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2012/11/01

O que tu queres sei eu... [I]

Cristina Azevedo: “Foi com relativa amargura que abandonei o projecto” da CEC

2012/03/11

Arte?

Hoje fui ao Laboratório de Curadoria, a antiga fábrica ASA em Guimarães, onde no âmbito da CEC 2012 foram ontem inauguradas duas exposições, uma de arquitectura (O Ser Urbano, nos Caminhos de Nuno Portas) e outra de um colectivo de artistas (Collecting Collections and Concepts).

Se a primeira é aquilo que se espera dela, ou seja, uma mostra da vida de Nuno Portas desde o inicio de carreira até aos projectos mais recentes, mostrando projectos, maquetas e influências exercidas no seu trabalho, passando pelos projectos urbanisticos como os PDM's e várias urbanizações em que participou e culminando com um video sobre o arquitecto, estava bem organizada e pensada. Mas falta uma melhor explicação daquelo que estamos a ver, não há um guia da exposição, muito pobre do ponto de vista informativo.

Home? Pensei que era factory...
Aliás, informação sinalética é coisa que não há no edifício todo. Entrei e vi um quiosque de madeira e pensei que fosse um ponto de venda de livros e material da CEC. Nada dizia que era uma bilheteira, nem tinha aspecto de ser uma. Fui avançando e passei por uma menina numa porta (vamos chamar-lhe "Menina 1"), sem problemas, apesar de ter hesitado entre ir para lá ou para o que parecia ser uma conferência - mas como não vi nada a dizer sobre a conferência e vi um cartaz do "Ser Urbano" atrás da menina, pensei que a exposição fosse por esse lado. Entrei num corredor e nada vi, avancei pela direita e passei por outro cartaz "Ser Urbano" e pensei para mim: deve ser por aqui... e continuei a andar até chegar ao fim do corredor e... nada! Voltei para trás e olhei novamente para o cartaz, tendo lido lá em letras pequenas que a exposição era no 1º piso... e pensei então que por isso estava o cartaz ali, junto aos elevadores...Entrei, subi ao piso e só na entrada da exposição é que mais 2 meninas me dizem que tinha de comprar bilhete... Por isso, desci, fui ao quiosque (que afinal era bilheteira) e voltei a subir (isto sem que a Menina 1 me perguntasse ou dissesse coisa alguma) e vi a exposição sobre Nuno Portas. Terminada a exposição, desci e por exclusão de partes, decidi ir pelo corredor da esquerda (é sempre a minha última opção, a esquerda...) e avancei sem nada que me dissesse que a exposição do colectivo de artistas era ali. De repente, atrás de uma mesa de madeira, vejo um cartaz que me pareceu ser o da exposição - pensei para comigo: deve ser por aqui...
Uns cacos de tijolos, umas toalhas do Continente...
e parece que isto é arte!
Depois, vejo um painel grande com umas lampadas fluorescente a dizerem HOME enquanto apagavam e acendiam - voltei a pensar: de facto, deve ser mesmo por aqui... Já mais confiante que estava no caminho certo, avancei um pouco mais e, finalmente, vejo mais duas meninas noutra entrada e lá estava a exposição sobre Colecções.
Aqui percebi a arte: é o galo de Barcelos!
Sinalética? Zero. Para além de dois cartazes, sem setas, sem mais nada, zero indicações. WC's também havia, mas não havia sinalética a indicar onde era. Saídas de emergência também era capaz de haver, mas não as vi e menos ainda a indicação delas...

Sim, isto é arte
(e não, não estou a brincar, estou a falar a sério)
Voltando então às exposições, vi depois a exposição sobre Colecções. Confesso que não percebo porque aquilo é arte. Criatividade não é arte, porque se fosse assim o Marketing era dado na Faculdade de Belas Artes... Ser criativo não é o mesmo que ser artista, apresentar trabalhos criativos não é o mesmo que apresentar obras de arte, saber usar um lápis, um pincel, uma máquina fotográfica ou de filmar não faz da pessoas um pintor, um fotografo ou um cineasta. Vi coisas criativas e que me fizeram rir muito. Mas não acho que tenha visto arte. Se calhar por isso é que da exposição toda apenas gostei de ver dois quadros (segundo a célebre máxima da caricatura do Djaló feita pelo Manuel Marques no Estado de Graça, se "está pendurado numa parede, é arte...") que descubi serem do Pomar e do José de Guimarães... e que estavam "semi-escondidos" numas montras viradas para umas casas de banho...

Um pouco mais de arte urbana, grafitis (mas com qualidade)
Mas arte? Ver arte? Só no piso 1... Enfim...

2012/01/31

Conferência/Debate sobre Mobilidade pela Conferência Permanente de Cidadãos

Decorreu esta noite nova conferência da CPC dedicada ao tema da "Mobilidade em Guimarães" e que tive o grato prazer de moderar.

Antes de mais, uma coisa que me surpreendeu foi a casa cheia, talvez mais de 40 pessoas, entre elas imensos jovens. É bom saber que este tema desperta mesmo atenções.

Depois, as opiniões diversas e controversas que aconteceram ao longo das mais de 2 horas de aceso debate e troca de ideias foram muito interessantes.

Abordados que foram os temas dos transportes públicos, dos estacionamentos, da criação de mais ruas pedonais, da desertificação habitacional e comercial do centro histórico, dos diferentes utilizadores do espaço (os habitantes e comerciantes em oposição aos turistas e aos frequentadores dos espaços nocturnos), da implementação de zonas cicláveis, da implementação de planos de mobilidade em cidades limitrofes, da forma como se pode regular o transito, chegamos no final a algumas conclusões: em Guimarães não aparenta haver uma estratégia subjacente à questão da mobilidade. Tomam-se pelo poder político atitudes contraditórias, com fins antagónicos, da forma mais natural do mundo.

