2012/04/26

Como a história parece repetir-se...

Imagem do Real Madrid x Bayern, 1987 (blog Jornalheiros)
Há 25 anos, numa semifinal da então Taça dos Campeões Europeus, o Real Madrid foi eliminado pelo Bayern de Munique. Na outra meia-final, o FC Porto eliminava uma das mais fortes equipas da Europa, o Dínamo de Kyev (quase a selecção da Rússia que no ano seguinte haveria de ser finalista do Campeonato de Europa) e marcavam encontro para um jogo (quase) em casa dos alemães, no Estádio do Pratter, em Viena de Áustria.

Este ano, o Real Madrid volta a ser eliminado nas meias finais pelo Bayern de Munique, enquanto na outra meia-final o Chelsea elimina o todo-poderoso Barcelona (com o melhor do mundo e a base da selecção espanhola, actual campeã do Mundo e da Europa) e marcam encontro para um jogo (mesmo) em casa dos alemães, em Munique.

Não sei o que vai então acontecer. Mas se a história se continuar a repetir, o Chelsea vai ser campeão europeu - porque hoje como então, os bávaros são os favoritos e o Chelsea, em função da má época realizada, das 4 ausências por castigo para a final e por jogarem em casa (literalmente) do adversário, são vistos como o outsider - e nestas coisas do futebol, acredito sempre que o David pode vencer o Golias...

2012/04/25

25 Abril: em reconstrução

Imagem retirada do blog SVBARQ
Nos 38 anos da revolução do 25 de Abril, estamos a reconstruir o país. Uma nova geração de políticos (onde pontuam alguns ministros na casa dos trinta e pouco anos, nascidos depois desta Revolução) está a reconstruir o país depois do devaneio dos últimos anos.

E quando me refiro aos últimos anos, não é apenas ao espaço de tempo do anterior Governo, mas de facto, a todo o período em que, por causa dos ditos "direitos adquiridos" e por ninguém se lembrar dos "deveres consagrados" se destruiu um país fazendo do Estado o "pai" de tudo e de todos, sempre presente em todo o lado e sempre a dar todas as garantias a todos - e que apenas contribui com isso para se gastar mais do que aquilo que conseguia gerar de receitas e assim delapidar, grão a grão, direito adquirido a direito adquirido, as contas da Nação até quase à bancarrota.

O Portugal de hoje, 38 anos depois, é muito diferente daquele desse longínquo dia de 1974.

Está mais velho, com mais educação, com mais esperança de vida e com mais saúde. Com melhores índices em quase tudo. Um Portugal mais moderno, como bem mostrou hoje o Presidente no seu discurso. Mas é também um Portugal cheio de problemas que então não existiam e é por isso que esta nova geração de políticos está a reconstruir, a regenerar novamente o país. Porque nós, ao contrário da mais velha geração dos "direitos adquiridos", já percebemos (há muito tempo) que os direitos adquiridos só se podem manter em função da possibilidade do Estado os poder pagar! Sem dinheiro, não há festa (por mais que pense o contrário a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues), isto é, sem dinheiro não se podem manter os "direitos adquiridos" tal como são hoje e têm, por isso mesmo e por mais que isso possa doer a muitos, ajustados à realidade do país tal como ele é hoje.

Reconstruir o país, reconstruir as finanças do país, é também celebrar o 25 de Abril e a liberdade.

2012/04/24

Eram os melhores do mundo?

Se calhar até são! Mas em 180 minutos não souberam como levar de vencida um Chelsea sofredor, que jogou hoje grande parte do jogo com 10 e com a defesa toda remendada por lesão (1º) de um central e expulsão (2º) de outro.

O Chelsea foi cínico e matreiro como qualquer boa equipa italiana. Aliás, ou não fosse (agora) treinado por um italiano - a grande diferença para o Chelsea do AVB, que era atacante. E soube sofrer, unido, coeso, quase sem falhas.

E até Messi, o salva-vidas do Barcelona, colaborou ao falhar o penalti que poderia ter sido a reviravolta no jogo. Falhou, a equipa quebrou psicologicamente e acabou por ser o Chelsea a marcar novamente em cima da hora. E aguardam agora o encontro de Munique, talvez contra o Real Madrid de Mourinho & Ronaldo.

O Barcelona era o melhor do mundo? Talvez, mas este ano nem campeonato nem Liga dos Campeões. Numa prova caiu aos pés de Mourinho, noutra caiu aos pés cínicos de um Chelsea que parece mais italiano que inglês. A questão é que o futebol tiki-taka do Barcelona é interessante, mas por vezes, quando falta a inspiração ao todo salvador Messi (como há dias referi) é completamente improdutivo (como se viu hoje e no sábado contra o Real Madrid). Poderei estar enganado, mas este foi o fim de um ciclo do Barcelona e tenho dúvidas que o Guardiola seja ainda o treinador na próxima época e, dependendo de quem ficar no lugar, até o estilo poderá não ser mais o mesmo.

