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2013/03/25

Macau [9] - A Associação de Arquitectos de Macau

Ontem à noite, por um acaso, descobri que esta associação, o que equivalente à "nossa" Ordem dos Arquitectos (mas com a diferença da inscrição não ser obrigatória), está sediada a uns 5 quarteirões da minha casa.

Hoje de manhã fui então, em visita de cortesia, visitar a Associação dos Arquitectos de Macau que, muito simpaticamente, me ofereceu o número 19 da sua revista "am" (Arquitectura Macau) que muito apreciei.

Infelizmente, não estava nenhum dos membros da direcção, mas fiquei já com o contacto do colega Rui Leão que irei em breve contactar para uma conversa sobre a AAM e sobre o que é ser arquitecto em Macau nos dias de hoje, que espero poder mais tarde retratar aqui.

Entretanto, fica o site da revista am onde não se pode encontrar este exemplar, como ainda alguns outros anteriores.

Capa do exemplar gentilmente oferecido

2013/01/28

Os arquitectos, a OA e o Governo

Ao ler a entrevista que o presidente da OA deu ao Expresso este fim de semana, fiquei espantado com o título: "Os arquitectos estão zangados com o Governo"!

De facto, é preciso ter lata para vir dizer uma coisa destas - mais palavra, menos palavra, que nisto dos títulos os jornalistas são, vá lá, muito "criativos" - ou então estar alheado da realidade.

Os arquitectos andam zangados? Sim. Mas muito mais consigo, caro colega, do que com o Governo. Em especial, este, que levou com um país-bomba na mão e que tem agora de resolver o problema dos arquitectos (e, já agora, de outras classes profissionais do sector) que os anteriores Governos e as Ordens (não exclusivamente a dos Arquitectos) criaram ao longo dos últimos 10 a 20 anos entre tantos outros e se calhar tão ou mais urgentes problemas...

Porque estaria eu zangado com este Governo se o problema já vem muito antes dele? Não emigrei eu já em 2006? Porque razão o fiz? Para ir conhecer as praias de Angola? Não me parece... Terá sido, isso sim, porque a crise já se notava no sector da construção, logo no sector dos serviços de arquitectura. E em 2008 alastrou ao sector do imobiliário, com os bancos a deixarem de financiar a compra e a aumentarem os juros e spreads progressivamente, dando assim a machadada final no sector. Que fez a OA neste anos? Zzzzzzzzzzzzz...

É certo que os arquitectos gostaram de Sócrates - ou, mais concretamente, é certo que cerca de 100 arquitectos e os seus ateliers gostaram da "festa" das escolas de Sócrates e da Maria de Lurdes - mas isso apenas veio ajudar os maiores gabinetes a manterem-se abertos, porque dos pequenos, como eu, que trabalho "a solo" ou em pequenas parcerias, nem migalhas... Mas, como ficou demonstrado nas audições parlamentares à "festa" da Parque Escolar, isso foram cerca de 100 escritórios de arquitectura que beneficiaram no país todo. Dando de barato que cada um tem 2 arquitectos, seriam pouco mais de 200 arquitectos pela "festa". Sabendo que há cerca de 20.000 inscritos na OA, isso representa uns meros 1% dos associados. Os outros 99%, ficaram a assistir e a pagar a "festa" com os nossos impostos...

Aos anos que se sabe que há arquitectos a mais.

Em 1996, quando eu me licenciei, recebi o número 6574. Hoje já ultrapassam os 20 mil (penso que até já são mais de 22 mil inscritos). À época, meados dos anos 90, havia trabalho para todos e havia sítios do país com poucos ou nenhuns arquitectos. Mas por volta do ano 2002 as coisas começaram a piorar - crises económicas iniciaram com o Governo de Guterres (quem não se lembra da criação do Pagamento por Conta da Manuela Ferreira Leite e do país de tanga de Durão Barroso?) e aprofundaram-se ao longo da década seguinte, apenas camuflada pelo investimento público (selectivo, como vimos atrás) promovido em particular pelo Governo de Sócrates. Julgo, por isso, que o número ideal de arquitectos para Portugal deverá rondar os 10 mil, cerca de 0,1% da população do país. Pelo menos, a uma média de 800 arquitectos por ano que foram saindo das universidades, esse deveria ser o número de arquitectos que havia por volta do ano 2000, quando todos tinham trabalho e, apesar de não sermos muito bem pagos, sobrevivíamos.

