2012/10/01

Dia Mundial da Arquitectura


É hoje, 1 de Outubro.

No mundo, festeja-se, celebra-se, comemora-se este dia.

Em Portugal, pelo menos a norte, a Ordem dos Arquitectos vai prolongar o dia pelo resto do mês com o Arq Out, um programa de actividades que durante todo o mês terá  actividades diversas no grande Porto para promover a arquitectura.

Em todo o caso, o meu post hoje tem mais a ver com o alerta este dia deveria ser. Porque, na realidade, mais do que comemorar, hoje deve ser um dia para alertar a sociedade dos problemas que esta classe, que é a minha, enfrenta.

Há mais de 20 mil profissionais no país. Cujo sector da construção atravessa a mais grave crise de que há memória. Só para se perceber o pouco que se constrói em Portugal hoje, fica um exemplo: estou a tratar da legalização de uns muros de uma casa construída em 1997; quando consultei o processo original da casa, de 1997, vi que havia entrado em Setembro e era o processo n.º 5980 da CM de Guimarães; em Maio passado, dei entrada de um processo de licenciamento, com o n.º 180... ou seja, em 9 meses de 1997 havia quase 6000 licenciamentos e este ano em 5 meses havia menos de 200...

No entanto, continuam a sair anualmente centenas de novos arquitectos das dezenas de cursos que estão a ser ministrados nas universidades portuguesas.

Já alguém parou para pensar nisto um pouco? Os pais dos jovens que lá entram hoje não vêm o que se passa, não lêem jornais, não vêem as noticias? O Ministério não vê o que se passa? E a Ordem não consegue fazer nada sobre o assunto que não seja criar mais e mais dificuldades em entrar na Ordem? Que país é este que continua a formar profissionais cujo futuro na sua imensa passa por emigrar ou encontrar trabalhos em áreas diferentes da arquitectura e nada faz para corrigir isso?

Que futuro para os arquitectos portugueses em Portugal? Ganham prémios internacionalmente, são conceituados, mas no próprio país não só são vistos, na sua maioria, como os "gajos que fazem uns desenhos e cobram uma pipa de massa" como não temos quase serviço hoje em dia. A regeneração urbana não avança porque, por um lado, o Estado não tem dinheiro para regenerar os espaços públicos e por outro lado os privados ou não têm dinheiro para avançar com projectos de investimento ou não têm confiança para investir, sabendo que os bancos quase não emprestam para crédito à habitação e que com o desemprego e falta de confiança na economia poucos têm coragem e possibilidade de comprar hoje em dia.

É uma encruzilhada o futuro da arquitectura em Portugal. Hoje não é dia para comemorar nada. Hoje, para mim, é dia para reflectir sobre o nosso futuro: enquanto classe, enquanto profissionais e enquanto país!
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