2012/09/19

14610 dias...

...aqui na Terra ou 40 anos, se preferirem!

Já é uma longa história. Mas espero que ainda tenha muito mais para contar... ;)

2012/09/16

Que Portugal queremos?

Tenho resistido a comentar, de cabeça quente, os desenvolvimentos dos últimos dias, da última semana, em Portugal após mais uma positiva avaliação dos nossos credores ao nosso programa de assistência financeira.

Tudo porque eu próprio me sinto confuso e dividido com o que se passa.

Primeiro porque não sei, não vejo alternativa credível para o que actualmente se passa quanto à contenção financeira que vivemos e necessidade de alterar estruturalmente o nosso país, de mudar hábitos de vida e de consumo. Por mais que as pessoas não queiram perceber ou se tenham esquecido, Portugal viveu durante os 6 anos do consulado de Sócrates do crédito: a nossa economia não produzia nem crescia o suficiente para gerar receitas para o Governo fazer todas as obras que fez nesse período de tempo, tendo para isso recorrido a várias formas de crédito (de empréstimos obrigacionistas a negociação directa de dívida com outros países) que fez com que o país, no seu todo, tivesse ficado a dever muito mais dinheiro do que aquele que alguma vez conseguiria gerar para pagar de volta os credores - para quem não se lembrar, a dívida pública era em 2004 de 90 mil milhões e em 2011 de 175 mil milhões - ou seja, quase duplicou nesse período de governação... Ora, como todos sabemos, quando pedimos emprestado temos de pagar de volta sob pena de perdermos os bens adquiridos (e até outros se estes entretanto se desvalorizarem) mas como neste caso os bens não são móveis nem sequer transportáveis (trata-se de escolas, estradas,  hospitais, coisas assim) tudo se complicou. Mais ainda quando se sabe do tipo de negócio (as famigeradas PPP's e a Parque Escolar e outras coisas que tais) que foram utilizadas para se investir - coisas que não geram receitas, que não se pagam nem são auto-sustentáveis.  E negociadas da maneira que sabemos...

Depois, porque não vendo alternativa, também não sei se esta é a melhor maneira de o fazer. Daí perceber bem as manifestações de ontem - mais do que outra coisa qualquer, foi o perder a esperança que muita gente ontem manifestou (outros, os mascarados dos petardos, tomates e garrafas atiradas às autoridades, foi o renascer da esperança de pela força fazerem a tão sonhada "revolução"...) e foi abrir a válvula da pressão acumulada neste último ano de tantos sacrificios feitos por todos - como dizia já Sá Carneiro, algures no pós-revolução, os "homens só se determinam e animam quando sabem o porquê e para quê dos sacrifícios que lhes pedem" - e também uma mensagem ao Governo sobre as últimas medidas tomadas.

Sim, porque aquilo que mais quebrou psicologicamente os portugueses - e por mim também falo - foi pedir mais sacrifícios a uns e liberar outros desses sacrifícios, isto é, a questão do aumento dos descontos da segurança social para os trabalhadores e a diminuição da TSU para as empresas. Percebo ambas as ideias, mas discordo de uma delas. Sei que a taxa da segurança social tem de aumentar para os trabalhadores (é matemática simples e pura: somos cada vez menos a trabalhar por diminuição de emprego e de população activa com idade para isso, há cada vez mais apoios sociais como reformas, subsídios de desemprego e RSI's a pagar, logo é evidente que cada um tem que contribuir com mais) mas o momento não é o ideal, menos ainda no valor proposto (mais 60%  de uma vez). Por outro lado, percebendo a ideia que está por trás da proposta das empresas pagarem menos TSU, julgo que no momento em que se pede sacrifícios a todos não se pode dizer a um grupo em particular que esses não têm de fazer sacrifícios e até recebem um bónus. Isso foi o choque. Felizmente, do que vou percebendo das várias declarações dos membros do Governo, há espaço para em Concertação Social os empresários abdicarem dessa baixa de valor e dessa forma os trabalhadores "apenas" terem de contribuir com a diferença daí  resultante.

Mas como entretanto o mal está feito, agora será preciso mais para "adoçar" a boca de todos para se sentirem mais satisfeitos. Para encontrarem novamente determinação de realizar os sacrifícios pedidos e necessários.

Daí a minha pergunta: que Portugal queremos?

Aquele que Mário Soares, Manuela Ferreira e todos os dessas gerações nos trouxeram até aqui? São esses os sábios e experientes que nos vão ajudar a sair deste buraco onde nos meteram? Não brinquem comigo...