Seria positivo existir um estudo profundo, coerente e com procura de soluções que fossem integradoras das várias situações que permitissem melhorar todos os tipos de mobilidade, de quem anda a pé, de bicicleta, de transportes públicos e de automóveis. À semelhança, por exemplo, do que está a fazer com algum sucesso, a cidade de Barcelos (partes 1, 2 e 3), integrante do nosso Quadrilátero Urbano.

Há, por isso, muito a fazer sobre o assunto em Guimarães. Que está melhor nalguns aspectos do que se apresentava há alguns anos atrás, mas que se não mudar de paradigma e alterar alguns conceitos, poderá vir a ter sérios problemas a médio prazo.

Moderado por mim e com as presenças de José Gonçalves e José Cunha.

Deixo, por fim, aquela que é uma boa definição de mobilidade urbana e que serve a todos, da autoria da Engenheira Civil brasileira, Cristina Baddini:

"Mas, afinal, o que é mobilidade urbana?Quando uma cidade proporciona mobilidade à população, oferece as condições necessárias para o deslocamento das pessoas. Em outras palavras, ter mobilidade é conseguir se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer e para qualquer outro lugar onde o cidadão tenha vontade ou necessidade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. (...) Ter mobilidade urbana é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejados, salvo em caso de acidentes, por exemplo. É ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir ao trabalho a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo. É dispor de cicloviase também de calçadas que garantam acessibilidade aos deficientes físicos e visuais. E, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convir e não ficar preso nos engarrafamentos."

2012/01/22

Da abertura da CEC2012 no Toural

Não sei. Não vi.

Tentei, mas não foi possível lá chegar. O que me chateou mais profundamente é que eu nem sequer ia para a praça, só queria chegar ao edifício, pois tinha onde assistir "de balcão"!
Imagem Público | P3

Assim, assisti na Oliveira por uma TV e tenho visto fotos, daquilo que me parece ter sido um fantástico espectáculo dos La Fura Del Baus.

Mas o que me preocupou mesmo foi a enorme quantidade de barreiras policiais, daquelas de ferro, que colocavam para impedir o acesso ao Toural. É que as barreiras que impedem a entrada, são as mesmas que impedem a saída... e agora imaginem que tinha acontecido um acidente qualquer - por exemplo, rebentar um cabo que segurava um dos bonecos gigantes - e a multidão tinha um momento de pânico e tentavam fugir do local... alguém consegue prever o que se teria passado quando a multidão começasse a ser apertada contra essas barreiras metálicas? Eu relembro o que se passou em Heysel Park, num tristemente célebre Liverpool-Juventus para se ter uma ideia do que poderia ter acontecido!

Esta é, claramente, uma situação a repensar - ou o local, ou a forma como se acede e impede o acesso lá. Não esquecer que esta foi a primeira de 5 apresentações semelhantes que este grupo vai realizar...

No restante, só espero na próxima vez organizar as coisas de forma a conseguir lá chegar antes de ser fechado o espaço... à primeira, cai quem quer, à segunda, só quem quer cai...

2012/01/20

E finalmente vai começar a CEC2012!

Ao fim de 21 dias deste ano de 2012, irá, finalmente, arrancar a sério o evento Capital Europeia da Cultura 2012 em Guimarães.

E, pelo que vou lendo, para além de termos uma imprensa nacional mobilizada e cooperante - TSF, SIC, RTP, Público, Visão, Expresso, entre tantos outros, têm vindo nos últimos dias a fazer extensas reportagens e peças jornalísticas sobre o assunto - e, de entre tantas, destaco uma diferente do habitual.

Foto do Fugas
É um roteiro do Fugas, do Público, "Dez passeios por Guimarães, dez séculos de arquitetura(s) aos nossos pés".

E é diferente porque faz aquilo que eu acho que a CEC2012, através da FCG, deveria ter feito e estar a dar agora à estampa: é um roteiro para visitar Guimarães através da arquitectura. Ou seja, foge aos habituais roteiros turísticos e mostra outro concelho, através, por exemplo, dos diferentes tipos de arquitectura que aconteceram no concelho ao longo dos últimos 10 séculos de história.

E como este roteiro, feito com calma e ponderação por um vimaranense com tempo para pesquisar, fotografar, catalogar e mapear tantos bons e belos exemplos de arquitectura que se encontram cá, deveria ser um belo livro.

E poderiam ser ainda feitos outros, como um Roteiro da Arte Sacra, um Roteiro das Casas Senhoriais, um Roteiro da Boa Mesa, sei lá, tantos e belos livros poderiam ter sido deixados para a posteridade representando o valiosíssimo património cultural vimaranense e ajudando a difundir, ainda mais longe, a cultura de Guimarães. Infelizmente, para já, só nos jornais e revistas se vão encontrando, casuisticamente, estas propostas...

Vale a pena ler as propostas do Fugas e procurar as mesmas no concelho - conheço quase todas de as palmilhar desde infância (menos a quinta do falecido arquitecto Távora) e merecem a visita.

E podem começar amanhã mesmo, na inauguração, pelo Toural, onde irão actuar os La Fura del Baus e onde eu conto estar a assistir.

2012/01/18

Da arquitectura do ferro

Na TSF, uma série de programas do Fernando Alves sobre Guimarães e a CEC teve, logo no seu inicio, um dedicado ao amigo Jerónimo Silva, actual proprietário da famosa casa "Ferreira da Cunha", bem no centro histórico de Guimarães, na sua principal praça, o Toural.

