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2013/10/02

Autárquicas 2013 [3] - O distrito de Braga

Fiquei surpreendido, por um lado, e não fiquei, por outro, com os resultados distritais.

Tabela dos resultados do distrito de Braga (fonte: DGCI)

Surpreendido porque não esperava um comportamento de excelência das coligações do PSD-CDS no distrito. Não fiquei surpreendido porque, conhecendo pessoalmente alguns dos candidatos e os concelhos em causa relativamente bem, sabia que as coisas iriam correr bem.

Não posso, como é evidente, deixar de saudar a estrondosa vitória do amigo Ricardo Rio em Braga! Porque não só ganhou, como soube-o fazer de forma expressiva, terminando com o "reinado" do mais antigo autarca do país, Mesquita Machado. E conseguiu-o porque foi perseverante, porque desde que se candidatou em 2005 a primeira (época em que o conheci) percebi que as suas qualificações o guindavam para aquele dia, mais cedo ou mais tarde, porque não desistiu de Braga e tentou novamente, ainda sem sucesso, em 2009 para apenas em 2013 conseguir a almejada e merecida vitória. Um exemplo para Guimarães, não se deve trocar de candidato sem mais nem menos quando o actual, mesmo não tendo vencido, tem qualidades, projecto e equipa que permitem a aspirar à vitória.

Outro resultado marcante for a vitória, que eu esperava apesar de saber difícil, em Vieira do Minho. Sabia que a equipa e o candidato eram bons, não sabia até que ponto um concelho dominado pela máquina instalada no poder (à semelhança de Guimarães...) teria a "coragem" de mudar. Teve. Felizmente, porque agora o ar de Vieira do Minho, mesmo sem a Epmar, é respirável...

Depois, a manutenção dos municípios que já eram presididos pela coligação, como Famalicão, Esposende, Póvoa de Lanhoso, Vila Verde e Celorico de Basto era esperado, sendo que a novidade foi a expressão dos resultados, mormente em Famalicão e Esposende.

Das que perderam, para além de Guimarães, também Vizela e Fafe tiveram comportamentos razoáveis, em especial em Vizela onde as habituais "cabazadas" deram lugar a uma vitória renhida.

Surpresa foi o resultado da lista de independentes em Fafe que quase ganhava a CM, ficando a uns meros 15 votos de superar o eterno PS de Fafe.

Menos bom apenas os resultados de Amares, Cabeceiras e Barcelos. Em especial, este último, que em tempos era um forte bastião do PSD, agora não consegue recuperar a credibilidade que já ali teve.

Apesar de tudo, 7 municípios em 14, quando antes eram apenas 5 presidências, é um excelente score, talvez o melhor do país no que toca ao PSD ou coligações PSD-CDS, para mais quando a erosão do Governo nacional se fez (faz) sentir enormemente neste momento. De parabéns, duplos, o Paulo Cunha, quer pelo trabalho realizado no distrito, quer no seu concelho onde sucedeu ao carismático Armindo Costa com melhor resultado do que a ultima eleição de 2009! Teve o mesmo número de Câmaras que o PS, mas conquistou a capital de Distrito e teve mais votos e mais percentagem que o PS (42,43% na soma de todas as coligações e PSD por si só contra 38,76% do PS) e foi o grande vencedor deste distrito.

2013/10/01

Autárquicas 2013 [2] - Resultados de Guimarães

Não foram, como se sabe, os que eu gostava que tivessem sido.

Quadro comparativo dos resultados autárquicos em Guimarães 2009-13 - Fonte: DGAI

O PS ganhou em quase todos os campos. Teve mais votos, mais mandatos, mais presidências de juntas de freguesia. Mas perdeu votos, perdeu muitos votos, perdeu 8.419 votos, colocando-se quase ao nível de votação de 1989 e inferior, por isso, a todas as demais eleições de António Magalhães.

A CDU, ao contrário do que aconteceu nacionalmente, não conseguiu melhorar a sua performance quer em votos, quer em eleitos. E, pior, perdeu a emblemática Vila de Pevidém para a Coligação e ficou reduzida à presidência da Junta de Gondar, mas em minoria, tendo perdido a maioria para a Coligação que conseguiu passar de 1 para 2 eleitos lá.

O BE foi, tal como a nível nacional, um desastre. Perdeu votos, eleitos e quase desapareceu do mapa autárquico vimaranense, tal como do país. A liderança repartida não consegue compensar a ausência do todo-poderoso Louça e o partido, ou a coligação de partidos e interesses desagrega-se não fosse a imprensa levar ao colo o BE, já teria desaparecido, qual PCTP-MRPP.

A outra coligação de Guimarães, o PPM com o PPV, não surtiu qualquer efeito e nem aos mil votos chegou. Apesar de tudo, dobraram o número de votos que a soma de ambos os partidos obteve nas últimas eleições Legislativas em Guimarães. Mas mesmo que esta coligação tivesse concorrido com a Coligação Juntos por Guimarães, a soma aritmética desses poucos mais de 800 votos em nada alterava as contas finais, mantendo a Coligação os 4 vereadores eleitos.

Por último, o PCTP-MRPP quase desapareceu do mapa, restando agora pouco mais de 400 eleitores que ainda confiam, vá-se lá saber porquê...

Já analisando os resultados da Coligação Juntos por Guimarães, que apoiei, assumo que perdeu e estava a "jogar" para ganhar. No futebol, diria que perdeu a final mesmo tendo jogado um futebol bonito e melhor que o adversário.