Ou queremos um diferente, que esteja a mudar estruturalmente o país, apesar da Constituição que temos? É experimental, sim. Pode não resultar, é verdade. Mas entre as experiências de 1974-2011 e isto, eu ainda prefiro isto. O Estado tem e está a emagrecer. Ainda não está tudo feito, mas este Governo tem apenas um ano de vida! Esperavam resolver os problemas conjunturais e estruturais de mais de 30 anos de má governação e opções com um ano de Governo? São utópicos ou lunáticos, então. Já li e ouvi várias pessoas dizerem que isto não se resolve numa legislatura, nem numa década e só muito dificilmente se resolverá numa geração (ou seja, 25 anos) e concordo em absoluto. A questão é que em 37 anos de Governos as coisas só pioraram. E este Governo, para o bem ou para o mal, teve a coragem de iniciar cortes onde a factura era mais pesada: nos ordenados que paga aos seus mais de 700 mil funcionários, nas áreas cujo peso é maior na factura anual (saúde, educação, obras públicas) e apesar de ainda ter muito caminho a percorrer, a verdade é que já conseguiu mais que todos os anteriores fizeram que apenas engordaram e aumentaram "o monstro" do défice..

Este é o Portugal que quero do futuro - com menos Estado, com mais regulação.  Por exemplo, ainda hoje discutia no Facebook sobre o facto de não haver regulação nas vagas dos cursos das universidades, ao constatar que na minha área há mais de 20 mil arquitectos inscritos na Ordem e que o sector da construção está numa crise de tal forma que primeiro que o mercado absorva todos estes profissionais, vai demorar anos e anos. O Governo tem condições de regular ou de ter organismos que o façam o número de vagas desta profissão, por exemplo, pois é o Ministério que autoriza o funcionamento dos cursos, ou poderá criar um organismo que faça esse tipo de trabalho. É uma irresponsabilidade as universidades estarem a abrir tantas vagas de arquitectura. Ou de ensino. Ou de advogados. Porque são quadros, são cérebros, que ou emigram ou só uma pequena parte tem emprego na sua área garantido, pois não há emprego no país para todos.

Eu, por mim, ainda dou a este Governo tolerância. Acredito que Passos Coelho saberá ler e ouvir o que escrevem e dizem os cidadãos e os próprios militantes do seu partido. E que saberá fazer as correcções necessárias à sua proposta, mantendo a austeridade e cortes necessários, mas mudando a incidência sobre quem estes recaem e sobre a forma como os aplica.

Acima de tudo, como bem disse hoje Paulo Portas, cair o Governo agora era deitar fora todos os sacrifícios feitos até ao momento. E pior, era abrir portas aos irresponsáveis socráticos que ainda aí andam e que nos puseram neste estado - a alternativa que Seguro propõe é voltar à política de incentivos e apoios do Estado que Sócrates e os anteriores praticaram e que, como sabemos, não produziram crescimento económico (nos últimos dez anos raramente passou o 1% de crescimento) e aumentaram a nossa dependência dos credores externos ao ponto de obrigar à actual humilhante assistência externa dos credores corporizada na "Troyka" e que no fundo nos retira muito da nossa soberania, devolvida exame após exame e num espaço de tempo que não deve aumentar nem num montante que não deverá ser maior que o já negociado - sob pena de estarmos mais tempo sob o jugo da Troyka e de dependermos ainda mais deles financeiramente! Por isso é que eu entendo a "obstinação" do Governo em cumprir no prazo e no montante previsto o acordo de assistência: é que quanto mais depressa o for feito e dentro dos limites contratados, mais depressa seremos autónomos e nos veremos livres deles...

A questão que fica é se teremos desta vez aprendido a lição que não aprendemos nas duas anteriores vezes de assistência externa financeira e se mudamos a estrutura do orçamento português ou se tudo continuará na mesma rumo a nova intervenção cíclica... eu que estou prestes a fazer 40 anos e que assisto à primeira assistência externa financeira em adulto mas a 3ª na minha vida, gostaria que esta fosse de vez e a última... É preciso mudar Portugal, mesmo!

2012/09/11

11 vezes 9-11

11 anos se passaram do 11 de Setembro ou, como dizem os americanos, do "nine-eleven".

Convém não esquecer, até porque muita da crise que hoje padecemos entronca directamente nesse dia. Porque esse dia foi tão especial para toda o mundo civilizado ocidental e tão determinante nas liberdades e na economia mundial, não podemos esquecer e teremos de lembrar sempre o dia em que alguns fanáticos usaram meios civis para abater alvos civis e matando milhares de civis. Tudo em nome da religião. Triste, muito triste...

2012/09/03

Hulk rende 60 milhões...


...mas não há milhões que paguem a falta que ele vai fazer no estádio! E agora, quem vai marcar golos à Hulk como aquele contra o Sporting na última jornada lá disputada? Ou aquele contra o Apoel? Ou o seu 1º golo desta época, contra o Vitória, numa jogada e remate "à Hulk"?

O seu vazio é muito maior que os 60 milhões (na realidade, apenas 40 para o FC Porto que detinha apenas 85% do passe) que rendeu, mas a força do mercado e das contas a isto devem ter obrigado...

