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2012/03/11

Arte?

Hoje fui ao Laboratório de Curadoria, a antiga fábrica ASA em Guimarães, onde no âmbito da CEC 2012 foram ontem inauguradas duas exposições, uma de arquitectura (O Ser Urbano, nos Caminhos de Nuno Portas) e outra de um colectivo de artistas (Collecting Collections and Concepts).

Se a primeira é aquilo que se espera dela, ou seja, uma mostra da vida de Nuno Portas desde o inicio de carreira até aos projectos mais recentes, mostrando projectos, maquetas e influências exercidas no seu trabalho, passando pelos projectos urbanisticos como os PDM's e várias urbanizações em que participou e culminando com um video sobre o arquitecto, estava bem organizada e pensada. Mas falta uma melhor explicação daquelo que estamos a ver, não há um guia da exposição, muito pobre do ponto de vista informativo.

Home? Pensei que era factory...
Aliás, informação sinalética é coisa que não há no edifício todo. Entrei e vi um quiosque de madeira e pensei que fosse um ponto de venda de livros e material da CEC. Nada dizia que era uma bilheteira, nem tinha aspecto de ser uma. Fui avançando e passei por uma menina numa porta (vamos chamar-lhe "Menina 1"), sem problemas, apesar de ter hesitado entre ir para lá ou para o que parecia ser uma conferência - mas como não vi nada a dizer sobre a conferência e vi um cartaz do "Ser Urbano" atrás da menina, pensei que a exposição fosse por esse lado. Entrei num corredor e nada vi, avancei pela direita e passei por outro cartaz "Ser Urbano" e pensei para mim: deve ser por aqui... e continuei a andar até chegar ao fim do corredor e... nada! Voltei para trás e olhei novamente para o cartaz, tendo lido lá em letras pequenas que a exposição era no 1º piso... e pensei então que por isso estava o cartaz ali, junto aos elevadores...Entrei, subi ao piso e só na entrada da exposição é que mais 2 meninas me dizem que tinha de comprar bilhete... Por isso, desci, fui ao quiosque (que afinal era bilheteira) e voltei a subir (isto sem que a Menina 1 me perguntasse ou dissesse coisa alguma) e vi a exposição sobre Nuno Portas. Terminada a exposição, desci e por exclusão de partes, decidi ir pelo corredor da esquerda (é sempre a minha última opção, a esquerda...) e avancei sem nada que me dissesse que a exposição do colectivo de artistas era ali. De repente, atrás de uma mesa de madeira, vejo um cartaz que me pareceu ser o da exposição - pensei para comigo: deve ser por aqui...
Uns cacos de tijolos, umas toalhas do Continente...
e parece que isto é arte!
Depois, vejo um painel grande com umas lampadas fluorescente a dizerem HOME enquanto apagavam e acendiam - voltei a pensar: de facto, deve ser mesmo por aqui... Já mais confiante que estava no caminho certo, avancei um pouco mais e, finalmente, vejo mais duas meninas noutra entrada e lá estava a exposição sobre Colecções.
Aqui percebi a arte: é o galo de Barcelos!
Sinalética? Zero. Para além de dois cartazes, sem setas, sem mais nada, zero indicações. WC's também havia, mas não havia sinalética a indicar onde era. Saídas de emergência também era capaz de haver, mas não as vi e menos ainda a indicação delas...

Sim, isto é arte
(e não, não estou a brincar, estou a falar a sério)
Voltando então às exposições, vi depois a exposição sobre Colecções. Confesso que não percebo porque aquilo é arte. Criatividade não é arte, porque se fosse assim o Marketing era dado na Faculdade de Belas Artes... Ser criativo não é o mesmo que ser artista, apresentar trabalhos criativos não é o mesmo que apresentar obras de arte, saber usar um lápis, um pincel, uma máquina fotográfica ou de filmar não faz da pessoas um pintor, um fotografo ou um cineasta. Vi coisas criativas e que me fizeram rir muito. Mas não acho que tenha visto arte. Se calhar por isso é que da exposição toda apenas gostei de ver dois quadros (segundo a célebre máxima da caricatura do Djaló feita pelo Manuel Marques no Estado de Graça, se "está pendurado numa parede, é arte...") que descubi serem do Pomar e do José de Guimarães... e que estavam "semi-escondidos" numas montras viradas para umas casas de banho...

Um pouco mais de arte urbana, grafitis (mas com qualidade)
Mas arte? Ver arte? Só no piso 1... Enfim...

2011/11/26

José Gurvich

Graças à recente incursão uruguaia da Sara, fiquei a conhecer um pintor que desconhecia e que fiquei a apreciar bastante.

Fragmento de "Homenagem ao Kibut"
José Gurvich, assim se chama, é uruguaio mas nascido na Lituânia (fiquei também a saber que lá no Uruguai há uma enorme comunidade de descendentes dos países bálticos) e foi um artista plástico e pintor que esteve pela Europa vários anos a partir dos anos 50, passando ainda por Israel (o que influenciou muito o seu trabalho)  tendo ainda trabalhado com Gaudi na famosa Igreja da Sagrada Familia de Barcelona (fez os vitrais) e, pelo que pude aperceber-me, foi muito influênciado por artistas como Picasso ou Miró, tendo uma linguagem ainda próxima em certas obras daquela que a "nossa" Vieira da Silva.

"Januca"
A exposição actual, "Los Universos Judíos de José Gurvich", é muito interessante e apresenta obras de grande qualidade.

Vale a pena visitar, pelo menos virtualmente, no Museu Gurvich.