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2014/08/06

Leituras [82] - O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

Neste "O Vendedor de Passados" a mestria de JEA em contar-nos histórias simples, poéticas e fora do comum é exacerbada! Quem mais senão JEA para se lembrar de pôr uma lagartixa a narrar a história e ser personagem de uma história que, se não aconteceu, podia ter acontecido?

Uma história sobre mentiras e verdades. Sobre homens. Ou Homens. E sobre a realidade angolana, novamente. Que ele descreve de uma forma apaixonada denunciando o que vai menos bem - aliás, como ele só Pepetela tem este dom de transformar os "pecados" da sociedade moderna em fantásticas histórias que os livros nos contam.

Livro curto, que se lê num sopro, é uma boa opção para estas férias (para aqueles que ainda não as tiveram) - de resto, como são todos os outros livros de JEA que li (e já não são poucos) e que merecem a leitura. JEA, que é hoje um dos nomes maiores da literatura em língua portuguesa - e, porque não, um futuro Nobel da literatura um destes anos? É que já merece!

Sinopse:

"Félix Ventura. Assegure aos seus filhos um passado melhor". É a partir deste cartão-de-visita que se desenrolam os capítulos de "O Vendedor de Passados", novo romance de José Eduardo Agualusa. A mentira e a verdade, o(s) homem(s) e o(s) seu(s) duplo(s), a memória e a memória da memória, a ficção e a realidade. Angola ("é importante ironizar com a sociedade angolana, que é uma sociedade que se construiu e se continua a construir assente em muitas ficções" - o autor ao Público, 19/06/04). Tudo poderia acontecer. Tudo poderia ter acontecido. (Susana Moreira Marques, Público, Mil Folhas: "A determinada altura a osga recorda a mãe num momento da sua vida passada: 'Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros'(p. 122). José Eduardo Agualusa provavelmente escolhe a vida.") Isto é: os livros?

2012/09/24

Leituras [71] - A Sul. O Sombreiro, de Pepetela

Este "A Sul. O Sombreiro", é mais um romance de Pepetela que aborda a história da colonização portuguesa de Angola, neste caso o surgimento da cidade de Benguela ainda Luanda era uma pequena vila, pela vontade férrea e sonhadora de Manuel Cerveira Pereira, que com muitos esquemas, corrupção, abuso de poder, enganos e desenganos conseguiu "inventar" um reino de Benguela onde nada existia para convencer Filipe II de Portugal da validade da sua ideia, que era apenas enriquecer...

Dos vários livros que já li dele, muito me agradaram todos os "modernos" onde desmonta a sociedade angolana actual, mas também os "históricos" onde mostra que as bases, fundações, da sociedade de hoje se encontram remotamente, ligadas à colonização, claro, mas algumas "idiossincrasias" são já pré-colonização.

Esta história é engraçada pois com base em acontecimentos verídicos de vários personagens, desde logo o próprio Cerveira Pereira, mas também um personagem inglês que por lá andou, é construída uma narrativa à Pepetela onde as várias histórias se vão desfiando e convergindo para serem, no fundo, todas uma parte de uma história maior.

Excelente para se conhecer a história de Angola, da colonização de Portugal e dos povos angolanos - sim, porque o angolano não é uno, é antes resultado de muitas etnias que se guerreavam, se batiam por terrenos e peças.


Sinopse
""Manuel Cerveira Pereira, o conquistador de Benguela, é um filho de puta." Assim começa um grande romance de aventuras que nos conduz a Angola dos séculos XVI e XVII, enquanto Portugal vivia sob o domínio filipino. Entre lutas de poder, muitas conspirações, envolvendo governadores e ordens religiosas com os franciscanos e os jesuítas na linha da frente, travamos conhecimento com homens muito ambiciosos, com um inglês um pouco doido, e com os terríveis jagas, os guerreiros incomparáveis que povoavam os piores pesadelos dos brancos, ao mesmo tempo que nos deixamos encantar por um fugitivo que se torna um aventureiro e explorador de terras por desbravar.
O regresso de Pepetela com um empolgante romance ambientado nos primórdios do colonialismo, revelando uma época desconhecida da história de Angola."