2012/04/20

Objectivo 2017

Foto Guimarães Digital
Hoje realizam-se eleições no PSD de Guimarães onde será escolhido o líder concelhio para os próximos dois anos.

A lista, encabeçada pelo actual líder, André Coelho Lima, e da qual muito humilde mas orgulhosamente faço parte, é marcada pelo excelente trabalho desenvolvido no mandato anterior e pela expectativa que a candidatura agora assumida por André Coelho Lima às eleições na CMG em 2013 seja vencedora e traga uma mudança política à forma de gestão do concelho, com novas mentalidades e ideias - uma mudança geracional.

Daí eu dizer no título que o objectivo não é 2012, nem 2013. É 2017! Porque nesse ano termina o mandato da próxima CMG que iremos liderar e que será esse o ano da avaliação do trabalho realizado que a anterior comissão política iniciou.

Acredito que esta equipa, uma mescla de gente (muito) jovem com alguns conceituados "veteranos" para dar corpo a uma excelente equipa de trabalho que irá ainda ter oportunidade de dar muito a Guimarães no futuro mais próximo. "Começa hoje um caminho de afirmar Guimarães como uma cidade líder no contexto nacional e muito particularmente no norte de Portugal, um caminho com uma linha de rumo, com uma visão de futuro, com planificação, com concertação de actuações e orientação estratégica." Começa hoje, pois então, o futuro!




As eleições decorrem na sede do Largo do Toural, das 18h até às 23h.

2012/04/14

Complexo de Maradona

Nunca como esta época me tenho lembrado tanto de Maradona quando este estava no Napoli.

Porque esta época tenho visto dois "maradonas"...

Passo a explicar: Maradona no Napoli era o jogador que valia o título, que só valia mais que a soma das partes que era a equipa. Há dois Napoli: antes e depois de Maradona, um clube banal; e durante Maradona, um clube que ganhou dois campeonatos. Aliás, um pouco do que se passava com a sua selecção que vivia do seu grande n.º 10, embora aqui houvesse mais jogadores de qualidade que no Napoli se resumia a apenas um para além de Maradona: o ponta de lança brasileiro Alemão.

E lembro-me de Maradona porque o campeonato espanhol esta época tem dois jogadores que, quanto a mim, valem muito mais que o resto da suas equipas, por mais bons jogadores que ambas tenham para além deles. Falo, como é evidente, do Real Madrid de Ronaldo e do Barcelona de Messi.

Os números estatísticos destes jogadores falam por si mesmo: nenhum deles é ponta de lança e um leva 39 golos e o outro 40 no campeonato, quando ainda faltam 6 jornadas para o final, um leva 14 golos na Champions, o outro leva 8...

E digo que quer o Real Madrid, quer o Barcelona, sofrem do "complexo de Maradona", como lhe chamei no título, porque acho que são grandes equipas, sem quaisquer dúvidas, mas que hoje estão sobrevalorizadas graças a Ronaldo e a Messi.

Não é normal um jogador baixinho e outro que era um extremo estarem a marcar golos atrás de golos, de todas as formas e feitios, Ronaldo com o dobro de golos do ponta de lança da sua equipa, Higuain, e Messi com o quadruplo de golos de Xavi, o segundo melhor marcador da sua equipa.

Tenho, para mim, que o Barcelona e o Real Madrid sem estes jogadores, não sendo uma equipas banais, seriam equipas terrestres. A diferença está no extra-terrestre 11º jogador que cada um tem - e que estão a dar um espectáculo e uma emoção fantásticas ao campeonato e à Champions. Felizmente para o espectáculo e para eles, nenhum é dado a lesões ou castigos, pelo que é muito raro falharem algum jogo. E todos anseiam pelo novo confronto entre ambos na La Liga e numa possível final da Champions. Na esperança que ambos joguem, porque são garantia de golos e espectáculo! Eu cá aposto no Real Madrid - não pelo Ronaldo, mas pelo Mourinho. Quando ambas as estrelas em campo se equivalem, a diferença pode estar no banco - e, para mim, nesse aspecto, Mourinho é superior e é, para mim, o melhor, mesmo que na contabilidade pessoal esteja a perder nos confrontos com Pep Guardiola...