Mas a Coligação teve, apesar de tudo, um excelente comportamento. Vejamos:

  • cresceu 1107 votos em relação à soma de votos PSD+CDS em 2009, sendo que foi o único concorrente que entre 2009 e 2013 aumentou a sua base de apoio, pois o PS, a CDU, o BE e o PCTP-MRPP perderam todos votos, tendo aumentado o numero de inscritos entre ambas as votações;
  • aumentou de 3 para 4 vereadores a presença no executivo municipal;
  • teve o melhor resultado autárquico de sempre, superando até em votos as vitórias de António Xavier e apenas ficando em % atrás das suas duas vitórias (ver historial de resultados coligido pelo amigo Amaro das Neves no seu Memória de Araduca), ou seja, nunca o PSD ou uma coligação em que estivesse envolvido teve tantos votos em Autárquicas, em Guimarães.
  • a Coligação venceu metade das Juntas de Freguesia das vilas (Caldelas, Pevidém, S. Torcato e Serzedelo) e ainda freguesias importantes como Sande S. Martinho e, particularmente, Ponte.
  • a Coligação venceu o simbólico centro da cidade (a Junta de Freguesia da União das Freguesias de S. Sebastião, S. Paio e Oliveira).
  • perdeu menos mandatos na Assembleia Municipal do que a proporção de perda de deputados entre as legislaturas (isto é, passou de 70 para 49 deputados a composição da AM, uma redução de 30% de eleitos, mas a Coligação ficou com 19 deputados quando antes tinha 25 na soma PSD+CDS, uma perda de apenas 24%).
  • aumentou o peso de presidência de Juntas de freguesia: tinha a presidência de 19 Juntas de Freguesia (27% do total de freguesias) e agora, após a agregação, tem a presidência de 14 Juntas de Freguesia (29% do total de freguesias).
  • e mais importante, quanto a mim, diminuiu a diferença para o PS de 20.035 votos para cerca de metade, 10.509 votos.

E é este último número que me deixa confiante para o futuro.

Porque num momento tão difícil para os representantes do PSD e do CDS se apresentarem a votos, devido à crise financeira que ainda atravessamos e porque conotados com as medidas gravosas que têm de ser aplicadas no país pelo Governo, conseguir recuperar 10 mil votos de diferença é algo de extraordinário e demonstrativo da qualidade do projecto apresentado. Não fosse a base de partida tão má, e talvez hoje as coisas fossem diferentes.

Ricardo Rio debateu-se com o mesmo problema em Braga quando se candidatou pela primeira vez em 2005. Tinha uma diferença brutal para o PS que não seria fácil de reverter. Foi perseverante e foi diminuindo a diferença a cada eleição até que finalmente agora conseguiu ganhar.

É neste exemplo que devemos colher inspiração.

Por mim, nomeava desde já o André Coelho Lima o candidato para 2017. Porque fez um trabalho exemplar e merece ver renovada a confiança para trabalhar para a vitória nas próximas autárquicas. Eu continuo a acreditar no seu, no nosso projecto.

2013/09/30

Autárquicas 2013 [1] - Ainda não foi desta...

Antes de mais, parabéns aos vencedores das Autárquicas em Guimarães.
Espero que tenham consciência que tendo sido eleitos pelo povo, estão ao seu serviço e não ao serviço do partido!
E espero que saibam ser mais integradores e conciliadores com os adversários políticos do que anteriormente acontecia pois os adversários de ontem serão, agora, colegas de construção de um concelho melhor e mais forte.

De resto, estou triste, como é evidente.

Não posso deixar de esconder a decepção que sinto neste momento, como é evidente.

Porque genuinamente acreditava no projecto que não venceu, encabeçado pelo André, mas que representava o esforço, dedicação e contribuição de muitas, inúmeras pessoas. Acreditava que era fundamentado, pensado, sério e merecedor da oportunidade de governar. Infelizmente, a maioria assim não pensou, é a democracia.

Possivelmente, não teremos transmitido a mensagem da melhor forma. A culpa, em ultima análise e quanto a mim, é sempre nossa - não acredito em culpar os outros. Mas houve atenuantes, sem duvidas! Por exemplo, a influência da governação nacional reflectiu-se também em Guimarães. Por exemplo, o medo de mudar, de arriscar no desconhecido quando havia algo familiar como alternativa.

Mas não posso deixar de estar satisfeito com o resultado obtido, o melhor desde as vitórias de António Xavier nos anos 80, tendo a Coligação encurtado a diferença de votos para o PS de 25 mil para apenas 10 mil. Foi uma derrota, mas foi muito honrosa e mostrou ao PS que não pode descuidar-se porque, mesmo não tendo ganho, a Coligação tem um projecto muito forte e que, tal como em Braga o várias vezes derrotado Ricardo Rio soube não desistir e melhorar o seu projecto, eleição após eleição, até à fantástica vitoria de ontem, pode amanha ser eleito para gerir os destinos do concelho.

Penso que as bases estão lançadas. Faltará, talvez, encontrar melhor a forma de comunicar o projecto e reforçar o conceito, as pessoas que o integram e talvez o resultado possa ser diferente na próxima vez.

André, em teu nome cumprimento toda equipa que deu tudo para alcançar o melhor resultado possível. Sabor agridoce este, que mesmo tendo encurtado desta forma o resultado, não chegou para ganhar - mas, de facto, o ponto de partida era muito atrás...

