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2013/05/04

Macau [13] - Passeios de Macau

Esta é outra das heranças culturais que deixamos em Macau: a arte da calçada à portuguesa, bem trabalhada, que preenche milhares de metros quadrados das ruas e passeios de Macau, nas suas zonas mais nobres.

O passeio "onda" do Largo do Senado
Desde a clássica "onda" que preenche a praça de Senado (mas não só, estendendo-se pelo Largo e rua de S, Domingos) até aos passeios de praças, largos, ruas e avenidas como a Sé, Almeida Ribeiro, Praia Grande, Infante D. Henrique ou D. João IV, entre tantos outros locais, em todo o lado, aos nossos pés (literalmente) temos a nossa calçada bem executada e preservada.
E com motivos geométricos abstractos, tradicionais, mas também com muitos motivos marinhos, tão típicos da nossa cultura e decoração arquitectónica histórica.
Tenho me divertido muito a registar os motivos que tenho encontrado pelo chão de Macau, nem sempre fácil de fotografar devido à enorme densidade populacional que ocupa as ruas de Macau durante o dia, tendo já registado mais de uma dúzia de motivos diferentes (ver no Instagram ou no Facebook).

Deixo aqui alguns:

Doze dos motivos que encontrei nos passeios: animais do mar, vegetação, barcos e instrumentos ligados à coisa náutica...



2013/04/18

Inquérito para arquitectos, engenheiros e outros técnicos de obras / construções

No âmbito da minha dissertação de mestrado, ainda tenho a decorrer um inquérito, semelhante ao que aqui anunciei há uns dias, mas este apenas dedicados a técnicos de obras.

Ainda preciso de algumas respostas para o validar.

Uma ajuda aos meus colegas e amigos do sector da construção era bem vinda...

É rápido de preencher (5 a 10 minutos) e é anónimo.

Obrigado!


2013/03/25

Macau [9] - A Associação de Arquitectos de Macau

Ontem à noite, por um acaso, descobri que esta associação, o que equivalente à "nossa" Ordem dos Arquitectos (mas com a diferença da inscrição não ser obrigatória), está sediada a uns 5 quarteirões da minha casa.

Hoje de manhã fui então, em visita de cortesia, visitar a Associação dos Arquitectos de Macau que, muito simpaticamente, me ofereceu o número 19 da sua revista "am" (Arquitectura Macau) que muito apreciei.

Infelizmente, não estava nenhum dos membros da direcção, mas fiquei já com o contacto do colega Rui Leão que irei em breve contactar para uma conversa sobre a AAM e sobre o que é ser arquitecto em Macau nos dias de hoje, que espero poder mais tarde retratar aqui.

Entretanto, fica o site da revista am onde não se pode encontrar este exemplar, como ainda alguns outros anteriores.

Capa do exemplar gentilmente oferecido

2013/03/21

Dia Mundial da Poesia

Neste dia da poesia, juntei a poesia à "minha" arquitectura.

Nada melhor que pôr o maior poeta dos arquitectos, porque tantas vezes a sua arquitectura era poesia de betão construída, o recém-falecido Óscar Niemeyer, a versar no Poema da Curva:

Não é o ângulo recto que me atraiNem a linha recta, dura, inflexível,Criada pelo homem.O que me atrai é a linha curva e sensual,A curva que encontro nas montanhasDo meu país,No curso do mar,No corpo da mulher preferida.De curvas feito todo o universo,O universo curvo de Einstein.

Podem ver o video onde o arquitecto narra o seu poema aqui.

2013/03/20

Macau [7] - A Sky Tower de Macau

Aproveitando a manhã ensolarada no meio de algumas nuvens (sim, porque ao fim da tarde choveu, isto parece Angola climaticamente falando) hoje o meu objectivo da volta da manhã (prescrição médica, sff...) foi subir bem alto.

E para se subir bem alto, em Macau, há que ir ao edifício mais alto, a Torre de Macau ou a Macau Sky Tower. Torre esta com 338 metros de altura, sendo a 22ª mais alta do mundo na actualidade, da autoria dos Arquitectos Gordon e Craig Moller e inspirada na de Auckland, Nova Zelândia (também da autoria deles) e cuja obra foi iniciada em 1998 e aberta ao público em 19 de Dezembro de 2001.

