2012/03/05

Leituras [64] - Os Demónios de Berlim, de Ignacio Del Valle

Muito raramente não consigo terminar de ler um livro. Penso que os dedos de uma mão chegam para isso.

Este foi, infelizmente, um desses casos.

A história e o local escolhidos para o desenvolver da trama tinham tudo para resultar num livro excelente.

No entanto, Os Demónios de Berlim, de Ignácio del Valle, não me cativou, esteve tempo de mais pousado na mesa de cabeceira e nunca consegui ler mais do que uma ou duas páginas de cada vez.
A escrita, não sendo intragável, era... estranha. E a história não desenvolvia. Ao fim de 100 páginas parecia que ainda estava quase no mesmo sitio, pouco tinha avançado.

Desisti, por isso, de continuar a leitura e passei ao seguinte...


Sinopse
Premio de la Crítica de Asturias 2010 Berlim, 1945.
Os soviéticos avançam, imparáveis, pelas ruas repletas de escombros. Em toda a cidade a luta é violenta, e a derrota alemã está iminente. Arturo Andrade está no meio de todo aquele caos. A sua missão: localizar Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na chancelaria do Reich com um misterioso bilhete nos bolsos. 
Começa assim este thriller escrito com paixão e rigor documental que, com um ritmo que não dá tréguas ao leitor, nos aproxima de uma personagem que deverá enfrentar múltiplos demónios, os alheios e os seus próprios, para salvar a única coisa que parece escapar a este contexto atroz: o amor de uma mulher.

Críticas de imprensa 
Uma apaixonante combinação de relato bélico e thriller policial.
El País

2012/03/03

Coisas estranhas...

...e não, não estou a falar do FC Porto ter ganho na Luz...

Refiro-me a um email que recebi que nada tendo de estranho (objectos perdidos nas 3 bibliotecas da UM) acaba por se revelar um tanto ou quanto estranho, ou talvez bizarro.

Atentem só nas coisas que se perdem e lá não são procuradas:
- 1 Agenda electrónica
- 5 Anéis de bijutaria
- 4 Anéis de ouro
- 1 Anel de prata
- Folhas com apontamentos
- 4 Auscultadores
- 1 Bateria de Portátil e 1 Transformador de portátil noutra
- 2 Brincos
- 2 Cachecóis
- 3 Camisolas
- 1 Cartão Multibanco
- 5 Cartões de utilizador
- 3 Carteiras
- 1 Carregador telemóvel 
- 11 Casacos numa e 1 Casaco noutra
- 2 CD’s
- 1 Chave de automóvel
- 2 Dicionários
- 1 Equipamento desportivo
- 1 Extensão elétrica
- 2 Gorros
- 3 Guarda-chuvas numa e 2 Guarda-chuvas noutra
- 6 Livros numa, 2 livros noutra e ainda 1 Saco com livros noutra
- 1 Máquina de calcular
- 1 Mochila
- 2 MP3
- 5 Pares de óculos de sol numa e 4 Pares de óculos de sol noutra
- 4 Pares de luvas
- 35 Pen drive numa e 18 noutra
- 3 Estojos numa, 2 noutra e outro noutra ainda
- 1 Pulseira
- Quantia em dinheiro numa e 1 porta-moedas com valor em dinheiro noutra
- 1 Rato
- 3 Telemóveis numa e 1 telemóvel noutra
- 1 Par de óculos graduados
- 3 Cadernos numa e 5 Cadernos noutra
- 1 Capa de arquivo
- 1 Capa de telemóvel
- 3 Porta-chaves com chaves e 4 chaves noutra
- 1 Passe de autocarro 
- 1 Anel
- 1 Agenda 
- 1 Cabo
- 1 Par de meias


Ou seja, há quem tire as meias! Há quem deixe lá o fato de treino! E todo o tipo de roupas: luvas, gorros, cachecóis, casacos, camisolas... Quem leve livros e até dicionários para uma biblioteca! Quem lá se esqueça dos óculos graduados! Há quem tenha entrado pela janela em casa porque lá deixou as chaves. E há quem vá a pé para casa porque lá deixa a chave do carro! Ou o passe do autocarro! Quem lá se esqueça da carteira... sem e com dinheiro lá dentro! Há até quem lá se esqueça do dinheiro, simplesmente! Ou do multibanco! E dos telemóveis. Ou do carregador deles. Ou dos portáteis e até da bateria de um portátil!