Macau, 1997-2012

Em 1997 tive a fantástica oportunidade de ir a Macau, ainda "portuguesa" e, se tudo decorrer normalmente, este ano poderei voltar a lá ir. E que Macau diferente vou eu encontrar! Basta atentar nos mapas que mostram a diferença brutal: quando lá estive havia a península e duas ilhas (Taipa e Coloane); hoje temos a peninsula e uma ilha! E porquê? Será que uma das ilhas desapareceu? Não... o que aconteceu é que sendo um território tão pequeno, resolveram fazer um grande aterro entre as duas ilhas chamado de Zona de Aterro de Cotai e ganharam assim uns milhares de metros quadrados de valiosíssimo terreno!

Macau em 1997
Macau em 2012


















Aliás, adorei ver as duas reportagens que a SIC transmitiu ontem e hoje, na rubrica "Ir é o Melhor Remédio" dedicadas a esta nossa antiga (e última) colónia. Uma viagem que estou ansioso para poder fazer (outra vez)!


Primeira parte da reportagem "Ir é o melhor remédio" da SIC



Segunda parte da reportagem "Ir é o melhor remédio" da SIC (ver a partir do minuto 2:40)

2012/04/11

Parque Escolar - as audições parlamentares

Foto Público
Tem pano para mangas a Comissão de Educação do Parlamento que está a auditar os responsáveis técnicos e políticos pelo desastre financeiro da Parque Escolar, a empresa criada no tempo de Sócrates para recuperar o património escolar do secundário. Vamos por pontos.

1. Desde logo, a questão ideológica debate-se fortemente ali. De um lado, a "direita", como acintosamente dizem os partidos mais à esquerda, que segundo este defende o fim do programa e não quer recuperar as escolas. Do outro lado, o PS que defende com unhas e dentes a "festa" e os partidos mais à esquerda que atacam os gastos mas concordam que nem que seja preciso gastar muito as obras tinham de ser feitas.
Ora sobre este ponto, a "direita" não quer parar o programa nem deixar as escolas ao abandono - bem pelo contrário! O que quer o Governo é uma boa gestão do programa. E isso é possível, basta ver que a nova administração da Parque Escolar em poucas semanas já conseguiu reduzir custos nas escolas em obra no valor de 60 milhões de Euros. E o objectivo desta redução de custos é conseguir angariar verbas para completar o programa pois a verba inicial já foi gasta em metade das escolas... Sejamos claros: o programa é uma boa ideia mas mal desenhada na forma concretizada (Parque Escolar) e nas políticas seguidas para a concretização física (despesista, de luxos, mal planeada).

2. “O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”, Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação entre 2005 e 2009.
Ora bem, aqui chegados, e depois de serem públicos os relatórios do IGF e do Tribunal de Contas, deixe-me dizer que não foi uma festa, foi um REGABOFE (do dicionário da Priberam, "Festa em que se come e bebe à farta. = FARRA, PÂNDEGA, REGALÓRIO") pois a realidade indicada pelos ditos relatórios é que alguns, poucos, projectistas e empresas se alambuzaram com o presunto, alguns, poucos, ficaram o osso, e muitos, a generalidade, nem sequer teve acesso à festa.
É que não são "pormenores" que estão errados. São derrapagens que duplicam, triplicam e quadriplicam preços. São pagamentos sem autorização. São escolhas ostentatórias de materiais, muitas vezes estrangeiros, (os famosos candeeiros do Siza, os mármores e granitos em wc's, os chuveiros da Grohe, os sistemas de rega automática, o sistemas de AVAC caríssimos, etc) quando poderia e deveria ter sido optado por materiais nacionais sempre que possível (não recorrendo a importações) e mais económicos.

3. As escolhas dos projectistas por ajuste directo quando estão envolvidas verbas na ordem dos 100 milhões de euros só podia correr mal, como é evidente. E quando mais se aprofunda o assunto, pior fica a fotografia... Depois do ranking dos projectistas que foram escolhidos (que já aqui foi abordado anteriormente) sabe-se agora que pelo menos 7 dos projectistas "eleitos" eram colegas e/ou subordinados no IST de uma administradora, que é também arquitecta e professora do IST, da empresa Parque Escolar - e ninguém achou estranho nem deontologicamente questionável tal situação...

4. Novos dados têm vindo a ser abordados na audição, como o livro que a Parque Escolar publicou sobre a intervenção nas 106 primeiras escolas cujo valor anunciado lá é 180 milhões inferior ao que foi apurado pelo Tribunal de Contas. Ou seja, parece haver uma clara intenção de camuflar e dissimular os verdadeiros custos, o chamado "dourar a pílula". As únicas conclusões possíveis é que, ao contrário do que afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, a Parque Escolar foi muito mal gerida, foi o tal regabofe que falei atrás travestido de boas intenções para o ensino. E já que os anteriores governantes falam tanto da OCDE que gabou o programa (e como eu disse, a ideia é boa mas a concretização é preocupante) deixo aqui uma dica da OCDE sobre a nossa educação após estes anos de governação: o que é preciso é centrar a aprendizagem no processo educativo, ter mais pedagogia - e menos festa!

