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2013/11/20

"Eu estou aqui"!

Pois está. Estava lá e partiu a louça toda!



Cada corrida, cada golo, cada bicada nos Platter's e Platini's deste mundo da bola.

Ontem, hoje de madrugada em Macau, Ronaldo mostrou que este ano o prémio de melhor jogador do mundo tem de ser para ele.

3 golos que garantiram a qualificação de Portugal para o Mundial de 2016 no Brasil mas, acima de tudo, uma exibição portentosa e ao mais alto nível, aliás na senda de outras que tem feito nos últimos 2 meses, levando já mais de 60 golos marcados este ano civil - mais só ele do que muitas equipas!

Ronaldo ontem foi fenomenal. Foi galáctico. Foi do outro mundo. Pena é que apenas Moutinho e Pepe sejam do mesmo calibre, havendo uma enorme mediania nos restantes jogadores. Mas valha-nos que como grupo funcionam bem.

Dificilmente poderemos ser campeões do mundo, eu sei. Mas com Ronaldo num dia assim e se os outros não falharem muito, tudo é possível.

Que venha o campeonato do mundo...

Nota - Concordo com o Ibrahimovic: um mundial sem ele não é a mesma coisa. De facto, grandes jogadores como ele fazem falta a estas grandes competições. Mas entre ele ou o Ronaldo, o nosso faz ainda mais falta...

2013/08/22

Ceuta, 22 de Agosto de 1415

Há 598 anos atrás, conquistou-se Ceuta.

Tendo a armada portuguesa fundeado ao largo a 21 de Agosto e entrado na cidade sem encontrar resistencia, na manha do dia 22 Agosto foi dada como tomada a cidade e hasteada a bandeira de Ceuta com a coroa portuguesa no seu centro, que ainda hoje representa esta cidade.

Painel da Estação de S. Bento alusiva à batalha da conquista de Ceuta

Iniciou-se nessa data, nesse dia, a expansão portuguesa, o primeiro momento de globalização que as sociedades do planeta assistiram nos 150 anos seguintes.

Demos novos mundos e novas rotas ao mundo. E tudo começou ali, em Ceuta.

Daqui a 2 anos serão os 600 anos dessa data célebre. Haverá celebração para o efeito?

2013/07/02

Está o caldo entornado...

...e deitados dois anos de esforços fora de um momento para o outro.

A demissão de Portas, na sequência da demissão de Gaspar e da nomeação de Maria Luís Albuquerque, agudizou a situação que já há algum tempo ameaçava acontecer, numa coligação pouco unida e coesa (ao contrário do que acontece em Guimarães, onde boa parte dos quadros de ambos os partidos são amigos e conhecidos de longa data e têm aprofundado o relacionamento ao longo desta campanha, na coligação nacional eram pessoas que não só não tinham laços de amizade como nem sequer os queriam aprofundar) e mostrou que Passos Coelho perdeu a capacidade de liderança do processo governativo.

O país, que se vai afundar novamente do ponto de vista financeiro e ficar numa situação parecida com a Grécia, mas para pior, fica nas mãos de Cavaco e da possibilidade do caos surgir uma espécie de governo de salvação nacional tri-partido entre PSD, CDS e PS. Ou então, não sei o que será do futuro mais próximo. Triste sina a nossa...

Apesar de alguns radicais festejarem (lá está, a esquerda caviar e o champanhe...) tenho para mim que ainda vão amargar muito estes acontecimentos dos princípios de Julho de 2013...

2013/05/25

O sucesso do futebol alemão

Muito interessante o conjunto de artigos que o Mais Futebol publicou sobre o sucesso que o futebol alemão tem no presente, medido pela inédita final da Champions League exclusivamente alemã que mais logo o Bayern e o Dortmund vão disputar em Londres.

Imagem Mais Futebol

Os artigos podem ser lidos aqui e aqui.

Resumidamente, o que se pode ler é que o sucesso do "novo" futebol alemão baseia-se na formação e no forte investimento que aí fizeram desde que em 2000 perderam 3-0 contra Portugal - chegam até ao extremo de considerar que tudo começou com um túnel de Capucho sobre o idoso Mathaus.

E como foi feito esse investimento?

Pelos clubes, que para se inscreverem na 1ª Liga (e depois também na 2ª Liga) foram obrigados a terem academias de formação com determinadas condições e características  bem como uma maior atenção da Federação nas camadas jovens.

O resultado é evidente: desde 2006 que estão no pódio de todas as competições, ganharam títulos inéditos nos escalões de formação e estão na 2ª final consecutiva da Liga dos Campeões, esta ineditamente com 2 equipas alemãs.

Portugal, com as devidas diferenças, deveria apostar num processo semelhante - talvez com mais investimento da Federação e menos dos clubes, já que esta tem contas a prazo com dezenas de milhões de euros que nada rendem ao futebol nos bancos. Enquanto planteis como o do Benfica ou o do FC Porto joguem finais europeias quase sem portugueses, não está garantida a renovação da Selecção e é um falso domínio do país - que se traduz em maus resultados de uma Selecção que não tem bases de captação e renovação, onde apenas os clubes recheados de estrangeiros fazem sucesso e a Selecção definha a cada apuramento - e o mais estranho é que ambos os clubes tem academias e fazem um forte investimento nos escalões de formação, mas sem o retorno que se esperaria, talvez porque são poucos os clubes que apostam nisso.

