2008/11/30

Imagens [24] - Ponte da Catumbela e Lobito















Ponte da Catumbela, dia 27 de Novembro















Bairro Comercial, ou Vinte e Oito, onde vivo e está a minha obra (aliás, tirada de lá, piso 6), com a Restinga e o Porto do Lobito ao fundo.















Rua 25 de Abril (antiga 28 de Maio, de onde vem o nome de "Vinte e Oito" deste bairro





























Mercado Municipal, prestes a ser inaugurado após as obras de beneficiação que sofreu















Edíficio da ENE















Administração Municipal, na Restinga















Tribunal, na Restinga















Igreja da Arrábida, na Restinga















Vista da baia do Lobito desde a Restinga















Sede dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB), na Restinga




















Jardim na praça das traseiras da Administração Municipal, enquadrado pelo Hotel Terminus, Hospital e Sede do CFB. Antiga Praça Salazar...















Por do sol na praia do Hotel Terminus, na Restinga

2008/11/29

Imagens por mostrar

Eu bem tento, mas hoje a net não colabora. Não consigo meter imagens, fica para outro dia. E que vontade de ir para a praia em vez de estar a trabalhar e desenhar portas e degraus de madeira para serem feitos na carpintaria ou portões de ferro para a serralharia executar... Tá um calorzinho tão bom... E na água do mar ainda deve estar melhor!

2008/11/26

Oitavos...



...de final! Já está, uma limpeza impressionante, onde esteve este FC Porto no mês de Outubro?

Exibição de gala, nem se notou a ausência de Lucho, Licha e Hulk deram cabo da defesa turca e ficou 1-2 no final, mas poderia ter ficado 0-4 que não era escândalo nenhum, o golo turco foi fortuito e ficamos a dever alguns à sorte deles (uma à trave e um "falhanço" do Hulk isolado em frente ao guarda-redes) pelo que o domínio, com excepção dos primeiros 10 minutos, foi quase total.

Que venha o Arsenal agora para vingarmos a derrota de Londres.

2008/11/25

E hoje à noite...



...há Liga dos Campeões.

Se a tradição se cumprir, ganhamos e garantimos um lugar nos oitavos de final. Mas o jogo não vai ser fácil, o ambiente é sempre terrivel na Turquia, eles estão a precisar de um bom resultado para dar a volta ao mau momento que atravessam, têm bons jogadores e nós estamos debilitados com a ausência do Lucho e com o problema de mais um lateral lesionado - se com eles em boas condições esse tem sido o calcanhar de Aquiles da equipa, então assim a coisa ainda é pior! Eu acho que apostava no Fernando à direita e no Fucile à esquerda, no Pelé ao meio e no Tomás Costa no lugar do Lucho, com o Hulk à esquerda e o Cebola à direita (e vice-versa). Desconfio que o Jesualdo, conservador e medricas como é, vai por o Fucile à direita e o Pedro Emanuel à esquerda, o Tomás Costa no lugar do Lucho e o Hulk fica no banco, colocando o Mariano para segurar mais a bola.

Mas, qualquer que seja a equipa, estou esperançado num bom resultado, como é evidente, porque os Dragões são assim, fazem das tripas o coração, fazem das fraquezas as suas forças!

2008/11/23

Leituras [35] - Next, de Michael Crichton


Terminei mais um livro (estes anos de Angola têm dado para fugir à média de leitura de um português, são cerca de 10 livros por ano...) e já arranquei com outro neste domingo de praia e banhos de mar quente.

O "Next" do recentemente falecido Michael Crichton, autor de inúmeros best-sellers, séries de TV e aclamados filmes, reza sobre o mundo moderno da genética, para lá da ovelha Dolly, versando experiências cientificas que, se calhar muito mais do que imaginação, poderão estar a ser feitas em inúmeros locais deste planeta.

O controlo genético, do ADN, a luta comercial das universidades americanas, o estranho mundo do direito nos EUA e a vontade do Homem em encontrar sempre partes mais pequenas e ínfimas do conhecimento do próprio Homem em redor de várias histórias em paralelo que têm um final comum.

Gostei de ler, em particular do meio para o final.