2017 será o teu ano! Vamos começar hoje a trabalhar nisso! Abraço, André!


2013/09/29

É hoje!

Há muitos anos que não vivia uma noite eleitoral madrugada dentro.

Hoje, graças à diferença do fuso horário Portugal-Macau, que é de 7 horas neste momento (e em breve será de 8 horas quando a hora mudar em Portugal e aqui se mantiver...) os resultados deverão começar a ser conhecidos pelas 3h da manhã e só pelas 4h ou 5h é que devem começar a chegar os primeiros resultados, via internet no site das Eleições Autárquicas 2013 do concelho que mais interessa, Guimarães.

Vai ser uma noite longa. E sofrida, naquele misto de ansiedade de ver plasmado o resultado de parte do meu esforço e envolvimento (mesmo que tenha sido só na fase inicial do processo e não tenha participado na fase mais envolvente, cansativa mas também gratificante que é campanha eleitoral. Em 2005, quando participei activamente em todas estas fases, quando percorri inúmeras freguesias na fase de encontrar os candidatos, de visitas às instituições e estive activamente envolvido no processo de elaboração das 71 listas entregues no Tribunal (e que trabalheira que então deu, num processo quase perfeito, com apenas 1 elemento recusado em mais de 1000 candidatos apresentados) os resultados foram, tão somente, os melhores desde as vitórias do Sr. António Xavier nos idos de 80. Confio que desta será melhor que em 2005. Confio que desta vez poderei celebrar a vitória como fiz em 1986, há quase 30 anos atrás. Será a maior injustiça da noite eleitoral se assim não for...

Resta-me, serenamente, aguardar pelo veredicto do povo vimaranense.

2013/09/17

Macau [14] - Eleições

É uma região autónoma diferente daquela que deixamos em 31 de Dezembro de 1999.

Desde logo, porque as eleições são diferentes. Ao contrário do que deixamos, a eleição pelos cidadãos dos eleitos, hoje os representantes dos cidadãos na Assembleia Legislativa não são todos eleitos pelos cidadãos. Mais grave, nem sequer são todos eleitos.

Como se pode ler na página da internet, há 3 tipos de deputados.

Uns são aqueles que este domingo foram eleitos pelos cidadãos que quiseram ir votar.

Outros são aqueles que os sindicatos elegem, numa distorcida e algo sindicalista/corporativista visão da sociedade.

Por fim, uma terceira categoria são os deputados indicados pelo próprio Governo da Região Autónoma Especial de Macau (RAEM) que, por sua vez, não é eleito mas indicado pelo Governo Central de Pequim...

Ou seja, dos 33 deputados, apenas 14 são eleitos pelo Povo (nem metade...) numa visão algo distorcida do conceito de Democracia que impera no ocidente. Não fosse a China, apesar da famosa máxima de "um país, dois sistemas", um país comunista!

Em todo o caso, a campanha foi animada e com muita polémica, esclarecedora para quem esteve atento à mesma.

E um orgulho para a comunidade portuguesa. Não só porque vários candidatos eram portugueses, como se expressam em português e, cereja no topo do bolo, foram eleitos dois portugueses, um deles por eleição directa, José Pereira Coutinho, sendo que este alargou em muito e melhorou a sua base de votos em relação às eleições de 2009.

Este advogado de origem goesa é o único que se expressa sempre em português no parlamento (e relembro que o português é uma língua oficial da RAEM) e que, pelo menos a mim pessoalmente, me dá um prazer e orgulho imenso ver este deputado a usar a nossa língua e o nosso país tantas vezes como termo de comparação daquilo que há a melhorar em Macau.

Parabéns ao José Pereira Coutinho, um nobre defensor da nossa herança cultural neste cantinho do outro lado do mundo!

2012/11/07

O melhor ainda está para vir...

... disse Obama no discurso de vitória (...the best is yet to come!). Ou a prova maior da desilusão do primeiro mandato.

Obama ganhou, mas não esmagou, não convenceu. Foi mais o mal menor, antes ele que o republicano que achava que as janelas dos aviões deviam abrir. Foi mais uma promessa de campanha fora dela - prometer que o melhor ainda está para vir é talvez a mais difícil das promessas que fez de cumprir.

Obama ganhou mas deixou um país profundamente dividido e perdeu o controlo do Congresso, pelo que o seu segundo mandato será novamente muito complicado e, muito provavelmente, inconsequente como o primeiro. Depois de um Hollande que prometeu afrontar a Sr.ª Merkel e agora a apoia em grande e faz as políticas que aqui em Portugal a esquerda não deixou que Passos Coelho fizesse, vamos nos próximos anos assistir a muitas capitulações do Obama que, para história e depois dos grandes feitos que prometia a toda uma imprensa de esquerda que esperava dele ser o novo "Messias", ficará apenas como o primeiro presidente não-branco daquela nação...

Não sei o que vê a imprensa europeia de tão grande estadista em Obama. Aumentou o défice, aumentou a dependência externa do país em relação ao petróleo, aumentou o desemprego, não tirou o país da crise (apenas a mitigou). Isto é um grande estadista? I don't think so...

E começou já a campanha para 2016...

NOTA - E não estou a dizer que queria que ganhasse o Romney porque acho que não seja melhor do que Obama, apenas penso que Obama não é tão bom como o querem pintar.