E foi por isso com muito agrado que ouvi esta reportagem, excelente, de resto, como já nos habituou o Fernando Alves e complementada com o endereço do site desta secular casa, onde podemos apreciar algumas maravilhas confeccionadas artesanalmente, conforme ditam os sabores dos tempos.

Vale a pena a visita ao site, para ver fechaduras, aldrabas, trinquetas, puxadores, batedores, pedreses, dobradiças, lemes, espelhos ou pregos de outros tempos. E vale mais ainda a visita à própria loja, no largo do Toural, onde não se sai sem trocar umas palavras sobre a sua arte ou a nossa cidade - por exemplo, a sua mágoa, que é a minha também, sobre o "novo" Toural...

2011/12/09

Coldplay no Dragão

Foi anunciado publicamente que esta banda, uma das que mais gente arrasta aos estádios hoje em dia, terá (pelo menos) uma passagem por Portugal em 2012, a 18 de Maio no Estádio do Dragão.

E digo pelo menos porque há muito que foi prometido que o encerramento da CEC2012 seria ao som desta banda em Guimarães, pelo que veremos qual a capacidade da FCG em cumprir esta promessa...

Entretanto, resta pensar que no Verão o Estádio do Dragão, a meros 50 km de Guimarães e Braga, será o local de eleição para aquilo que deverá ser um dos momentos altos musicais do ano e onde poderemos ouvir, com certeza, Yellow, Clocks, Viva la Vida, Troubles, Parachutes ou os mais recentes Paradise ou Every Tear Drop is a Waterfall. Fica o video desta:


2011/10/01

Guimarães noc noc


O Guimarães noc noc é um evento cultural e artístico que se está a realizar no primeiro fim de semana de outubro de 2011.

É uma mostra de artistas e de múltiplas artes que decorre em vários pontos de Guimarães, incluindo casas particulares, lojas, espaços públicos e galerias de arte, mostrando simultaneamente durante 2 dias em 40 espaços semeados pelo mapa de Guimarães, 150 projectos de 300 artistas.

É um evento, informal, de organização independente que foi "captado" pela CEC2012, em boa hora, mostrando que Guimarães, as suas gentes e os seus artistas, são capazes de organizar e produzir eventos multifacetados, com participação externa à cidade e concelho, com qualidade. Uma bofetada de luva branca no programador da área e no conceito de compra "industrial" de eventos que a FCG implementou na organização da CEC2012... Por uma vez, não foi preciso gastar dezenas de milhares de euros a contratar associações ou empresas de comunicação, fora de Guimarães, para organizar um evento.

Por isso, este fim de semana, visitar Guimarães é imprescindível e já sabe, faça noc noc...

Roteiro (PDF)

2011/09/29

1º Colóquio/Debate "O Lado B: Cidade, Espaço Público e Participação Cívica"

É já hoje o primeiro dos debates de um ciclo que se estenderá até ao final do ano onde vão ser abordados vários temas em redor da CEC Guimarães 2012, organizado pela Conferência Permanente de Cidadãos e subordinado ao tema "Cidade, Espaço Público e Participação Cívica".

Neste painel pretende-se abordar aquilo que a participação cívica pode trazer ao espaço público, à cidade, as coisas positivas. E ver em que ponto poderemos enquadrar a CEC2012 neste espaço de cidadania, onde está a falhar e onde está a acertar, bem como o que se pode fazer para melhorar.

Palestrantes:
Wladimir Brito
Prof. Associado, com Agregação, da Escola de Direito da Universidade do Minho
Advogado 

Delfim Rodrigues
Administrador hospitalar
ex-Director Geral da Saúde
Deputado Municipal na Assembleia Municipal de Guimarães

José Cádima Ribeiro
Professor Catedrático da Universidade do Minho
Director do Departamento de Economia da Escola de Economia e Gestão (EEG) da Universidade do Minho

Será, com toda a certeza, um debate muito interessante e que valerá a pena assistir.
Pelas 21h30, no espaço do CanalGuimaraes.com, na Rua Gil Vicente, em Guimarães (por cima do antigo supermercado Pingo Doce) junto ao C.C. Palmeiras.

2011/08/16

Santiago de Compostela

Ontem fui a Santiago de Compostela, tão perto de cá mas onde não ia há mais de 15 anos. Desde logo, fui num mau dia, pois também lá era feriado mas, ao contrário do que cá acontece, muitas coisas estavam fechadas, não só no comércio como a nivel da cultura, por exemplo, os museus. A própria catedral estava fechada à hora a que lá cheguei durante a missa - dizia um pequeno cartaz A5 (!) na grande porta de entrada, mas sem indicar horários de abertura ou duração da interrupção...

Assim, apesar disso, é sempre uma viagem agradável para se fazer. Preferencialmente num dia de semana e fora das férias grandes... Foi assim uma visita estranha porque não pude ver tudo como pretendia.





Mas poder ver a praça do Obradoiro e a magnifica catedral de Santiago é já razão suficiente para lá ir.

Para além disso, foi engraçado saber que há tantas coisas em comum com Guimarães. Santiago, tal como Guimarães, é Património Mundial da UNESCO mas desde 1985, os caminhos de Santiago desde 1993 e foi ainda Capital Europeia da Cultura em 2000.






O seu centro histórico é também uma excelente amostra de arquitectura e artes medievais, renascentistas, barrocas e neo-classíicas. Bem como de obras modernas, das quais só tive oportunidade de ir ver (desta vez apenas pelo exterior) o Museu de Artes Modernas da autoria do "nosso" Siza Vieira.







