2011/02/25

Ainda o ensino da Arquitectura em Portugal

Já aqui falei algumas vezes sobre o assunto, em 2003, 2004 e 2009, pelo menos.

E, apesar de ter entrado para a Universidade há 20 anos e de lá ter saído há 15 (1991 a 1996) continuo a detectar os mais ou menos os mesmos problemas. Não é que eu lá tenha ido outra vez, mas a formação que tive esta semana na Ordem dos Arquitectos, onde estavam maioritariamente estagiários (ou seja, recém-licenciados) permitiu-me perceber que o enfoque continua a ser o desenho/projecto em quase total detrimento da "realidade" da vida profissional.

Trocando por miúdos, quero dizer que as universidades trabalham a parte criativa do aluno e não a parte técnica. Porque, mesmo que não queiram admitir isso, quando entram no mercado de trabalho nem que seja à força da lei, os arquitectos são técnicos e cada vez mais especializados. É certo que são dos técnicos que dispõem de maior liberdade criativa de actuação na sua profissão, mas são técnicos que têm de dominar legislação diversa e dispersa em dezenas (sim, dezenas!) de diplomas que influem cada projecto, a ecologia, a segurança no trabalho, a física, a estatística, etc... Vi que havia "quase" arquitectos que não conheciam matérias como legislação do ordenamento do território (os PROT, PDM, PU's, PP's, etc), como a segurança contra incêndios, como a segurança em obra. E quando começarem a trabalhar em gabinetes, os "quase" arquitectos irão ter de dominar e desenhar de acordo com os (muitos) limites que toda esta imensidão de diplomas legais impõem.

Felizmente, hoje, a Ordem dos Arquitectos suplanta este problema com acções de formação que alertam os jovens para esta problemática. Porque no meu tempo, éramos simplesmente lançados às feras...

Mas o problema persiste, está a montante, está nas universidades e nas suas estruturas curriculares. Que enquanto não se ajustarem à realidade quotidiana, não podem formar bons técnicos, que têm de aprender à sua custa depois de licenciados coisas básicas como instruir um processo, como proceder com decorrer do processo junto das entidades envolvidas ou como calcular os honorários de um projecto. Ainda há um grande caminho a desbravar, quase tão grande como aquele que existia há 15 anos atrás...
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