A honra coube, desta vez, a Eduardo Souto Moura, depois de em 1992 Siza Vieira ter sido o primeiro a alcançar este feito.

É, de facto, uma honra poder ver estes dois portugueses numa extensa lista junto de nomes como Niemeyer, Tadao Ando, Norman Foster, Aldo Rossi, Luis Barragan ou o primeiro de todos os galardoados em 1979, Philip Jonhson.



Segundo a revista Visão, o júri destaca o "trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitetura tradicional", sendo que "durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitetura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza", realça ainda o comunicado sobre o Arquitecto nascido em 1958.

Da sua vasta obra, há a destacar a Casa das Histórias em Cascais, a Casa das Artes no Porto, a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança, o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga, a Marginal de Matosinhos-Sul, o Estádio AXA-Braga, o Crematório de Kortrijk (Bélgica), o Pavilhão de Portugal na 11ª Bienal de Arquitectura de Veneza (Itália) ou a Casa Llabia (Espanha), entre tantas outras obras.

Ao colega que eu tanto aprecio, os meus sinceros parabéns pela justa atribuição deste prémio.

Link para fotos da obra e texto para a imprensa do site do prémio.

2011/03/27

O abismo (para reflectir)

Pacheco Pereira, no Abrupto, escreveu um curto texto mas muito interessante.

Para reflexão, quer do país, quer do PSD.



"Um dos poucos provérbios verdadeiramente universais começou em latim: abyssus abyssum invocat. Embora muita gente pense que este provérbio faz parte daquela massa de sabedoria greco-romana que nos chegou condensada, a frase tem origem num Salmo e é da Bíblia em latim, a Vulgata, também uma das fontes da sabedoria ocidental, com um toque de helenismo oriental. Pouco importa a origem, a sua lição está em todas as línguas: “um abismo atrai outro”, “l'abîme appelle l'abîme”, “el abismo llama al abismo”, “l’abisso chiama l’abisso”. E os rifonários associam este provérbio a outros: “uma desgraça nunca vem só”, “misfortunes never come singly”, “una desgracia nunca viene sola”, "le disgrazie non vengono mai sole”, entre outros.

Na tradução clássica em inglês da “King James Bible”, em vez de “abismo” temos “profundezas”, “inferno”, o que é mais próximo do sentido original, mais grego que latino. Mas a chave de tudo é o “invocat”, “calls”, “chiama”, “apelle”, “llama”, “atrai”, “chama” - o abismo chama, melhor, o abismo seduz. A frase, um verdadeiro teasing à nossa cabeça, uma frase que faz pensar, devia estar hoje inscrita por todo o lado, nas ruas, nas praças, a fogo para se ver de noite: portugueses, aqui está o abismo, aqui está o inferno, aqui estão as profundezas, não vos deixeis fascinar pelo tenebroso caminho com que o inferno nos seduz. Ganância, superficialidade, desespero, fuga em frente, irresponsabilidade, pequenos interesses, tudo leva a que muitos dancem nas bordas esfareladas do abismo. É só uma questão de tempo até caírem.

José Sócrates e o PS foram os grandes escavadores do abismo. Não fizeram outra coisa nos últimos seis anos, com ajuda de outros escavadores nos últimos quinze. O gigantesco buraco que escavaram ficou a olhar para cima com uma pantagruélica, incomensurável boca, na qual um dente de falso ouro, engana os que o olham de cima, atraídos pela luz escassa, que ilude o escuro das profundezas. Luz que parece prometedora, a luz do poder. Também já foi dito: quando alguém olha para o abismo, o abismo olha também de volta. Invocat. Chama. E O PSD atirou-se, iludido pelo falso ouro, e pelas vozes. Duvido que alguém saiba muito bem o que está lá no fundo. No inferno."

2011/03/25

Será o FMI o demónio?

Sejamos claros: NÃO!

É evidente que era melhor não ser necessário recorrer ao FMI. Mas, como bem disse Pedro Passos Coelho esta noite na SIC, "tem-se diabolizado a questão do FMI porque o primeiro-ministro a tornou uma questão de honra do Estado" sendo que "Portugal faz parte do FMI" e que o organismo "existe para ajudar os países a superar crises de financiamento".

Aliás, como sabemos, já por outras vezes o nosso país precisou desse apoio e só após esse apoio ter sido concretizado Portugal conseguiu entrar em fases de crescimento efectivo - porque disciplinou contas públicas, acabou com certas despesas sem nexo e permitiu que o Governo se concentrasse na governação efectiva.