Entretanto, reparei nalguns pormenores interessantes. Por exemplo, no centro histórico de Santiago de Compostela havia casas antigas recuperadas onde se utilizava de forma sóbria o alumínio ou o PVC, onde as coisas modernas convivem de forma natural e normal com o antigo - e este não deixa de ser quem é nem perde a sua forte identidade. São formas diferentes de abordar a recuperação do património edificado. Mas sujeitos, ao que sei, aos mesmo ditames e regras... apenas aplicados de forma diferente por quem analisa. Reparei também que no percurso que fiz (e no regresso ainda fui ver Sanxenxo onde nunca havia ido mas havia ouvido falar tantas vezes por tantos portugueses que lá foram) e não vi um único cartaz de propaganda à CEC2012. Talvez seja essa a razão porque ninguém, das pessoas a quem perguntei (bomba de gasolina, cafés, lojas,...) sabia da existência da CEC2012 - no máximo sabiam de uma CEC, talvez em San Sebastian, talvez em 2013, mas também sem grandes certezas...

Mas Santiago é, acima de tudo, uma cidade onde é bom nos perdermos para passear pelas ruas e arcadas sem destino nem rumo certo. Sendo que gostaria de ter tido mais tempo lá para poder ter feito mais alguns "rabiscos" no meu caderninho... Fica , por isso, prometida nova visita e com extensão à Corunha.

2011/08/12

O novo (ou remodelado) conselho de administração da FCG

Já há, finalmente, um novo conselho de administração para a governação da CEC. Novo, é como quem diz, pois 2 dos 5 anteriores membros mantêm-se no conselho, apenas entrando 3 novos nomes.



Assim, para além do já indigitado presidente do CA, João Serra, anterior n.º 2, foram ainda seleccionados Paulo Cruz (engenheiro civil, professor catedrático e presidente da Escola de Arquitectura da UM) e Rosa Amora como administradores executivos e ainda Fortunato Frederico (dono do grupo Kiaya) e mantendo-se Francisca Abreu (vereadora da cultura da CMG) com os cargos de administradores não executivos.

Algumas reflexões, por isso, são merecidas.

Sobre João Serra sou céptico, à partida. Desde logo porque se era o n.º 2 do anterior CA é em grande parte responsável por tudo o que de mal (e que é publicamente muito superior ao que de bem) se passa na FCG/CEC2012. Não me acredito que consiga inverter o curso da sua actuação, por mais que o seu discurso seja agora o oposto do que antes apoiava quando era vice de Cristina Azevedo.

Sobre Paulo Cruz, com quem me cruzei há 8 anos na UM num curso de especialização, tenho uma boa impressão académica. Desconheço, entretanto, o seu trabalho na Escola de Arquitectura, mas para um engenheiro civil presidir à mesma deve ter algo de especial... Em todo o caso, não lhe conheço intervenção, pensamento ou
dotes de político para este cargo de gestão política que vai desempenhar - não estou a dizer que não os tem, apenas que não os conheço. É uma incógnita. Acredito que se sair da presidência da Escola de Arquitectura e fizer um ano sabático reunirá condições, por conhecer até o tecido social da região, para cumprir a sua missão satisfatoriamente.

Sobre Rosa Amora, não a conheço. Dizem-me que veio "via" Jorge Sampaio (como veio João Serra, seu ex-chefe da casa civil), é licenciada em Direito, foi vice-presidente do IPPAR, mas que está ligada à área da saúde num hospital. Não percebo bem qual a ligação com a CEC, apenas a possível confiança pessoal do presidente do CA.

Sobre Francisca Abreu, que dizer? É vereadora da cultura sem o ser, porque a CMG industrializou esta área há muito tempo, entregando-a à Oficina, com o José Bastos a ser o principal artífice da cultura em Guimarães.

Por último, o nome mais estranho é o Frederico Fortunato, empresário e proprietário do grupo Kiaya. Que tempo terá este senhor para esta empreitada? E que capacidades de gestão cultural tem? Mesmo nas outras, deixo um texto de Camilo Lourenço no Jornal de Negócios para se perceber que tipo de empresário temos aqui. E não vou mais longe...

É, portanto, esta a equipa que vai dirigir a CEC2012. Mas não é só. Pois se os 3 mosqueteiros eram 4, os 5 administradores serão 6. Porque para além destas nomeações, foi ainda dado a conhecer que Carlos Martins, o pensador-mor da CEC2012, coordenador da programação está de volta com o cargo de Director Executivo - com bastante mais poder e competências do que dispunha anteriormente, ao coordenar, em articulação com as restantes direções operacionais da FCG, todo o processo de implementação da CEC: programa, pré-produção e produção, contratação, comunicação e movimento financeiro.

Assim sendo, será de esperar grandes alterações de execução do caminho trilhado até ao momento?

Sinceramente, apesar da entrevista de João Serra à Lusa a prometer inversão de rumo, não sou crente nisso. Não acho que a 4 meses e 3 semanas de iniciar a CEC2012 seja possível mudar muita coisa, incluíndo o espirito das mesmas pessoas que fizeram a CEC2012 que agora criticam implicitamente quando prometem mudar a forma e o relacionamento.

Para além disso, continuo a nada ouvir dos responsáveis sobre os resultados do que ficará da CEC2012: sobre o enfoque nos empregos e industrias (privadas) criadas por este certame, bem como nos custos de manutenção e de funcionamento das infraestruturas (públicas), zero! Sobre o que ficará das actividades culturais desenvolvidas durante 2012 para o futuro, também ainda estamos numa área nebulosa - por exemplo, o investimento na Plataforma das Artes só está garantido por um ano num protocolo com José de Guimarães, pelo que não havendo entendimento para renovação do mesmo, teremos um elefante branco inutilizado no centro da cidade...

Há, por isso, muito trabalho ainda a fazer, como diz João Serra. Só não sei é se teremos a mesma ideia do que será esse trabalho...