Nestes anos, e já são muitos, que vou ao futebol ver o meu FC Porto tive a felicidade de ver alguns dos melhores jogadores europeus e mundiais lá pisarem o relvado, felizmente muitos com a camisola do "meu" FC Porto: Cubillas, Futre, Gomes, Baia, Fernando Couto, Jardel, Quaresma, Lucho, Falcao, Moutinho, Hulk... Só isso me conforta cada vez que um destes jogadores sai da equipa: sei que, mais cedo ou mais tarde, outro virá que será tão bom como o que sai...

Ao Hulk, a melhor das sortes. Desejava mais para ele, um clube de topo da Inglaterra ou Espanha. Mas esta foi a sua oportunidade e ele achou que seria de aproveitar, tal como o clube. Espero que não seja um passo atrás na carreira futebolística apesar de acreditar que tenha sido um passo em frente na sua "carreira" bancária...

2012/08/31

Dois dínamos e um novo-rico árabe

Foi isto o que ditou o sorteio da Liga dos Campeões para este ano. Um velho conhecido e bom presságio de competições, os longínquos ucranianos do Dinamo de Kyev onde joga agora Miguel Veloso. Complicados, mas podem ser acessiveis se o FC Porto jogar como jogou no último fim de semana.

O outro Dinamo, o de Zagreb, é dominador na Croácia e joga lá outro português, este formado no FC Porto, onde era capitão dos escalões jovens e foi uma promessa adiada até ser cedido ao Sporting, Tonel. Aparentemente é o clube mais acessível do grupo, mas depois do ano passado ter visto o Apoel fazer o que fez, já não digo mais nada...

Por último, um dos clubes que mais tem investido (ou talvez mesmo o que mais investiu) desde há coisa de um ano ou dois, os franceses do PSG e que têm uma série de mais-valias individuais mas que, pelo que me parece, ainda não têm uma "equipa" propriamente dita. Mas quem tem craques como Ibrahimovic só pode esperar espectáculo desses jogos. Em teoria deverão ser os favoritos do grupo, mas isto da atitude dos jogadores em campo tem muito mais que se lhe diga do que parece...

Previsão: 2º lugar no grupo. A correr muito bem, o primeiro. A correr à "Vítor Pereira", o 3º já não é mau prémio de consolação. Inadmissível: ficar em último...

AH! E faltam 24 horas para encerrar este agoniante mercado de Verão e o Hulk e o Moutinho (ainda) não saíram...

2012/08/26

O campeão voltou...

Será o Panenka? Será o Postiga? Não, é mesmo o Jackson
Martinez a mostrar serviço!
(imagem FC Porto)
...às grandes noites e exibições!

Que me perdoem os  meus amigos vitorianos, mas hoje, de facto, foi sem espinhas! Um grande jogo do FC Porto, como eu já não via há mais de um ano, pelo menos desde que o André Villas Boas deixou o comando.

Boa circulação, pressão, jogadas bem construídas, oportunidades, golos e até um penalti "à Panenka" pelo Jackson para se estrear a marcar perante os seus adeptos!

Que mudança radical da equipa, ou melhor, da vontade da equipa, entre o último domingo em Barcelos e este jogo! Assim, sim, dá gosto ir ao futebol. Não é pela goleada só, porque esta foi consequência do futebol praticado - é pela garra, velocidade, bom entendimento, vontade de marcar.

Só espero que este bom futebol tenha voltado para ficar, que não tenha sido um lapso no futebol enfadonho, lento, mastigado que tem sido corrente do consulado de Vitor Pereira...

2012/08/20

O anti-ciclone

(foto Publico)
Afinal o Gordon, o ciclone-furacão não passou de uma tempestade tropical e que passou ao largo das ilhas açoreanas. Felizmente para as populações mas uma verdadeira frustração para a comunicação social que aguardava com as suas reportagens em directo das ilhas e do Instituto de Metereologia a catástrofe alheia.

Restam, por isso, algumas fotos da ondulação mais forte e do Satelite da NASA.

2012/08/17

Leituras [70] - A Quinta dos Animais, de George Orwell

Também conhecido como
"O Triunfo dos Porcos"
Ler este "A Quinta dos Animais" é um prazer, pois a fábula está muito bem construída e expõe claramente os podres do comunismo e a história da revolução soviética e da propaganda que tem sido utilizada (ainda nos dias de hoje...) para branquear os acontecimentos e as lideranças de Lenine e sobretudo Estaline, um verdadeiro sanguinário.

A associação de animais numa quinta à comunidade de pessoas que permitiu que Estaline fizesse o que fez, é brutal e muito dura, mas muito bem construída.