2013/04/06

Macau, 2h28 da manhã

Ainda chega a PM antes de eu chegar a Portugal...
Não aguento mais o suspense - ou isso, ou é o sono!

Vou dormir na certeza que Pedro Passos Coelho ainda é o Primeiro-Ministro.

Mas tenho a ligeira sensação que amanhã, quando acordar, não será. E algo me diz que como Cavaco (e, já agora, os patrões) é contra novas eleições, como o Seguro é um palhaço e como a Troyka ainda deve mandar alguma coisa neste país, com a bênção do PSD (em parte) e do CDS (em maior parte) e de Cavaco (na totalidade) e da Troyka teremos ainda na próxima semana um novo Governo liderado por Rui Rio...

Ou então, mais uma vez, deve ser do sono... Vou dormir e amanhã quando acordar vejo se o mundo mudou ou ainda é o mesmo de sempre...

Relvas, o TC e o Governo

1. Relvas demitiu-se e arrisca-se a perder a licenciatura, retirada após inquérito conduzido pelo colega ministro da Educação. Saiu no seu timing, como eu sempre disse que ia acontecer, após resolver os "dossiers" que tinha em mãos: RTP, TAP e Reforma Administrativa do Território.
De todos, o dossier TAP foi um falhanço absoluto ao não conseguir privatizar a empresa e expondo-a ao risco de falência por não poder ser ajudada na sua falta de liquidez pelo Estado, segundo as regras comunitárias.
O dossier RTP foi um quase falhanço, pois se acabou por deixar as coisas diferentes em relação ao que encontrou, acima de tudo do ponto de vista financeiro em que a RTP nos custa a todos quase metade do que  custava (cerca de menos de 100 milhões de euros a menos) mantendo no geral os serviços que tinha, toda a novela de avanços e recuos e mudanças de direcção nos objectivos da empresa foram um falhanço político absoluto.
O dossier da Reforma Administrativa foi aquele onde acabou por ter maior sucesso, já que conseguiu diminuir cerca de 1000 freguesias (sobrando ainda umas 3000...) e, muito mais importante, acabou com cerca de 200 empresas municipais que apenas andavam a criar dívidas ao Estado. E deixou os municipios intactos, num medo de afrontar os presidentes de Câmara. Ou seja, só fez meio serviço...
Mas onde, quanto a mim, Relvas mais falhou, foi naquilo que não se fala, foi na coordenação política do Governo. Que andou muito tempo, quase sempre, descoordenado, cada um falando e actuando como entendia e cada partido dizendo o que entendia sem se preocupar com o outro e com o todo (o Governo). Relvas deveria ter sido o homem que deveria ter evitado isso. E, aí sim, falhou em todo o campo.

2. O TC é inconstitucional no meu entender. Passo a explicar. Não me parece constitucional que um órgão não executivo e não eleito por sufrágio universal venha interferir nas políticas executivas de um Governo eleito universalmente. Tenho a certeza que a Constituição deve falar em separação dos poderes algures... E enquanto for constitucional o TC dizer que é inconstitucional mudar tudo o que nos colocou na crise actual, não há salvação possível. Disse um dos juízes  a determinada altura, que é a lei de execução orçamental (no fundo, a realidade do país) que se tem de ajustar à Constituição e não o contrário. Ou o senhor não percebeu o que disse, ou o país anda completamente maluco...

3. O Governo pós-Relvas só pode ser melhor, por razões várias que me vou escusar de alongar aqui. O Governo pós-relatório do TC adiado dias a fio e transmitido em prime-time televisivo quais prima-donas a quererem os seus 15 minutos da fama, esse vai ter a tarefa mais complicada. Já não bastava o Governo andar a resolver os problemas que o Sócrates criou, agora ainda tem de resolver os problemas que o TC cria também. Depois de 6 anos de Sócrates a afundar-nos em despesa constitucional, temos agora 2 anos de TC a defender a inconstitucionalidade de se cortar a despesa constitucional.

O circo, esse prossegue dentro de momento. O palhaço pobre já chegou junto a um microfone: "Eu estou disponível para substituir o Governo" mas "quem criou o problema que o resolva"...

2013/04/03

Macau [10] - As Portas do Cerco

Foto de 1997
Ontem regressei às Portas do Cerco, simbólico local de entrada (e saída) em Macau para a China continental, local que em 1997 foi um dos pontos altos da visita por lá estar então, ainda, hasteada a nossa bandeira.

Era então uma "simples" muralha, um muro que dividia o lado de cá do lado de lá.

Hoje é completamente diferente!

Apesar de se manter uma fronteira, que separa na mesma a China continental do Território Especial de Macau SAR (Special Administrative Region) ou RAE (Região Administrativa Especial) que, sendo chinesa na mesma, é portadora de um regime especial de grande autonomia ao Governo Central de Pequim já que, deste lado, há eleições, um parlamento, canais de TV livres e uma economia de mercado a funcionar a pleno vapor - dentro do famoso espírito de "um país, dois sistemas" que Deng Xiaoping falou.

Mas o que me traz hoje aqui é, no fundo, um novo momento de orgulho lusitano à semelhança daquele que aqui descrevi há uns dias atrás quando visitei o Forte de Macau. Se então tínhamos uma placa alusiva à nossa passagem por Macau a encimar a entrada, hoje nas Portas do Cerco temos muito mais.

