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2011/03/27

O abismo (para reflectir)

Pacheco Pereira, no Abrupto, escreveu um curto texto mas muito interessante.

Para reflexão, quer do país, quer do PSD.



"Um dos poucos provérbios verdadeiramente universais começou em latim: abyssus abyssum invocat. Embora muita gente pense que este provérbio faz parte daquela massa de sabedoria greco-romana que nos chegou condensada, a frase tem origem num Salmo e é da Bíblia em latim, a Vulgata, também uma das fontes da sabedoria ocidental, com um toque de helenismo oriental. Pouco importa a origem, a sua lição está em todas as línguas: “um abismo atrai outro”, “l'abîme appelle l'abîme”, “el abismo llama al abismo”, “l’abisso chiama l’abisso”. E os rifonários associam este provérbio a outros: “uma desgraça nunca vem só”, “misfortunes never come singly”, “una desgracia nunca viene sola”, "le disgrazie non vengono mai sole”, entre outros.

Na tradução clássica em inglês da “King James Bible”, em vez de “abismo” temos “profundezas”, “inferno”, o que é mais próximo do sentido original, mais grego que latino. Mas a chave de tudo é o “invocat”, “calls”, “chiama”, “apelle”, “llama”, “atrai”, “chama” - o abismo chama, melhor, o abismo seduz. A frase, um verdadeiro teasing à nossa cabeça, uma frase que faz pensar, devia estar hoje inscrita por todo o lado, nas ruas, nas praças, a fogo para se ver de noite: portugueses, aqui está o abismo, aqui está o inferno, aqui estão as profundezas, não vos deixeis fascinar pelo tenebroso caminho com que o inferno nos seduz. Ganância, superficialidade, desespero, fuga em frente, irresponsabilidade, pequenos interesses, tudo leva a que muitos dancem nas bordas esfareladas do abismo. É só uma questão de tempo até caírem.

José Sócrates e o PS foram os grandes escavadores do abismo. Não fizeram outra coisa nos últimos seis anos, com ajuda de outros escavadores nos últimos quinze. O gigantesco buraco que escavaram ficou a olhar para cima com uma pantagruélica, incomensurável boca, na qual um dente de falso ouro, engana os que o olham de cima, atraídos pela luz escassa, que ilude o escuro das profundezas. Luz que parece prometedora, a luz do poder. Também já foi dito: quando alguém olha para o abismo, o abismo olha também de volta. Invocat. Chama. E O PSD atirou-se, iludido pelo falso ouro, e pelas vozes. Duvido que alguém saiba muito bem o que está lá no fundo. No inferno."

2009/07/23

Demolidor

Pacheco Pereira, na Sábado On-line, diz que o "Tempo é coisa tramada" com toda a razão. Colocar a entrevista que Sócrtes deu em 1999 sobre os então novos estádios para o Euro2004 e fazer a transição dessa entrevista para o TGV, por exemplo, é fabuloso.

E permite ver como o discurso dele não evoluiu em 10 anos. As palavras são iguais: "novas centralidades", "novas oportunidades"...

Leiam:

"José Pacheco Pereira
Tempo é uma coisa tramada

“Seria uma grande irresponsabilidade construir estes estádios que depois não fossem utilizados” (José Sócrates, 1999)

Na Internet, com origem no You Tube e continuação nos blogues, circula uma entrevista dada ao programa Hermann99 por José Sócrates, então jovem governante em vésperas de chegar a Ministro. Toda a entrevista é interessante, mas esta parte é ainda mais interessante porque se percebe muita coisa sobre as características políticas de José Sócrates, então já com mais de quinze anos de política na JSD e no PS e dois anos de experiência governativa.

É. O tempo é uma coisa tramada. E uma das coisas em que a trama do tempo nos trama é quando percebemos que nada mudou no que dizemos, mesmo quando nada do que dizemos tem (teve) alguma coisa a ver com a realidade. O que impressiona nesta entrevista é ouvir Sócrates falar exactamente na mesma, usando as mesmas expressões, o mesmo tom enfático, as mesmas palavras, os mesmos argumentos, o mesmo apelo à que o nosso desejo corresponda ao dele, a que o acompanhemos, a mesma tensão discursiva, com que fala hoje.
Na altura falava dos estádios do Euro 2004, hoje fala do TGV ou do novo aeroporto ou das novas auto-estradas. E diz exactamente o mesmo, sem tirar nem por. Pode-se retirar-lhe a palavra “estádios” do discurso e colocar TGV, que tudo o resto podia ser hoje. A única gigantesca diferença é que nós sabemos que tudo aquilo que ele disse dos estádios não se verificou, nem de perto nem de longe. Pelo contrário: o programa dos estádios criou uma série de abortos vazios, que não servem para ninguém e no qual se enterraram milhões de euros que ainda hoje pesam muito significativamente nos orçamentos autárquicos e na despesa pública. E pior ainda: nada do que ele disse sobre as vantagens do projecto dos estádios se verificou pelas mesmas razões que os críticos então apontaram, desperdício, gigantismo, despesismo, confusão de prioridades, obsessão do betão, e que é o mesmo que hoje é dito pelos críticos do megalomano projecto de grandes obras públicas do governo. Ou seja, Sócrates foi um dos responsáveis de um desastre económico (e não só ele, também muita gente do PSD) que já estava anunciado em 1999 e que ele recusou reconhecer e preparava-se hoje, se não fosse travado pelo Presidente da República e pela derrota eleitoral nas europeias, para fazer o mesmo.