E que fez a OA quanto a esse assunto? Dificultou o acesso à Ordem com mais exames e cursos, mas nada fez quanto à proliferação de cursos de Arquitectura. E que fizeram os Governos? Autorizaram a abertura de mais cursos e mais vagas em Arquitectura. (Em comparação, o que diz a Ordem dos Médicos sobre novos cursos e mais vagas? Não...)

Agora, o presidente da OA vem dizer que os arquitectos andam zangados com o Governo.

É evidente que ninguém, arquitecto ou não, está satisfeito com o que se passa. Mas tão evidente quanto isso é que o Governo não tem, neste momento, dinheiro para nos pôr a trabalhar, directa ou indirectamente - isto é, lançando obras públicas ou financiando/comparticipando obras particulares. Por isso é um absurdo achar que este Governo tem de resolver, já, o problema que os anteriores Governos - com a CUMPLICIDADE e PARCERIA da OA - criaram.

É evidente que o mundo onde vive o presidente da OA é outro. Quanto mais não seja, as senhas de presença que receberá enquanto presidente da OA (34.545,00€, segundo o Orçamento da OA para 2012) devem ser superiores ao que 90% dos arquitectos portugueses auferem num ano de trabalho normal. Mas, pelo menos, pedia-se ao presidente menos frases baratas, menos frases feitas e muito mais actividade: por exemplo, fechando a "torneira" das universidades (assunto sobre o qual não me lembro de ver ou ouvir a OA dizer nada há muito tempo) e actuando mais em parceria com o Governo de forma a exportar o nosso sector de serviços - exportar mesmo, não como fazem alguns dos grandes nomes da arquitectura portuguesa que numa entrevista dizem estar cheios de trabalho "lá fora" e ao mesmo tempo dizem que estão a ponderar encerrar os gabinetes em Portugal por não terem trabalho, sinal de que o serviço de "lá de fora" não é feito cá em Portugal, logo não há exportação de serviços, há execução de trabalhos em filiais estrangeiras, sediadas noutros países e, provavelmente, com arquitectos estrangeiros a trabalharem lá - como forma de aumentar a autonomia e rentabilidade dos arquitectos em Portugal.

É que reconhecer que não há dinheiro no Governo para as obras e achar que se pode encomendar os projectos ("não custa mais de 3% ou 4%" do valor da obra) é de quem não tem consciência de como as coisas funcionam... Os projectos fazem-se quando há uma obra a fazer, a obra faz-se a partir de uma necessidade específica de um determinado momento - e mesmo assim, entre o momento em que o projecto é feito e o momento em que a obra começa, esse espaço de tempo é o bastante para se alterar, por vezes radicalmente, o projecto, imagine-se então o que seria fazer um projecto hoje para uma obra que poderia vir a ser executada apenas daqui a 5 anos: a legislação do sector profissional onde se insere a obra pode mudar, o PDM do local pode mudar, as necessidades espaciais podem mudar (por exemplo, prever uma escola para 2000 alunos e depois, devido às migrações, ter apenas 1000 alunos...) e tudo pode mudar! Foi assim que este país chegou a este ponto de pré-falência: a atirar dinheiro para cima da fogueira dos problemas; queimado o dinheiro, o problema mantém-se! É inadmissível que o presidente da OA venha dizer estas coisas em público. Nestes momentos, tenho quase tanta vergonha de ter um presidente assim como muitos advogados têm de ter um bastonário como o deles...

Perdoem-me este desabafo que já vai longo, mas ler este tipo de discurso por parte de quem é parte do problema e nada faz para encontrar soluções, tira-me do sério! O que vale é que, a ver pela reacção nas redes sociais, não sou o único a pensar assim - diria mesmo mais, o presidente da OA é que é a ilha no meio do oceano...

2012/09/20

Seminário Internacional de Regeneração e Reabilitação Urbana

Assisti hoje à primeira parte deste seminário com um tema muito interessante, porque aborda, talvez, a única coisa que poderá funcionar na indústria da construção em Portugal nos próximos 10 anos...

No entanto, este seminário é melhor no papel do que na realidade. Isto é, quem leu o programa pensou que ia ter Souto Moura e Siza Vieira a falar sobre estes assuntos cruzando-os com os seus trabalhos e, afinal um está no estrangeiro e outro está em convalescença e nenhum participou.

