2011/01/24

E agora?

Depois da vitória de ontem, quase previsível, certa desde que a TVI anunciava que iria haver presidente à primeira volta 30 segundos antes das 20h00, o que se irá passar no país?

Da reacção inesperada de Cavaco Silva, que em dois discursos deixou transparecer a mágoa que lhe ficou desta absurda campanha difamatória de que foi alvo, só espero - como muitos outros - que ele passe das palavras à acção e comece a exercer, de facto, todos os seus poderes presidenciais, começando pelo veto político a leis do Governo e terminando, se necessário for, na queda do Governo ou até na dissolução da Assembleia se começar a ficar claro que o povo português deseja alterar o poder executivo, como começa a transparecer das várias e consecutivas sondagens cada vez mais favoráveis ao PSD.

Do PSD e do seu líder espero que prossiga o caminho de preparação de alternativa governativa, de forma paciente, na exacta medida em que ontem abordou a sua conferência de imprensa em que, apesar de pressionado, colocou de lado leituras partidárias sobre o resultado presidencial.

Do PS e do Governo (ou será do Governo e do PS, já não os consigo distinguir bem!) espero uma remodelação para breve. Não me acredito, por exemplo, que depois das criticas do dirigente Santos Silva, por acaso Ministro da Defesa, ao candidato Cavaco Silva, por acaso Presidente da República e Comandante Supremo da Forças Armadas, tenha condições para se manter naquele cargo. Para além disso, há uma série de outros ministros e secretários de Estado que estão claramente desmotivados e mostraram já não ter as qualidades necessárias para os cargos que desempenham (estou a lembrar-me da Ministra da Cultura e do Secretario de Estado do Desporto, por exemplo). E o Primeiro Ministro irá continuar a tentar navegar nos mares instáveis do défice, do FMI, das verdades de hoje que são mentiras amanhã, no marketing e no Magalhães, nas Novas Oportunidades e novas tecnologias, tentando manter o barco arrombado à tona o máximo de tempo possível, a fazer sempre a fuga em frente.

Dos restantes candidatos, julgo que a história se encarregará de os enterrar bem fundo. São fracos de mais para alguma vez virem a fazer parte dos compêndios da História da Politica em Portugal.

E, já agora, alguém sabe em que dia chega o FMI?
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