Dito isto, não gostei nesta versão de uma coisa: o tradutor assumiu aportuguesar os nomes dos personagens e locais onde a fábula decorre, mesmo que assuma que a quinta está em Inglaterra. Muito sinceramente, penso que preferia os nomes originais. A quinta ficar em Benquerença e o porco que anuncia as coisas ser o Tagarela, a vaca a Mimosa e o cavalo de tiro o Trovão não é muito convincente quando a história se passa em Inglaterra... enfim... Mas no resto, achei muito boa esta versão que, pequena, se lê em duas penadas.

Sinopse:

"Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos. 
À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais."

2012/08/14

COB - Colégio de Especialidades de Gestão, Direcção e Fiscalização de Obras da Ordem dos Arquitectos

No âmbito dos estatutos da OA, esta tem vindo a promover a criação de colégios de especialidade que "a partir de áreas no domínio da Arquitectura com características técnicas e científicas particulares, que assumam importância cultural, social ou económica e impliquem uma especialização do conhecimento ou da prática profissional. ".

Assim, neste momento estão já em actividade ou em instalação os colégios de Urbanismo, Património Arquitectónico e este referido COB.

E o que é o COB?

O Colégio de Especialidade de Gestão, Direcção e Fiscalização de Obras (COB) foi criado em 2010, implementado em 2011 e encontra-se em fase de instalação.

O COB tem as seguintes finalidades:
* contribuir para a valorização profissional e a correcta actuação deontológica no sentido de melhor servir a sociedade;
* acompanhar, promover e divulgar a actividade dos arquitectos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* fomentar o estudo e a investigação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* estimular a aproximação às empresas de construção, o diálogo interdisciplinar e o mútuo conhecimento das práticas profissionais que concorrem para a qualidade da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* coadjuvar as entidades competentes para a avaliação técnica dos profissionais que capacitam tecnicamente as empresas de construção, designadamente nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* fundamentar a tomada de posições da Ordem dos Arquitectos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras, em especial quando se trate de solicitações de entidades públicas com competência na matéria;
* estreitar os laços de cooperação de Portugal com outros países, designadamente com os da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* apoiar as acções de formação permanente desenvolvidas pela Ordem dos Arquitectos ou por outras entidades nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o registo sistemático de arquitectos cuja actividade incida nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.

O COB tem as seguintes atribuições:
* defender os interesses profissionais dos arquitectos que intervêm nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o intercâmbio de ideias e experiências com organismos afins, nacionais, comunitários ou de outros países, e acções de cooperação interdisciplinar nos âmbitos da formação, da investigação ou da prática profissional que digam respeito aos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* organizar reuniões científicas, seminários e cursos nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* organizar e desenvolver serviços de arquivo, documentação e informação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* assegurar o registo sistemático dos arquitectos cuja actividade incida nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.
* promover e patrocinar a edição de publicações conformes aos seus objectivos e que contribuam para um melhor esclarecimento público sobre as implicações e relevância dos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* promover o aperfeiçoamento das regras de cariz deontológico;
* colaborar com os órgãos docentes e discentes das universidades, institutos e outros graus de ensino em todas as iniciativas que visem a formação nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras;
* assumir funções de representação e intervenção nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras, sempre que solicitado pelo Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos;
* prestar colaboração a entidades oficiais ou de interesse público nos domínios da gestão, direcção e fiscalização de obras.

O seu funcionamento está definido no Regulamento do Colégio.

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Noticia sobre a criação do COB.
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Só me falta dizer que, desde Junho passado e com muito orgulho, sou o associado n.º 10 deste Colégio.

2012/08/12

Supertaça... para não variar!

Primeiro jogo oficial da época, primeiro título da época. Para não variar, tudo como de costume: aí vão 19 Supertaças, as últimas 4 das quais consecutivamente.

Bom para moralizar, apesar do diminuto valor desta prova.

Não é caso para ir comemorar para a rua ou para fazer uma festa, esses momentos estão reservados para as grandes vitórias internacionais ou para o campeonato.

Mas numa principio de época tão complicado, graças por um lado às ausências olímpicas e por outro ao despropositado calendário de transferências que só encerra a 31 de Agosto já com a época em pleno andamento (não só nas provas nacionais como também para muitas equipas que terão já vários jogos da Liga Europa e Liga dos Campeões nas pernas) e que não permite ter um plantel definido até que Setembro se inicie.

E, para mais, com Vitor Pereira a treinador!

Pessoalmente não gostei do jogo, que foi de qualidade fraca. Mas gostei de ver o Jackson e acima de tudo gostei de o ver marcar. E gostei de ganhar, porque é isso que estou habituado a ver acontecer! Este sábado foi um sprint, no próximo domingo começa a maratona: a Liga! 30 jornadas de emoção que espero que ditem, para não variar também, o FC Porto como campeão... ;)

2012/08/09

Leituras [69] - Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa

Infelizmente não pude estar no Café Milenário, em Guimarães, quando ele lá apresentou este "Teoria Geral do Esquecimento" (e onde o meu pai fez o favor de mo comprar e dar-lhe a autografar) pois gostaria de ter trocado algumas impressões com ele.