2012/11/05

A 24 horas das eleições americanas...

...os resultados são imprevisíveis estando todas as hipóteses de pé: re-eleição de Obama com vitória deste no colégio eleitoral e votos, re-eleição de Obama com vitória no colégio eleitoral e derrota nos votos, vitória de Romney no colégio eleitoral e derrota nos votos e vitória de Romney no colégio eleitoral e votos.

Sabemos, da re-eleição de G.W.Bush (filho) que o sistema americano é muito complexo e que nem sempre a vitória em votos directos equivale a uma vitória no "colégio eleitoral" que é quem, de facto, elege o presidente.

E como muitas poucas vezes o presidente em funções não foi re-eleito, é muito estranho que a tão poucas horas da votação (a uma terça-feira!) ainda estejam todas as hipóteses em aberto e haja um empate técnico nas sondagens. É desde já, não uma derrota, mas um enfraquecimento do mandato do próximo presidente, com todas as consequências que isso pode ter para o nosso país e para a Europa - um presidente americano mais fraco ou mais fragilizado internamente irá, no meu entender, procurar robustecer a sua posição e descurar as relações bi-laterais, será mais ego-estatal do que interessado no relacionamento com o resto do mundo e com a Europa em particular.

E isso, atendendo à grave crise que atravessamos, é duplamente negativo.

Obama foi uma desilusão para toda uma esquerda que pensava, novamente depois de 3ª via de Blair, que havia soluções à esquerda para a crise que atravessamos há mais de uma década. Não foi o Messias e nem tão pouco conseguiu afirmar as suas políticas no seu país que está ainda, a 24 horas das eleições, mais virado para o substituir por um aparentemente fraco candidato como Romney do que o manter no cargo.

Que sirva de reflexão interna também isso: substituir agora Pedro Passos Coelho por Seguro iria resolver o problema (ou iria agravar?), será Seguro o homem que tem mais soluções milagrosas de esquerda para resolver o problema económico que a esquerda criou e agravou? Acompanhemos, por isso, com apreensão, o que se vai passar nos EUA amanha e o que se vai passar por cá a seguir...

2011/06/21

Faltou Nobreza...

...na eleição do Presidente da Assembleia da República.

Nobre fez o que tinha de fazer - desistir da candidatura - mas tarde de mais. Expôs-se desnecessariamente ao ridículo de não conseguir ser eleito. Desnecessariamente porque já se sabia que o PS e o CDS tinham dado indicação para os seus deputados votarem em branco e do BE do PCP só se podia esperar um voto contra.

Assim, a desistência deveria ter acontecido na reunião do Grupo Parlamentar antes da eleição. Dessa forma, Pedro Passos Coelho teria cumprido a sua promessa de o apresentar e ele teria saído com o mesmo discurso que fez ao final da tarde de não ter condições para o poder fazer. A votação foi só um pró-forma porque antes disso ele já o sabia - ele e todos nós.

Aliás, se houve alguém responsável pelo mau resultado do episódio foi ele o maior de todos. A começar pelas infelizes declarações após o convite a dizer que se não fosse eleito Presidente da AR abdicava do cargo, passando pela altivez e sobranceria que sempre demonstrou sobre os demais deputados (eleitos e a eleger).

Ninguém pode negar o excelente trabalho cívico que produziu ao longo da sua vida. Que se traduziu inclusive num excelente resultado presidencial. Mas isso não é por si só o suficiente para se eleger Presidente da AR - precisava para tal do apoio de um partido, que o PSD deu, mas também da maioria dos deputados - e isso ele não soube conquistar, claramente. E oportunidades não lhe faltaram, ao longo da campanha, para o fazer.

Agora deixa o problema nas mãos de Passos Coelho.

Que não é de fácil resolução.

Fala-se assim nos nomes de Mota Amaral (eterna referência e Presidente da AR entre 2002 e 2005) mas também do madeirense Guilherme Silva e da Teresa Morais. Acredito a escolha venha a recair no açoreano, mas não me desagradava a ideia de ter a Teresa Morais a presidir à AR. Era, no mínimo, uma lufada de ar fresco ter uma mulher com 51 anos, outro corte geracional...

2011/06/07

A abstenção ou eleitores fantasma


Imagem Bom Vernáculo

Este é um tema que não só me preocupa como acho que deveria ser uma das prioridades da próxima legislatura.

Urge resolver esta situação que deixa sempre um travo amargo em qualquer eleição.

Quanto a mim, há duas coisas a ter em conta neste assunto. Uma é o desacerto dos cadernos eleitorais. Outra é o desinteresse das pessoas, as pessoas não participativas civicamente.

Vamos por partes.

CADERNOS ELEITORAIS
Não são fiáveis. Ponto final. Há muitos, imensos, eleitores fantasma: mortos, duplicados ou qualquer outra situação. Senão, repare-se no seguinte: há 9.429.024 de eleitores inscritos, quando há apenas 10.632.481 habitantes residentes em Portugal e destes 1.619.804 são menores de 14 anos e 571.027 têm entre os 15 e os 19 anos (o que significa que grande parte deles, cerca de metade, também não vota) - isto segundo dados recolhidos na Pordata referentes a 2009 - e isto significa que, seguramente, há menos de 9 milhões de eleitores em Portugal, talvez uns 8,7 ou 8,8 milhões. Assim sendo, quanto a mim, logo à partida há mais de 700 mil eleitores fantasma no país. A abstenção de 41,3% anunciada deverá ser, realmente, da ordem dos 36,4% (ver quadro abaixo).