Para além disso, também Rui Rio não foi, pelo que das "estrelas" sobrou Rui Moreira e num seminário organizado por arquitectos e engenheiros, as melhores intervenções (de longe) foram de um geógrafo (Rio Fernandes) e de um economista (Carlos Martins) pois foram aquelas que não só puseram o "dedo na ferida" como também mais pistas deixaram para estes temas.

Por outro lado, a intervenção que Siza (não) fez através de um seu colaborador na intervenção que fez no Chiado, versava muito mais na reconstrução do que na regeneração e menos ainda do que na reabilitação. Espero que amanhã de manhã, na conclusão do seminário, pelo menos no painel "política" ainda possa assistir a boas intervenções. Espero com alguma ansiedade a do engenheiro Paulo Cruz que deverá versar a CEC2012, pois para além de seu administrador, era até assumir esse cargo o presidente da Escola de Arquitectura da UM que esteve muito ligada a uma das principais (e polémicas) obras deste evento, a requalificação do Largo do Toural (e mais uma vez aqui se foge um pouco ao tema, apesar da proximidade do mesmo)...

Uma última palavra para o local da conferência: a simbólica e icónica Casa da Música, na sua Sala 2. Não é confortável, não é o local para se fazer uma sessão de tantas horas - as cadeiras são perfeitamente disformes, não têm apoio de braços, ficam a 1/3 das costas, são duras... ainda estou "dorido" do dia todo lá sentado! É melhor escolherem um verdadeiro auditório de conferências, que há muitos no Porto, do que isto - o simbolismo do edifício não justifica tal tortura!

2012/08/14

COB - Colégio de Especialidades de Gestão, Direcção e Fiscalização de Obras da Ordem dos Arquitectos

No âmbito dos estatutos da OA, esta tem vindo a promover a criação de colégios de especialidade que "a partir de áreas no domínio da Arquitectura com características técnicas e científicas particulares, que assumam importância cultural, social ou económica e impliquem uma especialização do conhecimento ou da prática profissional. ".

Assim, neste momento estão já em actividade ou em instalação os colégios de Urbanismo, Património Arquitectónico e este referido COB.

E o que é o COB?

O Colégio de Especialidade de Gestão, Direcção e Fiscalização de Obras (COB) foi criado em 2010, implementado em 2011 e encontra-se em fase de instalação.

O COB tem as seguintes finalidades:
* contribuir para a valorização profissional e a correcta actuação deontológica no sentido de melhor servir a sociedade;
* acompanhar, promover e divulgar a actividade dos arquitectos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* fomentar o estudo e a investigação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* estimular a aproximação às empresas de construção, o diálogo interdisciplinar e o mútuo conhecimento das práticas profissionais que concorrem para a qualidade da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* coadjuvar as entidades competentes para a avaliação técnica dos profissionais que capacitam tecnicamente as empresas de construção, designadamente nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* fundamentar a tomada de posições da Ordem dos Arquitectos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras, em especial quando se trate de solicitações de entidades públicas com competência na matéria;
* estreitar os laços de cooperação de Portugal com outros países, designadamente com os da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* apoiar as acções de formação permanente desenvolvidas pela Ordem dos Arquitectos ou por outras entidades nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o registo sistemático de arquitectos cuja actividade incida nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.

O COB tem as seguintes atribuições:
* defender os interesses profissionais dos arquitectos que intervêm nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o intercâmbio de ideias e experiências com organismos afins, nacionais, comunitários ou de outros países, e acções de cooperação interdisciplinar nos âmbitos da formação, da investigação ou da prática profissional que digam respeito aos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* organizar reuniões científicas, seminários e cursos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* organizar e desenvolver serviços de arquivo, documentação e informação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* assegurar o registo sistemático dos arquitectos cuja actividade incida nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.
* promover e patrocinar a edição de publicações conformes aos seus objectivos e que contribuam para um melhor esclarecimento público sobre as implicações e relevância dos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o aperfeiçoamento das regras de cariz deontológico;
* colaborar com os órgãos docentes e discentes das universidades, institutos e outros graus de ensino em todas as iniciativas que visem a formação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* assumir funções de representação e intervenção nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras, sempre que solicitado pelo Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos;
* prestar colaboração a entidades oficiais ou de interesse público nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.

O seu funcionamento está definido no Regulamento do Colégio.

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Noticia sobre a criação do COB.
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Só me falta dizer que, desde Junho passado e com muito orgulho, sou o associado n.º 10 deste Colégio.