2012/08/09

Leituras [69] - Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa

Infelizmente não pude estar no Café Milenário, em Guimarães, quando ele lá apresentou este "Teoria Geral do Esquecimento" (e onde o meu pai fez o favor de mo comprar e dar-lhe a autografar) pois gostaria de ter trocado algumas impressões com ele.

Tendo já comprado (e lido com imenso prazer...) três seus livros anteriormente - Barroco Tropical, As Mulheres de Meu Pai e Milagrário Pessoal - estava expectante em ler esta sua última obra, cuja sinopse só por si já me despertava a vontade de ler. E não fiquei nada desiludido, bem pelo contrário. Este livro, que nasceu guião de filme e maturou e cresceu até chegar a um romance, é excepcional, fabuloso na criatividade que o autor usa e abusa para construir uma narrativa única de sobressaltos e baseada num principio de história absurdo mas que até poderia ter acontecido: uma portuguesa, nos dias entre a revolução e a independência, "barrica-se" no seu apartamento e assim fica fechada ao mundo durante... quase 30 anos! Todos os personagens, que poderiam ser reais de tão bem construídos que estão como nós, que por lá vivemos algum tempo, sabemos, concorrem por caminhos diferentes para o mesmo local - o apartamento de Ludo - num crescente de emoções e surpresas.

Escrito naquele português adocicado que escritores angolanos me habituaram (na senda do mestre Pepetela!) é um livro de leitura irresistível e que critica muito bem não só a sociedade contemporânea angolana, como também todo o período dos anos a seguir à independência.

Quem esteve em Angola, tem de ler este livro. Quem não esteve, se o ler, vai sentir-se transportado até lá...


Sinopse
"Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção."

2012/01/03

Imagens renovadas no post mais lido deste blog

Em Janeiro de 2007, faz agora 5 anos, coloquei on-line aquele que é, até ao momento, o mais lido de todos os mais de 2000 posts
que fazem este blog desde 2003. As imagens da Ganda, Caimbambo, Alto-Catumbela, Sumbe e Miradouro da Lua não só atraíram imensos visitantes como fizeram, pelo que se lê nos comentários, as delicias de tantos que lá nasceram ou viveram mas não vão lá desde as suas infâncias, por volta dos anos setenta. Infelizmente as imagens estavam alojadas num servidor que foi entretanto encerrado, pelo que hoje aproveitei para repor on-line fotos (não sei se são exactamente as mesmas, mas devem ser as mais importantes) de forma a que todos aqueles que as procuram (e costumam ser mais de 10 por dia) as possam usufruir novamente.

2011/09/15

Finalmente!

Segundo o i de hoje, Lisboa e Luanda assinam acordo para vistos de trabalho em Angola, conseguindo o ministro Paulo Portas em pouco mais de 80 dias aquilo que José Sócrates com a sua política de corridas na marginal de Luanda não conseguiu em 6 anos.

Ou seja, desde 2007 que há uma enorme pressão para melhorar o protocolo bi-lateral de concessão de vistos de permanência e trabalho entre Portugal e Angola. Mas durante esse período, apesar de visitas a Angola de Sócrates e muitos dos membros do seu Governo, não se conseguiu progresso nenhum - diria mais, conseguiu-se alguns retrocessos... E agora Paulo Portas anuncia que os vistos de trabalho passarão a ser de 3 anos. Só eu, e quem lá está ou esteve, sei como isso é importante.

Está, por isso, de parabéns o Governo que resolver o problema de mais de 100 mil portugueses que por lá ainda andam.

Menos positivo é o facto de ainda nada ter sido dito sobre os recentes e preocupantes acontecimentos em Angola. Há progressos do Presidente ao aceitar as manifestações, mas o condicionamento às mesmas e a forte repressão policial não são ainda a forma como gostaríamos, todos, de ver o problema a ser abordado pelas autoridades. Espero que o Presidente de Angola perceba que a repressão apenas serve para colocar mais pessoas com vontade de ir para a rua, no lado oposto. E isto é preocupante porque estando lá mais de 100 mil portugueses, se a situação se deteriorar pode obrigar ao abandono massivo do país e regresso a Portugal -o que causaria grandes transtornos também em Portugal, como é evidente. Aguardemos serenamente e esperemos que José Eduardo dos Santos tenho o bom senso de entender os desígnios das modernas democracias e perceber que tudo tem o seu tempo - e este é um tempo de mudanças, como se viu na "primavera árabe"....