Assim sendo, a mim, como pelo visto ao PPC, não me causa nenhum problema o FMI entrar em Portugal novamente. As coisas, como estão, claramente que não são para resolvermos por meios próprios - e desconfio que nem conhecemos da missa a metade, basta ver o que se está a passar com o défice de 2010 que em vez de ser inferior a 7% segundo indicações da UE deverá ser superior a 8%...

Aliás, é possível encontrar pessoas que concordam com esta posição de aceitar o FMI, como por exemplo José Soromenho-Ramos ou Medina Carreira. Pessoas que, evidentemente, estão longe de precisar ou estar dependente de politiquices.

Tenho gostado da calma e ponderação que PPC tem dado provas nestes últimos meses. Enquanto a máquina de propagando do Governo/PS (já nem se distingue onde acaba um e começa outro) e os partidos radicais de esquerda urram, ele tem sido a voz da razão. E está a colher benefícios disso mesmo, como demonstra a sondagem de hoje da TSF que lhe dá o limiar da maioria e, coligado com o PP, cerca de 53% dos votos.

Estou razoavelmente optimista quanto ao futuro. Porque reconheço, cada vez mais, mas de há muito, em PPC um líder, para o PSD e para Portugal. E da actual gesta de políticos disponíveis, claramente que ele é um dos mais positivos e preparados para o cargo.

Fica aqui o registo da entrevista:

2011/03/23

Portugal, dia 0

Amanhã, começa um novo país. Hoje, acabou este período obscuro da democracia em Portugal.

Resta agora enxaguar o chão de S. Bento das muitas lágrimas de crocodilo que Sócrates está a derramar.

Amanhã, repito, começa um novo país. Livre de Sócrates, Silva Pereira, Teixeira dos Santos, Santos Silva e tantos outros.

Amanhã, começa um novo país!

Game over?

2011/03/22

O Pântano II



Depois de Guterres, agora é Sócrates (juntamente com Pedro Silva Pereira e Teixeira dos Santos) que brinca no pântano e dobra a factura para o futuro dos portugueses pagarem.

O pântano está instalado, em força, daqueles bem lamacentos e pegajosos.

Mas, e tudo correndo bem, hoje será o último dia em que Sócrates, Teixeira dos Santos e Pedro Silva Pereira deixam de brincar no pântano. Porque amanhã, a partir das 15H00, com a votação do PEC4, nada poderá ficar como antes, ou seja, com o anunciado chumbo do pacote de medidas adicionais para este ano e de novas medidas para os 2 próximos anos que a oposição em bloco anunciou, nada mais restará, se ainda houver um pingo de seriedade dos governantes, que não seja ir a Belém apresentar a demissão - em consonância com o que anunciou há uns dias atrás. Ao menos, uma vez na vida fale verdade e faça o que disse que ia fazer!

Os três brincalhões andam divertidos espalhados pelo país e pela Europa a tentar dizer e desdizer o assunto, a lançar confusão e a tentar atirar areia para o pântano de forma a não se afundarem nele. O problema é que areia no pântano torna-o em areia movediça, para limpar o pântano é primeiro preciso drenar o excesso de água...


De uma vez por todas, o PEC4 foi elaborado e apresentado à Comissão Europeia antes de ser mostrado a Portugal (aos partidos da oposição, ao PR e até ao próprio Governo) e foi assim que foi aprovado pelos parceiros europeus.

Como admitiu Luís Amado, MNE do mesmo Governo, Sócrates é principal culpado da situação de crise política por andar há muito tempo a jogar aos dados com a economia deste país. Se isto não fosse verdade, bastava ver o que dizia Sócrates a semana passada (não precisamos de intervenção externa) e o que disse ontem Teixeira dos Santos (até ao final desta semana poderá ser necessário solicitar a intervenção externa na nossa economia) para se perceber como não há rumo ou ideias. Apenas há um desespero de se manterem agarrados a um lugar para os quais nunca tiveram, mas em especial agora não têm, qualquer capacidade de o representar.

Não sei o que aí vem. Pedro Passos Coelho ou não, coligado ou não, com intervenção externa ou não. A única coisa que sei é que, neste momento, a incerteza de um futuro diferente é muitíssimo melhor que a certeza de um presente desastroso e que se encaminha a passos largos para o abismo.

Como dizia o poeta, "não sei para onde vou [ao optar por este futuro incerto] mas sei que não vou por aí [pelo caminho que estamos a trilhar]". Mas o "dia da libertação" está a chegar e será, de certeza, largamente comemorado em todo o país, da esquerda à direita, do novos à rasca aos velhos enrascados, se calhar até nas ruas e com foguetes e sinos a rebate!