Sinopse:
"Bem-vindo ao mundo da genética. Acelerado, furioso, sem lei. Deixe-se levar pela mão do autor mais lido do mundo! É verdade que os louros estão em vias de extinção? Todos os que estão a jantar connosco pertencem à mesma espécie? Os seres humanos e os chimpanzés só diferem em 400 genes; é por isso que o feto de um chimpanzé se parece com o de uma pessoa? E isso deve interessar-nos? Há uma cura genética para a toxicodependência. Será pior do que a doença? Vivemos numa época em que podemos vender on line óvulos e esperma e aplicar testes para doenças genéticas às pessoas com quem nos casámos. Vivemos num tempo em que 1/5 dos nossos genes pertence a alguém e em que um cidadão pode ser um alvo porque tem genes valiosos nos cromossomas..."

2008/11/20

2008/11/19

BNA-Lobito (8): Casa do gerador acabada, carpintarias em progresso e serralharias a arrancar

A laje da casa do gerador já está, os acabamentos interiores lá continuam, os da fachada externa também. Começa a ganhar forma e a dar um outro ar, neste momento. As UTA's do ar condicionado já chegaram da África do Sul e estão a ser levadas para os locais delas, o que não é tarefa fácil, pois cada "bicharoco" destes pesa mais de 200 Kg. O soalho de madeira já avança e os pisos 4 e 5 até ao fim do ano estarão quase prontos. O grosso das serralharias também já está cá, daqui a nada também começam a ser montadas, finalmente.
















A casa do gerador. Só faltam as paredes e os "habitantes"...




















Uma UTA, isto é, uma Unidade de Tratamento de Ar. Ainda bem que é grande, porque se fosse uma Pequena Unidade de Tratamento de Ar, a abreviatura era um problema...
















O soalho de madeira de Cambala em execução, à falta de cortiça, o enchimento do vazio foi com lã de rocha.
















As serralharias da estrutura do auditório, das escadas do piso 4 ao 6 e da viga do piso 6 estão dependentes de eu pescar o Sardinha para as por no sitio! Nas fotos, uma pequeníssima parte de peças do auditório (em cima) e das escadas (em baixo).

2008/11/18

18/6=2,6

Isto é matemática pura... Partida dia 18 de Dezembro de Angola a dividir pelo regresso dia 6 de Janeiro é igual a estar por aí 2,6 semanas, isto é, 18 dias...

Adoro esta matemática... e já cheira a Natal, ao leite creme, ao pão de ló, à lareira a crepitar, às iluminações de rua, ao coro-orfeão de Santo Amaro a berrar nas colunas das ruas e supermercados, aos intermináveis anúncios doa brinquedos e perfumes, à corrida pelas prendas, às filas intermináveis de transito nos arredores dos centros comerciais!

Ou mais simplesmente como diria a minha prima Inês: "já tou a ver as renas"!

2008/11/16

Dia de praia

Para começar a trabalhar o brozeado de Natal, e porque pela primeira vez desde há um mês está sol num domingo ou feriado. Terminus, aí vou eu...

2008/11/14

Ponte da Catumbela, ontem e hoje




Parabéns, Pai

Pois é, velhote, estás a caminhar para lá... Ainda vamos no 68, para o ano entramos, como diria o Mota Amaral da sua cadeira presidencial na AR, nesse curioso número.

Muitos parabéns com o calor de Angola que tão bem conheces, Nuno.

2008/11/11

Independência, 33 anos. Parabéns, Angola!