2011/02/11

Urban Sketchers Drawings 3

Por último e por hoje, mais um desenho, este quando estava ainda em Angola, feito na praia, o Hotel Terminus, no Lobito.

2010/11/01

Obras (54): As últimas fotos

Já em Portugal, deixo as últimas fotos das ultimas coisas que deixei feitas nas minhas obras.
No BNA ainda se conseguiu colocar os vidros temperados nos vãos, em especial no Piso 6 onde o aspecto final foi muito bom, com o envidraçado redondo a rematar toda a área de bar. Nos quartos de banho, para além das portas de vidro nos chuveiros, ficaram tambem prontos as bases de madeira dos chuveiros, em deck.








No CaixaTotta ficou a agencia pronta pelo interior, com as últimas pinturas, a iluminação e o ar condicionado completos, pelo que assim que a empresa de imagem e publicidade conclua o trabalho para rematarmos tudo.
No exterior é que é as coisas ainda estão condicionadas a definições do projectista para podermos concluir, pelo que não pude, como era meu desejo, completar totalmente aquela obra.



2010/10/27

4 anos, 2 meses, 1 dia

Foi o tempo que durou a minha estadia em Angola, chegado que fui a 26 de Agosto de 2006 e regressando agora a Portugal.

Dei por concluído o meu tempo na empresa por várias ordens de razões e aproveito agora este período até ao final do ano para descansar, reciclar conhecimentos e avaliar as diversas hipóteses de futuro - felizmente, apesar de todas as crises, há sempre mercado de trabalho desde que o nosso historial o mereça e desde que saibamos e queiramos encontrar um espaço.

Foram anos fantásticos, onde aprendi muito e fui colocado perante enormes desafios, que gosto de pensar que fui superando da melhor forma possível. Mas a saudade, esse estado de alma tão lusitano, aliado a algumas outras questões, levaram-me a concluir a minha estadia - que tendo sido programada para 2 anos no máximo, devido ao sucesso e intensidade com que fui vivendo cada dia de trabalho, prolonguei até mais do dobro do previsto.

Como disse antes, pretendo agora avaliar as propostas que tenho em carteira, voltar a Angola é uma possibilidade forte, mas vamos a ver como as coisas vão decorrer nos próximos tempos.

Voltei, mas parte de mim ficou: os frutos do meu trabalho e suor, as amizades que se construíram e que neste momento da partida, momento sempre tão doloroso, foram exacerbadas a níveis que me surpreenderam, nunca esperei que tivesse marcado tão positivamente tantas pessoas. Apesar de doloroso, é gratificante saber que deixamos tamanha marca - only love can leave such mark....

2010/10/13

Olhares ao Sul do Equador



Aqui fica uma sugestão que o caro amigo Cônsul Geral de Portugal em Benguela me deixou, para o próximo sábado: uma exposição com o objectivo de angariar receitas para uma ONG que tem vindo a desenvolver o seu trabalho nesta província e que, devido à crise, também ela precisa de apoios para continuar a apoiar quem precisa, a "Leigos para o Desenvolvimento".

2010/10/09

Obras (53): a agência no INAR do CaixaTotta

Cá seguem ao ritmo que me deixam andar.

Umas mais depressa, outras mais devagar.

Uma das que melhor tem seguido é a agência do CaixaTotta do INAR, que está em acabamentos e quase pronta. Mais uma semana e por dentro fica concluída. Por fora é que ainda tem umas indefinições de projecto que condicionam o final de obra, mas se assim não fosse, nem parecia uma obra em Angola... :)

Ficam algumas fotos do trabalho de hoje, a colocação de um parede em vidro, composta por dois painéis fixos e uma porta com bandeira. Começamos por colocar a calha de tecto, que impede que os vidros tombem para um dos lados, depois as inferiores e são postos os vidros fixos no sitio, seguidamente aplicamos a bandeira com as ferragens para depois prepararmos o buraco que recebe a mola de pavimento, finalizando com a colocação da porta. Depois é tudo ajustado até que as folgas estejam afinadas e a porta fique a abrir e fechar sem bater nos painéis fixos ou no chão. Colocam-se as fechaduras e os puxadores e já está. Simples, não? Não, foi um sábado inteiro de trabalho e ainda faltam os remates de silicone nas juntas com a parede, tecto, calha, etc... Se alguns projectistas soubessem o trabalho que determinadas soluções dão, não as colocavam nos seus projectos...