Este momento em que terminaram as eleições era uma excelente altura de perceber se os que não votaram são abstencionistas ou fantasmas. E era simples limpar um bom bocado os cadernos já: enviando uma carta a cada um dos abstencionistas, no sentido de se apresentarem na Junta de Freguesia para actualização de dados e confirmação de inscrição eleitoral. Só isso, provavelmente, iria limpar dos cadernos muitos mortos, muitos repetidos, muitos emigrantes. E depois irá ser necessário trabalhar seriamente no restante caderno - cruzando dados de várias bases de dados, como a fiscal, a segurança social, a carta de condução. Um bom trabalho dessa forma poderia, finalmente, criar um caderno eleitoral real e ajustado ao país que temos.

PESSOAS NÃO PARTICIPATIVAS
Este é o outro lado da moeda, a contra-parte do problema da abstenção.
Há pessoas que não se dão ao trabalho de ir votar. Há pessoas que já não acreditam que o voto possa mudar as coisas. Há pessoas que não votam por protesto. Há de tudo.
Não sei como convencer as pessoas da importância de cada voto. Dizer-lhes que é um direito conquistado a muito custo, parece não resolver. Dizer-lhes que é um dever para com todos os outros também não.
Por outro lado, sei de uma coisa. Não é por haver multas que se cumpre, mas sabemos que quando a fiscalização é grande, há tendência de se comportar melhor e cumprir minimamente, mesmo que com protestos, o que for obrigatório.
As pessoas deveriam participar por vontade própria - gostei de ouvir um eleitor em Figueiredo, mais ou menos da minha idade, quase analfabeto, a dizer que nunca falhou uma eleição e era um dever vir votar - e eu não percebo que não o façam.
Mas quando não vão a bem, vão a mal. Alguém acredita que se não fosse obrigatório entregar os elementos referentes aos impostos em determinada data, sob pena de multa, que alguém o faria voluntariamente? Pois aqui passa-se o mesmo! Se as pessoas não vão votar a bem, devem passar a ser forçadas a ir sob pena de não indo terem de pagar uma coima - coisa que o Brasil faz há bastante tempo com relativo sucesso, ao que sei.

2011/06/06

Liberdade!



5 de Junho de 2011 foi um dia histórico, o Dia da Libertação, como ontem escrevi, porque finalmente Portugal conseguiu ver-se livre do pior governante que a história de Portugal registou nos seus anais.



E foi histórico também por vários outros motivos.

Porque pela primeira vez em Portugal um opositor derrotou um Primeiro Ministro em funções (excluindo o caso atípico de Santana Lopes que foi um PM cooptado e com poucos meses de funções) e chegou assim, da forma mais difícil, à eleição.

Porque foi um vitória clara e arrasadora - apesar de não ter chegado à maioria por si só - pois ganhou todo o país (com as habituais excepções dos distritos "vermelhos") por vezes com votações que dobravam a do PS, mas ganhando em vários concelhos desses distritos difíceis.

Porque, como muito bem disse Henrique Raposo no Expresso, "o PSD vence com um programa claro, ideologicamente separado da esquerda. A CDU não tem razão: o programa do PSD foi discutido. Ninguém pode dizer que "não sabia"" e porque "Passos vence contrariando os manuais do "comentário político português", isto é, Passos vence dizendo coisas complicadas e duras. Disse que era preciso acabar com feriados e ganhou de forma clara, disse que era preciso mudar a lei laboral e a TSU, e venceu de forma clara, disse que era preciso mexer na CGD e ganhou de forma clara, disse que não podia prometer nada e ganhou de forma clara. É por isso que a sua vitória representa um governo forte, porque disse o que ia fazer antes das eleições. Dentro da nossa III República, isto é uma novidade." E isto é fundamental, porque o Programa de Governo foi claramente anunciado e discutido, pelo que se espera que a esquerda seja DEMOCRÁTICA e aceite o claro veredicto do Povo português...

E foi uma vitória clara porque o PSD por si só quase chegava à maioria absoluta - que foi dada como possível nas sondagens à boca da urna da RTP e TVI. Durante semanas andaram a apresentar-nos empates técnicos, que eram claramente desditos pela realidade do dia a dia, mas que faziam parecer que não havia uma clara reprovação e rejeição das politicas do Governo. Como se viu, e conforme previ, o PS nem aos 30% chegou e o PSD andou boa parte da noite acima dos 40%, tendo só na recta final da contagem caído até aos 38%. Também a esquerda radical foi claramente chumbada, reprovada, bem como as suas propostas radicais - o nosso caminho é na Europa, no Euro, no cumprimento dos acordos e tratados internacionais que subscrevemos. Outro grande derrotado foi Carlos César, que perdeu estrondosamente os Açores, o que lhe deveria fazer reflectir sobre o seu futuro como governante, ainda mais após os disparates que disse durante a campanha eleitoral...

Derrotado foi também um certo PSD que viu assim que a forma de ganhar não é o populismo, o discurso fácil. Ganhou o outro PSD, de Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, que apelavam à responsabilidade e verdade.

E agora que Sócrates se afasta da vida política nos próximos tempos - estará ele a pensar nas Europeias do próximo ano? - o país respira melhor, cheira melhor, camminha melhor.

