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2014/09/20

Macau que se vai perdendo

Todos os dias um pouco de Macau do antigamente desaparece sob o peso da modernidade dos resort-casinos do Cotai e dos investidores das torres de escritórios e habitação no centro de Macau.

Mas ainda se encontram, aqui e ali, pedaços de história. História que eu também vou descobrindo e conhecendo aos poucos, graças aos vários blogs que se encontram aqui nesta plataforma com explicações fantásticas sobre o passado de Macau.

Desde que me mudei para a nova empresa que os meus percursos de casa-trabalho-casa foram alterados. E nesse percurso (re)encontrei o velhinho Casino Macau Palace.

Neste blog, descobri que este  foi o primeiro casino de Macau, do Stanley Ho, como é evidente, tendo aberto as portas em 1962, antes ainda do primeiro casino (em terra) que foi no Hotel Estoril, do outro lado da praça onde hoje vivo (a Tap Seac) e que está igualmente ao abandono.

Apesar de Angela Leong (deputada em Macau, administradora da empresa STDM - novamente, do Stanley Ho - e 4ª mulher deste empresário...) ter prometido em 2012 recuperar este casino flutuante e transformar o mesmo num Museu, pelo visto nada foi feito de então para cá e o casino flutuante continua a degradar-se a olhos vistos.

O que se lamenta, porque até está numa zona arejada e minimamente arranjada - apesar das inúmeras torres que o Fai Chi Kei tem - o local onde hoje se encontra, que é já a 3ª pois abriu em 1962 na Ponte 12-B, mais tarde passou para a zona do Porto Exterior e só agora foi colocado nesta zona interior do Fai Chi Kei. Se bem me lembro, em 1997 quando aqui estive, tive um jantar (ou almoço?) no restaurante deste casino flutuante que havia sido completamente renovado no ano anterior, segundo o que li no já mencionado blog.

Macau tem características únicas e fantásticas. Tem uma história de integração da diversidade de culturas que não sendo caso único no mundo, é, quanto a mim, caso único na Ásia.
Se o Governo e a STDM de Angela Leong deixarem perder-se este património único e notável penso que é um atentado contra o passado e o futuro desta maravilhosa cidade. E Macau não merece isso...

2014/09/16

Kalmaegi [gaivota]

Uma gaivota voava, voava...

E esta kalmaegi (gaivota em coreano, que assim baptizou este tufão) voou ao largo de Macau (a cerca de 300km) mas foi o suficiente para, finalmente e já em final de época, ter sido um tufão de grau 8 (a 3ª mais elevada de uma escala compreendida pelos graus 1,3,8,9 e 10) e assim ter suspendido os trabalhos e transportes em Macau, encerrado as pontes e escolas e dando uma folga generalizada aos trabalhadores de Macau.

Ontem à noite, quando me deitei, não pensei que o tufão chegasse ao 8. No entanto, talvez pelas intensas chuvadas pela noite dentro (que não ouvi...) e inundações que causou na zona do Porto Interior, acabei por acordar com a noticia do tufão já em grau 8. Aliás, neste ano e meio que levo aqui em Macau foram poucos os tufões que atingiram o território e este foi apenas o 2º de grau 8 - sendo que até agora ainda experienciei nenhum superior, felizmente - e hoje este não foi mais que leve 8 com algumas chuvadas mais fortes e rajadas de vento que quase não provocaram danos de maior aqui em Macau: ao que sei, apenas uma mão cheia de feridos ligeiros e algumas árvores e publicidades caídas.

E este ano têm sido muito poucos os tufões nesta zona do globo (este foi o 15º quando normalmente são mais de 20) e aqui ao território, que me recorde, apenas 3 passaram muito ao largo.

Segundo ouvi o director do SMG dizer na televisão, tal deve-se ao facto de este ser um "ano neutro", isto é, de não ser ano daquele fenómeno das marés conhecido como "El Niño" ou "La Niña" que, aquecendo mais as águas dos oceanos, fazem com que se extreme a ocorrência dos tufões.

Em todo o caso, se aqui em Macau apenas temos levado com as "franjas" dos tufões, em países vizinhos tal não tem acontecido. As Filipinas, por exemplo, foram atravessados por inúmeros tufões este ano que mataram muitas pessoas - umas dezenas - e até a costa chinesa mais a oeste de Macau, na zona de Hainan, muita gente tem sido evacuada das zonas costeiras por causa da força com que os tufões têm atingido aquela zona.