Angola comemora hoje os seus 33 anos enquanto país livre e independente, já fora do "colonialismo" português, fora da "pátria-mãe" a quem estiveram ligados cinco séculos. E como cinco séculos é, de facto, muito tempo, mesmo uma geração e meia depois, os laços e ligações são ainda enormes e profundos, mesmo apesar de alguns ressentimentos que possam haver de parte a parte. Mas estes dois povos, estas duas nações, estão "condenadas" a progredir juntas, mais não seja por esse enorme elo que é falarmos todos a mesma língua.
Em todo o caso, é bonito ver um país em festa, em paz, em consolidação de um processo democrático - o que não é fácil num país que nunca soube o que isso era enquanto colónia e mesmo culturalmente tem tradições em tudo diferentes do "nosso" conceito ocidental de democracia, motivo porque não podemos analisar da mesma forma a democracia em Angola, ou num qualquer país da África Austral, por exemplo, de Cuba ou da Venezuela, países com tradições completamente diferentes. Mas o que é facto é que este é um país em crescimento, que todos os meses vê melhorar as vias de comunicação, as infra-estruturas sociais, administrativas e políticas, que vê a sua economia florescer e que, graças à enorme quantidade de portugueses, em particular, e europeus, genericamente, presentes, ajuda dessa forma também grandemente as economias debilitadas europeias, quer através das famosas remessas dos emigrantes, quer através das compras a empresas europeias de todo o tipo de produtos dos quais Angola é, ainda e durante muito tempo, carente.
Mas o importante neste dia de hoje é sentir que este é um país com um enorme potencial e futuro, um país jovem (de idade e de gente) e que o futuro é para ele risonho, assim se mantenha em paz e no caminho da consolidação democrática muitos e longos anos.
Nesta altura, para além de todo o envolvimento no processo de reconstrução nacional, que é um esforço brutal do Governo, das Províncias, dos Municípios e das empresas nacionais e estrangeiras - é difícil quem está de fora perceber a dimensão do que se passa aqui - outro dos projectos em que Angola está envolvido, num processo similar ao que tivemos em Portugal com o Euro2004, é a preparação do CAN2010, o Campeonato Africano das Nações de Futebol, a realizar-se em 2010 em Cabinda, Luanda, Lubango e Benguela, sendo que é um processo importante também pelo levantar da moral e do orgulho angolano, como nos aconteceu em Portugal, sendo o objectivo realizar o melhor CAN de sempre. O que está ao alcance deles.
Hóteis em construção são muitos. Mas o essencial são os estádios, 4 novos estádios, infelizmente construídos pelos chineses (uma potência por cá...) e com ar moderno e nada ficando a dever, pelo menos no papel, ao que de melhor se tem feito no resto do mundo. Algumas imagens abaixo.

Luanda:



Benguela:



Lubango:



Cabinda:



Por tudo isto e pelo facto de me ter recebido tão bem, os meus mais sinceros agradecimentos e parabéns a Angola e ao seu Povo.

2008/11/10

E assim se promove o emprego e a baixa taxa de escolaridade obrigatória!


Ora aí está a prova que a crise não afecta a criatividade e se os meninos/as não transitam do 7º ano por culpa dessas criaturas horriveis que são os professores, podem sempre fazer um curso de futebol com o apoio do ministério do emprego e da educação, numa osmose única que permite manter em ocupação jovens que de outra forma poderiam cair nas tentações de abandonar a escola, pedir subsidios de desemprego ou, imagine-se lá, terem a peregrina ideia de serem professores que depois andam em manif's contra o trabalho burocrático e avaliativo e assim temos mais uns jovens com a escolaridade obrigatória concluída. "Chapeau" ao Rui Correia do CEPF da Guarda...

2008/11/09

E aí vão 5...

...com o de hoje, depois de 2 jogos para o campeonato, 1 para a Supertaça e outro para a Taça (a final) mais uma dose de FC Porto e Sporting hoje à noite, novamente para a Taça. Depois das vitórias contra os ucranianos, o tira-teimas.

Espero mais algumas modificações no FC Porto, talvez as entradas de Fucile e Pelé, mas acima de tudo espero ver um FC Porto forte e a discutir o jogo, sem se embarrilar na sua defesa e dando o controlo do jogo ao Sporting. E no final, que vença o FC Porto, pois então!

2008/11/08

BNA-Lobito (7): Casa do gerador e acabamentos em progresso

Novo up-date à minha obra. Que vai seguindo o seu caminho. A casa do gerador está quase pronta a betonar, faltam só uns ferritos e mais uns negativos para respiros dos geradores e fica pronta. Acho que vou ter de pagar uma caneca ao Carlitos, o cimenteiro, se ficar betonada até 15 de Novembro... A pedra vai avançando, por dentro e por fora. Os tectos falsos também, bem como as carpintarias, que o Carlos Alberto tem mão certinha e dá boa conta do recado. A monomassa segue bem, com o Santos a meio do 5º piso (mas ainda faltam tantos...). O traçado principal da rede de incêndios está quase pronto, os tanques estão a chegar, trabalho árduo que o Miguel e o Rui estão a levar para a frente (mas aqui perdi uma jantarada porque não apostei com eles como não acabavam até 31 de Outubro a rede, como de facto veio a acontecer...) mas não é fácil trabalhar tubos galvanizados de 4 polegadas.















