2011/08/12

O novo (ou remodelado) conselho de administração da FCG

Já há, finalmente, um novo conselho de administração para a governação da CEC. Novo, é como quem diz, pois 2 dos 5 anteriores membros mantêm-se no conselho, apenas entrando 3 novos nomes.



Assim, para além do já indigitado presidente do CA, João Serra, anterior n.º 2, foram ainda seleccionados Paulo Cruz (engenheiro civil, professor catedrático e presidente da Escola de Arquitectura da UM) e Rosa Amora como administradores executivos e ainda Fortunato Frederico (dono do grupo Kiaya) e mantendo-se Francisca Abreu (vereadora da cultura da CMG) com os cargos de administradores não executivos.

Algumas reflexões, por isso, são merecidas.

Sobre João Serra sou céptico, à partida. Desde logo porque se era o n.º 2 do anterior CA é em grande parte responsável por tudo o que de mal (e que é publicamente muito superior ao que de bem) se passa na FCG/CEC2012. Não me acredito que consiga inverter o curso da sua actuação, por mais que o seu discurso seja agora o oposto do que antes apoiava quando era vice de Cristina Azevedo.

Sobre Paulo Cruz, com quem me cruzei há 8 anos na UM num curso de especialização, tenho uma boa impressão académica. Desconheço, entretanto, o seu trabalho na Escola de Arquitectura, mas para um engenheiro civil presidir à mesma deve ter algo de especial... Em todo o caso, não lhe conheço intervenção, pensamento ou
dotes de político para este cargo de gestão política que vai desempenhar - não estou a dizer que não os tem, apenas que não os conheço. É uma incógnita. Acredito que se sair da presidência da Escola de Arquitectura e fizer um ano sabático reunirá condições, por conhecer até o tecido social da região, para cumprir a sua missão satisfatoriamente.

Sobre Rosa Amora, não a conheço. Dizem-me que veio "via" Jorge Sampaio (como veio João Serra, seu ex-chefe da casa civil), é licenciada em Direito, foi vice-presidente do IPPAR, mas que está ligada à área da saúde num hospital. Não percebo bem qual a ligação com a CEC, apenas a possível confiança pessoal do presidente do CA.

Sobre Francisca Abreu, que dizer? É vereadora da cultura sem o ser, porque a CMG industrializou esta área há muito tempo, entregando-a à Oficina, com o José Bastos a ser o principal artífice da cultura em Guimarães.

Por último, o nome mais estranho é o Frederico Fortunato, empresário e proprietário do grupo Kiaya. Que tempo terá este senhor para esta empreitada? E que capacidades de gestão cultural tem? Mesmo nas outras, deixo um texto de Camilo Lourenço no Jornal de Negócios para se perceber que tipo de empresário temos aqui. E não vou mais longe...

É, portanto, esta a equipa que vai dirigir a CEC2012. Mas não é só. Pois se os 3 mosqueteiros eram 4, os 5 administradores serão 6. Porque para além destas nomeações, foi ainda dado a conhecer que Carlos Martins, o pensador-mor da CEC2012, coordenador da programação está de volta com o cargo de Director Executivo - com bastante mais poder e competências do que dispunha anteriormente, ao coordenar, em articulação com as restantes direções operacionais da FCG, todo o processo de implementação da CEC: programa, pré-produção e produção, contratação, comunicação e movimento financeiro.

Assim sendo, será de esperar grandes alterações de execução do caminho trilhado até ao momento?

Sinceramente, apesar da entrevista de João Serra à Lusa a prometer inversão de rumo, não sou crente nisso. Não acho que a 4 meses e 3 semanas de iniciar a CEC2012 seja possível mudar muita coisa, incluíndo o espirito das mesmas pessoas que fizeram a CEC2012 que agora criticam implicitamente quando prometem mudar a forma e o relacionamento.

Para além disso, continuo a nada ouvir dos responsáveis sobre os resultados do que ficará da CEC2012: sobre o enfoque nos empregos e industrias (privadas) criadas por este certame, bem como nos custos de manutenção e de funcionamento das infraestruturas (públicas), zero! Sobre o que ficará das actividades culturais desenvolvidas durante 2012 para o futuro, também ainda estamos numa área nebulosa - por exemplo, o investimento na Plataforma das Artes só está garantido por um ano num protocolo com José de Guimarães, pelo que não havendo entendimento para renovação do mesmo, teremos um elefante branco inutilizado no centro da cidade...

Há, por isso, muito trabalho ainda a fazer, como diz João Serra. Só não sei é se teremos a mesma ideia do que será esse trabalho...
Enviar um comentário