2011/08/10

CEC2012: Conferência Permanente de Cidadãos


Na passada semana, na sequência de um grupo que lancei no Facebook (para pressionar as entidades públicas no sentido de serem baixados os vencimentos dos novos dirigentes da CEC que iriam ser ainda anunciados) foi ampliado o seu objectivo e criado um novo grupo, não só no Facebook que é a sua expressão mais visivel neste momento, mas também de trabalho que se reuniu no passado dia 5 de Agosto e intitula-se de "Conferência Permanente de Cidadãos - Guimarães CEC2012".

Hoje o Público veio já dar destaque ao assunto, pois em pouco dias (4 dias, para ser correcto) o grupo tem já mais de 500 seguidores, incluindo pessoas relacionadas com a própria CEC2012, no que é mais flagrante o caso de Tom Fleming, programador da área "Cidade" da CEC2012.

É muito interessante que um jornal de referência nacional como o Público já venha olhar para o grupo. Porque, de facto, é diferente do habitual. Veja-se, desde logo, o objectivo principal:
"debate permanente sobre as opções e decorrências organizacionais, cívicas, estéticas e sociais da CEC Guimarães 2012, permitindo um escrutínio e uma deliberação publicas dos cidadãos sobre a Fundação Cidade de Guimarães e a CEC Guimarães 2012."


Este grupo de cidadãos não tem, por isso, interesse em constituir-se como associação, apenas quer escrutinar - porque a FCG nos seus estatutos não o prevê nem abre a porta a que outras estruturas o façam - a CEC2012.

Porque para dizer "ámen" já há gente que chegue, é preciso que haja "um escrutínio dos cidadãos antes uma instituição que não responde perante ninguém senão perante ela própria" pois, como bem colocou ainda o Francisco Teixeira a situação, "de onde vem a legitimidade democrática da FCG, que funciona quase exclusivamente com dinheiros públicos? Dado o seu estatuto jurídico, o CA da FCG responde apenas ao CG e este não responde a ninguém, uma vez que as entidades públicas lá presentes estão em minoria e não podem responsabilizar-se integralmente pelas decisões aí tomadas. Temos, então, que a FCG é virtualmente irresponsável, do ponto de vista político, sendo senhora de uma autarcia ilimitada, sem que, porém, (quase) nenhum do seu dinheiro devenha das suas actividades."

É isto que nos une, cidadãos de vários quadrantes políticos e profissionais, de Guimarães e de fora do concelho, nesta plataforma de cidadania activa. E todos são bem vindos.

2011/07/22

A queda


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Reflexões do Reino

Após a reunião de hoje do Conselho Geral, a presidente da Fundação Cidade de Guimarães caiu. A demissão, que se antevia, aconteceu mesmo para júbilo de muitos e indiferença de alguns, como eu.

Não nos enganemos, a queda dela por si só não resolve o problema que a FCG tinha transformado a CEC2012.

O problema não é pessoal, é estrutural.

E o problema é de quem nomeou, e com que critérios, a agora ex-presidente e restante equipa.

Não nos podemos esquecer que durante anos António Magalhães defendeu Cristina Azevedo como sendo especialista em financiamentos europeus no âmbito da CCDRN, dizendo até há bem pouco tempo que a mesma já tinha justificado várias vezes o seu ordenado com o que havia conseguido com esses fundos para a CEC2012 - isto quando se descobriu publicamente o seu vencimento, se bem se lembram, há menos de um ano.

Aliás, ainda há pouco mais de um mês, a 2 de Junho, o mesmo António Magalhães disse que a FCG "tem trabalho que se tem visto, que uma boa parte do quinhão não era da Oficina, está entregue à FCG" e que era "falsamente critico que ainda se estivesse no ponto zero do trabalho". Mesmo na véspera de tirar a confiança à presidente da FCG, António Magalhães dava ar de normalidade numa entrevista em que assumia que tudo estava assinado, protocolado e concluído, apesar dos entraves que foram necessariamente desbloqueados e que a partir daí era necessário trabalhar para o sucesso da CEC2012.

Logo, toda esta encenação sobre a retirada de confiança à presidente da FCG terá apenas um propósito que neste momento ainda não vislumbro, apesar de antever que a ideia seja agora que todo o trabalho de "sapa" e preparação da CEC2012 está concluído, aproveitar o "palco" de corta-fitas para promover um putativo candidato, ou candidata, à CMG em 2013.

Sabe-se, de há muito, que há duas correntes no PS de Guimarães. Uma, que parece ser a que Magalhães apadrinha, tem promovido o seu número 2 e líder concelhio, Domingos Bragança. Outra é a dos descontentes, que aparentemente se terão federado há algum tempo em redor da vereadora da cultura, Francisca Abreu. Desta guerra fratricida sem trincheiras Cristina Azevedo foi uma vitima colateral - apesar de se ter posto bem a jeito disso, verdade seja dita.

Ou seja, à partida, tenho para mim que a queda de Cristina Azevedo não vai resolver os problemas de falta de comunicação e envolvimento da FCG com a comunidade vimaranense. Porque tal decorria não só da pessoa, mas também da estrutura directiva e programadora. Sem haver alteração da política directiva e de programação, não haverá grande alteração.

Ora como a pouco mais de 5 meses do inicio oficial da CEC2012 não pode, não é possível, haver alteração de políticas, o mais natural é que apenas mudem os nomes. Que, seguramente e assim o indicam várias fontes, serão de continuidade, passando por um dos vogais da actual direcção suprir a vaga: João Serra ou Francisca Abreu, apesar do Público dizer que outros elementos da actual direcção como o próprio João Serra e Carla Morais também caiem.