2014/09/07

Macau, parte 2: Leighton

Como já muitos saberão, começo amanhã uma nova aventura profissional em Macau.
Depois de mais de um ano a trabalhar com a Westar Architects International, o ramo de Macau da grupo Westar Architects dos EUA (Las Vegas e Philadelfia), irei agora passar para uma das maiores construtoras do mundo, o grupo Leighton, mais propriamente na Leighton Asia.

Originário da Austrália, tem obras no continente australiano e em toda a Ásia (desde o sudeste da China onde estou até ao extremo oriente) e India, sendo o grupo o 11º construtor mundial.

Eu vou estar a trabalhar na construção do mega-casino Wynn Palace, aqui em Macau. Podem ver um pequeno resumo da obra aqui. Esta mega-construção ocupa a área de 21 hectares (!) no aterro do Cotai e compreende a construção de mais de 450.000m2 (!!) de área de pisos, entre áreas de jogo, hoteis, centro de convenções e áreas comerciais - e ainda um lago de 30.000m2, o tamanho de 3 campos de futebol (!!!) para um show de luz.

Aspecto do Wynn Palace ainda no seu inicio, há cerca de 2 anos atrás.

Será um desafio enorme. Quanto mais não seja, pelas dimensões da obra! Mas que estou ansioso por abraçar!

2014/02/06

Lai see (利市/利是)

Hoje recebi o meu primeiro lai see (利市/利是), ou seja o meu primeiro envelope vermelho (no meu caso é amarelo com figuras vermelhas...) que é uma tradição chinesa de oferecer um envelope com um donativo a subalternos, os casados aos solteiros e os fornecedores aos clientes.



São, como é bom de perceber, dádivas pequenas (normalmente entre 10 e 100 Patacas nestes casos, nos casamentos bastante mais entre familiares), simbolizam (como em tudo aqui  na China, o simbolismo é muito importante) o desejo de prosperidade e sucesso. São oferecidos não só nalguns feriados (como este do ano novo chinês) ou nos casamentos (um pouco à semelhança do que também é feito em Portugal).

É mais uma tradição engraçada deste lado do mundo.

2013/11/07

Já cheira ao GP de Macau

E começa já este fim-de-semana, o 60º Grande Prémio de Macau. Hoje ao passar na Praça de Tap Seac vi o parque fechado com os primeiros carros lá estacionados, mas ainda cobertos com uma lona.

As ruas da cidade já há mais de uma semana que se encontram com os rails de protecção e redes de segurança. As bancadas na zona do Hotel Lisboa e do Reservatório estão montadas. E a nova torre de controle acabou por estar pronta em tempo útil.

A cidade irá parar. Literalmente. Boa parte do transito automóvel estará cortado entre as 6 da manhã deste sábado e o final da tarde de domingo e entre as 6 da manhã da próxima quinta e o fim da tarde de domingo. E antecipando um pouco o que vi aqui na golden week dos chineses, desconfio que a cidade vai ficar a abarrotar pelas costuras, carregada de turistas que irão ver as corridas de dia e jogar e encher os hoteis dos casinos de noite. Bem, e de dia também, muito provavelmente...

Entretanto, o passe já cá está, para poder assistir em local quase priveligiado, na "Curva da Maternidade", como se vê na foto ao lado. Ou aqui. Mas a parte interessante é mesmo o próximo fim de semana, com as corridas de WTCC e de Formula 3, onde o vencedor do ano passado e nosso compatriota Felix da Costa é um dos favoritos para vencer novamente e onde o esta semana vencedor da etapa de Shangai, Tiago Monteiro, estará a correr também quase em casa depois do excelente comportamento o ano passado aqui em Macau.
Não há Formula 1 aqui porque a parte final do circuito é demasiado estreita e julgo que por mais que quisessem as boxes dificilmente comportariam o circo da F1. Mas há a certeza que alguns dos pilotos que aqui vão andar no outro fim-de-semana vão estar na disciplina máxima em bem pouco tempo. Afinal, 15 dos 22 pilotos que esta época lá estão já correram (e até ganharam, por sinal o tetra-campeão do Mundo, Sebastien Vettel) o GP de Macau algures na sua carreira...

2013/10/05

Jorge Álvares: 500 anos depois de chegar à China

Estátua de Jorge Alvares, na Praça Jorge Alvares,
em Macau (foto Wikipedia)
Assim o diz a estátua em sua honra na praça com o mesmo nome, Jorge Alvares.