Em conclusão, espero que para lá da responsabilidade política, seja possível algumas responsabilidades civis sobre este assunto, porque as há, claramente, quando os relatórios citam ilegalidades...

2012/04/01

O FC Porto está em primeiro...

...e não é notícia de primeiro de Abril!

Até o Lucho já pergunta:
Onde estão os outros perseguidores?

2012/03/27

Mies Van der Rohe, 126 anos de boa arquitectura

Infografia de excelente qualidade sobre os 126 anos do nascimento de Mies Van der Rohe, clicar para aumentar.

Retirado de Archdaily.

2012/03/23

Greve? Onde?

Fraca é a greve onde o mais marcante do dia não é a greve mas antes uma cena de pancadaria entre a polícia e um grupo de desordeiros que andavam a atirar ovos, pedras e outras coisas que tivessem à mão a pessoas e policias, tendo pelo meio apanhado alguns inocentes que estavam pelo meio.

Algumas dezenas de milhares de trabalhadores fizeram greve, sim. Mas MILHÕES de outros trabalhadores não fizeram. O novo líder da CGTP está a tentar afirmar-se e, notoriamente, não está a ter sucesso. Não irá cair assim sem mais nem menos porque quem lá o colocou não irá dar o braço a torcer assim tão rápido. Mas a verdade é que se Portugal se parece com a Grécia nalguma coisa é por ter uma central sindical que acha que tudo se resolve recorrendo à greve, não assinando acordos e só reivindicando direitos e benefícios.

O que é importante salientar é que o país não parou. A greve foi parcial, de apenas algumas partes de alguns sectores, e foi claramente demonstrativa que Portugal não é como a Grécia, que faz às 2 e 3 greves por semana. A banalização da greve é o pior que podia acontecer. O novo líder da CGTP conseguiu em poucos meses o que o anterior líder não conseguiu em dezenas de anos...

E o país segue e para a semana já ninguém se lembra da greve. Aliás, hoje à noite, com o empate do Benfica, boa parte do pessoal já está outra vez concentrado no campeonato...

2012/03/21

Dia mundial da poesia

E porque um arquitecto é também um poeta, um poema sobre a arquitectura de uma arquitecta, Lienne Liarte:

Sou arquitecto,
Aquele que dizem ser engenheiro frustrado,
Decorador disfarçado,
Esquisito, meio pirado,
Às vezes alienado, outras, por demais engajado;
Às vezes de Havaianas, outras engravatado

Sou arquitecto,
Aquele que chamam de sonhador;
Ah! pudesse eu ter meus sonhos de volta,
Mas sou ainda um aprendiz na escola da vida;
Dominei a forma, distribuo espaços,
Mas muitas vezes me sinto fora de esquadro,
Perdido em linhas paralelas demais,
Numa escala indefinida.
Mas sou arquitecto.



Sou poeta,
E sou muito mais que um sonhador,
Porque possuo em cima da velha prancheta,
Projectos para todos os sonhos;
Casas para abrigar um novo amor;
Caminhos para chegar ao arco-¡ris;
E jardins para o aconchego do entardecer...

2012/03/20

Chegou a Primavera...

...segundo o calendário, porque na realidade, diz a natureza, ela já cá está há muito tempo (é ver as maias, os pássaros, as árvores floridas há quase um mês) e a questão que fica é se o Inverno ainda aí vem ou se o Verão já estará prestes a bater à porta!

Imagem Wikipedia
É um momento do ano onde o sol começa a ter mais preponderância, ganha força e tempo. E quem me conhece sabe como eu preciso do sol, do calor e do bom tempo...

Venho, por isso, a Primavera. No seu esplendor de cores, cheiros, ruídos e vida, como retratou Botticelli  na sua "Alegoria da Primavera" (c. 1482), num dos mais belos quadros da história das artes.

2012/03/17

Ainda sobre a Parque Escolar

Continuam a ser tornados públicos os números que fizeram a história negra da Parque Escolar.

No Sol, uma reportagem intitulada "Parque Escolar: 636 milhões para 13 empreiteiros" mostra claramente como esta empresa serviu, para de uma forma legal e encapotada, financiar determinadas empresas seleccionadas e não para revitalizar o mercado das obras públicas, ao contrário do objectivo previsto do Governo.

A concentração em determinadas empresas, construtoras e projectistas, apesar de como refere o relatório da IGF, ter sido feita legalmente, denúncia por trás uma estratégia obscuramente clara sobre o assunto.