2010/10/03

Energia solar, o futuro?



Apesar de estar em castelhano, este estudo de mercado para Portugal sobre a energia solar, neste caso nas suas vertentes foto-voltaica e térmica, percebe-se como somos atrasados na mentalidade e nos gastos dos dinheiros públicos - basta ver o que países como a Alemanha têm feito e investido nesta área (com metade dos dias de sol disponíveis por ano) e pensar porque em Portugal se insiste nas barragens e noutras formas "menos limpas" de se produzir energia. Segundo este estudo, Portugal tem a pior taxa de eficiência energética da UE, tornando-o assim extremamente dependente face a outros países no que toca à importação de energia - e depois falam do problema do défice, quando se importaram em 2008 cerca de 1274 milhões de Euros em electricidade...

Outro caso claro de desperdício desta enorme fonte de energia "limpa" é Angola, cujo número de horas de sol por ano deve ser tremendo e com um défice terrível de produção de energia - mas aqui olham preferencialmente para a forma de energia que mais lhes traz proveitos, na forma de venda de petróleo...

Esta é uma aposta que os governos deveriam levar mais a sério e gastar menos dinheiro de forma disparatada em soluções que nada trazem ao cidadão comum e que não estão a preparar nem a deixar gerações futuras com melhores condições de vida.

2010/09/17

Leituras [56] - As Mulheres Do Meu Pai, de José Eduardo Agualusa



Acabei de ler este excelente romance de JE Agualusa e fico com a ideia que a ficção portuguesa (e, porque não dizê-lo, angolana) estão num momento excelente, recheada de bons autores capazes de escrever boas histórias que nos prendem aos personagens e locais onde se desenrolam.

Esta história desenrola-se por toda a África austral, de Luanda à Cidade do Cabo, passando pelo Lobito, Namibe, Maputo e mais alguns locais, em comum pontos de passagem do personagem principal que afinal já morreu...

Sinopse:
"As Mulheres do Meu Pai é um romance sobre mulheres, música e magia. Nestas páginas anuncia-se o renascimento de África, continente afectado por problemas terríveis, mas abençoado pelo talento da música, o sempre renovado vigor das mulheres e o secreto poder de deuses muito antigos.
Faustino Manso, famoso compositor angolano, deixou ao morrer sete viúvas e dezoito filhos. A filha mais nova, Laurentina, realizadora de cinema tenta reconstruir a atribulada vida do falecido músico.
Em As Mulheres do Meu Pai, realidade e ficção correm lado a lado, a primeira alimentando a segunda. Nos territórios que José Eduardo Agualusa atravessa, porém, a ficção participa da realidade. As quatro personagens do romance que o autor escreve, enquanto viaja, vão com ele de Luanda, capital de Angola, até Benguela e Namibe. Cruzam as areias da Namíbia e as suas povoações-fantasma, alcançando finalmente Cape Town, na África do Sul. Continuam depois, rumo a Maputo, e de Maputo a Quelimane, junto ao rio dos Bons Sinais, e dali até à ilha de Moçambique. Percorrem, nesta deriva, paisagens que fazem fronteira com o sonho, e das quais emergem, aqui e ali, as mais estranhas personagens."

2010/08/26

4 anos

Foi a esta hora, mais ou menos, que pela primeira vez aterrei em Angola, a 26 de Agosto de 2006. 4 anos atrás, iniciando um projecto profissional que tem sido, do meu ponto de vista, recheado de coisas positivas.

Foi uma aposta certa, num momento que se revelou ideal.

Mas 4 anos é, de facto, muito tempo longe da família, amigos e locais que nos significam mais. É o azar de ter escolhido uma profissão em que as maiores e melhores oportunidades se encontram no estrangeiro e onde Portugal teima em não reconhecer os valores que tem...