Faz este ano de 2013 os 500 anos que Jorge Alvares aportou na ilha de Lin-Tin, hoje Hong Kong, tendo sido, segundo os registos, o primeiro europeu a chegar à China pela via marítima, oriundo da Malaca.

Mais uma vez, Portugal passou ao lado desta data (pelo menos que saiba...) e parece que continua a haver gente em Portugal que em vez de ter orgulho de uma gesta de gente que teve a coragem de embarcar em "cascas de noz" e atravessar mares desconhecidos, permitindo que ainda hoje a nossa língua e cultura esteja espalhada por todos os continentes, mas dizia eu que em vez de ter orgulho, essa gente parece ter vergonha.

Pois quem vive a Diáspora, como eu, e para mais teve a felicidade de a viver nos locais por onde os portugueses estiveram há 500 anos, em tenho muito orgulho e estou muito grato a estes nossos antepassados - sem eles, sem a sua coragem, sem os novos mundos que deram ao mundo, eu não teria tido a oportunidade de ter estado no Lobito ou em Macau...

2013/09/17

Macau [14] - Eleições

É uma região autónoma diferente daquela que deixamos em 31 de Dezembro de 1999.

Desde logo, porque as eleições são diferentes. Ao contrário do que deixamos, a eleição pelos cidadãos dos eleitos, hoje os representantes dos cidadãos na Assembleia Legislativa não são todos eleitos pelos cidadãos. Mais grave, nem sequer são todos eleitos.

Como se pode ler na página da internet, há 3 tipos de deputados.

Uns são aqueles que este domingo foram eleitos pelos cidadãos que quiseram ir votar.

Outros são aqueles que os sindicatos elegem, numa distorcida e algo sindicalista/corporativista visão da sociedade.

Por fim, uma terceira categoria são os deputados indicados pelo próprio Governo da Região Autónoma Especial de Macau (RAEM) que, por sua vez, não é eleito mas indicado pelo Governo Central de Pequim...

Ou seja, dos 33 deputados, apenas 14 são eleitos pelo Povo (nem metade...) numa visão algo distorcida do conceito de Democracia que impera no ocidente. Não fosse a China, apesar da famosa máxima de "um país, dois sistemas", um país comunista!

Em todo o caso, a campanha foi animada e com muita polémica, esclarecedora para quem esteve atento à mesma.

E um orgulho para a comunidade portuguesa. Não só porque vários candidatos eram portugueses, como se expressam em português e, cereja no topo do bolo, foram eleitos dois portugueses, um deles por eleição directa, José Pereira Coutinho, sendo que este alargou em muito e melhorou a sua base de votos em relação às eleições de 2009.

Este advogado de origem goesa é o único que se expressa sempre em português no parlamento (e relembro que o português é uma língua oficial da RAEM) e que, pelo menos a mim pessoalmente, me dá um prazer e orgulho imenso ver este deputado a usar a nossa língua e o nosso país tantas vezes como termo de comparação daquilo que há a melhorar em Macau.

Parabéns ao José Pereira Coutinho, um nobre defensor da nossa herança cultural neste cantinho do outro lado do mundo!

2013/07/01

Novo alerta de Tufão

Desta vez, o Rumbia. Mas afastado, muito longe de Macau, novamente...

2013/06/21

O meu primeiro Tufão!

Bebinca.
É o nome do primeiro Tufão a que assisto aqui em Macau. 
Mas, coitadito, é um grau 1 numa escala até 10 e vai passar a mais de 200 km da cidade. O que significa que neste momento está um tempo excelente, foi um dia de sol e calor.
Pouco mais, afinal, que uma tempestade tropical. Que só se fará sentir amanhã e domingo com alguns aguaceiros - mas sempre com calor!


Pode ser acompanhado a partir do site do Instituto Meteorológico de Macau, aqui.

2013/05/04

Macau [13] - Passeios de Macau

Esta é outra das heranças culturais que deixamos em Macau: a arte da calçada à portuguesa, bem trabalhada, que preenche milhares de metros quadrados das ruas e passeios de Macau, nas suas zonas mais nobres.