Vejamos o que nos revela o Sol:
"Oito construtoras e dois consórcios ganharam um terço das empreitadas adjudicadas pela Parque Escolar, por um valor superior a dois mil milhões de euros."
Ou seja, cerca de 80% do valor previsto para o programa ficou alocado a apenas 8 empresas e 2 consórcios, tendo havido 198 empresas a concorreram à totalidade das obras lançadas (cerca de 250). Isto não é concentração propositada e estratégica? É!

Mais, agora sobre os projectos:
"O valor total contratualizado com gabinetes de arquitectura suplantou os 100 milhões de euros, sendo que apenas dez sociedades concentraram 10% desse valor."
Ou seja, cerca de 10% do valor total investido em projectos foi gasto com apenas e só 10 gabinetes, todos por adjudicação directa - aqui, apesar de legal, nem se deram ao trabalho de fazer concursos, com a tradicional desculpa da "necessidade de cumprimento de prazos".

Logo a seguir, adianta o Sol novamente:
"São 636 milhões de euros que ficaram concentrados em 13 empresas, de um total de 98 sociedades que participaram nos concursos públicos de reconstrução de escolas secundárias"
Ou seja, cerca de 13% das empresas concorrentes ficaram com quase um quarto do bolo previsto em 2007 para realizar a totalidade das obras no país. Só a Mota-Engil (pois claro...) ganhou 17 obras de 162 milhões de Euros - foi, "de longe" diz a IGF, a empresa que mais obras e dinheiro ganhou - seguida da Teixeira Duarte com 9 obras e quase 100 milhões de Euros e concluo eu que se foram executadas ou estão em execução cerca de 250 escolas (das 332 previstas inicialmente) significa que estas duas empresas juntas ficaram com cerca de 10% do total das obras realizadas. Pergunto eu: era assim que se pretendia revitalizar o sector da construção?

Tudo legal, dentro dos preços máximos estabelecidos. Mas tudo extremamente duvidoso quanto à estratégia seguida e resultados obtidos: as obras derraparam em preço e prazos, os projectos revelaram-se desadequados e extremamente onerosos construtivamente e no uso posterior.

E, diga-se, o objectivo de dar vitalidade ao sector da construção, falhou por completo, mostram-no os factos: há vários anos (incluindo os de 2008 e 2009 quando a Parque Escolar esteve na sua máxima força "gastadora") que o sector vê empresas (de construção e de projectos) a fecharem aos milhares de trabalhadores e muitas dezenas de (pequenas e médias) empresas e empresários anualmente e a fugirem para o estrangeiro para sobreviverem.
O enorme buraco financeiro que é a empresa e as enormes facturas que deixa às escolas para pagar no seu uso diário são, talvez, um dos maiores escandalos que o Governo de José Sócrates nos lega e que irá demorar muitos, mas mesmo muitos anos a corrigir (e pagar)!

O Povo parece que não é tolo...

Sondagem Expresso de 16.3.2012
...e parece que os jornalistas e comentadores não são nada representativos do Povo!

Senão, como se explica os telejornais e jornais com pelas editoriais e comentadores a malharem consecutivamente no Governo e sempre "à cata" de "lapsos" e confusões e, afinal, depois publicam-se as sondagens e que temos nós? Os partidos que suportam o Governam continuam com votações na ordem da proximidade dos 50% (ou seja, continuam na maioria absoluta) e os partidos de esquerda e extrema esquerda continuam remetidos a valores semelhantes aos obtidos nas eleições de Junho de 2011.

Sendo que o principal partido da oposição continua remetido a valores inferiores a 30%, demonstrando cabalmente que não recuperou credibilidade nenhuma e que o "modus operandi" que tem tido é catastrófico (para o país e para o próprio partido em si mesmo) e diria que até irresponsável - mas também, que outra coisa seria de esperar de um partido que apenas teve coragem de colocar um rosto diferente no mesmo corpo do "socratismo"?

Em resumo, o Povo, na sua sabedoria, apesar de poder ser levado ao engano pelas greves que se querem fazer grandes, pelos protestos sempre dos mesmos que nunca estão satisfeitos com nada, pelos políticos que ontem estavam no Governo e hoje têm o descaramento e a lata de falarem como se não tivessem nada a ver com o momento que atravessámos hoje, o Povo percebe que é para cortar, para acabar com direitos que não podemos suportar e que é preciso criar um novo paradigma de Estado. E que isso é um processo doloroso. Mas que o Estado Social que na realidade nunca o foi (era próximo, isso sim, de um Estado Socialista, mas isso é outra conversa...) tem de o ser, de facto. E nunca, como neste momento, houve condições para o fazer, contra os situacionistas da esquerda e extrema-esquerda que não querem o progresso de uma sociedade - antes a querem matar a sociedade actual para criar a revolta e da luta, dessa luta "de classes", como é apanágio deles, conseguirem o poder pela força e pelo sangue, se preciso for! Mas, usando uma frase que lhes é carismática, para compreenderem melhor, só lhes digo: eles "no passarán"!