Foto de 2013

Da antiga muralha, sobrou apenas um pequeno troço. O mais significativo deles, diria eu. A própria Porta do Cerco, que hoje é apenas um monumento na frente de um enorme pavilhão moderno que é uma alfandega movimentadissíma - pelas 11h00 da manhã, já tinham entrado cerca de 50 mil pessoas por lá, segundo um grande ecran informava, contra as pouco mais de 20 mil que haviam saído do território de Macau.

E é especial, porquê?

Muito simples. Porque encima a Porta novamente o lema da Marinha de Portugal, o já aqui citado (quando o encontrei na Sagres) e afamado "A PÁTRIA HONRAI QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA"!



A tal prova, repetida, que aquilo que os portugueses deixaram no Mundo na sua globalização do séc. XV e subsequentes foi algo de único, especial e irrepetível por nenhum outro povo que também tenha contribuído para essa aventura da humanidade.

2013/03/23

Macau [8] - Resquícios do orgulho da Portugalidade


Hoje, saí sem grande rumo definido. Apenas pensava em ir ao centro por um caminho diferente do habitual.

Segui a Rua do Almirante Costa Cabral até ao fim, entroncando na Rotunda de Costa Cabral. Vi então as placas indicando o Jardim de Camões e pensei que esse seria um bom lugar para ir hoje. Desci então a Rua Tomás Vieira e lá cheguei à Praça Luís de Camões, onde fica não apenas o Jardim de Camões (um pequeno oásis verde no meio da poluída metrópole que é Macau) mas também a Casa Garden onde se situa a Fundação do Oriente e que tinha, no presente momento, uma exposição de cerâmica da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau muito interessante e ainda uma biblioteca pública, integrada no jardim, um edifício moderno que me impressionou pelo esforço que teve em contornar o tronco centenário de uma árvore para não a destruir.

Após estes momentos de relaxe, segui caminho novamente e reparo, ao sair do jardim, na lateral de uma igreja um pouco à frente. Contornando a rua, deparo-me com a Igreja de Santo António, uma das mais antigas de Macau, ainda do Séc. XVI, mas como a missa (em chinês) havia começado, fotos do interior terão de aguardar por outra visita.

E novamente me deixo ir ao sabor das placas verdes de Património Mundial da Humanidade (desde 2005) que me recordam que ainda não fui ao Forte de Macau, mesmo ao lado (e acima...) das famosas Ruínas de S. Paulo. Pela rua de Santo António num pulinho cheguei às ruínas, mas subir até ao Forte de Macau (ou Forte do Monte) não foi fácil - aquele monte sobe que não é brincadeira!

Mas valeu a pena. Quanto mais não seja, pela placa que encima a entrada do Forte, retratada na foto acima!

ALTO! SENTIDO!

RECORDA POR UNS INSTANTES

A HISTÓRIA LINDA DA NOSSA

PÁTRIA. ENTRA ALTIVO E DE

CABEÇA ERGUIDA PORQUE ÉS

SOLDADO DESSA PÁTRIA.

Caramba! São palavras que mexem connosco, que tocam fundo cá dentro.
"Entra altivo e de cabeça erguida" depois de "recordar por uns instantes a história linda da nossa Pátria" é quase de pôr a lágrima no canto do olho de qualquer português que se preze. Os resquícios do orgulho da Portugalidade vêm ao de cima nestes momentos, nestes locais tão longe e distantes dela mas que nos aproximam tanto dela.

É um orgulho imensurável que tantos anos depois da transferência de poderes para a China, esta placa ainda permaneça ali. Porque significa, como venho dizendo, que Portugal soube fazer da louca quimera dos navegadores de quinhentos o primeiro acto de globalização, de encontro de culturas, de miscigenação de povos e de respeito pelo que encontrou no local. Com defeitos e excessos, é evidente, mas diferente, para bem melhor, do que aquilo que fizeram outros impérios. Respeitar para se ser respeitado. Só assim se compreende que a China ainda hoje, e muito bem, aceite e mantenha esta placa naquele local que tanto orgulho dá e dará a cada português que passe por aquelas portas do Forte de Macau.

Foi um passeio curto de distância. Nem cheguei a ir ao centro. Mas foi um passeio de enorme significado...

2013/02/08

Do Portugal x Equador

Imagem MaiorTV
Uma semana complicada impediu-me de comentar mais cedo o jogo amigável da selecção na passada quarta-feira.

Como rescaldo, algumas conclusões breves:

1) Apesar da boa casa, o estádio não encheu; bilhetes de 10€ para cima, mesmo com oferta de 50% no cartão Continente e entrega de 2€ à missão sorriso não ajudaram... já se os bilhetes em vez de 10€ lhes retirassem os 5€ dos descontos e os 2€ da missão sorriso, custariam apenas 3€... e alguém dúvida que com bilhetes a partir desse preço o estádio teria esgotado?

2) A convocatória de Paulo Bento também não ajudou, ao trocar lesionados por jogadores de um clube e de um empresário que não mostraram qualquer razão para serem convocados nos últimos tempos: há várias semanas que não joga num dos casos e que joga apenas alguns minutos finais no outro... jogadores como esses há muitos por aí, só que não são desse clube e desse empresário; se tivesse chamado algum jogador de Guimarães (e podia ter chamado 2 para os lesionados, como o Tiago Rodrigues e o Amido Baldé) que mesmo que não jogasse, provavelmente atraitia muito mais gente de Guimarães para ver o jogo na expectativa de ver jogadores do clube local na selecção!