Cheguei, por isso, há 4 anos, carregado de esperanças que tenho vindo a concretizar. Pensei que fosse por 2 anos. Mas vai em 4 anos. E não sei quanto tempo mais vai durar esta aventura. Haja força de vontade e sucesso profissional para ajudar nisso...

2010/08/21

Obras (52): Ponto de situação

Ao ritmo que a economia angolana vai permitindo, as obras lá vão avançando, umas mais que outras.

No BNA continuamos nos trabalhos finais, colocando os mosaicos e trabalhando o exterior do edifício.







Na Guest House da ENSA as demolições estão quase terminadas, há muito que se levantam paredes, inclusivamente os trabalhos de canalização estão bem encaminhados, pois o saneamento já está mais de metade executado e o material para a rede de água já está quase todo na obra.



Já o CaixaTotta finalmente arrancou, espero que finalmente, para terminar no final de Setembro, visto que agora está tudo definido. No interior já trabalhamos nas alterações, no exterior já preparamos os arranjos exteriores - rampas, espaço de gerador, passeios, estacionamento, jardins...

2010/08/18

Zap... foi-se!

E a explicação encontrei-a hoje: não tenho visto a liga portuguesa de futebol no canal de desporto sul-africano porque agora só na ZAP é que dá.

E o que é a ZAP?

A ZAP é a empresa que a Zon e Isabel dos Santos fizeram em parceria para transmitir televisão em Angola. Depois de há uns 10 anos atrás, mais coisa menos coisa, isto se ter passado em Portugal, em que a Sport TV é que transmitia e só quem tinha TV Cabo, por cabo ou satélite, é que podia ver, volta-me a acontecer o mesmo.

O problema é que na altura ninguém tinha TV Cabo em Portugal, foi no seu começo, e apenas uns poucos tinham satélite para apanhar os canais estrangeiros. Mas aqui em Angola há já uma rede fortemente implantada, a Multichoice, cujo custo trimestral é de cerca de 19 mil Kwanzas (mal comparado, 190 Euros) e cujo descodificador com antena incluído custou 22 mil Kwanzas. A "nossa" ZAP cobra cerca de 8 mil Kwanzas por mês (isto é, quase 24 mil Kwanzas por trimestre) e o descodificador e antena custam cerca de 60 mil Kwanzas (o triplo do que custa o Multichoice). Já não bastando ser muito mais caro o serviço, ainda tenho a agravante de ter um aparelho que funciona perfeitamente com mensalidades pagas até Novembro deste ano e que não sei como poderei convencer a minha empresa a mudar!

Resultado: milhares de portugueses por toda a África austral (Moçambique, África do Sul e Angola) vão ficar privados do nosso futebol, com excepção dos jogos em sinal aberto que continuam a passar na RTPi e SICi que por aqui também se apanha... ainda!

E se ao menos a net fosse em condições, ainda se conseguia ver em condições os jogos. Assim, resta-me o relato à velha maneira da minha juventude, com os ouvidos colados ao rádio - neste caso, às colunas do portátil ligado à TSF Em Directo...

2010/07/22

Eu estive lá...

...no jantar que o Governo Provincial de Benguela ofereceu ao Presidente da Republica de Portugal nesta sua passagem pelo Lobito.



Foi um Lobito engalanado e expectante pela visita de tão ilustre figura que o recebeu, vestindo os seus trajes formais para um jantar tão informal. Mas que, mesmo assim, não foi o suficiente para quebrar o gelo e fazer com que se abrisse e aproximasse mais das centenas de pessoas presentes nas instalações do Ferrovia. Quem já esteve presente em tantas iniciativas similares, como eu estive ao longo da minha actividade política em Portugal, percebe como só o facto de estarmos tão longe de casa e termos a sua presença amenizou tão grande distanciamento no relacionamento com a comunidade. Bem diferente, por exemplo, do tipo de proximidade que Durão Barroso ou Marcelo Rebelo de Sousa pratica(va)m ou até mesmo, dentro do estilo mais sóbrio, do que Marques Mendes mantinha.

No resto, um momento tão raro como este é positivo para a moral da comunidade, ainda mais quando o sucesso da visita nos vários campos - político, económico, financeiro, social, comercial - é visível e elogiado por todos os lados.