Sempre pensei que para os bibliotecários os maiores momentos de frisson profissional fossem quando mandam as pessoas fazer silêncio... afinal, parece que há todo um manancial de pequenos acontecimentos do dia a dia que davam para escrever um livro...

2012/02/29

Das costas para o peito!

Tradicionalmente a nossa Selecção carrega com a cruz às costas, tamanhas as dificuldades que passa para as qualificações e nas competições.

Parecendo quebrar com o passado, mas claramente inspirado no passado, os criativos da Nike desenharam um novo equipamento alternativo que nos põe agora a cruz... ao peito!

Gostei do equipamento e do simbolismo. A ver se inspira os jogadores.

Os neo conquistadores. Que não sentem nada mais do que a vitória. Assim o esperamos...

O dia +1

A cada 4 anos, temos direito a mais um dia no nosso calendário. Este ano, de crise, era bem escusado... estamos todos ansiosos para sair de 2012 e da crise, não havia necessidade nenhuma de prolongar o mês e o ano mais 1 dia...

2012/02/27

Streep como Thatcher

Retirado de Wikipedia
A esta hora não sei ainda se Meryl Streep ganha o Óscar de Melhor Actriz (depois de o ter ganho em 1983 e antes, em 1979, ter ganho o de Melhor Actriz Secundária) e ter tido 14 nomeações entre 1979 (quando ganhou o primeiro) e este deste ano onde encarna, brilhantemente ao que parece, o papel da Dama de Ferro, Margaret Thatcher.

Sei apenas que este filme, ao que dizem as várias críticas que tenho lido, vive de uma brilhante representação e caracterização desta fantástica actriz - e, pelo menos, o Óscar de Melhor Caracterização o filme já ganhou! Espero, por isso, que ela ganhe. Porque ela é uma grande actriz, como um currículo impressionante e se ela não merece ganhar por este papel, ninguém merece...

NOTA - Sim, ela ganhou!

2012/02/22

Da palhaçada do Carnaval

E hoje, nas cinzas da quarta-feira, penso se valeu a pena o estardalhaço todo que fizeram à volta não marcação da tolerância de ponto do Carnaval e concluo que não.

E não valeu a pena porque o país trabalhou, a função pública trabalhou e mesmo assim quem quis gozar o Carnaval, nas ruas ou em casa, conseguiu fazê-lo como se pôde ver nas TV's. Os foliões gozaram o seu Carnaval. E onde o Carnaval tem tradições, os municípios que gozam de autonomia suficiente para marcar o seu calendário de trabalho, tratou de isentar uma boa parte dos foliões de trabalhar. Tudo satisfeito, tudo normal. Menos quem não tem mais nada que fazer do que andar a reclamar contra o fim dos direitos adquiridos. Que se o são (adquiridos) então também podem ser "penhorados" e "vendidos" - num momento de crise, para mantermos os "dedos", vendemos os  "anéis", querendo com isto dizer que se não há dinheiro para circo e pão, como diziam os imperadores romanos, então resta-nos abdicar de alguns desses adquiridos direitos de forma a não perdermos tudo...

Então que conclusão se pode tirar disto?

Para mim, a conclusão é só uma: fez muito bem Pedro Passos Coelho em fazer o que fez. Já chega de se andar a gozar dias sem trabalhar à custa dos patrões, públicos ou privados. Quem quer ser folião, deve fazê-lo à sua custa, metendo dias de férias. Reparem que só Portugal, entre os países da Europa, decreta uma tolerância de ponto (aos funcionários públicos) pois em Espanha, França ou Itália (apenas para citar os que mais celebram este dia, apesar de ser também celebrado em países como o Luxemburgo ou Alemanha, por exemplo) nenhum Governo o faz - como tal já era altura de alguém acabar com mais um "vicio" de funcionamento deste país.

Portugal está a mudar, mesmo que as dores dessa mudança incomodem alguns, mas tem de ser!

Ridículo foi o BE apresentar uma proposta no Parlamento para que o Carnaval passe a ser feriado nacional. Já dizia o Diácono Remédios e muito bem: oh meuz amigoz... não havia nexexidade...