Os principais destaques são, para além da enorme e fantástica panorâmica que se obtém desde os andares superiores, o restaurante rotativo (360º) e ainda para os mais ousados/as o bungee-jumping desde a plataforma a 233 metros de altitude... para loucos/as com adrenalina total, uma queda de cerca de 4 a 5 segundos onde se atinge os 200 km/h. Por mim, fico satisfeito somente com a vista fantástica que se tem da torre...




A praça onde fica a torre de Macau

A Avenida da Praia Grande e o Lago Nam Van





A igreja da Penha (não, não é a de Guimarães, é a de Macau que tem também o mesmo nome) ao centro da fotografia



A nova ponte que liga Macau à Taipa







Outra das atracções são pequenos segmentos de vidro onde podemos ver desde o piso da torre até ao chão, mais de 200 metros de altitude. Ou os meus são grandes ou é tudo muito pequenino lá em baixo...

E aqui estou eu, a cerca de 230 metros de altitude, com Macau em pano de fundo!

Só para se poder subir a esta torre (130 Patacas, 13 € ou 185 Patacas com buffet incluido no restaurante rotativo) vale a pena a viagem a Macau, é como ir a Roma e não ver o Papa. Obrigatório!

2013/03/11

Macau [1]

Tendo chegado a Macau cerca da meia-noite local e após viagem de quase 24 horas (aviões de Porto-Lisboa-Dubai-Hong Kong e ferry para Macau) que é cansativa qb facilitou-me a integração imediata no fuso horário de cá (+8 horas até que a hora mude em Portugal, depois passarão a ser "apenas" 7 horas de diferença) com uma valente soneca até sábado de manhã. Ser fim de semana também ajudou porque assim fui descansando um pouco.

O tempo de estadia é, para já, curto, algumas semanas até Abril. Depois o futuro é um livro aberto...

Entretanto, já dei umas caminhadas valentes aqui por Macau (cerca de 15 Km) que me ajudaram a relembrar e redescobrir um pouco da cidade que visitei alguns dias no já longínquo ano de 1997, em Setembro.

Mais para a frente, fotos antigas.

Por hoje, algumas novas, entre as quais a do "Mercado Vermelho" do Arquitecto Manuel Vicente que faleceu na passada sexta-feira, como aqui dei conta e deixei o documentário.

Mercado Vermelho (ao fundo da Av. de Horta e Costa) do Arq. Manuel Vicente

Vista do meu 26º andar...

Aspecto de um mercado de rua (e há muitos)

Prédio com igreja na Av. de Horta e Costa

Prédio sobre prédio...

Ruas de Macau

(fotos do meu álbum no Facebook "Macau (2013)" em actualização permanente)

2013/03/10

"Hoje a arquitectura é muito igual: é tudo a mesma coisa!"

"Hoje a arquitectura é muito igual: é tudo a mesma coisa!"

Assim intitulava, há quase dois anos, o Público uma entrevista a Manuel Vicente, o "arquitecto de Macau", onde ele longamente explanava as suas ideias e visões sobre a Arquitectura.

Falecido agora, curiosamente coincidiu com a minha chegada temporária a Macau, onde irei por cá procurar alguns dos testemunhos da sua obra (que já vi num documentário da RTP 2 do ano passado).



Habituado que estou a deambular por antigas colónias portuguesas, percebi já há muito que em todas elas há arquitectos que as marcaram - cidades desenhadas, pensadas, imaginadas por uma alma lusa que soube deixar a marca lusitana em tão distantes locais sem obliterar o existente, deixando assim pérolas de arquitectura, urbanismo, um legado único para a humanidade.

Foi assim em Luanda, no Lobito, no Lubango.

Mas foi assim também em Macau. E Manuel Vicente era, talvez, o homem que mais marcas deixou ao longo de várias décadas nesta cidade. Paz à sua alma, que a sua obra será sempre recordada e vivida!

Foto Público

2013/01/28

Os arquitectos, a OA e o Governo

Ao ler a entrevista que o presidente da OA deu ao Expresso este fim de semana, fiquei espantado com o título: "Os arquitectos estão zangados com o Governo"!

De facto, é preciso ter lata para vir dizer uma coisa destas - mais palavra, menos palavra, que nisto dos títulos os jornalistas são, vá lá, muito "criativos" - ou então estar alheado da realidade.