Tendo já comprado (e lido com imenso prazer...) três seus livros anteriormente - Barroco Tropical, As Mulheres de Meu Pai e Milagrário Pessoal - estava expectante em ler esta sua última obra, cuja sinopse só por si já me despertava a vontade de ler. E não fiquei nada desiludido, bem pelo contrário. Este livro, que nasceu guião de filme e maturou e cresceu até chegar a um romance, é excepcional, fabuloso na criatividade que o autor usa e abusa para construir uma narrativa única de sobressaltos e baseada num principio de história absurdo mas que até poderia ter acontecido: uma portuguesa, nos dias entre a revolução e a independência, "barrica-se" no seu apartamento e assim fica fechada ao mundo durante... quase 30 anos! Todos os personagens, que poderiam ser reais de tão bem construídos que estão como nós, que por lá vivemos algum tempo, sabemos, concorrem por caminhos diferentes para o mesmo local - o apartamento de Ludo - num crescente de emoções e surpresas.

Escrito naquele português adocicado que escritores angolanos me habituaram (na senda do mestre Pepetela!) é um livro de leitura irresistível e que critica muito bem não só a sociedade contemporânea angolana, como também todo o período dos anos a seguir à independência.

Quem esteve em Angola, tem de ler este livro. Quem não esteve, se o ler, vai sentir-se transportado até lá...


Sinopse
"Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção."

2012/08/08

Uma raridade!

Guimarães, em frente à entrada de automóveis da CMG
Pela primeira vez vi um destes pontos de recarga de automóveis eléctricos a ser usado! Até merece foto!!

2012/08/01

Eurico de Melo, 1925-2012

Faleceu hoje, 1º de Agosto, o eng. Eurico de Melo, um dos mais importantes nomes da política portuguesa no pós-25 de Abril e que muito ajudou o país, nos vários cargos que desempenhou desde Governador Civil de Braga até aos diversos ministérios que ocupou, trabalhando nos governos com Sá Carneiro e Cavaco Silva e no PSD com estes e muitos mais dirigentes (pelo menos, e se não estou em erro, até Durão Barroso).

Foi também um importante nome na criação das várias concelhias do distrito de Braga, nomeadamente a de Guimarães (onde julgo, se não estou em erro, que chegou a ser militante) com Fernando Alberto Ribeiro da Silva, António Xavier e outros vimaranenses que aqui então tomaram o assunto em mãos.

Hoje, o país ficou mais pobre.

Homens como este são de uma estatura moral que já não existe. Basta dizer que, juntamente com o actual presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, Eurico de Melo é o único político que conheço que abdicou das reformas a que tinha direito pela sua carreira política. Adeus, engenheiro Eurico de Melo, que a sua alma descanse em paz que o seu serviço por Portugal foi claramente reconhecido por quem cá ficou ainda. A minha singela homenagem. Obrigado.

Leituras [68] - O Último Segredo, de José Rodrigues dos Santos

Seguem neste "O Último Segredo" as aventuras do criptanalista e historiador Tomás Noronha, personagem que JRS criou e tem vindo a desenvolver ao longo dos anos em aventuras várias.

Esta é, para mim, a mais fraca dessas aventuras. Achei-a demasiadamente descritiva da Bíblia, repetindo-se até amiúde, e não desenvolvendo nada em muitos capítulos, aulas puras do professor universitário Tomás Noronha à bela italiana Valentina Ferro. Os últimos capítulos são a parte melhor, onde os acontecimentos desenrolam-se em catadupa e com constantes viragens e surpresas, como é apanágio destes romances.

Penso que JRS teve algum receio ao abordar o tema deste romance e por isso, para sua defesa, preferiu explicar até à exaustão as teses defendidas ali, perdendo-se por isso a aventura e ganhando em conhecimentos sobre as contradições da Bíblia e sobre a credibilidade histórica de muitos dos episódios relatados no Novo Testamento.

No entanto, não é por isso que digo que é um mau livro. Não é, pelo contrário, é muito bom e interessante até pelo que expõe e permite compreender algumas coisas menos bem explicadas sobre os fundamentos do cristianismo, com muita clareza. Apenas acho é que o romance é pequeno, pois pelo menos metade do livro é pesquisa histórica e cientifica.

Sinopse:

Uma paleógrafa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Codex Vaticanus. A polícia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pelo assassino ao lado do cadáver. 
A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajuda-la no inquérito. Mas a sucessão de homicídios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as transcendia. 
Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento. A verdadeira identidade de Cristo. 
Baseando-se em informações históricas genuínas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra excepcional como o grande mestre do mistério. Mais do que um notável romance, O Último Segredodesvenda-nos a chave do mais desconcertante enigma das Escrituras.