2012/02/19

Fotografia Total

Um bom programa de televisão, sobre fotografia, na TVI24, aos domingos.

Para além de uma entrevista a um fotografo, cada semana mostra ainda várias fotos de fotógrafos profissionais de todo o mundo, informações sobre novas máquinas fotográficas, dicas sobre como tirar fotografias e ainda fotos de espectadores.

Curto, conciso e interessante. Ver aqui.

2012/02/18

Tiago Ferreira

Imagem Porta19
Memorizem este nome, fixem esta cara. Este menino vai dar muito que falar no futuro, um grande central: forte, alto, rápido, tecnicamente dotado e um líder em campo.

Tiago Ferreira, o central do futuro no FC Porto e na Selecção.

2012/02/16

Logo à noite...

Foto Vincent Metier
...para não me sentir só, estarei ali no meu lugar, no meio de mais uns milhares a torcer pelo meu FC Porto contra os citizens!

Eu (ainda) acredito, apesar de Vítor Pereira...

I've got a feeling...

Foto Johnny Routh
Hoje sinto-me assim... sozinho.
Miss u!

2012/02/08

Piegas


adjectivo invariável, nome 2 géneros 2 números
1.que ou pessoa que é considerada excessivamente sensível ou sentimental; lamecha
2.que ou pessoa que é considerada medrosa e assustadiça; medricas
3.niquento
(De origem obscura)

Ou seja, não só os portugueses têm sido piegas q.b. nos últimos tempos como, para aumentar a dose, também os "oposicionistas" e jornalistas o têm sido ainda mais, niquentos com tudo o que diz Pedro Passos Coelho, lamechas a chorar por dias passados onde o futuro se antevia diferente porque nos mentiam quanto à situação do país, medrosos e assustadiços com as mudanças que são necessárias fazer no país para voltarmos a ter uma hipótese de futuro outra vez.

Por isso, parém lá com a lamechice que isto (já) não é assunto... 

Já rosnam os motores do grande circo

Ferrari F2012
A Formula 1 já mexe. Em Jerez de la Frontera, as equipas estão a efectuar os primeiros testes da pré-época, um mês antes do arranque da temporada.

Temporada esta que está, para já, marcada pelos mais feios bólides de que tenho memória.

Cada um que vejo é pior que o anterior, angulosos, cheios de retalhos e com muitas protuberâncias. Longe vão os tempos em que a fluidez, a leveza e a beleza harmoniosa final eram a lei. Com regulamentos cada vez mais complexos no que toca à execução dos carros, é cada vez mais difícil criar um carro "normal".

Para esta época, como a sempre, as minhas expectativas são as mesmas de sempre: ver a Ferrari cavalgar a concorrência e vencer o título de construtores e, quase consequentemente, o de pilotos...

Forza Ferrari!

Sauber C31
Red Bull RB08
Toro Rosso STR7
Lotus E20
Williams FW34

2012/02/05

Lucho!

Foto Reflexão Portista
Que saudades! Ver Lucho jogar é um luxo. Um jogador com classe, qualidade técnica, sabedoria.

O melhor jogador em Portugal, sem dúvidas.

Só um grande jogador pode estar dois anos e meio fora do país, chegar, fazer 4 treinos, ser titular e dar a impressão que nunca saiu da equipa...

2012/02/02

Mobilidade em Guimarães: ainda sobre o debate

Ainda sobre o debate realizado na 2ª feira passada pela Comissão Permanente de Cidadãos e a que tive a honra de moderar, deixo o texto que preparei para abrir a sessão e onde, de forma quase telegráfica, resumi os temas que marcaram a discussão virtual na plataforma do Facebook antes desde debate live.

Partilho assim aqui o meu texto:

Mobilidade Urbana

A terminar o ano de 2011, o amigo JOSÉ CUNHA lançou no grupo um post que poderia ter sido apenas mais um, como dezenas outros que ali têm sido colocados e amplamente discutidos. Mas não foi apenas mais um. Porque gerou um imenso debate, polémica quanto baste e derivou em muitos temas também que paralelamente foram sendo discutidos. E mostrou, se ainda fosse preciso, da validade desta Conferência Permanente de Cidadãos e a prova que a cidadania activa é fundamental para a comunidade, para o seu progresso, para o seu bem-estar. E o tema de tão interessante que é, permite-nos estar aqui hoje à noite reunidos para o debater.