Enchimento da sub-laje de pavimento a 22.10.2008















Betonagem da laje de pavimento a 24.10.2008















Montagem da laje a 30.10.2008















Montagem da laje a 7.11.2008

















Montagem da laje a 8.11.2008















Parede exterior em mármore rosa do Egipto grampeado com material Halfen




















Pedra nos pilares e remate de gesso projectado já executado




















Carlos Alberto a meter ferragens nas portas















Estrutrura de tecto falso 60x60




















Rede de incêndios, tubo galvanizado 4''

2008/11/07

Recordar Angola


Do conhecido jornalista da TVI, Paulo Salvador, recebi hoje a informação que vai em breve publicar o 3º volume da série de livros "Recordar Angola" (dos quais ofereci os 2 primeiros ao meu pai, que por Angola passou entre 1961 e 63) e que, conforme o seu blog Recordar Angola refere, irá fazer o lançamento público em várias FNAC's em finais de Novembro e no principio de Dezembro, ainda eu estarei aqui em Angola.

Como não está nada agendado para a FNAC de Braga, onde agora resido quando em Portugal, pode ser que ainda tenha a sorte de ele agendar por lá uma sessão já comigo em Portugal, de forma a que eu tenha a oportunidade de comprar, conhecer e autografar um exemplar para mim, de forma a juntar aos outros dois belos exemplares já lá em casa.

As sessões serão em:
Lisboa - FNAC C.C.Colombo 26 Novembro, pelas 18.30. Apresentação da obra, Luís Marinho
Coimbra - FNAC Coimbra Fórum, 30 de Novembro, pelas 17.00. Apresentação da obra, Dr. Henrique Faria
Porto - Fnac Norte Shoping, 1 Dezembro pelas 17.30. Apresentação da obra, Paulo Sérgio Gonçalves Marques.

2008/11/06

24 anos

Faz hoje 24 anitos que um míudo, acabado de fazer 12 anos, entrou para sócio do FC Porto, porque atingiu a idade em que começou a pagar bilhete e a não entrar "à borla" com o pai, como acontecia naquela altura. Outros tempos em que cadeiras eram luxo de camarote...

Esse míudo era eu! :)

Era então o sócio trinta e tal mil e hoje, estes anos todos depois e com várias recontagens pelo caminho (a cada 5 anos há uma) ainda vou no 18 mil e tal. Para o ano, cumpro o quarto de século de associado e terei direito, penso eu que na comemoração do aniversário do clube em 2010, a uma roseta de prata. O que significa que ainda estarei a 25 anos de receber a de ouro que o meu pai e os seus irmãos todos já receberam há alguns anos...

2008/11/05

Obama? Não, o fenómeno está em Portugal!

Obama foi o primeiro negro a ser eleito presidente dos EUA, mas o verdadeiro fenómeno não é ele! Segundo esta noticia/crónica do Correio da Manhã que me chegou ao email, a mim e a provavelmente uns milhares de portugueses mais, o nosso guia espiritual informático e por acaso também primeiro-ministro omnipotente José Sócrates assitiu, entendeu e tem boa memória da eleição de John Kennedy em Novembro de 1960 para presidente dos EUA quando o nosso primeiro tinha a tenra idade de 3 anitos...
Não é que o diabo do petiz já era um fenómeno político? Ora bolas, eu com dois anos não lembro do 25 de abril, com seis anos tenho uma vaga memória da Argentina campeã do Mundo em 1978 e mal me recordo do que foi para o país a morte de Sá Carneiro aos oito anos de idade.
Mas o distribuidor do Magalhães, aos 3 anos, lembra-se "do debate que houve na América quando, pela primeira vez, um católico se candidatou a presidente. O próprio Kennedy teve de vincar bem que nunca receberia ordens do Papa enquanto presidente dos EUA. Lembro-me bem do que isso significou."

