2007/11/30

Aperitivo


Uma imagem das quase 100 fotos que tirei hoje pelo caminho do Sumbe até aqui. África, meus caros, tem uma beleza que só quem cá esteve e viu, sentiu, cheirou e ouviu pode alguma vez perceber! Nos próximos dias, mais fotos aqui no Linha de Rumo, para celebrar o milésimo post!

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
...

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»


Florbela Espanca

2007/11/29

Confuso?

Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúmes pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.
Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vico o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros.
O contacto amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.
Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante.

Umberto Eco

2007/11/28

Parabéns

Natalidade é quando uma mãe quiser! E a tua quis que fosse hoje, em 1979. Parabéns, miúda... 28 beijos só para ti!

2007/11/26

Postal antigo de Angola


Mais um, enviado pelo leitora fã n.º 1 deste blog, a Bernardete, uma imagem da praça de uma das entradas do Porto do Lobito, neste caso na Restinga e tirada do edificio da Alfandega. Do lado esquerdo não há grandes alterações para os dias de hoje, continua a ser o Porto do Lobito como era. Mas do lado direito há um engraçado edificio com um snack-bar e churrasqueira de dois pisos, do qual em breve mostrarei fotos.

Rescaldo de um incêndio...


...que foi só fumaça, mas que nos deixou neste bonito estado! Legenda alternativa: onde estão os brancos?

2007/11/24

A um ti que eu inventei

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.


António Gedeão

2007/11/21

Desconsolo

Que importa se está calor ou frio?
O que conta é a solidão que me abraça,
a refeição que como dolosamente sem ti,
nada é indiferente à água que passa no rio
e que leva a barcaça
na qual sem ti solitariamente parti.
Trabalho, amigos, amor?
Tudo é vão, pequeno em demasia!
Felicidade aos que estão em companhia,
que sentem na pele do outro o calor
da sua reconfortante presença
de dia, de noite, na saúde ou na doença,
escolhendo o sonho,
pois no futuro comum a confiança deponho.

2007/11/20

De Hipólito

Há alguns séculos atrás, disse qualquer coisa como:

"Sem ti as emoções de hoje seriam cascas de pele das de ontem."


Pode ser velho, mas lá que tem razão no que diz...

2007/11/16

O guardador de rebanhos

Da simplicidade das palavras está a beleza de tudo. Gostava de saber escrever assim...

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

(...)

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Alberto Caeiro, 1911/12

2007/11/15

Leituras [20] - Pompeii, de Robert Harris


Novo livro do autor da trilogia sobre o império romano. Apesar de ser dedicado ao mesmo tema/época, este não está nessa trilogia, cujo 2º volume será lançado lá para 2010. O primeiro já aqui falei sobre ele, Imperium.

Neste, a acção passa-se na baia de Nápoles mesmo antes da erupção do Vesúvio, daí o nome "Pompeii" (Pompeia).

Mais uma vez, gostei muito da história de leitura muito fácil e rápida.

Sinopse:

Uma semana de calor escaldante no fim de Agosto: os cidadãos mais ricos do Império Romano descontraem-se nas suas villas luxuosas, enquanto a maior armada do mundo está pacificamente ancorada em Misenum. Só um homem está preocupado. O engenheiro Marcus Attilius acaba de ocupar o cargo de chefia do Aqua Augusta, o enorme aqueduto que transporta água para um quarto de milhão de pessoas das nove cidades ao redor da baía. As nascentes estão a falhar pela primeira vez há muitas gerações. O seu predecessor no cargo desapareceu, e agora há uma crise na conduta principal do aqueduto. Attilius – um homem respeitável, prático, incorruptível – promete a Plínio, o famoso intelectual que comanda a armada, que conseguirá reparar o aqueduto antes do reservatório de água secar. Consegui-lo-á?

2007/11/14

Momentos de uma viagem Sumbe-Lobito...

Sem enunciar as pedras, sei que as piso – duramente, são pedras e não são ervas. O vento é fresco: sei que é vento, mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento.
Tudo o que eu sei, já lá está, mas não estão os meus passos e os meus braços. Por isso caminho, caminho porque há um intervalo entre tudo e eu, e nesse intervalo, caminho e descubro o meu caminho.
Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também: então invento os meus passos e o meu próprio caminho. E com as palavras de vento e de pedra, invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras.


António Ramos Rosa













2007/11/13

Men'r'in the house



A prova que há homens em casa e que estes fins de semana de ócio são prejudiciais à saúde! Nem mostro foto da banca da loiça...

2007/11/12

Pensamento do dia

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar sobre si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma critica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa

O último feriado do ano

É hoje, porque foi ontem! Lol. Como de costume, feriado ao domingo transita para segunda! E ontem, sendo os 32 anos da independência de Angola, mais razões ainda haveria para hoje ser feriado.

E por isso, consegui ir à praia do Terminus na tarde de sábado, apesar de algumas nuvens. E na manhã de domingo e hoje de manhã. Porque de tarde nem pensar em lá ir, tamanha é a fúria do calor, que nem com a cálida água do mar de 28ºC se aplaca!

Daqui até ao meados de dezembro espero poder gozar ainda algumas manhãs de domingos de praia, agora que a época das chuvas está a terminar aqui no Lobito. E este ano, tenho a ligeira impressão, vou chegar a Portugal no Natal com um bronzeado de fazer inveja...