MOBILIDADE EM GUIMARÃES.

Perguntava então o José Cunha que “somos património mundial há dez anos, mas passam mais carros que turistas no Largo da Oliveira, e as nossas ruas e largos do centro histórico são parques de estacionamento. Não será a CEC uma oportunidade de mudança? Concordam com o actual estado?”

Mobilidade, qual o sentido actual da palavra?

Das inúmeras definições possíveis, agrada-me uma que diz que a mobilidade visa a melhoria contínua das condições de deslocação, a diminuição dos impactes no ambiente e o aumento da qualidade de vida dos cidadãos, indo ao encontro das grandes orientações estratégicas comunitárias e nacionais neste âmbito, numa lógica de sustentabilidade. Portanto, a mobilidade urbana deve ser sustentável. Deve diminuir o impacto no ambiente e melhorar a qualidade vida dos cidadãos, naquilo que normalmente se associa à qualidade do ar, que é uma das principais queixas dos cidadãos, para além da poluição visual que os carros por vezes se transformam ao ocuparem as nossas ruas e praças.

E como está Guimarães neste capítulo?

Recentes obras, intervenções que se queriam de fundo, não alteraram o trânsito nas áreas intervencionadas – o Toural continua rodeado de carros por todos os lados, a Alameda continua com automóveis a circular em cima, em baixo e agora também ao meio e as ruas Santo António e Gil Vicente continuam com trânsito automóvel a mais e passeios a menos. Discute-se onde deveria haver parques de estacionamento e se os actuais chegam e estão bem localizados. Uma associação vimaranense, a AVE, propôs um plano de mobilidade ciclável em Junho que, pelo que se vê na cidade, não teve grande acolhimento pela autarquia.

Comecemos então por aqui. Será Guimarães uma cidade amigável dos ciclistas?

Pessoalmente, julgo que não. Não só não tem vias próprias para estes, como não há espaços próprios para estes parquearem as bicicletas como ainda os pisos existentes das ruas do centro histórico e arredores são extremamente desconfortáveis (até para quem anda de carro) e nada convidativos a passar de bicicleta lá. E os transportes públicos, respondem às necessidades dos habitantes e utilizadores da cidade? Não sei, tenho algumas dúvidas. E por experiência própria, em vários anos que habitei no centro, poucas vezes usei os transportes públicos por dificuldades de encontrar carreiras que se ajustassem às minhas necessidades ou horários. Parecem-me grandes para algumas ruas estreitas, parecem-me que falham todo o centro histórico, apenas o contornando. E sendo transportes antigos, são pouco amigos da qualidade do ar…

E estacionamentos, como está Guimarães servida?

Por um lado, há muitos estacionamentos no arco urbano do centro histórico. Mas no Centro Histórico, não há quase nenhum parque “intramuros” – exceptuando o Largo João Franco e o Largo Martins Sarmento. Na fronteira existem os parques de S. Francisco, de S. António e da Mumadona. Todos os restantes estão a 5 minutos a pé de distância, ou mais ainda. E todos estes parques são de pequena dimensão, totalizando cerca de 1000 automóveis, mais ou menos, e todos pagos. Será suficiente? Não havendo um estudo sobre a quantidade de carros que se deslocam ao centro da cidade e sobre os objectivos das pessoas que aí vão (ou se há não é do meu conhecimento) é difícil responder a essa pergunta. Mas utilizando esse medidor impressionante que todos temos, o “olhómetro”, diria que para permitir maior mobilidade em Guimarães seriam necessários mais parques perto do Centro Histórico, com maior ligação a transportes públicos, implementando o uso de bicicletas (talvez no sistema de Aveiro, a Buga) e baixando os preços/hora do estacionamento.

E a qualidade de vida de quem vive na cidade?

Do ponto de vista do ruído, o empedrado onde circulam os veículos é inimigo do conforto. Os veículos em baixa velocidade e a antiguidade do parque automóvel de transportes públicos poluem o ar. E a passagem de veículos nas ruas perturba a utilização das mesmas por quem habita, impedindo até por vezes o acesso por automóvel destes às suas próprias casas.

E quem trabalha na cidade?

