2011/11/17

Exportar arquitectura?

Fotografia Público
No Ípsilon do passado dia 10, surgiu uma noticia mais sobre arquitectura - como muitas vezes, o Público é dos jornais que mais atenção dá à matéria, juntamente com o DN e o Expresso.

A noticia da Alexandra Prado Coelho é sobre uma exposição em Lisboa ("as usual") no Museu da Electricidade que foi montada por 6 gabinetes de arquitectos portugueses e que andou já a correr mundo. Às expensas destes.

E daí que a noticia começa, rapidamente e ainda bem, a derivar da própria exposição para as opiniões dos arquitectos/as envolvidos sobre a promoção da arquitectura portuguesa no estrangeiro.

Pergunta-se então qual o papel do Estado na divulgação da arquitectura portuguesa/made in Portugal?

E a conclusão é simples: generalizando, não tem papel, passa ao lado do assunto.

O Estado não assume a arquitectura como uma indústria mais a exportar, os arquitectos têm de se promover por eles próprios, quer através dos concursos que amiúde vão ganhando no estrangeiro, quer através de organização/participação de exposições no estrangeiro.

A questão é simples. Com uma despesa mínima, o Estado pode promover a arquitectura portuguesa no estrangeiro, desde que assuma, através do AICEP e da rede de embaixadas, que essa industria tem de ser promovida. Como? Por exemplo, apoiando a organização de exposições itinerantes na embaixadas portuguesas, trabalhando a comunicação / marketing das exposições na imprensa desse país. Apoiando a participação de arquitectos portugueses em actividades no estrangeiro, promovendo Workshops/Feiras de arquitectura (e porque não de engenharia também) na rede de embaixadas, dando a conhecer o trabalho, obra e conhecimentos dos arquitectos portugueses. Preferindo, sempre que possível (porque nem sempre é, devido à legislação comunitária), os arquitectos portugueses aos estrangeiros.

Era importante o Estado olhar com atenção para esta matéria. Como disse o presidente da Ordem dos Arquitectos há uns dias, cerca de 40% dos arquitectos não tem trabalho em Portugal. Assim, em vez de exportar arquitectos, seria bem melhor exportar arquitectura... E há um largo papel que a diplomacia portuguesa pode desenvolver de forma a ajudar esta classe profissional. Só é preciso boa vontade, muito mais que dinheiro.
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