2011/07/01

50%?

É engraçado como uma frase bem dita pode ser mal interpretada de forma maldosa.

Na apresentação do Programa de Governo, foi anunciado um imposto único a recair sobre o 13º mês que seria de "50% sobre o valor acima do salário mínimo". No entanto, desde logo começou a circular a noticia, que faz capa hoje de alguns jornais, que o imposto seria de 50% do 13º mês.

Ora eu estive a olhar rapidamente para o que se vai passar e cheguei à conclusão que quem receber um salário de 2.500,00€ ainda só irá pagar 40%, como se pode ver no quadro abaixo:



A forma como a imprensa transmite as noticias deve ser, no mínimo mais rigorosa. Porque pode causar alarme social. Por exemplo, quando o CM diz que "os mais afectados serão os que ganham entre 1000 e 2500 Euros" também não é rigoroso, pois o imposto é progressivo e serão tanto mais afectados quanto maior for o salário base, pelo que não é objectivo o que eles dizem. Que os sindicalistas, vivendo no mundo paralelo e irreal, digam estas coisas, é normal e nem eu esperava outra coisa, mas dos jornais e jornalistas esperava, no mínimo, um pouco mais de exactidão no que é dito.

Por último, em relação à medida em si.

Preferia muito mais que não tivesse sido tomada. Mas acredito que se foi, é porque foi necessária. Como se sabe, ela derivou do conhecimento do mau desempenho do défice dos primeiros meses do ano. Se foi ou não uma promessa quebrada, depende da leitura que se queira fazer. Se quiserem ler apenas as declarações que fez numa escola, sem contextualizar com outras, podem dizer que foi quebrada uma promessa; mas se for olhada no âmbito do que foi dito ao longo da campanha eleitoral, se calhar não quebrou nada, porque foi prometido é que ia atacar o combate ao défice não só pela via dos impostos mas também do combate às despesas, o que está a ser feito; foi dito que não se sabendo exactamente qual a situação real das contas públicas, não se poderia prometer que não tivessem de ser tomadas medidas adicionais e gravosas - como está a acontecer. E a forma como o imposto foi pensado protege, claramente, quem tem menores rendimentos - e 1/3 dos trabalhadores e 2/3 dos pensionistas recebem o salário mínimo (ou menos) e a progressividade com que é aplicado defende quem tem menores rendimentos.
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