Gostei, também, foi da festa contida que em todo o país se fez. Porque ontem à noite não havia muita coisa a comemorar, o estado em que o País está não é para comemorar. Houve contentamento e alegria, como é evidente, mas sem entrar em euforias. Porque, como bem disse Pedro Passos Coelho (e Paulo Portas), este momento é de arregaçar mangas e trabalhar muito para reconstruir o país...

E unidos e mais fortes depois do resultado claro de ontem, vamos à obra!

2011/06/05

Dia da libertação!

Ontem foi o anacrónico dia de reflexão.

Hoje, mais que o dia de eleições, é o prometido dia da libertação! Finalmente! Custou, mas demos Passos rápidos, de Coelho, até aqui.

Hoje, estamos a mudar Portugal. Amanhã, é um novo Portugal!

2011/05/31

Faltam 4 dias...

...para mudar Portugal!

Está cada vez mais perto o momento de, como bem disse Manuela Ferreira Leite, colocar Sócrates fora do Governo e até fora da oposição - tal como ela, também eu não fico descansado com ele na oposição!



Conforme a sondagem da média ponderada dos últimos dias da SIC/Expresso notícia, volta a dar vantagem e mais alargada ao PSD, deixando o PS a uns claros 3,3% de distância. E repare-se que como é uma média ponderada de 4 dias, as respostas do dia de ontem são bem superiores aos indicados 35,5%, porque o dia 30 de Maio só representa 40% desse valor e os dias anteriores são inferiores, já que este é o 4º dia de subida consecutiva do PSD.

Claramente que o eleitorado se está a decidir. Para além dos 30% que o PSD tem normalmente, há neste momento uma clara adesão de eleitorado do centro-esquerda, os descontentes com a governação de Sócrates e que o querem longe do poder - repartindo os votos entre o CDS e o PSD. O eleitorado de esquerda pura irá votar nos partidos radicais da extrema esquerda ou irá alternar entre a abstenção e o voto em branco/nulo.

A minha ideia é que no dia 5 as urnas vão-nos dar os seguintes resultados:
PSD - 37-40%
PS - 29-31%
CDS - 12-15%
CDU - 7-9%
BE - 5-7%

Acho que, tal como em 2005 e nas presidenciais, vai haver muitos votos em branco e nulos. Mas o fundamental é a sensação que o país, felizmente, já decidiu sobre retirar Sócrates e eleger Pedro Passos Coelho.

Por último, vejam onde devem exercer o direito de voto na página do MAI para o efeito. AQUI.

2011/05/27

As 1001 sondagens



Nunca vi coisa semelhante. Sondagens diárias, com o extremo da SIC publicar uma sondagem diária comparando com o dia anterior.

Acho que a imprensa se está a exceder na cobertura, ou melhor, no tipo de cobertura que está a fazer à campanha eleitoral.

Porque é uma cobertura imediatista, sensacionalista, em busca dos pequenos fait-divers e não dos assuntos que de facto deveriam ser tratados. Os jornalistas parecem lobos famintos em redor do cordeirinho perdido, rodeando os candidatos com perguntas sobre o que disse o outro e procurando respostas que façam cachas de capas.

A imprensa nestas eleições era essencial para mostrar o estado do país, centrar a discussão no problema a que chegamos de quase-bancarrota e obrigar os candidatos a dizerem como pretendem ultrapassar a situação.

No entanto, não é isso que fazem. Pergunto-me quantos jornalistas terão lido o programa do partidos a estas eleições. Porque só perguntam coisas que nem sequer lá constam. O caso mais paradigmático surgiu ontem, com a pergunta da Renascença sobre a Lei do Aborto e o aborto de notícia que o Público transformou a resposta, subvertendo as suas palavras ao sabor do interesse, do impacto, da notícia.

O interesse da imprensa centra-se nos directos, em saber se os apoiantes vieram a troco de um lanche ou no autocarro da Junta. Centra-se em saber se o partido A subiu 0,6% em relação à sondagem de ontem e qual a reacção do líder.

Gostava que se soubesse mais de outras coisas.

Por exemplo, gostava que os candidatos falassem sobre as obras faraónicas da Parque Escolar e dos problemas que estão a trazer às "novas" escolas. Mas espera, o PSD já falou sobre isso, não vi foi a imprensa interessada nisso, estava mais preocupada que Passos Coelho respondesse ao chavão de Sócrates que o PSD "quer acabar com a escola pública".

Por exemplo, gostava que os candidatos falassem sobre as medidas previstas no pacto com o FMI que prevêem melhorar a competitividade da industria em Portugal. Mas espera, o PSD já falou sobre isso, mas a imprensa estava mais interessada em saber se o que contava era o que dizia Passos Coelho ou Catroga, nem sequer interrogando o PS sobre a possibilidade de não cumprir o acordo quando disse que o mesmo não era para ser cumprido à letra.

É um país deprimido e triste este que vai a eleições, se calhar por isso a imprensa faz a cobertura que tem feito, depressiva e triste, da campanha eleitoral.

Se calhar, por isso mesmo, é que prefere os números constantemente atirados para os ecrans de TV, computadores e folhas de jornais e revistas a falar sobre o que nos trouxe até aqui e sobre o que propõem os candidatos para daqui sairmos...

2011/04/11

Nobre decisão?



Antes de mais, uma declaração de posição.