Os arquitectos andam zangados? Sim. Mas muito mais consigo, caro colega, do que com o Governo. Em especial, este, que levou com um país-bomba na mão e que tem agora de resolver o problema dos arquitectos (e, já agora, de outras classes profissionais do sector) que os anteriores Governos e as Ordens (não exclusivamente a dos Arquitectos) criaram ao longo dos últimos 10 a 20 anos entre tantos outros e se calhar tão ou mais urgentes problemas...

Porque estaria eu zangado com este Governo se o problema já vem muito antes dele? Não emigrei eu já em 2006? Porque razão o fiz? Para ir conhecer as praias de Angola? Não me parece... Terá sido, isso sim, porque a crise já se notava no sector da construção, logo no sector dos serviços de arquitectura. E em 2008 alastrou ao sector do imobiliário, com os bancos a deixarem de financiar a compra e a aumentarem os juros e spreads progressivamente, dando assim a machadada final no sector. Que fez a OA neste anos? Zzzzzzzzzzzzz...

É certo que os arquitectos gostaram de Sócrates - ou, mais concretamente, é certo que cerca de 100 arquitectos e os seus ateliers gostaram da "festa" das escolas de Sócrates e da Maria de Lurdes - mas isso apenas veio ajudar os maiores gabinetes a manterem-se abertos, porque dos pequenos, como eu, que trabalho "a solo" ou em pequenas parcerias, nem migalhas... Mas, como ficou demonstrado nas audições parlamentares à "festa" da Parque Escolar, isso foram cerca de 100 escritórios de arquitectura que beneficiaram no país todo. Dando de barato que cada um tem 2 arquitectos, seriam pouco mais de 200 arquitectos pela "festa". Sabendo que há cerca de 20.000 inscritos na OA, isso representa uns meros 1% dos associados. Os outros 99%, ficaram a assistir e a pagar a "festa" com os nossos impostos...

Aos anos que se sabe que há arquitectos a mais.

Em 1996, quando eu me licenciei, recebi o número 6574. Hoje já ultrapassam os 20 mil (penso que até já são mais de 22 mil inscritos). À época, meados dos anos 90, havia trabalho para todos e havia sítios do país com poucos ou nenhuns arquitectos. Mas por volta do ano 2002 as coisas começaram a piorar - crises económicas iniciaram com o Governo de Guterres (quem não se lembra da criação do Pagamento por Conta da Manuela Ferreira Leite e do país de tanga de Durão Barroso?) e aprofundaram-se ao longo da década seguinte, apenas camuflada pelo investimento público (selectivo, como vimos atrás) promovido em particular pelo Governo de Sócrates. Julgo, por isso, que o número ideal de arquitectos para Portugal deverá rondar os 10 mil, cerca de 0,1% da população do país. Pelo menos, a uma média de 800 arquitectos por ano que foram saindo das universidades, esse deveria ser o número de arquitectos que havia por volta do ano 2000, quando todos tinham trabalho e, apesar de não sermos muito bem pagos, sobrevivíamos.

E que fez a OA quanto a esse assunto? Dificultou o acesso à Ordem com mais exames e cursos, mas nada fez quanto à proliferação de cursos de Arquitectura. E que fizeram os Governos? Autorizaram a abertura de mais cursos e mais vagas em Arquitectura. (Em comparação, o que diz a Ordem dos Médicos sobre novos cursos e mais vagas? Não...)

Agora, o presidente da OA vem dizer que os arquitectos andam zangados com o Governo.

É evidente que ninguém, arquitecto ou não, está satisfeito com o que se passa. Mas tão evidente quanto isso é que o Governo não tem, neste momento, dinheiro para nos pôr a trabalhar, directa ou indirectamente - isto é, lançando obras públicas ou financiando/comparticipando obras particulares. Por isso é um absurdo achar que este Governo tem de resolver, já, o problema que os anteriores Governos - com a CUMPLICIDADE e PARCERIA da OA - criaram.

É evidente que o mundo onde vive o presidente da OA é outro. Quanto mais não seja, as senhas de presença que receberá enquanto presidente da OA (34.545,00€, segundo o Orçamento da OA para 2012) devem ser superiores ao que 90% dos arquitectos portugueses auferem num ano de trabalho normal. Mas, pelo menos, pedia-se ao presidente menos frases baratas, menos frases feitas e muito mais actividade: por exemplo, fechando a "torneira" das universidades (assunto sobre o qual não me lembro de ver ou ouvir a OA dizer nada há muito tempo) e actuando mais em parceria com o Governo de forma a exportar o nosso sector de serviços - exportar mesmo, não como fazem alguns dos grandes nomes da arquitectura portuguesa que numa entrevista dizem estar cheios de trabalho "lá fora" e ao mesmo tempo dizem que estão a ponderar encerrar os gabinetes em Portugal por não terem trabalho, sinal de que o serviço de "lá de fora" não é feito cá em Portugal, logo não há exportação de serviços, há execução de trabalhos em filiais estrangeiras, sediadas noutros países e, provavelmente, com arquitectos estrangeiros a trabalharem lá - como forma de aumentar a autonomia e rentabilidade dos arquitectos em Portugal.