E só espero que o Governo actual tenha a coragem de concretizar algumas reformas que me parece começar a hesitar em fazer, nomeadamente a Reforma Administrativa em Portugal. Ainda ninguém me conseguiu convencer que um Portugal organizado no tempo dos carros de bois e coches do séc. XIX funciona melhor que qualquer outra organização que se possa fazer modernamente, pensada para os tempos do e-governo, do e-cidadão, do país com milhares de km's de estradas e autoestradas, do país com mais de um telemóvel por cidadão, do país onde a proximidade virtual nunca foi tão próxima da proximidade real como hoje.

Mudar Portugal. É o mote do Governo. E ainda bem... Que desta crise financeira, mas também de valores de Estado, saia um novo Portugal, moderno e com novas mentalidades. O Povo já está a mudar e está de parabéns. E tu, já estás a mudar?

2012/03/11

Arte?

Hoje fui ao Laboratório de Curadoria, a antiga fábrica ASA em Guimarães, onde no âmbito da CEC 2012 foram ontem inauguradas duas exposições, uma de arquitectura (O Ser Urbano, nos Caminhos de Nuno Portas) e outra de um colectivo de artistas (Collecting Collections and Concepts).

Se a primeira é aquilo que se espera dela, ou seja, uma mostra da vida de Nuno Portas desde o inicio de carreira até aos projectos mais recentes, mostrando projectos, maquetas e influências exercidas no seu trabalho, passando pelos projectos urbanisticos como os PDM's e várias urbanizações em que participou e culminando com um video sobre o arquitecto, estava bem organizada e pensada. Mas falta uma melhor explicação daquelo que estamos a ver, não há um guia da exposição, muito pobre do ponto de vista informativo.

Home? Pensei que era factory...
Aliás, informação sinalética é coisa que não há no edifício todo. Entrei e vi um quiosque de madeira e pensei que fosse um ponto de venda de livros e material da CEC. Nada dizia que era uma bilheteira, nem tinha aspecto de ser uma. Fui avançando e passei por uma menina numa porta (vamos chamar-lhe "Menina 1"), sem problemas, apesar de ter hesitado entre ir para lá ou para o que parecia ser uma conferência - mas como não vi nada a dizer sobre a conferência e vi um cartaz do "Ser Urbano" atrás da menina, pensei que a exposição fosse por esse lado. Entrei num corredor e nada vi, avancei pela direita e passei por outro cartaz "Ser Urbano" e pensei para mim: deve ser por aqui... e continuei a andar até chegar ao fim do corredor e... nada! Voltei para trás e olhei novamente para o cartaz, tendo lido lá em letras pequenas que a exposição era no 1º piso... e pensei então que por isso estava o cartaz ali, junto aos elevadores...Entrei, subi ao piso e só na entrada da exposição é que mais 2 meninas me dizem que tinha de comprar bilhete... Por isso, desci, fui ao quiosque (que afinal era bilheteira) e voltei a subir (isto sem que a Menina 1 me perguntasse ou dissesse coisa alguma) e vi a exposição sobre Nuno Portas. Terminada a exposição, desci e por exclusão de partes, decidi ir pelo corredor da esquerda (é sempre a minha última opção, a esquerda...) e avancei sem nada que me dissesse que a exposição do colectivo de artistas era ali. De repente, atrás de uma mesa de madeira, vejo um cartaz que me pareceu ser o da exposição - pensei para comigo: deve ser por aqui...
Uns cacos de tijolos, umas toalhas do Continente...
e parece que isto é arte!
Depois, vejo um painel grande com umas lampadas fluorescente a dizerem HOME enquanto apagavam e acendiam - voltei a pensar: de facto, deve ser mesmo por aqui... Já mais confiante que estava no caminho certo, avancei um pouco mais e, finalmente, vejo mais duas meninas noutra entrada e lá estava a exposição sobre Colecções.
Aqui percebi a arte: é o galo de Barcelos!
Sinalética? Zero. Para além de dois cartazes, sem setas, sem mais nada, zero indicações. WC's também havia, mas não havia sinalética a indicar onde era. Saídas de emergência também era capaz de haver, mas não as vi e menos ainda a indicação delas...