O passeio "onda" do Largo do Senado
Desde a clássica "onda" que preenche a praça de Senado (mas não só, estendendo-se pelo Largo e rua de S, Domingos) até aos passeios de praças, largos, ruas e avenidas como a Sé, Almeida Ribeiro, Praia Grande, Infante D. Henrique ou D. João IV, entre tantos outros locais, em todo o lado, aos nossos pés (literalmente) temos a nossa calçada bem executada e preservada.
E com motivos geométricos abstractos, tradicionais, mas também com muitos motivos marinhos, tão típicos da nossa cultura e decoração arquitectónica histórica.
Tenho me divertido muito a registar os motivos que tenho encontrado pelo chão de Macau, nem sempre fácil de fotografar devido à enorme densidade populacional que ocupa as ruas de Macau durante o dia, tendo já registado mais de uma dúzia de motivos diferentes (ver no Instagram ou no Facebook).

Deixo aqui alguns:

Doze dos motivos que encontrei nos passeios: animais do mar, vegetação, barcos e instrumentos ligados à coisa náutica...



2013/04/30

Macau [12] - O que não há em Macau!

A famosa árvore das patacas! Eu ainda não a vi e já calcorreei uns 300km a pé esta cidade por entre ruas e jardins...
Colheres de pau!
Chocolate em pó para culinária (e mesmo cacau em pó não é fácil encontrar)!
Alho em pó!
Inundações quando chove, perdão, quando há dilúvios nas monções (como este que está acontecer agora)!
Facilidade de expressão em português - são poucos os que entendem e menos ainda os que falam!
Táxis quando chove - mesmo quando não chove parece que demoram sempre uma eternidade a aparecerem!
Medicamentos ocidentais - quer dizer, haver, até há, e até há muitas farmácias, algumas com farmacêuticos que até falam português, mas nem sempre há na dose que queremos ou quando os queremos, estão mais vezes esgotados que à venda...
Carne de vitela - boi ainda encontro, mas de vitela? Só importada congelada dos EUA!
Coxas de galinha! Vendem os peitos, vendem as asas ou vendem a galinha inteira. Mas as coxas não as vejo!
O meu champô!
Pão sem sal. Ou melhor, comida sem sal! Aqui deveriam ter todos tensões arteriais do tamanho do Hotel Grand Lisboa...
Fogões com mais de 2 bicos e/ou com bicos pequenos! É tudo tamanho wok!
Portugueses! Ou melhor, haver, até há, mas estão diluídos nos mais de 500 mil habitantes e 10 milhões de visitantes anuais a este pequeno mas delicioso território...

Actualização (4 de Maio):
* Massa folhada!
* Toalhas de mesa em tecido - apenas em plástico! Devem estar todas à venda na Europa...

Nova actualização (5 de Maio):
* ENCONTRAMOS: massa folhada e colheres de pau! Novidades...

2013/04/10

Macau [11] - Penha

É engraçado como algumas coincidências acontecem separadas por milhares de quilómetros.

A Penha é um monte encimado por uma igreja, em Guimarães. Mas também em Macau!
Em Guimarães encontraram-se vestígios da sua remota ocupação. Em Macau, é aqui que também há alguns vestígios mais remotos da ocupação portuguesa neste ponto tão distante do oriente.

Daí o meu comentário: "Saudades de Guimarães? Vem-se à Penha!" Não é bem a mesma coisa, mas estar em locais cuja toponímia nos parece tão próxima de casa, ajuda sempre...











Reza a história que a "Capela de Nossa Senhora da Penha, também conhecida como a Ermida de Nossa Senhora da Penha e como a Capela de Nossa Senhora do Bom Parto, foi construída em 1622 (ano da invasão holandesa a Macau) pela tripulação e passageiros de um barco que quase havia sido capturado pelos holandeses, por cima de uma colina, ao lado do baluarte de Nossa Senhora do Bom Parto. Antigamente, a capela servia como local de peregrinação para marinheiros católicos que embarcavam para uma viagem perigosa.
A capela foi completamente reconstruída, juntamente com o paço episcopal (residência do bispo de Macau), em 1837, continuando a manter a sua traçada simples. Em 1892, a capela começou a ser ampliada, depois de ser demolido o baluarte. Em 1935, o BispoCardeal D. José da Costa Nunes completou a amplificação e reedificação da capela e inaugurou a magnífica torre sineira.
No adro da capela foi erguida uma estátua da Nossa Senhora do Bom Parto, feito em mármore, de mãos fechadas, de face serena e olhando para o mar, como se ela estivesse a oferecer protecção aos marinheiros e pescadores, sendo essa a razão por que lhe foi dada o nome de "Bom Parto". Perto da capela, encontra-se uma réplica da gruta da Nossa Senhora de Lourdes, em memória da aparição da Nossa Senhora em LourdesFrança.
A colina onde se situa a capela chama-se "Colina da Penha" e "Monte do Bispo", em memória ao antigo bispo de Macau, D. João Paulino." (retirado do Wikipedia)