É que reconhecer que não há dinheiro no Governo para as obras e achar que se pode encomendar os projectos ("não custa mais de 3% ou 4%" do valor da obra) é de quem não tem consciência de como as coisas funcionam... Os projectos fazem-se quando há uma obra a fazer, a obra faz-se a partir de uma necessidade específica de um determinado momento - e mesmo assim, entre o momento em que o projecto é feito e o momento em que a obra começa, esse espaço de tempo é o bastante para se alterar, por vezes radicalmente, o projecto, imagine-se então o que seria fazer um projecto hoje para uma obra que poderia vir a ser executada apenas daqui a 5 anos: a legislação do sector profissional onde se insere a obra pode mudar, o PDM do local pode mudar, as necessidades espaciais podem mudar (por exemplo, prever uma escola para 2000 alunos e depois, devido às migrações, ter apenas 1000 alunos...) e tudo pode mudar! Foi assim que este país chegou a este ponto de pré-falência: a atirar dinheiro para cima da fogueira dos problemas; queimado o dinheiro, o problema mantém-se! É inadmissível que o presidente da OA venha dizer estas coisas em público. Nestes momentos, tenho quase tanta vergonha de ter um presidente assim como muitos advogados têm de ter um bastonário como o deles...

Perdoem-me este desabafo que já vai longo, mas ler este tipo de discurso por parte de quem é parte do problema e nada faz para encontrar soluções, tira-me do sério! O que vale é que, a ver pela reacção nas redes sociais, não sou o único a pensar assim - diria mesmo mais, o presidente da OA é que é a ilha no meio do oceano...

2012/12/06

RIP Óscar Niemeyer, 1907.12.15 - 2012.12.06

A vida pode ser um LONGO sopro.

Niemeyer, 104 anos, a 9 dias de completar os 105, partiu.

Trabalhou, no seu atelier, quase até ao fim dos seus dias. A obra fantástica que legou à humanidade ficou, para sempre, Brasília (na foto ainda em obra) a sua marca maior.

Obrigado.

2012/10/27

4 mandamentos para as cidades do futuro

Eu, por mim falo, mas já tenho a cabeça no pós-eleições autárquicas quando a equipa da qual sou uma pequenina peça passar a liderar a Câmara Municipal de Guimarães. Vamos encontrar uma cidade com imensos problemas por resolver e com muito pouco dinheiro e uma enorme dívida para produzir soluções. Por isso, tento pensar "out of the box", e por isso tenho andado a estudar coisas que se fazem lá fora. E encontrei este pequeno vídeo do TEDtalks com Eduardo Paes, o presidente de uma das maiores cidades do mundo, o Rio de Janeiro.

E nesta conferência TEDtalks ele aborda aquilo a que chamou de "Os 4 mandamentos das cidades" do futuro. E mostra exemplos de como o Rio de Janeiro está já a aplicar esses mandamentos, com baixos custos e bons resultados. Na senda de Jaime Lerner (presidente da câmara de Curitiba) que revolucionou a forma de planear as cidades, também este homem tem uma conferência inspiracional que nos permite perceber que nem sempre com muito dinheiro se resolvem os problemas das cidades - muitas vezes, é mesmo com pouco dinheiro que as cidades são uma solução porque só assim se conseguem encontrar as soluções mais eficazes para os problemas da cidade.

São 12 minutos onde Eduardo Paes nos apresenta os seus 4 mandamentos:
#1 - A cidade do futuro tem de ser ambientalmente amigável.
#2 - A cidade do futuro tem de lidar com a integração e mobilidade dos seus habitantes.
#3 - A cidade do futuro tem de ser socialmente integrada.
#4 - A cidade do futuro tem de usar tecnologias para estar presente.