Espero que, pelo menos, desta vez o presidente da CMG tenha o bom senso de envolver os outros partidos da vereação no assunto, fazendo desta nomeação algo participado por todos e não como a anterior, que apenas foi comunicada a decisão para ser votada - com a pressão à época de ter de se votar sempre a favor ou era-se apodado de ser contra a CEC2012! É essencial que António Magalhães não ceda às pressões do partido para promover um candidato autárquico e que faça participar o PSD e a CDU no processo.

Sob pena de se repetir o erro de castig.

Sou sincero: estou muito céptico quanto a esta questão e desconfio que ainda virá o dia em que muitos vão dizer que era melhor como estava...

2011/07/14

Encontros Guimarães 2012 - Comunidade


Assisti hoje ao último dos encontros de apresentação da programação da CEC2012, este paínel dedicado ao tema "Comunidade".

Saí de lá bastante mais satisfeito do que da anterior, conforme o disse aqui, apesar de não ter saído 100% satisfeito.

A satisfação deveu-se ao facto de ter percebido que este sector da CEC2012 está em curso há bastante tempo - desde 2010 - e que é basicamente trabalhado por gente de Guimarães, apesar de alguns nomes mais sonantes serem exteriores, mas esses trabalham a um nível mais macro, por ao nível de cada comunidade de várias freguesias, são vimaranenses que lá estão a liderar.
Por outro lado, tanto quanto percebi também, os artistas que vão estar em destaque neste sector da programação são pessoas anónimas, pessoas das freguesias, pessoas de Guimarães - é, finalmente, a CEC2012 envolvida com a comunidade, com os vimaranenses.

Menos positivo é o facto de me ter dado a impressão que nem todas as freguesias terão sido contactadas e "passaram ao lado" deste projecto. Do que fui percebendo, e não queria ser injusto, é que apenas as freguesias maiores e com mais associações de pendor cultural activas é que estão integradas nesta programação. E no fim, por mais que possa ser positivo o trabalho da programadora Susana Ralha, ficará sempre indelevelmente marcado pelo "negócio" do Bobby McFerrin...

Nota ainda para o facto, estranho para mim, de não ter visto a Presidente da Fundação na última sessão destes "encontros", no que me parecia ser normal marcar a presença. Não a vi por lá. Se calhar, por causa do que foi dito de manhã na reunião da Câmara...

2011/07/08

Encontros Guimarães 2012 - Arte e Arquitectura

Fui hoje, pela primeira vez, a um dos vários encontros temáticos que têm vindo a decorrer no âmbito da apresentação da programação da CEC2012.

Porque desconfiava que não ia gostar do que ia ouvir, abstive-me de participar até ao momento - mas desta vez quis ir por ser da "minha" área. E se calhar, o melhor era ter ido à sessão do Luís Miguel Rocha na avenida central em Braga recolher a assinatura no livro que me falta...

Enfim...

Antes de mais, devo dizer que do ponto de vista meramente teórico, a programação está bem pensada, isto é, tem uma linha condutora e uma filosofia interessante. E que me parece bem sair do centro da cidade e dos sítios do costume (Vila-Flor, Paços dos Duques, SMS) para expor arte, usando por exemplo uma antiga fábrica (da Asa, neste caso) para o efeito.

Mas, infelizmente, as boas notícias acabam aqui.

Porque depois de assistir ao "encontro" onde durante hora e meia foram debitadas banalidades pseudo-intelectuais pós-modernas sobre arte, públicos e audiências e sobre a forma como o olhar "de fora" se vai mostrar e residir em Guimarães, para benefício dos "locais", num discurso florentino e fechado a quem não é das artes, intragável, começaram as más noticias.

Como intragável foi perceber que do ponto de vista da CEC2012 não há arte e arquitectura de Guimarães, ou artistas e arquitectos que merecem mostrar ou ser mostrados na CEC2012. E que só há arte pós-moderna, intelectual, com um papel onde se explica que aquilo que o público vai ver é arte. Ora são fotógrafos que vêm "de fora" olhar para Guimarães, "na esperança" que resulte um olhar diferente, ora são pintores "de fora" que vão mostrar pintura que o comissário não sabe o que é porque ainda vão a meio do processo criativo, ora são reflexões sobre "urban beings" (que não sendo de Guimarães, pelo menos e menos mal, estiveram profissionalmente ligados cá), ora são concursos de ideias internacionais para que os "de fora" venham deixar ideias para os espaços públicos de Guimarães... Mas o famoso e cada vez mais irreal envolvimento de Guimarães, será apenas e só como público. Porque não há forma de se encontrar vimaranenses aqui sem ser no público. Há enormes reflexões filosófico-artísticas sobre o pós-modernismo, a pós-industrialização. Mas não há uma referência ao enorme legado de arte e arquitectura do concelho, não é mencionada a ideia de roteiros de arte e arquitectura no concelho, que podiam ser por temas (religiosa, ou industrial, ou arqueológica...) ou por épocas (pré-história, medieval, tardo-barroca, século XIX, modernidade...), não há referência a nomes vimaranenses das artes e cultura (por exemplo, Martins Sarmento, José de Pina, José de Guimarães...) e o mais próximo que há é uma homenagem a Nuno Portas (ligado a Guimarães pelo apoio profissional ao planeamento da cidade pelo PDM) mas de uma importância muito menor, por exemplo, que Fernando Távora - ligado da mesma forma a Guimarães mas pelo Centro Histórico e que, pelo menos, não habitando em Guimarães, tinha cá uma residência...

Menos mal que José de Guimarães terá direito a um espaço próprio, pelo menos por um ano, prazo do comodato acordado para expor as suas obras da colecção pessoal e que ao menos um vimaranense das artes teve direito a expor o seu trabalho na CEC2012...