Sim, isto é arte
(e não, não estou a brincar, estou a falar a sério)
Voltando então às exposições, vi depois a exposição sobre Colecções. Confesso que não percebo porque aquilo é arte. Criatividade não é arte, porque se fosse assim o Marketing era dado na Faculdade de Belas Artes... Ser criativo não é o mesmo que ser artista, apresentar trabalhos criativos não é o mesmo que apresentar obras de arte, saber usar um lápis, um pincel, uma máquina fotográfica ou de filmar não faz da pessoas um pintor, um fotografo ou um cineasta. Vi coisas criativas e que me fizeram rir muito. Mas não acho que tenha visto arte. Se calhar por isso é que da exposição toda apenas gostei de ver dois quadros (segundo a célebre máxima da caricatura do Djaló feita pelo Manuel Marques no Estado de Graça, se "está pendurado numa parede, é arte...") que descubi serem do Pomar e do José de Guimarães... e que estavam "semi-escondidos" numas montras viradas para umas casas de banho...

Um pouco mais de arte urbana, grafitis (mas com qualidade)
Mas arte? Ver arte? Só no piso 1... Enfim...

2012/03/10

Parque Escolar - Uma irresponsabilidade que não pode ficar impune!

Começam agora a ser públicos pormenores do que foi a actuação da Parque Escolar - empresa criada por Sócrates ainda no seu primeiro Governo que visava a reconstrução do parque escolar português e ao mesmo tempo que injectava dinheiro nas empresas de construção dinamizando a economia com 2,4 mil milhões de Euros nas mais de 300 escolas abrangidas.

No entanto, cedo se percebeu que havia problemas muito graves.

Primeiro, na fase dos projectos, muitas vezes sem concurso (isto é, por adjudicação directa...) e (quase) sempre aos mesmos gabinetes.

Depois com as primeiras adjudicações de obras, percebeu-se que era um grupo restrito de empresas que ganhavam as obras, ou seja, cada empresa ganhava 2 ou 3 escolas e reduziu-se assim a quantidade de construtoras "ajudadas".

Por fim, com as primeiras obras concluídas, perceberam-se os problemas que as obras traziam às escolas: maior consumo de electricidade que esgotava os orçamentos que eram para educação em consumos, depois problemas de construção com soluções desajustadas e mal pensadas que começaram a apresentar patologias várias.

E com o tempo começamos a ouvir noticias de professores, pais e alunos que falavam sobre as condições das escolas, com pedras nobres, chuveiros Grohe, candeeiros de design de autor a torto e a direito (no interior e exterior das escolas) e outras coisas mais...

Agora, com o relatório da IGF tornado púlico, sabe-se com mais detalhes coisas que configuram. na minha modesta opinião, gestão danosa e, se calhar, coisas ainda mais graves...

Repare-se na resposta para o (brutal)  aumento do consumo de electricidade dos novos edifícios: "a empresa justificou a situação com as novas regras de eficiência energética, aprovadas em 2006." Então se a ideia associada à lei era ter mais eficiência no uso da energia, como é possível que o resultado seja um brutal aumento (de 30% e até mais) no consumo da mesma, levando as escolas novas a optarem por simplesmente desligarem o sistema de AVAC e colocando a comunidade escolar a trabalhar sobre calor intenso no Verão e frio glaciar no Inverno.

Percebe-se agora que os projectos eram concebidos sem um caderno de encargos adequado e que, para além disso, não eram alvo de revisão critica (técnica e financeira) antes da sua execução, sendo lançados a concurso como eram entregues e aceites sem discussão. Ou isso ou não se percebe como ninguém achou anormal o uso de betão branco, de pedras nobres, de madeiras nobres, de iluminações topo de gama, de utilização redundante de equipamentos e até de espaços, entre tantos outros exemplos.

Evidentemente, os administradores da empresa demitiram-se. A questão é que a sua demissão não os isenta da responsabilidade de terem gerido mal, muito mal, o projecto que  tinham em mãos: repare-se que tendo um mega orçamento de 2,4 mil milhões de Euros para reabilitar 332 escolas, conseguiram-no ultrapassar em 5 milhões de Euros ao fim de apenas 181, ficando por isso 151 escolas não cabimentadas no orçamento previsto. Isto é um escândalo e o mínimo que se exige agora é que o Governo actue de forma a verificar se se confirma a gestão danosa e que procure se ressarcir junto dos (ir)responsáveis dessa hipotética má gestão. E, já agora, que implemente medidas que visem que a situação não se repita, isto é, que façam no imediato uma revisão aos cadernos de encargo modelo utilizados, bem como implementem uma revisão ao projecto final - coisa que no estrangeiro já acontece há muitos anos como forma de evitar erros de projecto que em obra custam muito dinheiro (ou tempo, o que é igual porque tempo é dinheiro) rectificar.

2012/03/08

A todas as mulheres...

...e à minha, em particular, um grande poeta brasileiro diz tudo em tão poucas linhas. Linda como a própria lua, feita de música e sentimento.