Melhor que os ler, é ver a apresentação:

 

Mas também a conferência de Jaime Lerner é muito interessante e inspiradora. Vale a pena ver esta também. Porque mostra que mais que o dinheiro atirado para a fogueira dos problemas, a verdadeira solução está em pensar, inovar e não fazer o mesmo que foi feito durante anos e anos e que, apenas, nos colocou no ponto em que estamos hoje. Como ele disse, "a criatividade começa quando cortamos um zero ao orçamento" e "se tirarmos dois ainda é muito melhor". Aqui fica a apresentação:

2012/10/13

Julius Shulman, o fotografo de Frank Lloyd Wright

FL Wright (8 de junho de 1867 - 9 de abril de 1959) foi um dos mais conhecidos e mais inspiradores arquitectos da modernidade. Mas muito da sua fama advém das fotos que espalharam e imortalizaram as suas obras, nomeadamente as suas casas. E o autor de quase todas elas foi este senhor, Julius Shulman (10 de outubro de 1910 - 15 de julho de 2009).

Ver, por isso, as fotos de Shulman permite não só apreciar algumas das melhores obras modernas de arquitectura, precursoras de um estilo que ainda hoje é apreciado e seguido, como ainda de poder apreciar algumas das fotos de arquitectura tecnicamente mais bem executadas e que são também elas, ainda hoje, inspiradoras de muitos dos actuais fotógrafos.

Podem ver inúmeras fotos dele aqui na pesquisa de imagens do Google. As suas fotos podem ainda ser encontradas em inúmeros livros, nomeadamente da Tashen.

Entretanto, ficam aqui algumas das mais icónicas fotos dele:




2012/10/01

Dia Mundial da Arquitectura


É hoje, 1 de Outubro.

No mundo, festeja-se, celebra-se, comemora-se este dia.

Em Portugal, pelo menos a norte, a Ordem dos Arquitectos vai prolongar o dia pelo resto do mês com o Arq Out, um programa de actividades que durante todo o mês terá  actividades diversas no grande Porto para promover a arquitectura.

Em todo o caso, o meu post hoje tem mais a ver com o alerta este dia deveria ser. Porque, na realidade, mais do que comemorar, hoje deve ser um dia para alertar a sociedade dos problemas que esta classe, que é a minha, enfrenta.

Há mais de 20 mil profissionais no país. Cujo sector da construção atravessa a mais grave crise de que há memória. Só para se perceber o pouco que se constrói em Portugal hoje, fica um exemplo: estou a tratar da legalização de uns muros de uma casa construída em 1997; quando consultei o processo original da casa, de 1997, vi que havia entrado em Setembro e era o processo n.º 5980 da CM de Guimarães; em Maio passado, dei entrada de um processo de licenciamento, com o n.º 180... ou seja, em 9 meses de 1997 havia quase 6000 licenciamentos e este ano em 5 meses havia menos de 200...

No entanto, continuam a sair anualmente centenas de novos arquitectos das dezenas de cursos que estão a ser ministrados nas universidades portuguesas.

Já alguém parou para pensar nisto um pouco? Os pais dos jovens que lá entram hoje não vêm o que se passa, não lêem jornais, não vêem as noticias? O Ministério não vê o que se passa? E a Ordem não consegue fazer nada sobre o assunto que não seja criar mais e mais dificuldades em entrar na Ordem? Que país é este que continua a formar profissionais cujo futuro na sua imensa passa por emigrar ou encontrar trabalhos em áreas diferentes da arquitectura e nada faz para corrigir isso?

Que futuro para os arquitectos portugueses em Portugal? Ganham prémios internacionalmente, são conceituados, mas no próprio país não só são vistos, na sua maioria, como os "gajos que fazem uns desenhos e cobram uma pipa de massa" como não temos quase serviço hoje em dia. A regeneração urbana não avança porque, por um lado, o Estado não tem dinheiro para regenerar os espaços públicos e por outro lado os privados ou não têm dinheiro para avançar com projectos de investimento ou não têm confiança para investir, sabendo que os bancos quase não emprestam para crédito à habitação e que com o desemprego e falta de confiança na economia poucos têm coragem e possibilidade de comprar hoje em dia.

É uma encruzilhada o futuro da arquitectura em Portugal. Hoje não é dia para comemorar nada. Hoje, para mim, é dia para reflectir sobre o nosso futuro: enquanto classe, enquanto profissionais e enquanto país!

2012/09/22

Ainda da regeneração e reabilitação urbana

Algumas conclusões a que cheguei depois de assistir ao Seminário Internacional de Regeneração e Reabilitação Urbana.