Só se falava da forma como os "locais" teriam oportunidade de ver excelentes artistas e o seu olhar "de fora"... Que os "locais" iriam até Serralves devido a um protocolo com o Museu para "aprenderem" a apresentar as exposições...

Confesso que não sendo eu nascido em Guimarães, mas sentindo a cidade como minha de adopção por nela ter vivido e estudado desde tenra idade, me enervou a forma quase depreciativa como eram tratados os "locais". Como os "de fora" viriam dar o seu contributo às artes e arquitectura, que forma pedagógica, ensinar a ver arte.

Eu que sou local, pergunto-me se eles sabem que antes de virem os "de fora" já em Guimarães havia arte, arquitectura, artistas, arquitectos e público que sabe apreciar arte. Será que eles sabem que há um museu de arte primitiva moderna em Guimarães há muito tempo? Ou que Martins Sarmento fez da arqueologia uma expressão maior do legado artístico dos primitivos vimaranenses quando ainda quase ninguém em Portugal sabia o que era arqueologia? Será que eles sabem que há centenas de igrejas no concelho que sendo muitas vezes obras de arquitectura excepcionais de várias épocas, são ainda portadoras de peças de arte fantásticas, desde tapeçarias e esculturas, passando por iluminuras, livros e pinturas? Será que conhecem as casas senhoriais de enorme riqueza arquitectónica e artística? Será que a arte é só arte moderna? E será que eles sabem que em Guimarães há várias peças de arte moderna - edifícios, decorações, estátuas - de enorme valor artístico e arquitectónico? Se calhar, não sabem, porque passaram tempo demais a olhar para os "de fora" para saberem o valor dos "locais".

É lamentável. Como é lamentável, a menos de meio ano do inicio da CEC2012, ouvir a programadora dizer "n" vezes que "não sei", "acho eu", que os "nomes não são definitivos", que "tudo pode mudar".

Em condições normais, não pode. Em condições normais, neste momento já não devia haver dúvidas. Em condições normais, neste momento já deveria estar a ser publicitada a programação. Mas a preparação desta CEC2012 segue há muito os caminhos da anormalidade, portanto nada mais é anormal...

Por essas e por outras é que a Fundação Cidade de Guimarães fala em 1,5 milhões de visitantes à CEC2012 durante um ano que esta dura e que Óbidos, uma pequena vila da dimensão de uma das nossas nove vilas concelhias, recebe anualmente 2 milhões de turistas com apenas 3 festivais - a vila Natal, a feira do chocolate e a feira medieval! Dá que pensar, ou não?

"Tudo se transforma", diz a imagem. Mas é de mim, ou está a "imagem" um pouco desfocada?

2011/07/01

O fim da Branca de Neve?

Ontem, na Assembleia Muncipal de Guimarães, assisti ao que aparenta ter sido a queda da Branca de Neve. Pelo menos, António Magalhães mais do que nunca parecia o Zangado...


Imagem Pitaco Azul

Falta ver se é consequente com o que disse, com os seus pensamentos em voz alta, ou não.

E, já agora, quanto é que isso vai custar se for para a frente com a ameaça, porque não me acredito que seja possível terminar um contrato de trabalho sem pagar indemnizações, não havendo justa-causa. Ou haverá?

2011/06/15

Amadorismo muito caro...

...foi o resultado visível da ultima acção para a CEC2012.

A ideia, ao que consta, surgiu da Escola Francisco de Holanda e sem custos para a CEC2012: fazer um logotipo humano com o simbolo da CEC2012.

Mas, ao que parece, a organização decidiu fazer a coisa de uma forma mais profissional, contratando para o efeito os meios humanos e materiais que permitissem fazer uma acção em grande. Até aqui, tudo (quase) normal...

O problema é que quem organizou a acção falhou no desenho do logotipo, que agora terá de ser corrigido electronicamente para ser mostrado "correctamente" ao mundo.

Veja-se o original e que fizeram:





É um detalhe pequeno, mas que profissionais da área não deviam falhar, não é admissível tal coisa.

Como já nos habituou, a CEC falhou na organização, novamente. Um amadorismo muito caro...

2011/06/01

Petição pela CEC2012 mais participada pelos cidadãos

Eu já assinei e concordo com o teor da mesma. Até porque foi promovida pela recente demissão de Carlos Martins, que se viu esvaziado de poderes e colocado de lado pela administração da CEC2012 - ele que era o mais bem visto dos elementos da equipa, quer pela União Europeia (e basta ler os relatórios deles), quer pelos agentes culturais vimaranenses.

É preciso democratizar, popularizar, trazer até aos vimaranenses a CEC2012, JÁ! Porque já, já é tarde. Já devia ser assim há muito tempo. Sob o risco de a CEC2012 ser uma coisa das elites culturais do Porto e de Lisboa, e vazia de representatividade de Guimarães. A administração da CEC2012 continua isolada no seus gabinetes, ligados ao Porto e a Lisboa e continuam a pensar que em Guimarães não há capacidade de gerir e levar adiante uma empreitada destas. Como estão enganados...

Assinem!


Imagem retirada de Memórias de Araduca


Aqui fica o texto da petição:

"POR UMA CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA DOS CIDADÃOS

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Guimarães
Senhor Presidente do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães

No dia 29 de Março de 2011, o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães tornou pública uma moção em que notou ser “indispensável criar condições para relançar a confiança e o entusiasmo em torno do projecto, de forma a garantir a adesão e apoio da comunidade vimaranense à Capital Europeia da Cultura 2012” e recomendou “ao Conselho de Administração que promova uma reflexão estratégica com vista a adoptar práticas que permitam uma ligação reforçada entre a CEC2012 e os agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães e da região”.