Excerto:
«A inspectora esboçou um esgar inquisitivo.“Erros? Que erros?”O historiados susteve-lhe o olhar. “Não sabia? A Bíblia contém muitos erros.”“O quê?”Tomás girou a cabeça em redor, procurando certificar-se de que ninguém o escutava. No fim de contas encontrava-se em pleno Vaticano e não queria desencadear nenhum incidente. Viu dois sacerdotes junto à porta que conduzia à Leonina, um deles devia ser o prefetto da biblioteca, mas concluiu que a distância era suficientemente grande e não corria o risco de ser escutado.Inclinou-se, mesmo assim, para a sua interlocutora e numa postura de conspirador preparou-se para partilhar com ela um segredo com quase dois milénios. “São milhares de erros a infectar a Bíblia”, murmurou. “Incluindo fraudes.”»


Críticas de imprensa:
«Melhor do que Dan Brown.»
Tros Nieuwsshow, Holanda 

2012/07/25

Do verbo LIXAR

Sejamos claros. O verbo lixar é a versão soft do calão hard "foder". Ponto final.

Vem isto a propósito do recente discurso de Pedro Passos Coelho aos deputados do PSD onde disse "que se lixem as eleições, o que importa é Portugal"!

E a que propósito terá surgido tal expressão?

Há um ano, pelo menos, que ele vem chamando a atenção que a sua política, que está a seguir, é intransigente no sentido de cumprir os acordos internacionais que nos salvaram da bancarrota e de criar condições para as finanças do país finalmente se endireitarem, criando um novo paradigma de governação (não gastar mais do que aquilo que se arrecada) mesmo que o cidadão comum possa não entender algumas das medidas implementadas.

E que medidas têm sido estas? De cortar em despesa do Estado. E o que é despesa do Estado? São os ordenados dos 700 mil funcionários públicos, são os gastos com a ADSE, são todos aqueles tendencialmente gratuitos constitucionais que custam os olhos da cara...

Mas mesmo ao fim de um ano há muita gente que ainda não percebeu a coisa. Desde logo, todos os socialistas que nos 6 anos anteriores nos trouxeram até ao ponto que então PPC encontrou. Mas muitos outros cidadãos, como os professores, ainda não perceberam uma coisa simples: há uns dias atrás explicou José Manuel Fernandes (ex-director do Público) que há coisa de 20 anos atrás havia 1,5 milhões de estudantes do básico e mais de 200 mil do secundário. Hoje há menos de 1 milhão no básico e pouco mais de 100 mil no secundário. O problema é que o número de professores é quase igual, pouco tendo descido. O rácio aluno/professor passou de 17 para 12. E se juntarmos a isto a desertificação do interior e aglomeração da população no litoral, o que temos? Uma classe de funcionários em excesso que não aceita a realidade. É certo que não têm culpa de haver professores em excesso. Mas o ministro e PPC também não têm. Não houve, nestes 20 anos, nenhum controlo nos cursos que dão acesso à profissão de professor. Como não houve na classe de arquitectos (quando me inscrevi em 1996 na então AAP era o n.º 6.547 e segundo o último boletim da OA que recebi hoje somos 20.805... ) e o mesmo se passa em tantas outras profissões.

E é engraçado como certa gente dá a volta ao discurso e à ideia subjacente e até dizem que ele se está a lixar para as eleições numa alusão a uma ditadura. Discordo em absoluto e só mentes retorcidas são capazes de ler filosoficamente tais ideias naquilo que é claro como a água: os deputados e o governo foram eleitos com uma missão de resgatar o país e não de ganhar eleições em 2012, 2013 ou 2014, sendo que o seu mandato é para governar mesmo com medidas eleitoralmente penalizadoras, beneficiando Portugal e não seguir o rumo de demagogia politiqueira que o (in)Seguro líder da oposição tem aplicado a defender o acordo de segunda a sexta e a atacar ao fim de semana é que, isso sim, de ser entendida como um remake do "sócratismo" que nos trouxe a este ponto.

Numa coisa, no entanto, estou de acordo. Este discurso chamou a atenção e pôs toda a gente a falar no assunto, bem ou mal, algo que "falinhas mansas" ao longo de um ano não conseguiram. E infelizmente é populista. Populista? Sim. Mas quem me dera que o populismo do Sócrates tivesse sido deste género porque hoje não estávamos na situação em que estamos. Relembro que em Junho do ano passado, se não houvesse o empréstimo da "diabólica" Troyka, os funcionários públicos não tinham recebido o ordenado no dia 23 porque disse o então ministro das finanças do PS em Maio que não ia haver dinheiro para o pagar... A questão é: o que querem deste PM? Alguém que afunde de vez o país ao ponto de não haver dinheiro para  pagar os ordenados ou preferem alguém disposto a perder eleições para colocar o país em rota de gastar menos do que aquilo que arrecada, para ter dinheiro para pagar os ordenados dos funcionários e a reforma até ao fim das suas vidas? Se quiserem continuar na sua cruzada anti-passista, força, só espero que quando enterrarem o país de vez não se venham queixar... Se quiserem ser responsáveis, então só têm de fazer a única coisa possível: perceber que tudo isto é preciso para existir um futuro.

