2011/04/07

Ajuda. Ajuda?



O Público usa hoje um fundo negro com a palavra AJUDA para dar a conhecer o pedido de ajuda financeira que o Governo, mesmo que de gestão, finalmente resolveu realizar à Comissão Europeia.

Mas o cenário não ficou negro agora com o pedido de ajuda, antes pelo contrário.

Negro estava até então, em que o Governo foi fazendo asneira atrás de asneira e derrubando a esperança e a credibilidade de Portugal e dos portugueses. Deixando prolongar a agonia, deixando que as agências de rating fossem descendo as notações até ao "lixo", deixando as taxas de juro subir até valores insuportáveis e continuando a repetir pedidos de mais empréstimos, aumentando os impostos todos, duplicando o défice externo no seu período de governação de 80 mil para 170 mil milhões de Euros, relacionando-se cordial e afectuosamente com ditadores e congelando ou diminuindo ordenados e pensões mas nada ou muito pouco fazendo em matéria de diminuição de despesas próprias. Isso sim, foi um cenário bem negro que o Governo montou e prolongou até à exaustão - e não fossem os bancos fecharem a torneira e ele teimosa e orgulhosamente não teria tomado a atitude que tomou, finalmente, ontem à noite.

É consensual e generalizado entre os entendidos, desde ex-ministros das finanças a professores de economia, passando por jornalistas de economia, que o pedido já devia ter sido feito há mais tempo, muito mais tempo. Entre Outubro de 2010 e Março de 2011, o pedido deveria ter sido feito.

Porque nessa altura nem os juros eram estes actuais, nem os ratings eram estes, nem nós estávamos com a corda na garganta em vias de ter empresas públicas ou o próprio Estado a não pagar ordenados por falta de liquidez na tesouraria.

Daí eu continuar a achar que esta atitude da dupla José Sócrates e Teixeira dos Santos dever ser criminalmente estudada. Porque foi com dolo e contra todos os indicadores que o fizeram e custam agora, a Portugal e aos portugueses, muitos milhões de Euros em juros a mais e nas más condições negociais perante as entidades que nos vão emprestar o dinheiro. Estes dois senhores nem para governantes de gestão servem, se querem a minha modesta opinião!

Por isso, julgo que mais apropriado seria uma noticia do tipo E AGORA?

Porque como muito bem acentuou Passos Coelho ontem, este não é o momento de encontrar culpados de termos chegado a esta situação - até porque, sejamos sinceros, não é preciso ser um detective para encontrá-los - e é antes o momento de trabalharmos sobre a forma de sair deste buraco, deste sufoco.

Sabemos, desde já, que o apoio financeiro virá de dois sítios: da UE (cerca de 75%) e do FMI (cerca de 25%) e que ambas entidades vão negociar com Portugal um pacote de medidas adicionais para resolver o nosso problema principal, que é o défice oriundo das despesas a mais que temos. Por isso, sabemos de antemão que terão de haver cortes em muitas coisas que temos por adquiridas, umas temporariamente e outras em definitivo. O chamado e tão querido da esquerda "Estado Social" tem de ser revisto e os "almoços grátis" também, ou seja, não há estradas nem pontes nem caminhos de ferro nem aeroportos grátis e tudo tem um custo para o Estado que o deve repercutir nos utilizadores. Sabemos de antemão que alguns impostos, nomeadamente os de consumo, deverão ter de ser temporariamente aumentados. Sabemos que a "treta" da educação grátis tem de acabar, todos têm de comparticipar e dar um contributo adequado que seja aos rendimentos que têm. Sabemos ainda que o nosso país tem excesso de funcionários públicos ou dependentes de empresas públicas e que terão de ser redimensionados e colocados no sector privados - através de acordos, parcerias ou despedimentos, mas não é suportável para um país ter quase 15% (800 mil em 6 milhões) da sua força de trabalho ao serviço do Estado ou de empresas públicas.

Sei bem que os próximos 3 anos serão muito complicados a todos os níveis. Tenho plena consciência que vai haver alguma revolta social por parte de uma esquerda aguerrida e radicalista que vai acenar com as conquistas de Abril. Mas é preciso cortar despesas do Estado, é preciso perceber que muitas conquistas são para países que têm superavit e não défice crónico, que só é possível manter essas regalias se houver dinheiro para as pagar. E esse dinheiro é o nosso, dos nossos impostos e não chega, neste momento, para cobrir tudo isso.

Confio que o novo Governo saído das eleições de 5 de Junho saberá levar a cabo as medidas de aperto durante dois ou três anos para, depois de controlado o despesismo, poder começar a tomar novas medidas de expansão económica sob novos moldes, de maior supervisão e menor intervenção directa, de forma a que Portugal possa ser, novamente, um país saudável economicamente. E confio que o Governo em causa será liderado pelo Pedro Passos Coelho e abrangente externamente ao PSD. Eu acredito!
Enviar um comentário