2009/05/22

Mercado habitacional de Angola direcciona-se para habitação social

Há coisas que não percebo aqui em Angola. O valor da habitação é uma delas. Pedirem valores de 1000 USD ou até mais de renda por um T2, pedirem valores de 3000 USD de renda por uma vivenda ou pedirem mais de 10.000 USD se estiver em zona nobre e pronta a habitar não se explica.

O mercado é totalmente desregulado e não é por causa da construção de habitação social que se vai auto-regular. Porque essa habitação é dirigida a uma camada de população necessitada de habitação condigna, que vive em "musseques" sem condições de salubridade mínimas e o mercado do arrendamento é da população que vive na cidade, classe média e classe alta, e é neste que o mercado está completamente irreal. Porque há empresas que nem pestanejam no momento de fazer a transferência de 120.000 USD de renda anual (sim, aqui a renda é paga anualmente...) e que dessa forma distorcem o mercado.

Acho muito bem que se façam muitos fogos dirigidos a habitação de baixa renda. São necessários e importantes. Uma familia que habite numa casa arranjada, num bairro bonito, sente outra dignidade e força para enfrentar a vida, completamente diferente de viver num musseque. Luanda precisa disso, como Benguela ou Lobito ou o Sumbe - casos que conheço melhor - e como precisa, provavelmente Angola quase toda, um pouco à semelhança do PER que de meados de 80 até finais de 90 e do SAAL no finais de 70 que permitiram erradicar quase na totalidade, em cerca de 25 anos, os "bairros de lata" e "barracas" das principais cidades portuguesas.

Angola está em movimento, diz o slogan, e está mesmo, mas por muito que se mova, só daqui a muitos anos será possível ver o resultado dessa movimentação. Quanto ao mercado do arrendamento, enquanto a "crise global" não atingir a economia angolana com força e, nomeadamente, as empresa do sector petrolifero, nunca haverá regulação, até porque os hábitos de "informalidade" na economia prejudicam essa auto-regulação.

"Mercado habitacional de Angola direcciona-se para habitação social
A oferta de habitação em Angola está a direccionar-se para os segmentos de mercado mais baixos, que se tem tornado um oportunidade de negócio, segundo o estudo da Proprime revelado pelo Diário Económico. O estudo Imobiliário Luanda 2009 – Habitação e Escritórios, produzido pela Proprime, Consultadoria e Avaliação Imobiliária, que contou com a parceria do portal Casa Sapo, revela que "a par da estratégia governamental de apoio ao investimento, surge o programa estatal de construção de um milhão de fogos habitacionais até 2012".
Este programa estatal pretende, de acordo com este estudo, restabelecer "o equilíbrio de mercado de baixa e média renda", uma medida que ajudará a regular o mercado e a ser um pólo dinamizador do sector da construção". No que diz respeito ao mercado da habitação de luxo, este estudo incidiu sobre as zonas de Ingombotas, Maianga, Luanda Sul, Viana e Camama, onde os valores médios de habitação, estima a consultora, rondam os três mil euros por m2. Contudo, a zona de Ingombotas é onde se encontra o valor médio unitário superior, de cerca de 4.200 euros por m2. Entre as zonas mais valorizadas, a que tem preços mais baixos é Camama, onde se encontram apartamentos por valores unitários médios de 2.200 euros por m2. Os valores de habitação apresentados pelo estudo, que se enquadram num segmento residencial de luxo – empreendimentos em condomínio – destacam ainda que em Luanda Sul um apartamento T4 pode atingir um valor médio de cerca de três mil euros por m2, em detrimento de uma tipologia T3, que pode situar-se nos 2.860 euros por m2. A Proprime conclui que "é visível um ajustar de valores, justificado pelo cada vez maior número de profissionais qualificados a intervir no sector e pelo aumento do equilíbrio entre a oferta e a procura". "Os valores unitários, em termos gerais, descem proporcionalmente em função das áreas de construção", escreve-se no estudo."
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