Pessoalmente não gosto muito do político Fernando Nobre, porque acho que é mais uma pessoa, como tantos independentes que aí andam, que só querem os lugares da política sem estarem nos partidos que é onde a política é feita.
Mas reconheço que o trabalho que desenvolveu na AMI e o seu espírito de independente, verdadeiramente independente como prova ter declarado simpatia pela causa monárquica, ter apoiado Durão Barroso em 2002, Soares em 2006, o Bloco de Esquerda em 2009 e ter sido candidato a PR em 2010 o comprovam, são de facto uma matriz de alguém que não estará no nível partidário mas sim no nível da cidadania.

Assim, posta a minha posição sobre o homem, comentarei agora o convite que lhe foi feito e aceite ontem para integrar e liderar a lista de Lisboa do PSD nas próximas eleições de Junho e ser o seu candidato a Presidente da nova AR.

Em primeiro, parece-me que foi uma excelente mas arriscada jogada política de PPC. Excelente porque conseguiu o apoio de uma pessoa que tem uma boa base eleitoral e que captará sempre muitos votos, nem que seja um quarto ou um quinto dos votos que obteve nas presidenciais - e que eram votos de descontentes e abstencionistas crónicos, bem como de socialistas descontentes - e que será sempre positivo, demonstrando já que de facto, o PSD pretende ter e formar um governo abrangente, não limitado à sua cor politica. Mas é também arriscado porque pelo sua característica de independente que cultiva, poderá vir a trazer alguns amargos de boca ao PSD e a PPC, já que ele não se irá "segurar" quando falar dissonantemente da orientação do partido sobre vários assuntos - talvez em campanha ele seja mais moderado, mas na AR e já como deputado e possivelmente presidente da AR, não me acredito que se contenha de todo.

Desde já, encontro uma coisa positiva neste anuncio. Colocou a esquerda "à nora" por perder uma das suas vozes e por ter recolocado o debate político na campanha eleitoral, depois de ligados à maquina partidária do PS com o comício, perdão, congresso do nacional socialismo, perdão socialista, deste fim de semana.

É triste ver o ponto a que chegou o PS. A aclamação encenada de Sócrates não corresponde nem à realidade do país nem, provavelmente, à realidade socialista, que no "day after" irá reclamar a pele de cordeiro que Sócrates vestiu este fim de semana. Faz-me lembrar, em certo sentido, o que se passou no PSD com Santana e Menezes, em que o aparelho foi mobilizado para dar a ideia de grandes lideranças apenas contestada esporadicamente por um outro militante e que, após algum tempo e derrotas eleitorais, foram amplamente criticadas e demitidas.

Acho que foi preciso coragem para avançar com o convite, que provavelmente será alvo de criticas internas, por parte de PPC. E acho que foi preciso coragem aceitar o convite, por ser do partido menos previsível e por, evidentemente, arrastar para si um coro de criticas de toda uma esquerda incapaz de aceitar a independência que traz nos seus genes. Percebo ter aceite o convite quando lhe é prometido ser mais que deputado, porque quando lhe dá a hipótese de ser o próximo presidente da AR, figura n.º 2 da hierarquia do Estado, está-lhe a ser oferecido o palco para ele poder continuar a sua luta de "cidadania" de que se auto-proclama ser a voz representante de tantos descontentes com a política e os políticos. E, sejamos coerentes, depois da sua candidatura derrotada em Janeiro passado, não lhe restavam grandes alternativas se queria continuar a ser uma voz activa - porque as próximas presidenciais são só em 2016 e porque não lhe ficava bem criar um partido ou ser militante em qualquer outro, só através de uma candidatura como independente poderia manter um palco. O PSD teve a clareza de ver que ao cargo de deputado teria de juntar algo mais - coisa que, pelo visto, mais ninguém viu porque sabe-se já que Fernando Nobre manteve contactos e convites de outros partidos e optou por aceitar este...

Por isso, não sei se foi Nobre a decisão, mas sei que foi corajosa!

2011/01/20

À primeira?



Segundo apontam as sondagens, algumas delas acima, Cavaco irá vencer à primeira volta, com um valor a oscilar entre os 55 e os 60%.
Alegre irá ter entre 20 e 25% num mau resultado que nem a base do PS consegue manter. E se pensarmos que é ainda apoiado pelo BE, é muito mau resultado mesmo.
O independente maçónico-soarista (cruzes credo!) Nobre terá entre 9 e 11%, muito abaixo do que ele anuncia e do que ele gostaria!
Dos outros, a história nada rezará. Fico apenas com a dúvida se o Tiririca da Madeira conseguirá os 7500 votos. As assinaturas, saiba-se lá com a ajuda de quem, conseguiu, para se candidatar, mas conseguirá os votos?
Por último, resta agora irmos às urnas no Domingo e demonstrar que é mesmo à primeira. Volto a repetir, domingo vou votar. E porque quero resolver o assunto à primeira, eu voto Cavaco.

2011/01/15

(Ainda) Acredito em Portugal

Acredito em Portugal.
O que não se afigura fácil, nos dias de hoje.
E este é, ainda, um dos poucos homens em quem confio. Cavaco Silva, Presidente da República e candidato a novo mandato.

Amanhã Cavaco Silva estará em Guimarães, pelas 11h00, no Largo da República do Brasil, almoçará em Famalicão e de tarde estará em Braga, no Avenida Central.

Eu estarei de manhã em Guimarães e no almoço.

Porque (ainda) acredito em Portugal!

2009/09/28

Ressaca das eleições

Da ressaca, algumas notas.