Esta tomada de posição foi entendida pelos cidadãos signatários como um claro sinal de esperança de que ainda seria possível uma Capital Europeia da Cultura que envolva os cidadãos de Guimarães e promova uma imagem positiva da cidade.

No entanto, assim não o entendeu o principal destinatário da recomendação, o Conselho de Administração da FCG. Nos dois meses que entretanto decorreram, aprofundou-se o afastamento entre a entidade organizadora da CEC e os cidadãos e agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães.

Com o recente afastamento do Director de Projecto, a estrutura da FCG ficou amputada do único elemento que funcionava como elo de ligação entre as diferentes áreas de programação. As sucessivas declarações, por parte do CA, de que a saída do Director do Projecto não acarreta um acréscimo de dificuldades, põem a claro um manifesto défice de percepção da realidade.

Os cidadãos de Guimarães já deram mostras de que, quando mobilizados, são capazes de dar respostas positivas e entusiásticas a situações adversas. A mobilização ainda é possível. Não será fácil recuperar o tempo perdido, mas ainda se irá a tempo de construir uma Capital Europeia da Cultura que dignifique Guimarães e Portugal.

Os signatários não se resignam a vir a ser os que tiveram nas mãos uma oportunidade única e a desperdiçaram. Convictos de que o divórcio entre o actual Conselho de Administração da FCG e os cidadãos de Guimarães é irreversível e nocivo para o sucesso da Capital Europeia da Cultura, apelam ao Presidente da Câmara Municipal de Guimarães e ao Presidente do Conselho Geral da FCG para que usem os meios ao seu alcance para que se encontre uma solução que infunda uma nova esperança neste projecto, dotando-o de novos protagonistas, que se identifiquem com Guimarães e que introduzam uma dinâmica no processo que possa suscitar o reforço do entusiasmo, da vitalidade e da energia dos vimaranenses.

Se concorda com este apelo público, assine o abaixo assinado POR UMA CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA DOS CIDADÃOS em www.peticaopublica.com"

2011/03/30

O autismo

Ontem reuniu-se o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, organizadora da CEC2012 e apenas serviu para 3 coisas: dar umas senhas de presença do tamanho de um ordenado mínimo aos participantes por uma reunião de 4 horas, aprovar uma moção altamente crítica à gestão da CEC2012 e reforçar a ideia de autismo e distanciação da CEC2012 à realidade que a envolve.


Imagem retirada de De Guimarães

Vamos por partes.

As senhas de presença são na ordem dos 500 Euros. Um escândalo que personalidades que vivem do Estado (com reformas e outras prebendas) deveriam ter tido a coragem de recusar num momento de crise no país como este.

Jorge Sampaio, Adriano Moreira, José Manuel dos Santos e Luís Braga da Cruz, na moção que aprovaram, recomendam melhor comunicação da FCG, maior envolvimento e relacionamento com os actores culturais locais e, last but not least, que o envolvimento com a CMG seja maior, envolvendo mais a Vereadora da Cultura.

A tudo isto, como sempre, a presidente da FCG responde... nada. Atira para o lado, sacode a água do capote e faz a fuga em frente! Diz a presidente que na moção pode "encontrar uma metodologia para que cada um possa entender melhor o que está a ser montado"! Ou seja, sobre o essencial, que é a critica generalizada à forma como a CEC2012 está a passar ao lado das empresas de Guimarães, dos actores culturais de Guimarães, dos habitantes de Guimarães, prefere nada dizer.

Fica, para memória futura, uma frase lapidar em vários sentidos de Jorge Sampaio sobre o assunto:

"É preciso transformar o acontecimento em algo que os vimaranenses sintam também que é deles"


Ou seja, antes de mais, assume que isso não acontece actualmente, dando razão a muitos que o dizem há muito e colocando em causa a posição e estratégia da FCG e até da CMG que foi quem gizou a forma de actuar perante a CEC2012. Mas, mais grave, dá a entender que a CEC2012 não é dos vimaranenses, apenas que também é deles. O "também" aqui faz toda a diferença. Porque não devia lá estar. A CEC2012, por mais que custe à elite pseudo-intelectual de Lisboa, É dos vimaranenses! Sem Guimarães, não haveria CEC2012, sem a sua gente e o seu trabalho ao longo dos anos, não havia CEC2012. E todo o problema que tem dividido e afastado a FCG/CEC2012 das instituições e pessoas de Guimarães tem sido exactamente esse, o de não sentirem como SEU aquilo que alguns querem fazer NOSSO... Não é nosso, país ou Lisboa/Porto, é nosso, vimaranense!

E num país normal, com todos os escândalos que têm acontecido em torno da administração da CEC2012, já se teriam demitido. Mas em Portugal, tal nunca acontece, ficando os visados remetidos ao proverbial autismo que os atinge quando nesses cargos...

2011/03/17

Ainda sobre "A Capital é nossa"

Já estão na blogosfera e espero que em breve comece a ver os primeiros projectos dos "excluídos" da CEC - e são tantos, conheço uns poucos que se queixam disso mesmo, de nem uma resposta ter ao fim de vários meses de solicitação, apesar de invariavelmente tal ser negado pela CEC.

A primeira actividade, embora com impacto, não foi, para mim, a melhor: pintura de algumas paredes com o símbolo do movimento.

Mas a segunda actividade, relacionada com a limpeza desses locais e a alteração do suporte das pinturas, já demonstra mais cuidado nas intervenções, próprio de artistas e vimaranenses preocupados com o património e a cidade.



Esta é uma actividade que pode ser muito interessante, um sobressalto cívico que os vimaranenses estão a ter e que eu vejo como muito positivo. Porque significa que por mais que a Fundação através da CEC e a CMG tentem, não conseguem controlar e dominar a enorme força associativa vimaranense...