2012/07/22

Leituras [67] - Ouro do Inferno, de Eric Frattini

Este Ouro do Inferno, de Eric Frattini, foi um livro que li com muito prazer e facilidade, onde a história flui, página após página, num crescente de emoções e de encontros e desencontros que nos encaminham para o final que, conforme vamos lendo, suspeitamos que iria acontecer. Graças também aos 5 dias de praia que usufrui, já que fiz o meu desporto de praia preferido: li e dormi!

A história de que Hitler não terá morrido já não é novidade (por exemplo, já aqui li e comentei o livro "Pátria", de Robert Harris (no já longinquo ano de 2004...) se bem que nesse "Pátria" estávamos perante um "e se..." e neste "Ouro do Inferno" estamos perante uma ficção baseada em vários documentos e acontecimentos reais que podem indiciar alguma verdade nesta ficção - e o recente aparecimento (seguido de imediato desaparecimento) do criminoso de guerra hungaro, chefe das SS naquele país, que pela segunda vez desaparece sem deixar rasto (depois de ter sido detectado no Canadá e ter conseguido escapar para reaparecer agora novamente na sua Hungria natal e voltar a desaparecer...) deixar pensar que a ODESSA que Eric Frattini retrata é bem mais real que aquilo que possa transparecer da sua ficção...

Engraçado foi também a referência ao amigo do autor, o também escritor Luís Miguel Rocha (e que é também um dos meus favoritos) que aparece na trama mas que rapidamente é aniquilado por Eric Frattini... com amigos destes, quem precisa de inimigos?? ;)

Fica agora a vontade de comprar e ler outro livro deste autor, "O Labirinto de Água", onde o seu personagem August Lienart (que de mero personagem secundário acaba por se transformar no "Eleito" e personagem marcante da trama deste livro) aparece já como Cardeal maléfico no Vaticano, talvez pronto a cumprir o seu papel como o "Eleito" que foi construído nesta história, penso eu...


Sinopse
Berlim, 1945: entre os escombros de uma capital arrasada, Hitler enfrenta as suas últimas horas de vida.
Ou será que não?
Numa Europa devastada pela segunda guerra mundial, o jovem seminarista August Lienart vê-se implicado numa operação de grande escala: uma organização enigmática tenta encontrar uma via de escape para os nazis e lançar os alicerces para a construção do Quarto Reich.
Quem estará por trás da sinistra organização secreta em cujas teias se enreda Lienart? Estará a Igreja Católica envolvida na fuga dos criminosos de guerra?
Uma incrível e fascinante intriga, plena de suspense e mistério, até à última página.

2012/07/20

O Comunicador

José Hermano Saraiva. 1919-2012. Faleceu hoje, com 92 anos, o último grande comunicador da TV portuguesa, que tinha o dom de estar 30 minutos, 45 minutos, mais até, a falar para uma plateia (a audiência) e com o mero apoio de algumas imagens de locais históricos nos segurava, mantinha agarrados ao ecran.

A minha geração (e não só...) aprendeu a gostar de História de Portugal - estivessemos ou não de acordo com algumas coisas que dizia.

Perdeu-se um Homem honrado, que fez vida após a queda da ditadura e que ainda hoje, como se vê neste triste dia, granjeia respeito na comunidade.

Perdeu-se um grande Homem, ficou uma obra única! Obrigado pelas excelentes aulas, Professor!

2012/07/17

Juntos, vamos vencer, por Guimarães!

Dois meus grandes amigos, um desde tenra infância, o outro há uns bons 15 anos, são o rosto da candidatura conjunta do PSD e do CDS às autárquicas de 2013. Desde que ando na política que participei activamente e acreditei em muitos projectos, de âmbito nacional e local - uns com mais sucesso do que outros, uns ganhei, outros perdi. Mas este é diferente - este, de tudo o que participei, é o mais importante e o que mais me diz porque extravasou o mero pensamento ideológico e matriz politica para passar a algo pessoal.
Conheço-os a ambos, o André e o Rui Miguel, para saber que este projecto é credível, capaz e orientado para o serviço dos vimaranenses com um novo e diferente paradigma de governação. Nunca, como hoje, tive a certeza que se perderem não são eles, nem eu, que perderemos - será Guimarães que tem neles o rosto da mudança geracional que tanto necessita! Por isso acredito que vamos vencer.
Juntos, vamos vencer, por Guimarães!

2012/07/13

Da greve e das licenciaturas...

Enquanto uma parte do país se entretém com a pseudo-licenciatura do Relvas, durante dois dias os senhores doutores (julgo que devidamente licenciados...) resolveram meter férias e não trabalhar.