3) No jogo parecia Ronaldo e mais 10... há um fora de série, que é Ronaldo e há os restantes a um nível inferior... e uns mais inferiores que outros: Eduardo, João Pereira, Coentrão ou Postiga são enxertos de fraca cepa, Rui Patrício  Bruno Alves, Pepe, Moutinho, Meireles ou Nani sempre são de uma casta muito melhor. E esse tem sido o problema da selecção: é que há cada vez mais enxertos de fraca qualidade e cada vez menos pés de qualidade superior!

4) Se este Equador foi escolhido porque é parecido com Israel, nas palavras dos directores e seleccionador da FPF, então daqui a cerca de um mês vamos ter muitas dificuldades em ultrapassar esse adversário se Paulo Bento não encontrar outra forma táctica de tirar melhor proveito dos elementos que tem à disposição - só espero que ao 5º jogo a selecção não esteja de fora das contas da qualificação para o mundial do Brasil: o público não merece isso e Ronaldo também não!

2012/10/05

Que 5 de Outubro?

Ainda não percebi porque se comemora o 5 de Outubro. A sério! Comemorar a democracia não será, porque na monarquia já existiam partidos e eleições. Por isso, só posso ver isto como uma manifestação de poder de uma certa esquerda e de certas sociedades (hoje pouco) secretas que não faz sentido nenhum continuar.

Imagem 31 da Armada
Em especial depois do que se passou hoje.

Pendurar uma bandeira de pernas para o ar, sinónimo de pedido de auxilio internacional no "velho" código dos tempos de guerras, é algo que não lembra a ninguém. Acredito que não foi feito intencionalmente. Mas todas aquelas personalidades estarem a ver a bandeira de pernas para o ar e não pararem, não corrigirem a situação, é algo que não percebo também!

Enfim, comemore-se o inicio da Nação no dia em que ela terá nascido - 24 de Junho! - ou quando muito comemore-se a restauração da sua independência - 1 de Dezembro! - mas deixem-se de parolices (ia dizer algo mais forte...) e ide trabalhar pelo futuro deste país se querem comemorar alguma coisa em 2013 porque da forma como isto está a ir, com a extrema esquerda a ter todo este tempo de antena, arriscamo-nos que, mais ano, menos ano, não seja só a independência financeira que perdemos...

2012/09/16

Que Portugal queremos?

Tenho resistido a comentar, de cabeça quente, os desenvolvimentos dos últimos dias, da última semana, em Portugal após mais uma positiva avaliação dos nossos credores ao nosso programa de assistência financeira.

Tudo porque eu próprio me sinto confuso e dividido com o que se passa.

Primeiro porque não sei, não vejo alternativa credível para o que actualmente se passa quanto à contenção financeira que vivemos e necessidade de alterar estruturalmente o nosso país, de mudar hábitos de vida e de consumo. Por mais que as pessoas não queiram perceber ou se tenham esquecido, Portugal viveu durante os 6 anos do consulado de Sócrates do crédito: a nossa economia não produzia nem crescia o suficiente para gerar receitas para o Governo fazer todas as obras que fez nesse período de tempo, tendo para isso recorrido a várias formas de crédito (de empréstimos obrigacionistas a negociação directa de dívida com outros países) que fez com que o país, no seu todo, tivesse ficado a dever muito mais dinheiro do que aquele que alguma vez conseguiria gerar para pagar de volta os credores - para quem não se lembrar, a dívida pública era em 2004 de 90 mil milhões e em 2011 de 175 mil milhões - ou seja, quase duplicou nesse período de governação... Ora, como todos sabemos, quando pedimos emprestado temos de pagar de volta sob pena de perdermos os bens adquiridos (e até outros se estes entretanto se desvalorizarem) mas como neste caso os bens não são móveis nem sequer transportáveis (trata-se de escolas, estradas,  hospitais, coisas assim) tudo se complicou. Mais ainda quando se sabe do tipo de negócio (as famigeradas PPP's e a Parque Escolar e outras coisas que tais) que foram utilizadas para se investir - coisas que não geram receitas, que não se pagam nem são auto-sustentáveis.  E negociadas da maneira que sabemos...

Depois, porque não vendo alternativa, também não sei se esta é a melhor maneira de o fazer. Daí perceber bem as manifestações de ontem - mais do que outra coisa qualquer, foi o perder a esperança que muita gente ontem manifestou (outros, os mascarados dos petardos, tomates e garrafas atiradas às autoridades, foi o renascer da esperança de pela força fazerem a tão sonhada "revolução"...) e foi abrir a válvula da pressão acumulada neste último ano de tantos sacrificios feitos por todos - como dizia já Sá Carneiro, algures no pós-revolução, os "homens só se determinam e animam quando sabem o porquê e para quê dos sacrifícios que lhes pedem" - e também uma mensagem ao Governo sobre as últimas medidas tomadas.