1. Conheço pessoalmente, de relações mais ou menos próximas, 3 deputados eleitos ontem: Maria Francisca Almeida e Emidio Guerreiro, n.º 3 e 5 de Braga pelo PSD e ainda a Cecilia Meireles que foi a n.º 3 pelo CDS no Porto. Para além disso conheço alguns eleitos do PSD de Braga das actividades que fui desenvolvendo ao longo dos anos de militância e conheço alguns não-eleitos, como o actual Presidente da JSD, Pedro Rodrigues e n.º 7 em Braga pelo PSD, que tive o prazer de derrotar em inumeras eleições concelhias da JSD e do PSD ou o Rui Barreira, n.º 5 em Braga pelo CDS-PP e candidato à CM Guimarães.

2. Ainda não tenho a certeza que Sócrates não tente um Governo de coligação com a esquerda à esquerda dele. Nem ele fechou a porta, nem eles disseram que não iam.

3. Ainda não sei se o Presidente ficou fragilizado ou não com a absurda questão das escutas, o seu silêncio (seria para escutar melhor as escutas?) e os resultados de ontem.

4. É impressionante como Sócrates consegue produzir e transformar discursos que deveriam ser dirigidos ao país em sessões de propaganda política sectária. Quem falou ontem no rescaldo da noite eleitoral não foi o primeiro-ministro, foi o secretário-geral do partido que, CLARAMENTE, não teve uma vitória CLARA. Teve, quando muito uma vitória "à rasca" perdendo mais de meio milhão de votos e cerca de 20 deputados em relação à legislatura anterior, num dos piores resultados de sempre do seu partido e no pior resultado de sempre para o partido vencedor...

5. A minha previsão é que em Setembro/Outubro de 2010 haverá novamente eleições. Sócrates vai vitimizar-se (e como ele é bom nisso...) e vai forçar a demissão e queda do Governo. Louçã vai ajudar à festa com o discurso radical e impraticável que utiliza e o país vai "jiboair" estagnado nos próximos meses.

6. Ainda não sei quando haverá condições no país para eu regressar em definitivo e não apenas numas férias curtas como sucede agora...

7. Morreram as legislativas, viva as autárquicas! Mais quinze dias de azáfama e telejornais dedicados ao tema. Um país pobre e deprimido, mas numa festa constante...

2009/09/27

O futuro próximo do Governo

Desde já, a incógnita se vai ser minoritário ou de coligação com um ou mais partidos para obter a maioria absoluta no Parlamento. Ainda não me acredito nas falinhas mansas do PS em que não se alia ao BE, tenho a percepção que a sede da sede de poder é uma enorme tentação.

Depois, a incógnita sobre quanto tempo irá durar esse mesmo Governo. Estão reunidas as condições para que no próximo ano possa cair, tenho ideia que a ruptura total entre pessoas e partidos a isso irão levar.

Por último, a degradação das condições de re-eleição do Presidente da Republica que, com o seu ensurdecedor silêncio e intromissão na luta partidária, foi o grande derrotado das eleições e hipotecou, desta forma, a sua continuidade no cargo nas próximas eleições.

Estou, por isso e como já disse, preocupado com o futuro do país - e, por inerência, com o meu futuro. Hoje vejo que terei de estar no estrangeiro mais tempo, não vi abrir a janela de oportunidades que gostava para que num futuro próximo possa regressar a Portugal.

Vou, por isso, dormir. E sonhar que amanhã quando acordar possa ver que o dia de hoje foi um pesadelo apenas...

A reacção de Manuela Ferreira Leite

Esteve sóbria no discurso, razoável nas declarações, mas infundada na ideia de que continua com força para seguir o seu caminho na liderança do partido.

Perdeu, perdeu a sua política, perdeu a sua atitude perante o eleitorado.

E deveria sair e não estar com conversa fiada que há mais uma eleição daqui a 15 dias e que só depois se pode ver o trabalho dela. É uma premissa errada e deveria entender que o seu tempo, as suas listas, os seus cabeças de listas são passado. Repare-se que o PSD deverá ter um resultado quase igual, ou até talvez pior, que o resultado de 2005 protagonizado por Santana Lopes. O impesável poderá acontecer...

O PSD precisa de profunda reforma nos dirigentes e nos métodos, na organização interna. Enquanto seu militante, estive dentro dos processos eleitorais (internos e externos) e conheci alguns dos personagens políticos que ainda hoje andam nos lugares do poder. Não tem havido renovação das pessoas e a renovação na organização interna tem vindo a piorar o campo de recolha de militantes. Saí por isso. Deixei de acreditar por isso.

E o tempo passa e cada vez me afasto mais, cada vez tenho menos esperanças, cada vez acredito menos no partido e nas pessoas do partido.

PS refem de um PSD responsável ou de um BE (irresponsável por natureza)

Não augura nada de bom para o futuro, a questão do possivel numero de deputados do PS somados com os do BE serem os necessários para a maioria absoluta, porque torna o PS e o país reféns de políticos e políticas radicais de esquerda que em nada ajudam o país a superar a crise actual (pontual) e a crise estrutural (antiga) que enfrenta desde o final do primeiro mandato de Guterres.

Estou preocupado com isto porque não sei se o PSD que vai sair deste sufrágio será responsável e escapará à tendência autofágica que o consome habitualmente depois de derrotas eleitorais pesadas como a de hoje.