2007/11/10

Mariza e o Grammy


Não ganhou... ainda! Porque não duvidem que será uma questão de tempo até que se torne a primeira artista portuguesa a vencer esse prestigiado galardão.

Porque o merece. Pela forma simples como vive a música, pelo grupo fantástico que a acompanha, pelo carinho e dedicação que devota aos seus fãs e seguidores que a vão acompanhando um pouco por todo o país, Europa e, porque não dize-lo, mundo!

Porque soube trazer o fado para a ribalta, exaltando a mais portuguesa das músicas e fazendo chegar a sitios onde só a diva Amália algum dia fez chegar. É certo que ela não é uma Amália, nem ela o quererá ser nesse sentido. Mas sem dúvidas, para mim como para muitos outros, ela será a sua sucessora enquanto porta-voz desta música que nos toca tão fundo na nossa alma.

E a maneira digna, sóbria e emocionada como anunciou que não tinha ganho o prémio mas tinha ganho a noite por estar com tantos admiradores junto dela, é próprio dela, se bem a conheço.

E só gostava de ter estado em Portugal pois teria ido ao concerto dela, com toda a certeza. E teria ido no final dar os parabéns e emocionar-me com ela, porque cada vez que ela canta "Ó Gente da Minha Terra" e "Duas Lágrimas de Orvalho" o mais fundo dos meus sentimentos tremem e deliram com as palavras lindas e sentidas que ela entoa.

Por isso, amiga Mariza, obrigado. E um dia o Grammy vai ser seu, porque o merece!

2007/11/09

Muito trabalho...

...nestes dias tem-me impedido de escrever com mais regularidade. Talvez para a semana as coisas voltem à normalidade. Ou então não! :)

2007/11/07

2007/11/06

Future Sex / Love Sounds



Desde que comprei, em Agosto, este CD que o tenho vindo a ouvir, cada vez mais e cada vez gosto mais dele na globalidade. Não são muitos albuns que gosto de ouvir do principio ao fim. Assim, de repente, lembro-me de alguns dos U2 (nomeadamente "Achtung Baby", "Rattle and Hum" ou "Under a Blood Red Sky"), do "Viagens" do Pedro Abrunhosa, do "Seven" dos James ou do "This is the sea" dos Waterboys.

Mas este album é muito, muito bom. A ouvir, sempre...

2007/11/05

(Another Song) All Over Again, de Justin Timberlake

I'm not a saint
I'm just a man
Who let heaven and earth in the palm of his hand
But I threw it away
So now I stand here today asking forgiveness
And if you could just

Please give me another chance
To write you another song
Take back those things I've done
Cause I'll give you my heart
If you would let me start all over again

Little girl, you're all I've got
Don't you leave me standing here once again
Cause I'll give you my life (yes I would)
If you would let me try to love you

So please give me another chance...



Justin Timberlake - All Over Again lyrics

2007/11/03

Petróleo a 100 dólares?

Não sei, não dei por nada, aqui a gasolina desde que cheguei em Agosto de 2006 que está a 40 cêntimos, o gasoleo a 29 centimos e o petróleo a... 26 cêntimos!

Quem pode, pode, e nós aqui podemos muito...

2007/11/02

Dia dos Finados

Este é mais um dos muitos feriados de Angola. O dos mortos! Há o da criança, da mulher, de África, de Angola, do inicio da luta armada, sei lá, são muitos mesmo. E também os mortos têm direito ao seu dia de feriado!

Por mim, até é agradável ter uns feriados pelo meio do trabalho, se bem que seja nesses dias que mais sinto a distancia e ausencia de quem queria que cá estivesse comigo... Já hoje, por situações diversas, nem tempo tive para pensar muito nisso, visto que tive de trabalhar. :(

O que vale é que o tempo, apesar de quente, anda meio tristonho e não é muito convidativo (ainda) para praia, a coisa que mais gosto de Angola.

2007/11/01

Leituras [19] - O Códice Secreto, de Lev Grossman



Mais um livro na sendo dos "codex's" que desde há uns anos a esta parte povoam as prateleiras das livrarias. Mas este, se no seu principio não é muito cativante, a partir da sua metade entra numa fase mais desenvolta, com os acontecimentos a sucederem-se e abrirem novas pistas ao desenvolvimento da trama que nos começam a prender até ao desenlaçe final. Leitura rápida e fácil, bom livro para os dias de praia que aqui em Angola se aproximam...

Sinopse:
"O Códice Secreto é um daqueles raros livros que escapam habilmente a uma categorização mais imediata. Thriller literário, histórico, bibliothriller ou romance com laivos de metaficção, a verdade é que este segundo livro de Lev Grossman exerce sobre o leitor uma embriaguês literária que, página a página, se vai transformando, insidiosamente, numa obsessão que só uma leitura ávida poderá aplacar. Aliás, o próprio protagonista, Edward Wozny, partilha com o leitor esse estado de inebriamento obsessivo, uma vez que também ele foi apanhado nas malhas do fascínio por uma obra da literatura medieval, um códice secreto do século XIV, atribuído a Gervase de Langford, e que supostamente encerra, numa mensagem criptografada, um segredo apocalíptico selado durante séculos."