Sim, porque aquilo que mais quebrou psicologicamente os portugueses - e por mim também falo - foi pedir mais sacrifícios a uns e liberar outros desses sacrifícios, isto é, a questão do aumento dos descontos da segurança social para os trabalhadores e a diminuição da TSU para as empresas. Percebo ambas as ideias, mas discordo de uma delas. Sei que a taxa da segurança social tem de aumentar para os trabalhadores (é matemática simples e pura: somos cada vez menos a trabalhar por diminuição de emprego e de população activa com idade para isso, há cada vez mais apoios sociais como reformas, subsídios de desemprego e RSI's a pagar, logo é evidente que cada um tem que contribuir com mais) mas o momento não é o ideal, menos ainda no valor proposto (mais 60%  de uma vez). Por outro lado, percebendo a ideia que está por trás da proposta das empresas pagarem menos TSU, julgo que no momento em que se pede sacrifícios a todos não se pode dizer a um grupo em particular que esses não têm de fazer sacrifícios e até recebem um bónus. Isso foi o choque. Felizmente, do que vou percebendo das várias declarações dos membros do Governo, há espaço para em Concertação Social os empresários abdicarem dessa baixa de valor e dessa forma os trabalhadores "apenas" terem de contribuir com a diferença daí  resultante.

Mas como entretanto o mal está feito, agora será preciso mais para "adoçar" a boca de todos para se sentirem mais satisfeitos. Para encontrarem novamente determinação de realizar os sacrifícios pedidos e necessários.

Daí a minha pergunta: que Portugal queremos?

Aquele que Mário Soares, Manuela Ferreira e todos os dessas gerações nos trouxeram até aqui? São esses os sábios e experientes que nos vão ajudar a sair deste buraco onde nos meteram? Não brinquem comigo...

Ou queremos um diferente, que esteja a mudar estruturalmente o país, apesar da Constituição que temos? É experimental, sim. Pode não resultar, é verdade. Mas entre as experiências de 1974-2011 e isto, eu ainda prefiro isto. O Estado tem e está a emagrecer. Ainda não está tudo feito, mas este Governo tem apenas um ano de vida! Esperavam resolver os problemas conjunturais e estruturais de mais de 30 anos de má governação e opções com um ano de Governo? São utópicos ou lunáticos, então. Já li e ouvi várias pessoas dizerem que isto não se resolve numa legislatura, nem numa década e só muito dificilmente se resolverá numa geração (ou seja, 25 anos) e concordo em absoluto. A questão é que em 37 anos de Governos as coisas só pioraram. E este Governo, para o bem ou para o mal, teve a coragem de iniciar cortes onde a factura era mais pesada: nos ordenados que paga aos seus mais de 700 mil funcionários, nas áreas cujo peso é maior na factura anual (saúde, educação, obras públicas) e apesar de ainda ter muito caminho a percorrer, a verdade é que já conseguiu mais que todos os anteriores fizeram que apenas engordaram e aumentaram "o monstro" do défice..

Este é o Portugal que quero do futuro - com menos Estado, com mais regulação.  Por exemplo, ainda hoje discutia no Facebook sobre o facto de não haver regulação nas vagas dos cursos das universidades, ao constatar que na minha área há mais de 20 mil arquitectos inscritos na Ordem e que o sector da construção está numa crise de tal forma que primeiro que o mercado absorva todos estes profissionais, vai demorar anos e anos. O Governo tem condições de regular ou de ter organismos que o façam o número de vagas desta profissão, por exemplo, pois é o Ministério que autoriza o funcionamento dos cursos, ou poderá criar um organismo que faça esse tipo de trabalho. É uma irresponsabilidade as universidades estarem a abrir tantas vagas de arquitectura. Ou de ensino. Ou de advogados. Porque são quadros, são cérebros, que ou emigram ou só uma pequena parte tem emprego na sua área garantido, pois não há emprego no país para todos.

Eu, por mim, ainda dou a este Governo tolerância. Acredito que Passos Coelho saberá ler e ouvir o que escrevem e dizem os cidadãos e os próprios militantes do seu partido. E que saberá fazer as correcções necessárias à sua proposta, mantendo a austeridade e cortes necessários, mas mudando a incidência sobre quem estes recaem e sobre a forma como os aplica.

Acima de tudo, como bem disse hoje Paulo Portas, cair o Governo agora era deitar fora todos os sacrifícios feitos até ao momento. E pior, era abrir portas aos irresponsáveis socráticos que ainda aí andam e que nos puseram neste estado - a alternativa que Seguro propõe é voltar à política de incentivos e apoios do Estado que Sócrates e os anteriores praticaram e que, como sabemos, não produziram crescimento económico (nos últimos dez anos raramente passou o 1% de crescimento) e aumentaram a nossa dependência dos credores externos ao ponto de obrigar à actual humilhante assistência externa dos credores corporizada na "Troyka" e que no fundo nos retira muito da nossa soberania, devolvida exame após exame e num espaço de tempo que não deve aumentar nem num montante que não deverá ser maior que o já negociado - sob pena de estarmos mais tempo sob o jugo da Troyka e de dependermos ainda mais deles financeiramente! Por isso é que eu entendo a "obstinação" do Governo em cumprir no prazo e no montante previsto o acordo de assistência: é que quanto mais depressa o for feito e dentro dos limites contratados, mais depressa seremos autónomos e nos veremos livres deles...

A questão que fica é se teremos desta vez aprendido a lição que não aprendemos nas duas anteriores vezes de assistência externa financeira e se mudamos a estrutura do orçamento português ou se tudo continuará na mesma rumo a nova intervenção cíclica... eu que estou prestes a fazer 40 anos e que assisto à primeira assistência externa financeira em adulto mas a 3ª na minha vida, gostaria que esta fosse de vez e a última... É preciso mudar Portugal, mesmo!