2013/04/03

Macau [10] - As Portas do Cerco

Foto de 1997
Ontem regressei às Portas do Cerco, simbólico local de entrada (e saída) em Macau para a China continental, local que em 1997 foi um dos pontos altos da visita por lá estar então, ainda, hasteada a nossa bandeira.

Era então uma "simples" muralha, um muro que dividia o lado de cá do lado de lá.

Hoje é completamente diferente!

Apesar de se manter uma fronteira, que separa na mesma a China continental do Território Especial de Macau SAR (Special Administrative Region) ou RAE (Região Administrativa Especial) que, sendo chinesa na mesma, é portadora de um regime especial de grande autonomia ao Governo Central de Pequim já que, deste lado, há eleições, um parlamento, canais de TV livres e uma economia de mercado a funcionar a pleno vapor - dentro do famoso espírito de "um país, dois sistemas" que Deng Xiaoping falou.

Mas o que me traz hoje aqui é, no fundo, um novo momento de orgulho lusitano à semelhança daquele que aqui descrevi há uns dias atrás quando visitei o Forte de Macau. Se então tínhamos uma placa alusiva à nossa passagem por Macau a encimar a entrada, hoje nas Portas do Cerco temos muito mais.

Foto de 2013

Da antiga muralha, sobrou apenas um pequeno troço. O mais significativo deles, diria eu. A própria Porta do Cerco, que hoje é apenas um monumento na frente de um enorme pavilhão moderno que é uma alfandega movimentadissíma - pelas 11h00 da manhã, já tinham entrado cerca de 50 mil pessoas por lá, segundo um grande ecran informava, contra as pouco mais de 20 mil que haviam saído do território de Macau.

E é especial, porquê?

Muito simples. Porque encima a Porta novamente o lema da Marinha de Portugal, o já aqui citado (quando o encontrei na Sagres) e afamado "A PÁTRIA HONRAI QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA"!



A tal prova, repetida, que aquilo que os portugueses deixaram no Mundo na sua globalização do séc. XV e subsequentes foi algo de único, especial e irrepetível por nenhum outro povo que também tenha contribuído para essa aventura da humanidade.

2013/03/25

Macau [9] - A Associação de Arquitectos de Macau

Ontem à noite, por um acaso, descobri que esta associação, o que equivalente à "nossa" Ordem dos Arquitectos (mas com a diferença da inscrição não ser obrigatória), está sediada a uns 5 quarteirões da minha casa.

Hoje de manhã fui então, em visita de cortesia, visitar a Associação dos Arquitectos de Macau que, muito simpaticamente, me ofereceu o número 19 da sua revista "am" (Arquitectura Macau) que muito apreciei.

Infelizmente, não estava nenhum dos membros da direcção, mas fiquei já com o contacto do colega Rui Leão que irei em breve contactar para uma conversa sobre a AAM e sobre o que é ser arquitecto em Macau nos dias de hoje, que espero poder mais tarde retratar aqui.

Entretanto, fica o site da revista am onde não se pode encontrar este exemplar, como ainda alguns outros anteriores.

Capa do exemplar gentilmente oferecido

2013/03/23

Macau [8] - Resquícios do orgulho da Portugalidade


Hoje, saí sem grande rumo definido. Apenas pensava em ir ao centro por um caminho diferente do habitual.

Segui a Rua do Almirante Costa Cabral até ao fim, entroncando na Rotunda de Costa Cabral. Vi então as placas indicando o Jardim de Camões e pensei que esse seria um bom lugar para ir hoje. Desci então a Rua Tomás Vieira e lá cheguei à Praça Luís de Camões, onde fica não apenas o Jardim de Camões (um pequeno oásis verde no meio da poluída metrópole que é Macau) mas também a Casa Garden onde se situa a Fundação do Oriente e que tinha, no presente momento, uma exposição de cerâmica da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau muito interessante e ainda uma biblioteca pública, integrada no jardim, um edifício moderno que me impressionou pelo esforço que teve em contornar o tronco centenário de uma árvore para não a destruir.