É. O tempo é uma coisa tramada. Aquilo que parecia em 1999 uma ode ao desenvolvimento baseado no futebol - em Aveiro a “maior zona de requalificação” do país, os estádios “muito sofisticados” “com três estúdios para televisão pelo menos“, “criar novas centralidades”, “novas oportunidades” etc., etc. - e que se repetiu a propósito de muita coisa, dos gadgets como o “Magalhães” a falhanços como as Cidades Digitais e a Via CTT, nos anos da maioria absoluta até desfalecer em Junho de 2009, hoje parece muito frágil. Quando o ouviamos em 2005, 2006, 2007, 2008, a falar da “revolução” que os seus projectos de desenvolvimento iriam trazer ao país, deveriamos ter tido mais memória do passado deste governante, mas falhamos no escrutínio do que já então era possível ter e que se devia ter. Sócrates vai falar do mesmo modo na sua campanha eleitoral porque ele não sabe fazer de outra maneira. É por isso que é bom voltar a estes videos com dez anos para o perceber melhor.

É. O tempo é uma coisa tramada."


A entrevista:



É por isso que está Portugal como está. E que não mudou muito neste milénio. Continuo a usar aquela música do Jorge Palma... Ai Portugal, Portugal...

2009/01/30

Índice do Situacionismo


O José Pacheco Pereira tem estado em grande forma no seu "Abrupto", em particular a desmontar a "máquina de propaganda" que tem singrado na imprensa portuguesa, nomeadamente em alguns jornais e televisões, com bajulação e noticias à la carte do Governo.

Em cheio têm sido os post's sobre as capas dos jornais, onde de forma exaustiva tem desmontado o proteccionismo ao Governo e explicado como se articulam posições do Governo com a imprensa.

Pelo desassombro com que o tem vindo a fazer, os meus parabéns.

2008/12/01

Eu no Abrupto (outra vez...)

Aqui está mais uma foto minha no blogue do Pacheco Pereira. Aqui.

Foto de um por do sol na praia do Terminus, similar à que apresentei aqui ontem.

2008/05/02

Viagens: Cachoeira da Binga, Rio Keve, Gabela/Sumbe (2)

Mais algumas fotos deste fantástico local.












E um agradecimento especial ao Pacheco Pereira no seu Abrupto e nas suas "Exteriores: Cores do Dia de Hoje" por lá colocar uma das minhas fotos.

2006/07/17

Sugestão ao Abrupto

Quem sou eu para sugerir o que quer que seja ao "guru" dos blogs de Portugal... No entanto, atrevi-me a sugerir a José Pacheco Pereira acerca de um post dele sobre as 20 Melhores Obras de Referência em Português o seguinte comentário:

"Uma sugestão: dentro das obras de referência, uma há da minha área profissional que julgo que não só em Portugal, como também no estrangeiro, é reconhecida como obra marcante e invlugar, que é a recolha feita por grupos de arquitectos nos anos 50 sobre a Arquitectura Popular Portuguesa, então da Associação de Arquitectos e agora Ordem dos Arquitectos. É uma obra fundamental, nos seus textos, desenhos e fotografias porque feita num momento anterior ao inicio da urbanização desenfreada de Portugal com o advento da entrada do dinheiro dos portugueses da diáspora iniciada nos anos 60 e onde podemos assim conhecer coisas que mais do que da "arquitectura" são da "cultura" e "tradições" portuguesas."

2005/05/06

2 anos de Abrupto...

...e que se passaram abruptamente.

O Abrupto de José Pacheco Pereira, o grande impulsionador da blogosfera nacional, faz hoje dois anos.

Muitos parabéns!

2005/02/10

Ex-primeiro Ministro Incomodado com Notícia do PÚBLICO

Este título também não é meu, é desta noticia de hoje do Público e que tenta justificar e desviar daquilo que ontem tentou dizer e que me indignou e levou a escrever ao Provedor do Público que, infelizmente, já não é Joaquim Furtado (e mais infelizmente ainda nem sequer sei quem agora é).

