2009/07/21

1,4 mil milhões de Euros!

É a estimativa da divida do Estado de Angola com as construtoras que para ele trabalham.

E isso explica muita coisa.

Desde logo, explica porque é que a "galinha dos ovos de ouro" de muitos portugueses (e espanhois, brasileiros, franceses, italianos, nordicos, americanos, ingleses...) está neste momento a atravessar uma crise - nada de semelhante àquela que passamos em Portugal, é verdade - mas que está a contrair a economia, acontecendo como o próprio ministro diz, "uma diminuição do ritmo mas não há uma paralisação" mas que mesmo assim implicou que muitas empresas dispenssassem pessoal e outros diminuissem claramente o número de contratações, aliás ao encontro de declarações que recentemente fez a dizer algo do género que as obras que estavam programadas para durarem 2 ou 3 anos teriam, inevitavelmente, de durar 4 ou 5 anos.

Aliás, todo este artigo do Público é interessante porque permite perceber que de facto a economia angolana depende, quase em exclusivo, do Governo e do preço do petróleo - o que ajuda a explicar o resto.

A centralização das economias é quase sempre perigoso, pois em periodos de bonança pode permitir uma melhor gestão dos fluxos financeiros, mas em alturas de crise pode paralisar um país. E ter toda uma economia baseada num único produto - neste caso, o petróleo - é perigoso pois qualquer crise pode fazer desabar a economia. Portugal sabe bem o que isso é: as exportações há 20/30 anos centravam-se nos texteis e calçado e aconteceu o que se sabe, num país que sempre viveu com um Governo que era o principal interveniente da economia do país (o maior patrão, o maior promotor, etc) com os resultados que se viram nas depressões do principio dos anos 90 e após a queda do Governo do Guterres.

O ideal (que, como sabemos, é inimigo do óptimo) era que houvesse equilibrio em tudo. Assim sendo, resta-nos ter a esperança do ministro angolano que "assim se mantenha o aumento de receitas com o petróleo" para que esta economia volte a crescer com a pujança que o fez nos últimos 5 anos, pois Portugal bem precisa disso.
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