Como bem mostrou o Pedro Escobar Meireles Graça, por vezes há determinados serviços onde não é possível cumprir sem ter o carro bem perto do local de trabalho. Há quem carregue uma simples pasta, há quem carregue uma fotocopiadora ou uma máquina de lavar. Também não é fácil ajuizar esta questão, mas penso que determinadas pessoas têm imensa dificuldade em trabalhar no centro de Guimarães.

Julgo que haverá espaço a melhorar muito, em muitas coisas.

Por exemplo, há neste momento em curso a implementação de um programa de mobilidade sustentável, pela Agência Portuguesa do Ambiente, que uma das cidades do Quadrilátero Urbano, Barcelos, está já a implementar – vale a pena procurar pelo estudo deles na net, muito completo e interessante e perceber o que ainda pode ser feito – e por vezes com pequenas verbas – para melhorar a mobilidade urbana.

A lógica que explicava o desenvolvimento urbano dos últimos anos era:

Carros > Edifícios > Espaços > Pessoas > Vida

O desafio hoje é inverter essa ordem, começando a nossa preocupação de projecto por:

Vida > Pessoas > Espaços > Edifícios > Carros

Esta é uma ideia que julgo muitos de nós subscrevemos e é também uma boa questão de partida para o debate: saber em que sentido vai Guimarães.

2012/01/31

Conferência/Debate sobre Mobilidade pela Conferência Permanente de Cidadãos

Decorreu esta noite nova conferência da CPC dedicada ao tema da "Mobilidade em Guimarães" e que tive o grato prazer de moderar.

Antes de mais, uma coisa que me surpreendeu foi a casa cheia, talvez mais de 40 pessoas, entre elas imensos jovens. É bom saber que este tema desperta mesmo atenções.

Depois, as opiniões diversas e controversas que aconteceram ao longo das mais de 2 horas de aceso debate e troca de ideias foram muito interessantes.

Abordados que foram os temas dos transportes públicos, dos estacionamentos, da criação de mais ruas pedonais, da desertificação habitacional e comercial do centro histórico, dos diferentes utilizadores do espaço (os habitantes e comerciantes em oposição aos turistas e aos frequentadores dos espaços nocturnos), da implementação de zonas cicláveis, da implementação de planos de mobilidade em cidades limitrofes, da forma como se pode regular o transito, chegamos no final a algumas conclusões: em Guimarães não aparenta haver uma estratégia subjacente à questão da mobilidade. Tomam-se pelo poder político atitudes contraditórias, com fins antagónicos, da forma mais natural do mundo.

Seria positivo existir um estudo profundo, coerente e com procura de soluções que fossem integradoras das várias situações que permitissem melhorar todos os tipos de mobilidade, de quem anda a pé, de bicicleta, de transportes públicos e de automóveis. À semelhança, por exemplo, do que está a fazer com algum sucesso, a cidade de Barcelos (partes 1, 2 e 3), integrante do nosso Quadrilátero Urbano.

Há, por isso, muito a fazer sobre o assunto em Guimarães. Que está melhor nalguns aspectos do que se apresentava há alguns anos atrás, mas que se não mudar de paradigma e alterar alguns conceitos, poderá vir a ter sérios problemas a médio prazo.

Moderado por mim e com as presenças de José Gonçalves e José Cunha.

Deixo, por fim, aquela que é uma boa definição de mobilidade urbana e que serve a todos, da autoria da Engenheira Civil brasileira, Cristina Baddini:

"Mas, afinal, o que é mobilidade urbana?Quando uma cidade proporciona mobilidade à população, oferece as condições necessárias para o deslocamento das pessoas. Em outras palavras, ter mobilidade é conseguir se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer e para qualquer outro lugar onde o cidadão tenha vontade ou necessidade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. (...) Ter mobilidade urbana é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejados, salvo em caso de acidentes, por exemplo. É ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir ao trabalho a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo. É dispor de cicloviase também de calçadas que garantam acessibilidade aos deficientes físicos e visuais. E, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convir e não ficar preso nos engarrafamentos."

2012/01/27

As obras da A3

Foto Amândio de Carvalho, S.A.
Em Julho de 2010 iniciaram-se entre os nós de Santo Tirso e Trofa as obras de alargamento da A3, com duração prevista de 20 meses. Isto é, deviam terminar daqui a menos de 2 meses...