1. Há muita confusão entre REGENERAR e REABILITAR e outras palavras como requalificar e reconstruir. São tudo conceitos próximos e parecidos, mas não iguais e sinónimos. Obras como a REQUALIFICAÇÃO do Largo do Toural e Alameda em Guimarães foi, subrepticiamente, apresentada como REGENERAÇÃO. Obras como a RECONSTRUÇÃO do Chiado em Lisboa foi apresentada, subrepticiamente, como REABILITAÇÃO. Não o foram assim designadas nos documentos oficiais nem elas correspondem ao que quiseram, para o efeito, os oradores fazê-las passar.

2. Reabilitação pode ser dos espaços públicos ou do edificado, podendo este ser público ou privado. Normalmente não há investimento privado sem que o público não avance primeiro com a reabilitação do espaço público e por vezes até que crie pontualmente novos equipamentos públicos em edifícios reabilitados. O problema é que hoje não há dinheiro para o investimento público e não há crédito para o investimento privado e não há procura suficiente para rentabilizar os investimentos. E o problema da "Lei das Rendas" continua por resolver...

3. Regeneração depende das políticas e planeamento, sendo que o planeamento político é fraco e quase inexistente.

4. Regeneração pode ser casual e fragmentada, sendo que nestes casos não resulta porque se destina normalmente "turistificação" e à "museificação" dos espaços, deixam de ser para quem os habita e passam a ser para quem os visita, perdendo com isso a vida própria dos espaços e a sua característica própria.

5. O conceito "shrinking cities" vai passar a ser mais usado e ouvido falar no futuro. Se há cada vez menos gente nas nossas cidades (Porto perdeu 90 mil pessoas em 20 anos, Lisboa perdeu 250 mil pessoas nesses 20 anos) então há edificado a mais, que muitas vezes é melhor substituido por um vazio do que por outro edifício novo - a Alemanha tem usado esta teoria para refazer cidades do leste alemão com algum sucesso.

6. As cidades em Portugal com centro histórico estão a sofrer do efeito de "cidade donut", ou seja, os seus centros esvaziaram-se e nas radiais desenvolveram-se vários novos centros, pólos de atractividade que a "cidade do automovel" ajudou a consagrar.

7. Tem de haver uma mudança de paradigma na construção da cidade: tem que se fazer cidade a partir da cidade (existente) e não sobre a cidade (existente) como durante milhares de anos aconteceu (cidades por camadas "geológicas").

8. A cidade tem de ser feita COM as pessoas e não apenas PARA as pessoas. A participação através de consultas à população ou através dos orçamentos participativos vão ser, sem qualquer dúvidas, cada vez mais frequentes no futuro.

2012/09/20

Seminário Internacional de Regeneração e Reabilitação Urbana

Assisti hoje à primeira parte deste seminário com um tema muito interessante, porque aborda, talvez, a única coisa que poderá funcionar na indústria da construção em Portugal nos próximos 10 anos...

No entanto, este seminário é melhor no papel do que na realidade. Isto é, quem leu o programa pensou que ia ter Souto Moura e Siza Vieira a falar sobre estes assuntos cruzando-os com os seus trabalhos e, afinal um está no estrangeiro e outro está em convalescença e nenhum participou.

Para além disso, também Rui Rio não foi, pelo que das "estrelas" sobrou Rui Moreira e num seminário organizado por arquitectos e engenheiros, as melhores intervenções (de longe) foram de um geógrafo (Rio Fernandes) e de um economista (Carlos Martins) pois foram aquelas que não só puseram o "dedo na ferida" como também mais pistas deixaram para estes temas.

Por outro lado, a intervenção que Siza (não) fez através de um seu colaborador na intervenção que fez no Chiado, versava muito mais na reconstrução do que na regeneração e menos ainda do que na reabilitação. Espero que amanhã de manhã, na conclusão do seminário, pelo menos no painel "política" ainda possa assistir a boas intervenções. Espero com alguma ansiedade a do engenheiro Paulo Cruz que deverá versar a CEC2012, pois para além de seu administrador, era até assumir esse cargo o presidente da Escola de Arquitectura da UM que esteve muito ligada a uma das principais (e polémicas) obras deste evento, a requalificação do Largo do Toural (e mais uma vez aqui se foge um pouco ao tema, apesar da proximidade do mesmo)...