2012/06/28

E depois do adeus?

Depois, resta fazer a mala e orgulhosamente do que se fez, regressar a casa e esperar por Agosto para começar a época nova...

Sobre o jogo de ontem, agora mais a frio, chego a algumas conclusões.

Primeiro, que começamos a perder a eliminatória ainda na 2ª parte, com a entrada do Fàbregas que revolucionou a equipa espanhola e substituiu dinamicamente o muito estático Negredo. Desde a sua entrada que nunca mais nos entendemos nas marcações aos espanhóis que estavam a ser exemplares até então - pela primeira vez em muito tempo os espanhóis recorreram ao chuto para a frente em vez do tiki-taka e com uma posse de bola abaixo dos 60% - mais propriamente 57-43%!
Mas, como dizia, a entrada de Fàbregas não teve uma resposta à altura (talvez a entrada de Custódio nesse momento pudesse ter funcionado, talvez não...) e funcionou como um tónico para a moral espanhola - e o efeito inverso na portuguesa. O golo perdido (ou falhado...) em cima dos 90 minutos por Ronaldo terá sido o momento da verdade dos jogadores, acredito eu. Nesse momento, perdemos o jogo. Aquela oportunidade soberana terá sido o momento que terá quebrado animicamente a equipa.
Depois do final dos 90 minutos regulamentares, ainda mais se notou esse crescendo moral da Espanha e o baixar de braços de Portugal, o ficar sem pernas, o esperar que os 30 minutos extra passassem e viessem os penaltis.

Entretanto, a Espanha foi lançando jogadores depois do Fàbregas mas ainda no tempo regulamentar esgotou as substituições, e Pedro Rodriguez foi outro quebra-cabeças que foi aumentando a pressão espanhola. Por outro lado, Paulo Bento só mexeu a primeira vez aos 81' com Nelson Oliveira para o lugar de Hugo Almeida (que até ainda tinha pernas para vir ajudar a defesa...) numa substituição de efeito nulo e só no prolongamento é que lançou mais dois jogadores, aos 106' e aos 113', o que não serviu para refrescar a equipa nem sequer para pôr em campo especialistas nos penaltis (os 5 escolhidos eram todos titulares) e, como tal, o pior em campo ontem foi, para mim, Paulo Bento que não conseguiu responder às alterações cirurgicas e certeiras que Del Bosque fez, apesar do bom esquema que montou inicialmente como vimos atrás.

Depois, os penaltis. Uma lotaria. A bola que bate na trave e sai e a bola que bate no poste e entra. O penalti que o guarda-redes quase defende e o outro que o defende mesmo. A cara e a coroa. A sorte. E., desta vez, a sorte foi nossa madrasta.

No entanto, ao contrário da maioria dos portugueses, eu estou satisfeito. Não com a eliminação, evidentemente, mas com a prestação que tiveram no Euro2012 - quem me conhece e leu sabe que eu achava que não passaríamos da fase de grupo. Como passamos, passamos os quartos e nas meias nem o campeão do Mundo e da Europa no derrotou, precisando dos penaltis para nos afastar, tendo alguns dos portugueses sido claramente dos melhores jogadores do Euro2012 (nomeadamente Pepe, Moutinho e Ronaldo) logo só tenho razões para ficar satisfeito. Souberam honrar a camisola e voltar a casa, mesmo sem o título, como autênticos campeões.

Parabéns ao grupo. E comemoremos pois o que fizemos foi notável.

2012/06/24

O verdadeiro dia de Portugal

Cartaz 2012 de Vasco Bastos
É hoje. Lá longe, no longínquo ano de 1128, um jovem liderou uma escassa tropa de nobres do Alto Minho contra um mais poderoso exercito de Galegos, que representavam os interesses da mãe desse mesmo jovem.

Uma luta entre mãe e filho que acabou por criar uma nação. A nossa, Portugal.

Mas sem esta batalha, no campo de S. Mamede, sem o empenho de D. Afonso Henriques, que viria a ser o nosso primeiro rei e sem a sua batalha diplomática a seguir a esta batalha, nunca seríamos hoje um país com quase 900 anos de história.

E continuo sem perceber como é que se comemora o Dia de Portugal a 10 de Junho, uma data sem qualquer significado na história desta nação. Porque não a 9 ou a 11 de Junho? É a 10 porque sim, porque nada há na história desse dia que marque a nação simbolicamente como o dia 24 de Junho - ou até o 1 de Dezembro, dia em que recuperamos a soberania após um interregno de algumas décadas sob soberanos espanhóis. Nunca percebi e nunca vou perceber até que o 24 de Junho seja, finalmente, o verdadeiro Dia de Portugal. E espero ver isso acontecer ainda na minha vida...

2012/06/22

Quarto para as meias...

...e meias para a final!

Finalmente, Ronaldo parece estar a assumir o seu estatuto de desequilibrador e goleador que foram a sua marca nas últimas duas épocas de Madrid mas que, teimosamente, só a espaços o fez pela Selecção.

Agora, com este jogo, finalmente faz 2 jogos consecutivos de grande nível e onde marca 3 golos e vai já no seu 4º remate aos ferros das balizas.

