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2014/08/06

Leituras [82] - O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

Neste "O Vendedor de Passados" a mestria de JEA em contar-nos histórias simples, poéticas e fora do comum é exacerbada! Quem mais senão JEA para se lembrar de pôr uma lagartixa a narrar a história e ser personagem de uma história que, se não aconteceu, podia ter acontecido?

Uma história sobre mentiras e verdades. Sobre homens. Ou Homens. E sobre a realidade angolana, novamente. Que ele descreve de uma forma apaixonada denunciando o que vai menos bem - aliás, como ele só Pepetela tem este dom de transformar os "pecados" da sociedade moderna em fantásticas histórias que os livros nos contam.

Livro curto, que se lê num sopro, é uma boa opção para estas férias (para aqueles que ainda não as tiveram) - de resto, como são todos os outros livros de JEA que li (e já não são poucos) e que merecem a leitura. JEA, que é hoje um dos nomes maiores da literatura em língua portuguesa - e, porque não, um futuro Nobel da literatura um destes anos? É que já merece!

Sinopse:

"Félix Ventura. Assegure aos seus filhos um passado melhor". É a partir deste cartão-de-visita que se desenrolam os capítulos de "O Vendedor de Passados", novo romance de José Eduardo Agualusa. A mentira e a verdade, o(s) homem(s) e o(s) seu(s) duplo(s), a memória e a memória da memória, a ficção e a realidade. Angola ("é importante ironizar com a sociedade angolana, que é uma sociedade que se construiu e se continua a construir assente em muitas ficções" - o autor ao Público, 19/06/04). Tudo poderia acontecer. Tudo poderia ter acontecido. (Susana Moreira Marques, Público, Mil Folhas: "A determinada altura a osga recorda a mãe num momento da sua vida passada: 'Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros'(p. 122). José Eduardo Agualusa provavelmente escolhe a vida.") Isto é: os livros?

2013/12/07

Leituras [80] - A Vida no Céu, de José Eduardo Agualusa

Devem comprar o livro aqui.
Mais um livro deste autor luso-angolano que não defrauda os seus leitores. A Vida no Céu é um fantástico romance.

A história desenvolve-se como tantas outras que ele escreve de forma linear, escorreito, aprazível. O autor constrói e define bem os seus mundos de fantasia, num futuro próximo para o antevermos e imaginarmos possível e distante para percebemos a fantasia da sua prodigiosa imaginação. E depois com o seu jeito tropical a embalar o ritmo da aventura, é tudo mais fácil, mais agradável, mas interessante de se ler.

Gosto muito, cada vez mais, de José Eduardo Agualusa, autor que merece mais altos voos e prémios...

Imaginar um Grande Desastre de proporções bíblicas que força os sobreviventes da terra a viverem longas décadas no ar enquanto o planeta está cheio de água é algo que por mais impossível que possa parecer, parece ser possível de acontecer um dia.
A partir daí, a forma como descreve a nova organização das cidades e do mundo que resta no ar à espera que as águas baixem um dia é fabulosa.

Um excelente livro. Um excelente escritor. Imperdível.

Sinopse:

"A Vida no Céu é um romance distópico, num futuro que se segue ao Grande Desastre, e em que o Mundo deixou de ser onde e como o conhecemos. Encontrando-se o globo terrestre inteiramente coberto por água, e a temperatura, à superfície, intolerável, restou ao Homem subir aos céus. Mas essa ascensão é literal (não é alusiva ou simbólica): a Humanidade, reduzida agora a um par de milhões de pessoas, habita aldeias suspensas e cidades flutuantes - dirigíveis gigantescos denominados Tóquio, Xangai ou São Paulo -, e os mais pobres navegam o ar em pequenas balsas rudimentares. Carlos Benjamim Moco é o narrador da história. Tem 16 anos e nasceu numa aldeia, Luanda, que junta mais de cem balsas. O desaparecimento do pai fará com que Benjamim decida partir à sua procura."

2012/08/09

Leituras [69] - Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa

Infelizmente não pude estar no Café Milenário, em Guimarães, quando ele lá apresentou este "Teoria Geral do Esquecimento" (e onde o meu pai fez o favor de mo comprar e dar-lhe a autografar) pois gostaria de ter trocado algumas impressões com ele.

Tendo já comprado (e lido com imenso prazer...) três seus livros anteriormente - Barroco Tropical, As Mulheres de Meu Pai e Milagrário Pessoal - estava expectante em ler esta sua última obra, cuja sinopse só por si já me despertava a vontade de ler. E não fiquei nada desiludido, bem pelo contrário. Este livro, que nasceu guião de filme e maturou e cresceu até chegar a um romance, é excepcional, fabuloso na criatividade que o autor usa e abusa para construir uma narrativa única de sobressaltos e baseada num principio de história absurdo mas que até poderia ter acontecido: uma portuguesa, nos dias entre a revolução e a independência, "barrica-se" no seu apartamento e assim fica fechada ao mundo durante... quase 30 anos! Todos os personagens, que poderiam ser reais de tão bem construídos que estão como nós, que por lá vivemos algum tempo, sabemos, concorrem por caminhos diferentes para o mesmo local - o apartamento de Ludo - num crescente de emoções e surpresas.