Para recordar, uma moral: para onde quer que vás, leva na mala um fato... nunca sabes quando vais precisar dele e às vezes é melhor carregar com ele que levar com uma conta "deeeeeeste" tamanho para arranjar um à última hora!

2010/07/19

Se não vou a Portugal...

...vem Portugal até aqui. Ou melhor, vem o Presidente da República...



Que está desde ontem à noite em visita de Estado a Angola, com passagem pelas províncias da Huíla (na capital Lubango, antiga Sá da Bandeira) e aqui na de Benguela, com dormida e jantar no Lobito, na quarta-feira, onde estarei presente com muito gosto, como parte da comunidade aqui residente.

Da visita, de forte caracter economico, esperam-se bons resultados do ponto de vista das questões de pagamentos, nomeadamente a empresas de construção civil, que têm largos meses de facturas pendentes por parte de entidades governamentais, mas tambem bons resultados do ponto de vista da simplificação processual da habilitação para trabalhar em Angola, vulgo visto de trabalho, que tanta complicação e dor de cabeça tem dado às empresas.

Aliás, marcante foi logo a primeira intervenção do Presidente, hoje no Parlamento, sobre a "educação e formação como áreas essenciais da cooperação entre os dois países e lembrou que não se deve esquecer que se vive hoje “num mundo em que o conhecimento desempenha um papel decisivo na promoção da competitividade” e que a cooperação entre Portugal e Angola “deve prosseguir e reforçar a sua aposta” no conhecimento" e na necessidade construção de “uma parceria estratégica, que, através dos seus mecanismos de diálogo técnico e político, nos permita mais facilmente resolver questões pendentes e traçar rumos para o futuro”.

As esperanças que as actividades laborais e económicas retomem a normalidade são enormes, e é sobre esta visita que tudo se irá jogar. Porque a enorme importância do mercado angolano para a recuperação e saída da crise em que Portugal se encontra é fundamental.

2010/07/11

Cacimbo



Este ano, ao contrário dos anteriores onde a época seca de Inverno foi tão boa que fiz praia quase ininterruptamente, o Cacimbo está forte. Aquele sereno da noite, aquela nublina da manhã, aquela humidade forte e fresca, tem sido presença quase diária e constante, quebrando a vontade de, quando nos levantámos de manhã ter vontade de continuar pela cama em vez de rumar à praia num domingo de descanso como hoje.

A esta hora o sol já brilha - não com a força que terá daqui a uns meses, em pleno Verão - mas a vontade de usufruir dele num areal já passou. Fica o dia de descanso. Melhores dias virão, no Verão, com toda a certeza...

2010/07/07

Leituras [54] - O Planalto e a Estepe, de Pepetela



Mais um livro de um dos meus autores preferidos, ainda por cima de língua portuguesa, mas neste caso com o "açúcar" dos trópicos e os tão tipicos e (agora) familiares termos e expressões de Angola.
Não se pode viver, ou ter vivido, em Angola e não gostar de ler Pepetela. Que retrata de forma mordaz a sociedade dos seus tempos, mesmo quando o livro se reporta a outras eras.
Portugal precisava de um escritor assim nos dias de hoje...

Desta vez a temática gira em torno de um amor impossível. Um filho de colono, angolano branco, em luta pela independência de Angola e a estudar na URSS, apaixona-se e tem um filho com uma estudante da longinqua e fechada Mongólia, filha do todo-poderoso ministro da Defesa.

Peripécias de um mundo já global há umas décadas atrás. Leitura fácil de um livro ligeiro próprio para estes dias de Verão, um livro quase de bolso.

Sinopse:
"Novo livro de Pepetela. Angola, dos anos 60 aos nossos dias. A história real de um amor impossível.

Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 60, em Moscovo, nasce um amor proibido.
Baseada em factos verídicos, ficcionados pelo autor, esta história põe em evidência a vacuidade de discursos ideológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor, numa rota que liga um ponto perdido de África a outro da Ásia, passando pela Europa e até por Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço, o de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez mais pequeno.
Maravilhoso e comovente, este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras.

Pepetela, Prémio Camões 1997"