Após estes momentos de relaxe, segui caminho novamente e reparo, ao sair do jardim, na lateral de uma igreja um pouco à frente. Contornando a rua, deparo-me com a Igreja de Santo António, uma das mais antigas de Macau, ainda do Séc. XVI, mas como a missa (em chinês) havia começado, fotos do interior terão de aguardar por outra visita.

E novamente me deixo ir ao sabor das placas verdes de Património Mundial da Humanidade (desde 2005) que me recordam que ainda não fui ao Forte de Macau, mesmo ao lado (e acima...) das famosas Ruínas de S. Paulo. Pela rua de Santo António num pulinho cheguei às ruínas, mas subir até ao Forte de Macau (ou Forte do Monte) não foi fácil - aquele monte sobe que não é brincadeira!

Mas valeu a pena. Quanto mais não seja, pela placa que encima a entrada do Forte, retratada na foto acima!

ALTO! SENTIDO!

RECORDA POR UNS INSTANTES

A HISTÓRIA LINDA DA NOSSA

PÁTRIA. ENTRA ALTIVO E DE

CABEÇA ERGUIDA PORQUE ÉS

SOLDADO DESSA PÁTRIA.

Caramba! São palavras que mexem connosco, que tocam fundo cá dentro.
"Entra altivo e de cabeça erguida" depois de "recordar por uns instantes a história linda da nossa Pátria" é quase de pôr a lágrima no canto do olho de qualquer português que se preze. Os resquícios do orgulho da Portugalidade vêm ao de cima nestes momentos, nestes locais tão longe e distantes dela mas que nos aproximam tanto dela.

É um orgulho imensurável que tantos anos depois da transferência de poderes para a China, esta placa ainda permaneça ali. Porque significa, como venho dizendo, que Portugal soube fazer da louca quimera dos navegadores de quinhentos o primeiro acto de globalização, de encontro de culturas, de miscigenação de povos e de respeito pelo que encontrou no local. Com defeitos e excessos, é evidente, mas diferente, para bem melhor, do que aquilo que fizeram outros impérios. Respeitar para se ser respeitado. Só assim se compreende que a China ainda hoje, e muito bem, aceite e mantenha esta placa naquele local que tanto orgulho dá e dará a cada português que passe por aquelas portas do Forte de Macau.

Foi um passeio curto de distância. Nem cheguei a ir ao centro. Mas foi um passeio de enorme significado...

2013/03/20

Macau [7] - A Sky Tower de Macau

Aproveitando a manhã ensolarada no meio de algumas nuvens (sim, porque ao fim da tarde choveu, isto parece Angola climaticamente falando) hoje o meu objectivo da volta da manhã (prescrição médica, sff...) foi subir bem alto.

E para se subir bem alto, em Macau, há que ir ao edifício mais alto, a Torre de Macau ou a Macau Sky Tower. Torre esta com 338 metros de altura, sendo a 22ª mais alta do mundo na actualidade, da autoria dos Arquitectos Gordon e Craig Moller e inspirada na de Auckland, Nova Zelândia (também da autoria deles) e cuja obra foi iniciada em 1998 e aberta ao público em 19 de Dezembro de 2001.

Os principais destaques são, para além da enorme e fantástica panorâmica que se obtém desde os andares superiores, o restaurante rotativo (360º) e ainda para os mais ousados/as o bungee-jumping desde a plataforma a 233 metros de altitude... para loucos/as com adrenalina total, uma queda de cerca de 4 a 5 segundos onde se atinge os 200 km/h. Por mim, fico satisfeito somente com a vista fantástica que se tem da torre...




A praça onde fica a torre de Macau

A Avenida da Praia Grande e o Lago Nam Van





A igreja da Penha (não, não é a de Guimarães, é a de Macau que tem também o mesmo nome) ao centro da fotografia



A nova ponte que liga Macau à Taipa







Outra das atracções são pequenos segmentos de vidro onde podemos ver desde o piso da torre até ao chão, mais de 200 metros de altitude. Ou os meus são grandes ou é tudo muito pequenino lá em baixo...

E aqui estou eu, a cerca de 230 metros de altitude, com Macau em pano de fundo!

Só para se poder subir a esta torre (130 Patacas, 13 € ou 185 Patacas com buffet incluido no restaurante rotativo) vale a pena a viagem a Macau, é como ir a Roma e não ver o Papa. Obrigatório!