2009/03/25

Como (não) dar noticias...

Facto: a UEFA alterou as regras em função de uma interpretação mal feita de um artigo mal redigido, como resultado do apelo atendido de um clube contra uma sanção imposta por essa via (note-se que basicamente esse artigo estava a penalizar clubes por alegadas infracções cometidas antes da entrada em vigor dessa lei) ilegal da retroactividade da lei...

Consequências: os jornais "sensacionalmente" anunciam coisas como "regras livram o FC Porto de um eventual castigo" ou "fim da retroactividade deve salvar FC Porto de castigo"... Ou seja, a noticia não é o FC Porto ter razão no protesto e em ter tido mais uma clamorosa vitória europeia (esta no campo legislativo, que se junta a outras recentes nesse mesmo campo) mas antes que se salva de um eventual castigo.

O problema é que, um de cada vez, todos os casos que formaram o "Apito Dourado" têm sido desmontados na Justiça (a de verdade, não a desportiva que se reune à sucapa e decreta sanções antes da justiça civil julgar o que quer que seja) e já só resta um caso (o jogo do Estrela) depois dos arquivamentos dos anteriores (o jogo do Nacional-Benfica e o jogo contra o Beira-Mar) e que, se tudo decorrer como se espera, terá o mesmo fim...

Aliás, o único jornal que dá uma noticia nesse sentido lato do termo é, como habitualmente nestes casos, O Jogo, onde noticia que a "UEFA põe ponto final" e apresenta uma cronologia esclarecedora do caso. É de facto uma infelicidade ver jornais ditos sérios como o Público e o DN cairem no populismo fácil e vendável aos 6 milhões das noticias bombásticas e ver um jornal desportivo ser o único a assinar uma peça jornalística...
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