A greve anunciada há muito poderia ser legítima e credível. Mas não foi. E não foi porque uns dias antes não quiseram reunir e discutir com o ministro que, em vão, por eles esperou para negociar. E anunciou a abertura para o fazer mesmo depois da greve. E durante a própria greve, ainda esta não havia terminado, já se sabia que hoje se iriam reunir as partes num espírito de diálogo e de previsão de bom entendimento em breve.

Por isso, pergunto-me outra vez: se as partes queriam e iam negociar, por que foi feita a greve que, ao fim e ao cabo, apenas prejudicou os utentes dos serviços de saúde que viram consultas e operações anuladas e adiadas, que os obrigou a deslocarem-se até às unidades de saúde deixando de trabalhar e tantas vezes gastando imenso dinheiro com essa deslocação. Apenas estes foram prejudicados.

Esta imbecilidade de greve de dois dias não fez sentido e mostrou, apenas, que por detrás desta intenção estarão muito mais razões político-partidárias e não corporativas.

Continuo a pensar, e mais reforçada ficou a minha ideia, que os médicos (como os juízes, por exemplo) são uma das corporações mais egoístas, alheadas da realidade e detentoras de poderes de influência da sociedade portuguesa - usando e abusando por isso da paciência de todos nós para manterem os super-privilégios que detêm e que muito nos prejudicam a todos nós, restantes cidadãos.

E entretanto, a principal preocupação dos telejornais tem a ver com a licenciatura de equivalências que Miguel Relvas obteve - é isto o jornalismo deste país. Se calhar, não só temos os políticos que merecemos como também teremos os jornalistas que merecemos ter...

Nota - Já agora, em relação a esta pseudo-licenciatura, o culpado não é Miguel Relvas que apenas tirou partido de uma lei absurda - o problema é a lei que permite isto (aliás, semelhante à lei que permite que um semi-analfabeto que arranje alguém que lhe escreva um currículo com a história da vida obtenha o 12º ano, por exemplo) e as relações menos claras oriundas, "as usual", da maçonaria que levaram a esta situação. Mas realço ainda que não vi este "histerismo" com o semelhante caso de José Sócrates, sendo que Sócrates usou a sua pseudo-licenciatura de Engenharia para assinar projectos de arquitectura e engenharia e para ser um técnico-superior num município (coisa que se algum dia se comprovar a irregularidade que aparenta ter a sua licenciatura configura vários tipos de crime por si só) e a pseudo-licenciatura de Relvas para nada lhe serviu que não seja poder colocar o Dr. nos cartões de visitas e crédito...

2012/07/08

Leituras [66] - Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa


Já foi há umas 2 semanas que terminei de ler este pequeno mas excelente livro. Aliás, foi na véspera de ele ter apresentado o seu  novo livro no Milenário, em Guimarães, onde infelizmente não pude ir (no dia seguinte tive exame, como tive no outro e ainda trabalhos de grupo e apresentações) mas cujo livro autografado cá me chegou... e que será, talvez, o próximo a ser lido.

Mas sobre este Milagrário Pessoal, é mais uma pequena obra de Agualusa onde várias histórias se cruzam e servem para construir mais uma bonita história, um romance na sua verdadeira acepção da palavra. A relação entre o velho professor e a nova pesquisadora de neologismos em busca das palavras perdidas que começaram a aparecer sem aparente razão e que voltas dadas afinal não passava de uma maquinação de um deles para atrair o outro... Muito bem trabalhados os pequenos capítulos que formam esta excelente obra.

Sinopse:

"Iara, jovem linguista portuguesa, faz uma incrível descoberta: alguém, ou alguma coisa, está a subverter a nossa língua, a nível global, de forma insidiosa, porém avassaladora e irremediável. Maravilhada, perplexa e assustada, a jovem procura a ajuda de um professor, um velho anarquista angolano, com um passado sombrio, e os dois partem em busca de uma colecção de misteriosas palavras, que, a acreditar num documento do século XVII, teriam sido roubadas à "língua dos pássaros". Milagrário Pessoal é um romance de amor e, ao mesmo tempo, uma viagem através da história da língua portuguesa, das suas origens à actualidade, percorrendo os diferentes territórios aos quais a mesma se vem afeiçoando."

Críticas de imprensa
«Um romance fascinante.»
Carlos Câmara Leme, Ler

«Agualusa sabe que a poesia começou por ser uma linguagem prática, útil, ou mágica e xamânica. “Milagrário Pessoal” nunca esquece a dimensão política, nem a política da língua, mas o seu impulso é todo poético, adâmico. O milagre é que esta língua seja tantas línguas, que tantas línguas sejam uma só língua. Um enigma que Agualusa compara ao mais poético dos enigmas: a linguagem dos pássaros.»
Pedro Mexia, Público