E digo deviam porque hoje ao lá passar, reparei num pormenor engraçado. Boa parte da extensão da obra ainda está por asfaltar (talvez metade do percurso, diria eu a "olhómetro") e, mais grave, ainda estão em execução alargamentos de pontes existentes (naquela zona que cheira mal, por exemplo, ainda falta executar o tramo todo do viaduto quem vai para o Porto) e faltam ainda executar 3 pontes sobre a autoestrada e demolir 2 pontes existentes que serão anuladas com as novas. E inicio do tramo a alargar, quem entra no nó de Santo Tirso, só esta semana foi iniciado, pelo que ainda estão a remover terras dos taludes laterais do monte. Menos de 2 meses para tudo isto? Parece-me pouco...

Mas a parte que é pior é que numa noticia do JN sobre o inicio da obra descobri algo que me faz pensar quanto tempo estaremos, os utilizadores da A3, sem obras... A Brisa era contratualmente obrigada a aumentar de 2 para 3 faixas (o que está a ser feito agora) quando o tráfego ultrapassasse os 35 mil veículos/dia. Mas isso já terá sido há muito tempo, visto que a noticia refere que já nessa altura o tráfego da A3 superava os 50 mil veículos/dia naquele troço... e por contrato a Brisa terá de aumentar para 4 vias quando o mesmo supere os 60 mil veículos/dia, coisa que com este alargamento diria que irá acontecer muito mais depressa que os 6/7 anos que a Brisa estima serem necessários...

Enfim, a típica incompetência de planificação e previsão dos portugueses espelha-se, no seu máximo esplendor, nas obras de estradas, que normalmente são feitas atrasadas e quando prontas já estão quase no limite máximo do tráfego que aguentam...obrigando quase de imediato a nova intervenção. Depois, perguntem como é que há deficit e coisa e tal...

2012/01/22

Da abertura da CEC2012 no Toural

Não sei. Não vi.

Tentei, mas não foi possível lá chegar. O que me chateou mais profundamente é que eu nem sequer ia para a praça, só queria chegar ao edifício, pois tinha onde assistir "de balcão"!
Imagem Público | P3

Assim, assisti na Oliveira por uma TV e tenho visto fotos, daquilo que me parece ter sido um fantástico espectáculo dos La Fura Del Baus.

Mas o que me preocupou mesmo foi a enorme quantidade de barreiras policiais, daquelas de ferro, que colocavam para impedir o acesso ao Toural. É que as barreiras que impedem a entrada, são as mesmas que impedem a saída... e agora imaginem que tinha acontecido um acidente qualquer - por exemplo, rebentar um cabo que segurava um dos bonecos gigantes - e a multidão tinha um momento de pânico e tentavam fugir do local... alguém consegue prever o que se teria passado quando a multidão começasse a ser apertada contra essas barreiras metálicas? Eu relembro o que se passou em Heysel Park, num tristemente célebre Liverpool-Juventus para se ter uma ideia do que poderia ter acontecido!

Esta é, claramente, uma situação a repensar - ou o local, ou a forma como se acede e impede o acesso lá. Não esquecer que esta foi a primeira de 5 apresentações semelhantes que este grupo vai realizar...

No restante, só espero na próxima vez organizar as coisas de forma a conseguir lá chegar antes de ser fechado o espaço... à primeira, cai quem quer, à segunda, só quem quer cai...

2012/01/21

O dia 0

...10...9...8...7...6...5...4...3...2...1...0!
O dia 0.

O momento em que tudo se inicia, o momento em que termina o count-down.

Foi um ano atribulado, este que nos trouxe até este dia, o dia que todos esperavam para que terminassem os preparativos e começassem os espectáculos.

As polémicas foram variadas e diversas, desde as políticas seguidas pela organização até ao curso e atrasos das obras levadas a efeito para o evento, passando ainda pela queda da líder inicial do projecto.

De tudo um pouco aconteceu.

Entidades várias tiveram que intervir, fazer valer o seu peso político, institucional ou de cidadania para prevenir e remendar erros vários que iam acontecendo.