E que falta estava a fazer este Ronaldo, pois nestes jogos a "matar". Porque se Pepe e Moutinho já desde o primeiro jogo contra a Alemanha se têm mostrado num nível extraordinário, ao juntar o "super" Ronaldo a estes dois fica a água na boca de quem "cheira" sonhos impossíveis.

Ronaldo hoje marcou e jogou bem.

Mas Moutinho foi enorme, em especial na 2ª parte, sendo dele o cruzamento do golo e boa parte dos passes de maior perigo. E Pepe esteve impecável a defender e sempre a empurrar a equipa para a frente, sempre a energizar os companheiros, um verdadeiro patrão!

Se nas meias finais continuarem a jogar assim, tudo é possível...

2012/06/17

Ainda estamos na fase de grupos...

...mas Portugal, para não variar, já joga nas eliminatórias!

Hoje, contra a Holanda, só ganhando poderá passar, logo já estamos nos 8 avos de final... Serão eles capazes de encontrar o Maniche do grupo de trabalho que afastará os vice-campeões do mundo?

Estou naquela fase do nem optimista nem pessimista. Temos bons jogadores que se conseguirem explanar o seu futebol, são capazes de tudo. Temos o melhor jogador europeu da actualidade. Mas não temos visto grande futebol nem nada do Ronaldo em campo, e não é deste europeu só, já vem de há uns largos meses a esta parte. Tudo pode acontecer, por isso. E para simplificar as contas, fica aqui a matriz com as probabilidades em função dos 3 resultados possíveis dos 2 jogos do grupo:




Isto é, há 4 resultados que nos apuram: a vitória ou empate conjugado com a vitória ou empate da Alemanha. Dessa forma, não há matemáticas nem mais coisas. Também há 3 resultados que nos eliminam sem mais delongas: o nosso empate com a vitória da Dinamarca ou a nossa derrota com a vitória ou empate da Dinamarca. E há ainda 2 resultados neutrais, isto é, que tanto nos podem eliminar com qualificar, em função dos golos marcados e sofridos pelas várias equipas, que é a nossa derrota e a vitória da Alemanha ou a nossa vitória e a da Dinamarca. Isto é, temos 4-3 em que nos qualificamos em 9. Mais logo, veremos como as coisas ficam...

2012/06/10

A primeira derrota...

...já cá canta. O meu pessimismo em relação à nossa participação começou por confirmar-se, com a derrota no jogo de abertura. Aliás, sejamos sinceros, quando Ronaldo diz que o empate já o satisfazia, quer dizer que a própria equipa não está crente em si mesma.

Evidentemente que as escolhas de Paulo Bento não ajudam. Deixar de fora Bosingwa foi um erro enorme. Estar a usar jogadores como João Pereira, Miguel Veloso, Nani, Postiga e Nelson Oliveira também não contribui com nada de positivo. Entrar em jogo cheio de cautelas é convidar a Alemanha a subir. E não gastar as substituições todas depois de uma época desgastante é também um erro, pois a equipa encontrava-se desgastada.

Apesar de tudo, esperava que a coisa corresse pior - não por nós, mas pelos alemães que esperava que pressionassem mais e atacassem mais os nossos pontos mais fracos: João Pereira que não defende bem, Miguel Veloso que é muito macio a trinco e Coentrão que sobe muito e não recupera bem. Felizmente, a Alemanha ainda está a olear a máquina e coisa escapou só com um golo - um falhanço defensivo, onde nem Coentrão nem Veloso cobriram o alemão que centrou e onde João Pereira se deixou antecipar por Gomez que, ao contrário dos nossos atacantes, não desperdiçou.

De resto, para mim o melhor em campo dos portugueses foi Moutinho, apesar dos bons 20 minutos de Varela, mas falhar (ou permitir a defesa...) naquele lance é imperdoável...

Ronaldo, nem se viu. A mais valia que ele é em Madrid, Paulo Bento não consegue "copiar" para a selecção. Podia ter aproveitado que o Mourinho estava lá e pedia-lhe uma dica...

E por falar em Ronaldo, o anti-Ronaldo à mesma hora nos EUA marcou 3 e derrotou sozinho (salvo seja!) o Brasil de Hulk, que voltou a marcar... E agora, de mão na calculadora, segue-se a Dinamarca, que tem de ser derrotada para continuarmos a pensar em avançar na competição. Eu cá continuo em estado "moderadamente pessimista" e não me acredito em grande resultado na próxima quarta...

2012/06/09

E hoje começa o circo...

...ou, na opinião de alguns, apenas continua o circo pois este já começou há umas semanas atrás!

Tendo, infelizmente, a concordar com o Manuel José, em particular no que toca à parte de que a selecção parece o Big Brother- de facto, até o antes "sagrado" balneário é agora aberto às câmaras e ao microfone da SIC e do abjecto Nuno Luz, só falta mesmo ir ao WC com os jogadores...

Pessoalmente, a mim, já me chateia todos os programas de "paineleiros" e directos do autocarro a chegar, do avião a partir, das conferências de imprensa diárias vazias de conteúdo e onde nada acontece ou é dito de relevante, autênticos "valium's" para adormecer adeptos... venha mas é a bola a rolar que é disso que o povo gosta (ou, pelo menos, é disso que eu gosto)!