Uma última palavra para o local da conferência: a simbólica e icónica Casa da Música, na sua Sala 2. Não é confortável, não é o local para se fazer uma sessão de tantas horas - as cadeiras são perfeitamente disformes, não têm apoio de braços, ficam a 1/3 das costas, são duras... ainda estou "dorido" do dia todo lá sentado! É melhor escolherem um verdadeiro auditório de conferências, que há muitos no Porto, do que isto - o simbolismo do edifício não justifica tal tortura!

2012/08/14

COB - Colégio de Especialidades de Gestão, Direcção e Fiscalização de Obras da Ordem dos Arquitectos

No âmbito dos estatutos da OA, esta tem vindo a promover a criação de colégios de especialidade que "a partir de áreas no domínio da Arquitectura com características técnicas e científicas particulares, que assumam importância cultural, social ou económica e impliquem uma especialização do conhecimento ou da prática profissional. ".

Assim, neste momento estão já em actividade ou em instalação os colégios de Urbanismo, Património Arquitectónico e este referido COB.

E o que é o COB?

O Colégio de Especialidade de Gestão, Direcção e Fiscalização de Obras (COB) foi criado em 2010, implementado em 2011 e encontra-se em fase de instalação.

O COB tem as seguintes finalidades:
* contribuir para a valorização profissional e a correcta actuação deontológica no sentido de melhor servir a sociedade;
* acompanhar, promover e divulgar a actividade dos arquitectos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* fomentar o estudo e a investigação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* estimular a aproximação às empresas de construção, o diálogo interdisciplinar e o mútuo conhecimento das práticas profissionais que concorrem para a qualidade da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* coadjuvar as entidades competentes para a avaliação técnica dos profissionais que capacitam tecnicamente as empresas de construção, designadamente nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* fundamentar a tomada de posições da Ordem dos Arquitectos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras, em especial quando se trate de solicitações de entidades públicas com competência na matéria;
* estreitar os laços de cooperação de Portugal com outros países, designadamente com os da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* apoiar as acções de formação permanente desenvolvidas pela Ordem dos Arquitectos ou por outras entidades nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o registo sistemático de arquitectos cuja actividade incida nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.

O COB tem as seguintes atribuições:
* defender os interesses profissionais dos arquitectos que intervêm nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o intercâmbio de ideias e experiências com organismos afins, nacionais, comunitários ou de outros países, e acções de cooperação interdisciplinar nos âmbitos da formação, da investigação ou da prática profissional que digam respeito aos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* organizar reuniões científicas, seminários e cursos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* organizar e desenvolver serviços de arquivo, documentação e informação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* assegurar o registo sistemático dos arquitectos cuja actividade incida nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.
* promover e patrocinar a edição de publicações conformes aos seus objectivos e que contribuam para um melhor esclarecimento público sobre as implicações e relevância dos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o aperfeiçoamento das regras de cariz deontológico;
* colaborar com os órgãos docentes e discentes das universidades, institutos e outros graus de ensino em todas as iniciativas que visem a formação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* assumir funções de representação e intervenção nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras, sempre que solicitado pelo Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos;
* prestar colaboração a entidades oficiais ou de interesse público nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.

O seu funcionamento está definido no Regulamento do Colégio.

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Noticia sobre a criação do COB.
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Só me falta dizer que, desde Junho passado e com muito orgulho, sou o associado n.º 10 deste Colégio.

2012/05/23

Imagens [30]: Porto

Ontem tive de ir ao Porto.
No meio das voltas que tive de dar, aproveitar para iPhotografar (!) várias coisas. O Porto é uma cidade linda para fotografar... Algumas estão também disponíveis no Instagram (kik: @nunosl).

Sé do Porto

Vista do Porto (Vimara Peres em 1º plano e Clérigos ao fundo)

Vista do Porto

Casa dos 24 (projecto de Fernando Távora)

Vista do Porto

Vista do Porto

Sé (pórtico da entrada lateral)



Vista de Gaia (desde o Terreiro da Sé, em baixo o Largo e torre da Igreja do Grilo

Vista do Porto

Coliseu do Porto (projecto de Cassiano Branco)

Palácio da Bolsa (Praça do Infante)

Cais da Estiva

Cais da Estiva

Ponte D. Luís (vista do Cais da Estiva)

Largo do Terreiro

Mercado Ferreira Borges (Praça do Infante)

Câmara Municipal do Porto (Avenida dos Aliados)