Hoje, no dia 0, com o arranque oficial do evento, muitas polémicas estão resolvidas, outras serão ultrapassadas, outras ainda esquecidas. Mas nem tudo passou e foi perdoado - por exemplo, a questão dos ordenados e do término da FCG, não passará nem será esquecido. E, com toda a certeza, conhecendo Guimarães e os vimaranenses, orgulhosos da sua cidade e das suas coisas, outras polémicas irão nascer.

Mas hoje, o importante é celebrar este evento único que se inicia e se prolonga pelos próximos 11 meses - termina a 21 de Dezembro de 2012. E, acima de tudo, participar nos eventos que irão acontecer nos próximos 11 meses - mais de 600, segundo a informação disponibilizada pela FCG, o que dá um pouco menos de 60 por mês, cerca de 2 por dia. Participar não por participar, mas participar activamente, isto é, participar naqueles espectáculos que nos digam alguma coisa - razão porque hoje à noite estarei no Toural a assistir aos La Fura Del Baus naquele que deve ser um fantástico espectáculo de abertura aberto a toda a cidade e, porque não, a todo o mundo!

2012/01/20

E finalmente vai começar a CEC2012!

Ao fim de 21 dias deste ano de 2012, irá, finalmente, arrancar a sério o evento Capital Europeia da Cultura 2012 em Guimarães.

E, pelo que vou lendo, para além de termos uma imprensa nacional mobilizada e cooperante - TSF, SIC, RTP, Público, Visão, Expresso, entre tantos outros, têm vindo nos últimos dias a fazer extensas reportagens e peças jornalísticas sobre o assunto - e, de entre tantas, destaco uma diferente do habitual.

Foto do Fugas
É um roteiro do Fugas, do Público, "Dez passeios por Guimarães, dez séculos de arquitetura(s) aos nossos pés".

E é diferente porque faz aquilo que eu acho que a CEC2012, através da FCG, deveria ter feito e estar a dar agora à estampa: é um roteiro para visitar Guimarães através da arquitectura. Ou seja, foge aos habituais roteiros turísticos e mostra outro concelho, através, por exemplo, dos diferentes tipos de arquitectura que aconteceram no concelho ao longo dos últimos 10 séculos de história.

E como este roteiro, feito com calma e ponderação por um vimaranense com tempo para pesquisar, fotografar, catalogar e mapear tantos bons e belos exemplos de arquitectura que se encontram cá, deveria ser um belo livro.

E poderiam ser ainda feitos outros, como um Roteiro da Arte Sacra, um Roteiro das Casas Senhoriais, um Roteiro da Boa Mesa, sei lá, tantos e belos livros poderiam ter sido deixados para a posteridade representando o valiosíssimo património cultural vimaranense e ajudando a difundir, ainda mais longe, a cultura de Guimarães. Infelizmente, para já, só nos jornais e revistas se vão encontrando, casuisticamente, estas propostas...

Vale a pena ler as propostas do Fugas e procurar as mesmas no concelho - conheço quase todas de as palmilhar desde infância (menos a quinta do falecido arquitecto Távora) e merecem a visita.

E podem começar amanhã mesmo, na inauguração, pelo Toural, onde irão actuar os La Fura del Baus e onde eu conto estar a assistir.

2012/01/19

E isto discute-se?

Imagem "Politiquices de Portugal e do Mundo"
E pronto, lá está o nosso Parlamento a derivar! Ou delirar, se preferirem. Porque há coisas que, estas sim, é perder tempo discutir, como seja este caso da "barriga de aluguer".

Se não é método alternativo aos tradicionais e aos laboratoriais, então para que é que se está a falar do assunto?

Com tanta criança abandonada e mal tratada, com tantas técnicas de fertilização laboratorial e com os avanços da medicina e da ciência ao nível dos fármacos, não haveria coisas mais urgentes e necessárias para discutir e legislar neste país?

E o que me custa mais é que o "meu" partido, o PSD, tem a mais absurda das propostas, sem ponta por onde se lhe pegue. Lá diria o amigo Diácono: não havia... nexexidade...

Vá, deixem-se lá de coisas e peguem em assuntos a sério que têm de ser revistos de cima a baixo, que permitam criar empregos e riqueza, diminuir custos do Estado e controlar o défice. Isto, nem se discute - até porque, desconfio, o Presidente da República vai chumbar...