Pessoalmente, como sempre, torço pelo nosso país, mas confesso que estou mesmo pessimista. A imagem de desconexão, de falhanços defensivos primários e de ataque inofensivo que demos nos últimos jogos realizados (particulares contra a Polónia, Macedónia e Turquia) perspectivam-me uma participação desastrosa quando do outro lado teremos adversários como a sempre todo-poderosa Alemanha e a sempre ultra-ofensiva Holanda - isto não esquecendo que na fase de qualificação claudicamos em grande contra a Dinamarca, quer em casa, quer fora...

Espero enganar-me. Mas temo que nos restará encontrar uma selecção para acompanharmos a partir de 17 de Junho que nos ficaremos por aí mesmo...

2012/05/26

A equipa de todos nós... (I)

Foi, sem dúvidas, um mau arranque da campanha. Um empate a 0 com uma selecção tão fraquinha como a da Macedónia, não é aquilo que se esperava.

Mas no fundo, é até positivo.

Porque, por um lado, baixa as expectativas e a fasquia que estava muito elevada para algumas pessoas, jornalistas em especial - ter Ronaldo, um dos melhores do mundo, não chega para sermos favoritos... Por outro lado, a melhor altura para falhar é agora: mais tarde, será tarde de mais... Ou seja, por um lado, retira peso dos ombros dos jogadores, por outro lado, permite ao seleccionador perceber que as coisas não estão bem e quais as que terão de ser melhoradas.

Do jogo de hoje, foi tão fraquinho e lento que algures na primeira parte adormeci e acordei já em plena 2ª parte com um telefonema, para pouco depois voltar a adormecer quase até ao final do jogo...

A ver se no próximo sábado a coisa corre melhor um bocado, porque este é o segundo jogo consecutivo que ficamos a zero e sem golos não se ganham jogos e sem ganhar jogos não se passa da fase de grupos... O que vale é que os nossos 3 adversários ainda fizeram pior que nós hoje! A Dinamarca perdeu com o Brasil e Hulk marcou 2 dos 3 golos, a Alemanha perdeu 5-3 (!) com a Suiça e até a Holanda perdeu em casa com a fraquinha Bulgária! E faltam 2 semanas para o primeiro jogo a sério...

2012/05/14

23

É hoje. Após pentear o cabelo com risca ao meio, sinto-me empossado da tranquilidade necessária para anunciar os "meus" 23!

É evidente que sei que estes não serão os 23 do Paulo Bento, porque ele se recusa a convocar o Bosingwa e não me acredito que os "lóbbis" de empresários o deixem convocar os 3 do Braga que eu utilizo. Mas se eu fosse seleccionador, estes eram a minha aposta. Jogadores jovens que querem mostrar o seu valor, sedentos de vitórias, e outros mais experientes. Alguns jogadores polivalentes, capazes de fazerem várias posições com rendimento elevado, como Carriço (central e trinco), Veloso (médio e defesa esquerdo) ou Bosingwa (defesa direito, central e trinco).

Guarda-redes:
1. Rui Patricio
2. Beto
3. Quim

Defesas:
4. Bosingwa
5. Miguel Lopes
6. Pepe
7. Bruno Alves
8. Rolando
9. Carriço
10. Coentrão
11. Miguel Veloso

Médios:
12. Moutinho
13. Meireles
14. Hugo Viana
15. Paulo Machado
16. Ruben Micael

Avançados:
17. Ronaldo
18. Nani
19. Quaresma
20. Varela
21. Hélder Barbosa
22. Hugo Almeida
23. Hélder Postiga

2012/04/25

25 Abril: em reconstrução

Imagem retirada do blog SVBARQ
Nos 38 anos da revolução do 25 de Abril, estamos a reconstruir o país. Uma nova geração de políticos (onde pontuam alguns ministros na casa dos trinta e pouco anos, nascidos depois desta Revolução) está a reconstruir o país depois do devaneio dos últimos anos.

E quando me refiro aos últimos anos, não é apenas ao espaço de tempo do anterior Governo, mas de facto, a todo o período em que, por causa dos ditos "direitos adquiridos" e por ninguém se lembrar dos "deveres consagrados" se destruiu um país fazendo do Estado o "pai" de tudo e de todos, sempre presente em todo o lado e sempre a dar todas as garantias a todos - e que apenas contribui com isso para se gastar mais do que aquilo que conseguia gerar de receitas e assim delapidar, grão a grão, direito adquirido a direito adquirido, as contas da Nação até quase à bancarrota.

O Portugal de hoje, 38 anos depois, é muito diferente daquele desse longínquo dia de 1974.

Está mais velho, com mais educação, com mais esperança de vida e com mais saúde. Com melhores índices em quase tudo. Um Portugal mais moderno, como bem mostrou hoje o Presidente no seu discurso. Mas é também um Portugal cheio de problemas que então não existiam e é por isso que esta nova geração de políticos está a reconstruir, a regenerar novamente o país. Porque nós, ao contrário da mais velha geração dos "direitos adquiridos", já percebemos (há muito tempo) que os direitos adquiridos só se podem manter em função da possibilidade do Estado os poder pagar! Sem dinheiro, não há festa (por mais que pense o contrário a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues), isto é, sem dinheiro não se podem manter os "direitos adquiridos" tal como são hoje e têm, por isso mesmo e por mais que isso possa doer a muitos, ajustados à realidade do país tal como ele é hoje.

Reconstruir o país, reconstruir as finanças do país, é também celebrar o 25 de Abril e a liberdade.