Pergunto eu: ainda ninguém reparou no enorme manicómio em que Portugal se está a transformar? Haja paciência para isto, não?


























Sócrates aos 3 anos depois de ouvir Kennedy: "fiquei de boca aberta!"

2008/11/03

Fim de semana para esquecer...

O tempo está fraco, calor sim, mas sem sol e com umas chuvadas à mistura, nada convidativo para a praia.

Desportivamente então foi o descalabro... FC Porto afundado na Figueira (delicioso aquele título do Porta-avião afundado por traineira...) e os rivais ganharam os dois, a Ferrari perdeu o titulo de pilotos na última curva da última volta do último grande prémio - quando cortou a meta o Filipe Massa era campeão virtual, 20 segundos depois, já em comemoração, o banho de água gelada: o Glock que estava em 4º teve problemas (?) e deixou passar os dois que estavam atrás dele, permitindo que o Hamilton subisse ao 5º lugar e se sagrasse dessa forma campeão do mundo.

Rebuçados para não parecer tão amargo o fim de semana: hoje é feriado em Angola (quer dizer, foi ontem mas quando calha ao domingo passa para segunda-feira) e por isso apesar de eu estar a trabalhar, o dia é mais calmo; a Ferrari ganhou mais um titulo de construtores; o FC Porto continua a ganhar no hóquei em patins e segue o trajecto vitorioso que o futebol desconhece esta época...

2008/11/02

Uma história...

Marcou o código do cartão Multibanco: 0404. Quatro de Abril. Dia do nascimento do filho mais velho. Como não fica bem a um pai ter preferências explícitas por um ou outro exemplar da sua própria descendência, arranjou aquela maneira de o estimar secretamente no dia-a-dia. Enquanto esperava que a máquina lhe cuspisse os 100 euros em notas de 20, pegou no talão do cliente anterior, que tinha ficado à vista, amarrotado, em cima do teclado da máquina. Cinco euros e três cêntimos. Que porra de saldo!, pensou. O que é que se faz hoje em dia com cinco euros? Não dá para ir jantar fora, não dá para ir ao cinema... Olha, dá para comprar um maço de tabaco e ler o jornal...

Quando a máquina começou a vomitar o dinheiro, o formigueiro já instalado nos pés começou a subir freneticamente pelas pernas acima. Se cinco euros não dão para quase nada, os 100 euros que se preparava para agarrar dariam para mudar a sua vida.
Respirou fundo. Dobrou a esquina. Sabia exactamente o que fazer. Andava a preparar tudo há meses. Durante as noites de tédio, não pensava noutra coisa. Fechava os olhos e era a imagem do paraíso que via. Entrou na papelaria. Era preciso escolher bem o papel em que iria escrever a carta à Senhora Belmonte. A Carta Que Lhe Iria Mudar a Vida.

Passou os olhos e os dedos pelos diferentes papéis que havia na loja. Escolheu o mais óbvio, o mais simples. A carta, o papel branco que iria encher de sopros e segredos que a Senhora Belmonte nem imaginava existirem. Pagou e meteu-se a caminho. Não podia, claro, escrever tão delicada prosa em casa. Afastou-se daquele bairro, caminhou a pé uns quarteirões e escolheu a mesa mais recôndita do mais anónimo café das redondezas. Sentou-se, pegou na caneta dourada e escreveu em letra redonda e cuidada:

Cara Senhora Belmonte :
Bem sei que não se lembra de mim. Era eu uma criança quando a vi, a primeira e única vez que vi. Chamo-me Inácio. Era apenas um garoto tímido quando veio a casa dos meus tios, por alturas do nascimento do meu primo Guilherme. Mas eu lembro-me bem dessa tarde e era sobre isso que lhe queria falar, do que ouvi naquele escritório e que nunca esqueci, durante todos estes anos. Porém, não o queria fazer por carta. Porque o que me move são os sentimentos, peço-lhe que aceite encontrar-se comigo, recebendo-me em sua casa. Apanharei o primeiro avião que puder, assim que obtiver, de sua parte, resposta positiva, como espero que faça.
O seu,
Inácio Rodrigues