E esta noticia é trágica porque as jornalistas (?) em vez de se penitenciarem pelo erro tremendo que cometeram na véspera, reincidem e usam o facto que criaram na véspera para justificar a nova noticia, com direito a capa e a citar uma fonte que sabe o que o Prof. Cavaco pensa (será a Maya?) e tudo!

Se isto não é um claro favorecimento e tomada de partido pelo PS, então engana bem e não podia fazer melhor serviço se fosse encomendado!

É inacreditável, mas pelo menos não estou só nem sou o único a pensar assim: Pacheco Pereira no seu Abrupto diz e pensa como eu, basta ler o seu único post de hoje, 9 de Fevereiro e o que ele ontem escreveu sobre o assunto também.

2005/02/06

Abrupto no seu melhor...

Nestes dias de campanha política o Abrupto e Pacheco Pereira têm sido um farol a prever o que se vai passar no "day after" das eleições.

Não deixa de dizer que o voto no PSD é fundamental (como eu digo e cada vez mais disso tenho a certeza) mas vai reflectindo e pensando no futuro do partido e do país.

Leiam o post "HÁ VIDA DEPOIS DE 20 DE FEVEREIRO (1) : A HONRA PERDIDA DO PSD" e "HÁ VIDA DEPOIS DE 20 DE FEVEREIRO (2): ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA", bem como o blog no geral e vejam o pensamento esclarecido de um homem que gosta do país e do partido.

2003/08/21

Bagdad/Jerusalém por Pacheco Pereira no Abrupto

Um post recente de Pacheco Pereira no Abrupto está a causar muito burburinho, como ele o previra, em especial por causa destas frases: "Por que é que não se pode dizer que Sérgio Vieira de Mello morreu pelo mesmo objectivo por que morrem os soldados americanos? Por ter sido funcionário da ONU? Por que razão é que as mortes israelitas, na sua enorme brutalidade, não suscitam um milionésimo de reacção, da fácil reacção que outras mortes causam, mas apenas incomodo?".

No seu modo desassombrado, como lhe é ainda mais caracteristico no seu blog, Pacheco Pereira soube, quanto a mim, tocar no ponto fraco da questão.

É que neste mundo de hoje há sem dúvidas duas formas de analisar o conflito que se estende por todo o médio oriente! Existe um lado, onde considero integrar-me, que acha que o problema é civilizacional, que confronta uma civilização dita "moderna" - que é a nossa, com o capitalismo/liberalismo, a democracia, o pluralismo, a representatividade, a busca do conhecimento e todos os defeitos e virtudes que tais coisas acarretam - com uma outra civilização muito mais atrasada, quase medieval - pois imperam as ditaduras, por vezes de cariz religioso ou tribal, por vezes de pendor comunista, quase sempre totalitárias, onde poucos têm acesso ao conhecimento. A outra forma de ver este conflito é com o olhar romantico e nostálgico das lutas dos fracos contra os fortes - como alguém já escreveu, dos indios de lanças contra os cowboys de pistola - mas que, como quase todas as visões romanceadas, pecam por distorcer claramente a realidade: afinal, os indios usavam lanças mas muitas vezes atacavam à traição - ou se transferirmos para Jerusalem, não serão os bombistas suicidas que se fazem explodir nos autocarros matando civis e crianças atancantes à traição, matando quem não tem nada a ver com o assunto?

Pacheco Pereira tem razão! Acho que Sérgio Vieira de Mello morreu por um ideal que também é o meu: estender mais longe uma civilização moderna, fazer chegar a países como o Iraque o século XXI da internet, das liberdades, do conhecimento. Coisa que ajudou a fazer no Kosovo (saído da pesada ditadura comunista, que perdurou na Sérvia muitos anos) e em Timor (saído da ditadura Indónesia) e que hoje são mais próximos do século XXI onde nos encontramos do que do século XIX onde estavam fechados.

E já agora, gostei da atitude do Primeiro Ministro em aprovar a condecoração, com a ordem de mais alto grau em Portugal, este cidadão do Mundo que Sérgio Vieira de Mello foi. Gostava de ver Guimarães, na sua Assembleia Municipal, dedicar-lhe igual honra, atribuindo-lhe até o nome de uma rua ou praça em local compatível à dignidade que ele merece.

2003/08/20

A informação dos média

aqui escrevi criticas aos média que fogem a assuntos de muito maior relevo para, apenas, nos apresentar aqueles cujo consumo, porque recorrendo a imagens ditas "fortes", se torna mais apelativo - ou então por medo de afrontar os poderes instalados!

Mas Pacheco Pereira, hoje no seu Abrupto num post pelas 08:13 da manhã (e cujo link não funciona) foi mais longe e disse algumas verdades que os jornalistas não gostam (nunca) de ouvir! A ler, reflectir e... concordar!