2006/01/23

The day after

O dia seguinte é quase tão importante para reflexão como o dia anterior às eleições. Porque se no sábado nós procuramos "limpar" a cabeça da "poluição sonora e visual" da campanha eleitoral de forma a termos a certeza que a opção que tomamos é realmente a melhor, na segunda-feira temos de avaliar que a opção que os portugueses tomaram é de facto a melhor e quais as consequências que advêm dos resultados.

Com o apoio de algumas frases do Presidente eleito, vou apresentar alguma reflexões que tenho feito mentalmente desde que ontem ouvi o seu discurso de vitória.

"A minha vitória, a vitória que os portugueses me deram não é a derrota de ninguém porque é apenas uma escolha livre e legítima dos portugueses para os próximos cinco anos."


Esta é principal razão da vitória do Prof. Cavaco sobre os 5 adversários oriundos da esquerda. Enquanto estes assumiram desde o 1º minuto que a razão da sua candidatura era derrotar o adversário da direita, este sempre assumiu que a razão da sua candidatura era Portugal, tornar Portugal Maior. No momento da vitória soube com esta frase traduzir isso mesmo, não derrotou ninguém... Também o facto dos candidatos da esquerda não terem percebido, como o disse num post, que o Prof. Cavaco Silva era o candidato da direita, centro-direita, centro e centro-esquerda, penetrando até residualmente na esquerda - transversal, por isso, a todas as ideologias e candidaturas - foi outro factor, já que baseado num falso pressuposto atacaram os eleitores que nele se reviam mas nunca se reviram na direita. Para além disso, foram troculentos, violentos até, nas palavras e acusações que faziam constantemente, remetendo para coisas do passado quando o Povo queria ouvir falar do futuro que do passado estamos há muito conversados...

"A eleição Presidencial termina aqui. É um capítulo que se encerra.
Também neste exacto momento se dissolve a maioria que me elegeu. Quero ser e serei Presidente de todos os portugueses.Como Presidente estarei atento às preocupações e anseios de todos os meus concidadãos como também daqueles que, não tendo nascido portugueses, escolheram a nossa terra para viverem e realizar os seus sonhos."

A clara separação partidária da sua candidatura foi também um trunfo. Que a espaços tocou no PSD (também no CDS-PP, mas muito menos, proporcional ao seu peso político quase inexpressivo actualmente) mas que não necessitou da sua "máquina" para fazer caminho, porque ele sempre caminhou por si e quem quis, como eu, basyou seguir as suas pisadas... Mais ainda, a sua candidatura era desejada pelo PSD de forma quase unanime e pelo CDS-PP maioritariamente mas surgiu apenas no timing, no modo e nos locais que o Prof. Cavaco achou adequados. De forma diversa aconteceram as 5 candidaturas da esquerda... Os 3 candidatos mais pequenos eram candidaturas partidárias, hoje eram o Francisco, o Jerónimo e o Garcia porque são os lideres dos respectivos partidos, daqui a 5 anos serão o Miguel, o Joaquim e o Manuel que liderarem então esses partidos. As candidaturas foram decididas pelas comissões políticas e não o foram por motu próprio. Os 2 candidatos socialistas, que claramente fracturaram o partido, surgiram ambos em ambiente partidário. Manuel Alegre assumiu a sua candidatura num jantar-comicio do PS para as autárquicas em Águeda. Mário Soares, no primeiro dos lapsos da sua candidatura, foi primeiro apoiado oficialmente pelo PS e só uns dias depois se apresentou como candidato num hotel, numa cerimónia carregada de lapsos... nunca descolando da imagem de candidatura partidária, não muito diferente das 3 mais pequenas nesses aspecto.
O facto de assumir que a partir daquele momento a maioria que o elegeu se dissolve significa apenas e tão só que a partir daquele momento ele é o Presidente eleito, de todos os 10 milhões de portugueses e não apenas dos 50,6% que nele ontem votaram.
Enquanto o PS andar a acusar Manuel Alegre de este ser o culpado da eleição à 1ª volta, enquanto Manuel Alegre não perceber que ele não ficou a 0,7% de conseguir uma vitória (ele ficou a quase 30% de conseguir a vitória, ou ganhar para ele era apenas e tão só forçar o favorito a uma 2ª volta?, triste ambição se assim foi...) provam, demonstram como ainda não perceberam porque é que o Povo que há 11 meses e 2 dias votaram em Sócrates e no PS maioritariamente mudaram tão depressa de orientação política...

"O lema que escolhi para a minha campanha foi ‘Portugal Maior’,
fazer ‘Portugal Maior’. É esse o meu sonho!"


A genuinidade, o reconheciemnto da competência, a seriedade e humildade, o patriotismo e a sinceridade e verdade nas palavras que profere foi, para mim, a razão final que levaram à sua eleição. Porque quando o ouvimos falar anunciando que quer um "Portugal Maior", de facto sentimos que ele o quer não para ele mas para todos nós, para os filhos e netos dele, que sente aquilo que diz.

Portugal precisava desta "sapatada". Precisava de abanar as consciências dos políticos e precisava de políticos sérios e que tragam seriedade à política. A eleição do Prof. Cavaco Silva ontem poderá constituir-se como um marco histórico na democracia portuguesa, que trará novos valores à política e aos políticos e, por arrastamento, espero eu, à sociedade.

Hoje tenho um pouco mais de esperança no futuro. Queira o futuro ser clemente com o Portugal...

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