Escrito naquele português adocicado que escritores angolanos me habituaram (na senda do mestre Pepetela!) é um livro de leitura irresistível e que critica muito bem não só a sociedade contemporânea angolana, como também todo o período dos anos a seguir à independência.

Quem esteve em Angola, tem de ler este livro. Quem não esteve, se o ler, vai sentir-se transportado até lá...


Sinopse
"Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção."

2012/07/08

Leituras [66] - Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa


Já foi há umas 2 semanas que terminei de ler este pequeno mas excelente livro. Aliás, foi na véspera de ele ter apresentado o seu  novo livro no Milenário, em Guimarães, onde infelizmente não pude ir (no dia seguinte tive exame, como tive no outro e ainda trabalhos de grupo e apresentações) mas cujo livro autografado cá me chegou... e que será, talvez, o próximo a ser lido.

Mas sobre este Milagrário Pessoal, é mais uma pequena obra de Agualusa onde várias histórias se cruzam e servem para construir mais uma bonita história, um romance na sua verdadeira acepção da palavra. A relação entre o velho professor e a nova pesquisadora de neologismos em busca das palavras perdidas que começaram a aparecer sem aparente razão e que voltas dadas afinal não passava de uma maquinação de um deles para atrair o outro... Muito bem trabalhados os pequenos capítulos que formam esta excelente obra.

Sinopse:

"Iara, jovem linguista portuguesa, faz uma incrível descoberta: alguém, ou alguma coisa, está a subverter a nossa língua, a nível global, de forma insidiosa, porém avassaladora e irremediável. Maravilhada, perplexa e assustada, a jovem procura a ajuda de um professor, um velho anarquista angolano, com um passado sombrio, e os dois partem em busca de uma colecção de misteriosas palavras, que, a acreditar num documento do século XVII, teriam sido roubadas à "língua dos pássaros". Milagrário Pessoal é um romance de amor e, ao mesmo tempo, uma viagem através da história da língua portuguesa, das suas origens à actualidade, percorrendo os diferentes territórios aos quais a mesma se vem afeiçoando."

Críticas de imprensa
«Um romance fascinante.»
Carlos Câmara Leme, Ler

«Agualusa sabe que a poesia começou por ser uma linguagem prática, útil, ou mágica e xamânica. “Milagrário Pessoal” nunca esquece a dimensão política, nem a política da língua, mas o seu impulso é todo poético, adâmico. O milagre é que esta língua seja tantas línguas, que tantas línguas sejam uma só língua. Um enigma que Agualusa compara ao mais poético dos enigmas: a linguagem dos pássaros.»
Pedro Mexia, Público

2010/09/17

Leituras [56] - As Mulheres Do Meu Pai, de José Eduardo Agualusa



Acabei de ler este excelente romance de JE Agualusa e fico com a ideia que a ficção portuguesa (e, porque não dizê-lo, angolana) estão num momento excelente, recheada de bons autores capazes de escrever boas histórias que nos prendem aos personagens e locais onde se desenrolam.

Esta história desenrola-se por toda a África austral, de Luanda à Cidade do Cabo, passando pelo Lobito, Namibe, Maputo e mais alguns locais, em comum pontos de passagem do personagem principal que afinal já morreu...

Sinopse:
"As Mulheres do Meu Pai é um romance sobre mulheres, música e magia. Nestas páginas anuncia-se o renascimento de África, continente afectado por problemas terríveis, mas abençoado pelo talento da música, o sempre renovado vigor das mulheres e o secreto poder de deuses muito antigos.
Faustino Manso, famoso compositor angolano, deixou ao morrer sete viúvas e dezoito filhos. A filha mais nova, Laurentina, realizadora de cinema tenta reconstruir a atribulada vida do falecido músico.
Em As Mulheres do Meu Pai, realidade e ficção correm lado a lado, a primeira alimentando a segunda. Nos territórios que José Eduardo Agualusa atravessa, porém, a ficção participa da realidade. As quatro personagens do romance que o autor escreve, enquanto viaja, vão com ele de Luanda, capital de Angola, até Benguela e Namibe. Cruzam as areias da Namíbia e as suas povoações-fantasma, alcançando finalmente Cape Town, na África do Sul. Continuam depois, rumo a Maputo, e de Maputo a Quelimane, junto ao rio dos Bons Sinais, e dali até à ilha de Moçambique. Percorrem, nesta deriva, paisagens que fazem fronteira com o sonho, e das quais emergem, aqui e ali, as mais estranhas personagens."

2009/11/06

Leituras [47] - Barroco Tropical, de José Eduardo Agualusa



Este livro comecei a ler no principio do mês quando fui a Portugal e entre acabar de ler o "Rapto em Lisboa" que ficou na cabeceira da cama aqui no Lobito e este foi um rápido que se passou para uma leitura saborosa e cativante deste autor luso-angolano (ou angolano-português?) que eu não conhecia mas de quem fiquei a gostar.

Um pouco ao estilo de Pepetela, num português que traz o calor dos termos angolanos, desenrola várias histórias que, no fundo, são apenas uma só, numa Angola de 2020 pós-petróleo e novamente decadente mas em recuperação.

Um retrato que é mais actual que futuro...

Um video com o autor sobre este livro, José Eduardo Agualusa:


Sinopse:
"Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020."