2008/06/01

Manuela?

Manuela? Quer dizer, a surpresa não é grande, conheço bem o partido que foi o meu durante alguns anos. Sei o peso que a senhora tem dentro do partido e do aparelho. Sei como o aparelho gosta de seguir o rumo daquele que aparentemente vai vencer, cata-ventos dos lugares e posições.

Felizmente, nunca fui alinhado. Fui apoiante de Barroso quando o partido era marcelista. Fui apoiante de Marques Mendes quando o partido era santanista. Agradava-me que tivesse vencido o Pedro Passos Coelho quando o partido virou manelista.

Por quanto tempo? Creio, e adorava estar enganado mais uma vez, mas por pouco mais de um ano. Em 2009, como estes primeiros perdedores depois foram vencedores, Pedro Passos Coelho terá o partido a seus pés, se quiser.

O importante é reflectir o tipo de escolha que os militantes fizeram. 37% na vencedora. 31% no futuro. E quase 30% no mais estranho e caricato primeiro-ministro da democracia moderna portuguesa - às vezes ainda consigo ser simpático... Há um PSD dividido, que ainda há um ano apoiava massivamente o populismo ináudito de Menezes & friens e que agora, depois de perceber, finalmente, que essa via era para o abismo procura no seu nome mais forte internamente a desesperada vitória de 2009. Que não vai acontecer, porque se há coisa que a população eleitoral tem feito desde sempre é insistir no erro e vai entregar a vitória ao PS novamente, porque se a principal fragilidade do Pedro Passos Coelho é não ser ex-nada que não seja presidente da JSD (e reconhecidamente o melhor de sempre de uma estrutura juvenil, apesar da sua posição na questão da imposição das propinas da então ministra da educação Manuela Ferreira Leite) já a senhora que agora ganhou tem muitos calcanhares de aquiles e muitos anti-corpos na população em geral - os alunos dos anos 90 com a questão das propinas, os pequenos e médios empresários com o pagamento por conta, a contenção em nome do défice que não equilibrou, não ter enfrentado Durão e Santana na luta pelo lugar de Primeiro-Ministro mesmo não sendo presidente do PSD e ter abandonado os lugares políticos e públicos nessa altura...

A senhora desistiu de lutar quando mais foi preciso, não ajudou a tentar (o impossivel, eu sei) credibilizar o governo de Pedro Santana Lopes, ajudou a colocar o partido no ponto que está hoje ao não enfrentar com o peso interno que tinha no PSD a "mania" de Durão Barroso em colocar Lopes nos seus lugares, e agora regressa em nome da credibilidade! Qual, minha senhora?

Ainda bem que já não sou militante. Continuo a não me reconhecer neste partido que perdeu a visão estratégica e de futuro, que se submete ao medo e à solução óbvia e fácil, que não enfrenta o futuro de peito aberto. Este, apesar de melhor que há 2 meses atrás, ainda não é o PSD onde militei e ocupei cargos juvenis e "séniores", concelhios e distritais, congressista e militante honorário da JSD eleito em Congresso na Póvoa de Varzim. Ainda não é...
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