Soneto de Orfeu
São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Morais

2012/03/05

Leituras [64] - Os Demónios de Berlim, de Ignacio Del Valle

Muito raramente não consigo terminar de ler um livro. Penso que os dedos de uma mão chegam para isso.

Este foi, infelizmente, um desses casos.

A história e o local escolhidos para o desenvolver da trama tinham tudo para resultar num livro excelente.

No entanto, Os Demónios de Berlim, de Ignácio del Valle, não me cativou, esteve tempo de mais pousado na mesa de cabeceira e nunca consegui ler mais do que uma ou duas páginas de cada vez.
A escrita, não sendo intragável, era... estranha. E a história não desenvolvia. Ao fim de 100 páginas parecia que ainda estava quase no mesmo sitio, pouco tinha avançado.

Desisti, por isso, de continuar a leitura e passei ao seguinte...


Sinopse
Premio de la Crítica de Asturias 2010 Berlim, 1945.
Os soviéticos avançam, imparáveis, pelas ruas repletas de escombros. Em toda a cidade a luta é violenta, e a derrota alemã está iminente. Arturo Andrade está no meio de todo aquele caos. A sua missão: localizar Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na chancelaria do Reich com um misterioso bilhete nos bolsos. 
Começa assim este thriller escrito com paixão e rigor documental que, com um ritmo que não dá tréguas ao leitor, nos aproxima de uma personagem que deverá enfrentar múltiplos demónios, os alheios e os seus próprios, para salvar a única coisa que parece escapar a este contexto atroz: o amor de uma mulher.

Críticas de imprensa 
Uma apaixonante combinação de relato bélico e thriller policial.
El País

2012/03/03

Coisas estranhas...

...e não, não estou a falar do FC Porto ter ganho na Luz...

Refiro-me a um email que recebi que nada tendo de estranho (objectos perdidos nas 3 bibliotecas da UM) acaba por se revelar um tanto ou quanto estranho, ou talvez bizarro.

Atentem só nas coisas que se perdem e lá não são procuradas:
- 1 Agenda electrónica
- 5 Anéis de bijutaria
- 4 Anéis de ouro
- 1 Anel de prata
- Folhas com apontamentos
- 4 Auscultadores
- 1 Bateria de Portátil e 1 Transformador de portátil noutra
- 2 Brincos
- 2 Cachecóis
- 3 Camisolas
- 1 Cartão Multibanco
- 5 Cartões de utilizador
- 3 Carteiras
- 1 Carregador telemóvel 
- 11 Casacos numa e 1 Casaco noutra
- 2 CD’s
- 1 Chave de automóvel
- 2 Dicionários
- 1 Equipamento desportivo
- 1 Extensão elétrica
- 2 Gorros
- 3 Guarda-chuvas numa e 2 Guarda-chuvas noutra
- 6 Livros numa, 2 livros noutra e ainda 1 Saco com livros noutra
- 1 Máquina de calcular
- 1 Mochila
- 2 MP3
- 5 Pares de óculos de sol numa e 4 Pares de óculos de sol noutra
- 4 Pares de luvas
- 35 Pen drive numa e 18 noutra
- 3 Estojos numa, 2 noutra e outro noutra ainda
- 1 Pulseira
- Quantia em dinheiro numa e 1 porta-moedas com valor em dinheiro noutra
- 1 Rato
- 3 Telemóveis numa e 1 telemóvel noutra
- 1 Par de óculos graduados
- 3 Cadernos numa e 5 Cadernos noutra
- 1 Capa de arquivo
- 1 Capa de telemóvel
- 3 Porta-chaves com chaves e 4 chaves noutra
- 1 Passe de autocarro 
- 1 Anel
- 1 Agenda 
- 1 Cabo
- 1 Par de meias


Ou seja, há quem tire as meias! Há quem deixe lá o fato de treino! E todo o tipo de roupas: luvas, gorros, cachecóis, casacos, camisolas... Quem leve livros e até dicionários para uma biblioteca! Quem lá se esqueça dos óculos graduados! Há quem tenha entrado pela janela em casa porque lá deixou as chaves. E há quem vá a pé para casa porque lá deixa a chave do carro! Ou o passe do autocarro! Quem lá se esqueça da carteira... sem e com dinheiro lá dentro! Há até quem lá se esqueça do dinheiro, simplesmente! Ou do multibanco! E dos telemóveis. Ou do carregador deles. Ou dos portáteis e até da bateria de um portátil!

Sempre pensei que para os bibliotecários os maiores momentos de frisson profissional fossem quando mandam as pessoas fazer silêncio... afinal, parece que há todo um manancial de pequenos acontecimentos do dia a dia que davam para escrever um livro...