Acendeu um cigarro e estendeu levemente o braço, com dois dedos hirtos, na direcção do empregado que conversava pachorrentamente, encostado ao balcão. Voltou a ler o que havia escrito, remoendo a mesma indecisão que o assolava há anos e pensava ter abandonado. Dobrou cuidadosamente o papel, enfiou-o no envelope e guardou-os no bolso do sobretudo que nunca chegara a despir. Tomou o café de um só trago, deixou uma moeda, levantou-se, subiu as abas e enterrou o chapéu. A porta envidraçada era apenas uma memória distante, quando se apercebeu que a chuva e um cinzento baço desolavam toda a rua. Foi então que a viu, indefesa, serpenteando entre carros e charcos.

Sim. Era ela. Serpenteando entre carros e charcos. Agora não tinha que apanhar nenhum avião, não teria que esperar por mais nada. Ali estava ela, tão perto do meu corpo, tão longe do meu pensar. Que faço? Vou. Não vou. Digo “Olá sou o Inácio”. Digo “Desculpe donde a conheço?”. Tento que pareça um incidente? Que faço? E então eu, no meio de carros e charcos, estendo meu braço, toco-lhe e eis que ela, também entre carros e charcos, se me dirige o olhar, num instante de intensa importância. Digo-lhe por fim: Senhora Belmonte permita-me que lhe entregue este envelope que o Sr. Inácio Rodrigues lhe escreveu. As palavras saíram-me assim sem mais nada, sem pensar, sem elaborar.Ela mirou-me, seus olhos de régua e esquadro, e nem teve tempo de dizer nada, porque rapidamente tirei o envelope do sobretudo que nunca cheguei a despir e despedi-me com um aceno, serpenteando entre carros e charcos.

Carla Belmonte nem teve tempo de reacção. Apenas segurou no envelope enquanto aquele estranho se afastava na bruma cinzenta do nevoeiro e da chuva miudinha que entranha na roupa, na pele, nos ossos. Antes ainda de desaparecer na esquina, tentou um tímido chamamento, “Espere… Venha cá…”, mas não resultou e as suas pernas ficaram plantadas na calçada de pedra, escorregadia e desgastada dos passos do tempo. A cara do estranho pareceu-lhe vagamente familiar. Talvez não fosse estranho, mas estranho era terem-na encontrado ali, tão longe de sua casa na ilha da Madeira, até porque tudo tinha feito para estar ali incógnita. Carla Belmonte, apesar dos seus 39 anos, era ainda uma mulher de aspecto jovem mas que vestia discretamente, mais ainda quando o tempo convidava a roupas mais quentes e aconchegantes como este Outono. Estava no Porto para tentar descobrir o fio à meada da história da sua família, quem eram os pais que nunca chegou a conhecer, como tinham ido parar à Madeira e porque havia tanto secretismo no testamento do seu avô que só deveria ser lido na data do seu 40º aniversário que ocorreria no final do mês. Olhou novamente para o envelope, algo amarrotado pela força com que o segurava e correu para o carro alugado e estacionado na Rua Sá da Bandeira, bem perto da antiga Singer, onde então leu o seu conteúdo. Leu e releu as poucas linhas caligrafadas numa letra redonda e assinada por Inácio Rodrigues. O nome não me é estranho… pensou em voz alta enquanto ligava o Renault Clio branco.

(Esta é a continuação de uma ideia/história que começou na Fotosfera, continuou no Downtown, seguido de Blogueio Mental e continuada n’A minha pátria é a minha língua. Quem a quiser seguir que deixei aqui a sua intenção.)

2008/11/01

Batalha Naval

Mais um jogo da Liga esta noite em que é fundamental que o FC Porto recupere o ritmo de vitórias. Hoje até dou de barato a parte de jogar bem, requisito que costumo colocar também. Hoje, devido ao momento que a equipa atravessa, o importante é ganhar, meio a zero se preciso for, sob pena de estar em causa toda a época. Para coisas destas, chegou-me a época 2004-05, com 3 treinadores e muitos records negativos pelo caminho!

Por isso, para esta noite, não espero menos que a vitória.