2008/07/07

Leituras [29] - Predadores, de Pepetela



Terminei ontem este "Predadores" do angolano Pepetela que nos faz um retrato fantástico da sociedade angolana pós-independência, desde os sonhos dos ideais comunistas até ao capitalismo quase selvagem dos dias actuais.

A linguagem mordaz e rica que utiliza, aliada a um narrador que vai metendo uns apartes no meio da narração, temos um ritmo de história que vai avançando e recuando ao sabor da vontade deste narrador cheio de personalidade, o que nos faz querer avançar mais e mais até terminar a história. E Vladimiro Caposso é um personagem de ficção tão real como tantos outros que aqui existem, bem como os seus filhos.

E posso estar enganado, mas acho que as aventuras do Vladimiro Caposso ainda não terminaram aqui e o ultimo capitulo deixa as portas abertas para mais histórias.

Sinopse:

""Caposso não abriu a boca de assombro, mas admirado ficou. Muitos Portugueses e Angolanos tinham começado a abandonar o país desde o ano passado, quando reconheceram a inevitabilidade da independência. Achavam que o país era deles, se babavam todos com as riquezas reais ou supostas de Angola, a terra do futuro, mas se fossem eles a mandar, não com negros no poder. E a guerra que estoirou entre os movimentos de libertação aumentou o pânico e as filas de embarque. O aeroporto de Luanda tinha virado um hotel de três estrelas negativas, centenas de pessoas dormindo pelo chão dias a fio, à espera dos aviões da ponte aérea, o lixo se acumulando e as paredes enegrecendo de sujo. A terra estava de facto a ferro e fogo."

O regresso deste apreciado escritor angolano, com um retrato do novo-riquismo neste país. O olhar atento de quem conhece esta realidade, associando a vertente crítica à capacidade de criar uma história cativante. A trama tem início no ano de 1992, por altura das eleições e socorrendo-se de avanços e recuos, evolui até 2004. O ambiente político, os negócios que servem a ascensão de novas fortunas (acautelados pela "sombra" do poder) e as implicações de todo esse quadro na evolução do próprio país."
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