2011/11/23

Da Arquitectura Popular em Portugal

Capa do 1º dos meus 3 volumes da 3ª Edição,
da Arquitectura Popular Portuguesa, 1988
No meio de pesquisa de soluções para um caso "bicudo" que tenho em mãos, lembrei-me deste famoso livro que resultou do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal e de procurar nas "raízes" profundas populares aquilo que não encontrava no esquisso.

E vai daí, sendo possuidor de um exemplar da 3ª edição de 1988 da ainda Associação de Arquitectos Portugueses, reparei ao abrir e folhear o livro que o mesmo está a fazer 50 anos da sua primeira edição e lembrei-me que ainda há dias houve um programa na TSF (programa "Encontros com o Património") sobre o assunto.

Vai daí, pesquisei sobre isto e encontrei muito e bom material sobre o assunto.

Desde logo, a reportagem que a TSF emitiu (com cerca de 40 minutos, com a presença do actual bastonário da OA, João Belo Rodeia, Manuel Graça Dias e Francisco da Silva Dias, do antropólogo João Leal e que pode ser ouvida aqui) é uma excelente peça e que me fez lembrar algumas das aulas que tive logo no primeiro ano do curso, pois o meu professor da principal cadeira (Projecto) foi um dos participantes deste trabalho, o Arq. Carlos Carvalho Dias - como dizem na reportagem, foi um dos "esgalhantes" da zona de Trás-os-Montes e que tantas vezes nos falou sobre esta obra.
Edição de 2004
da Ordem dos Arquitectos
na Bertrand

Depois, no blogue "Do Porto e não só" uma extensa e bem documentada fotograficamente e incluindo uma reflexão profunda sobre o assunto e as suas consequências que vale a pena ler e ver.

Também no mais antigo (e infelizmente descontinuado) blogue "O Projecto" o assunto foi abordado, mas neste apenas num contexto mais limitado e reflexivo a partir das introduções/prefácios das 1ª e 2ª edições do livro.

Encontrei ainda na Bertrand à venda (quer dizer, não está à venda porque diz estar esgotado/indisponível) por 106,00€ uma edição mais recente, de 2004, já pela Ordem dos Arquitectos, do que penso ser a última vez que esta obra foi impressa.

A 1ª edição do livro de 1961
na Livraria Manuel Santos
Por último, e como curiosidade, encontrei num famoso alfarrabista do Porto, a Livraria Manuel Santos (artigo n.º 5132) à venda uma 1ª edição de 1961 (editada pelo então Sindicato Nacional dos Arquitectos) por uns "módicos" 175,00€.

Resta-me dizer que aguardo impaciente que a Ordem dos Arquitectos coloque on-line a extensa documentação que tem em mãos, um enorme espólio fotográfico, desenhado e de textos/anotações que os participantes deixaram e que nunca foi publicado - segundo nos dizem na reportagem da TSF, a grande maioria da documentação não foi editada e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian poderá ver agora, finalmente, a luz do dia.

A parte engraçada (ou não...) é que no final disto tudo, o problema bicudo que tinha para resolver continua por lá com uns bicos bem pontiagudos! Vamos ao trabalho, ainda tenho muito para "esgalhar" - e que saudades que eu tinha desta expressão que tanto usávamos nos tempos universitários!

2011/11/20

Desódio


Ou sem ódio. Unhate, no original da original campanha da Benetton.

Há muitos anos que a empresa italiana não usava esta técnica de provocação para a sua publicidade (quem se esquece das campanhas com imagens de cadáveres ainda ensanguentados?) em que em vez de promover a roupa de per si, a empresa promove a marca através de publicidade controversa, que visa chocar a opinião pública e criar um evento que coloque a marca no centro das atenções e dos noticiários (de TV, rádio, escritos e agora electrónicos) de forma a aumentar o reconhecimento e exposição da mesma - obtendo o retorno respectivo por essa via.

Não é um conceito fácil de trabalhar, ou fácil de perceber.

Não sei se resulta, mas para a empresa insistir nele, provavelmente é porque os benefícios serão superiores aos prejuízos.

E é curioso como uma campanha denominada UNHATE (sem ódio ou desódio numa tradução mais "à letra") levanta tanta ódio e tanta polémica.

O beijo original:
os comunistas Brejnev (URSS) e Honecker (RDA)

Um acto tão simples e quotidiano como um beijo, por natureza um acto de amor, inspirado no famoso beijo de Brejnev a Honecker em 1979, ter colocado vários líderes mundiais da actualidade a beijarem-se de igual forma tem dado muita, muita polémica.

No fundo, que tem isto a ver com roupa?

A resposta, é simples.

Não tem a ver com a roupa, tem a ver com a imagem da marca: polémica, inconformada, politicamente incorrecta, diferente, original, preocupada socialmente. E a imagem da marca define a imagem das pessoas que lá compram, que se reconhecem nessa imagem.

E entretanto, tem tido tempo de antena prime-time em todo o mundo, com telejornais, jornais e revistas a falarem desta campanha. E também blogues, como este - que não fica indiferente à questão.

Pessoalmente, não me choca a campanha. Pessoalmente, não é por ela que vou comprar roupa da marca Benetton - ou não vou. Não sou susceptível a propaganda ao ponto disso - compro o que gosto e acho confortável. Mas também percebo a onda de choque que tem provocado em todo o mundo, em particular uma foto que não está disponível no site da campanha, que é o beijo entre duas entidades religiosas - o Papa e o Imã do Egipto. Apenas espero que a campanha faça, pelo menos, os líderes retratados reflectirem sobre a forma como conduzem políticas. Porque a forma como são aqui retratados e as reacções que produzem reflectem o que as pessoas, os cidadãos, pensam sobre eles e a forma como conduzem os seus países e o mundo...

2011/11/17

Exportar arquitectura?

Fotografia Público
No Ípsilon do passado dia 10, surgiu uma noticia mais sobre arquitectura - como muitas vezes, o Público é dos jornais que mais atenção dá à matéria, juntamente com o DN e o Expresso.

A noticia da Alexandra Prado Coelho é sobre uma exposição em Lisboa ("as usual") no Museu da Electricidade que foi montada por 6 gabinetes de arquitectos portugueses e que andou já a correr mundo. Às expensas destes.

E daí que a noticia começa, rapidamente e ainda bem, a derivar da própria exposição para as opiniões dos arquitectos/as envolvidos sobre a promoção da arquitectura portuguesa no estrangeiro.

Pergunta-se então qual o papel do Estado na divulgação da arquitectura portuguesa/made in Portugal?

E a conclusão é simples: generalizando, não tem papel, passa ao lado do assunto.

O Estado não assume a arquitectura como uma indústria mais a exportar, os arquitectos têm de se promover por eles próprios, quer através dos concursos que amiúde vão ganhando no estrangeiro, quer através de organização/participação de exposições no estrangeiro.

A questão é simples. Com uma despesa mínima, o Estado pode promover a arquitectura portuguesa no estrangeiro, desde que assuma, através do AICEP e da rede de embaixadas, que essa industria tem de ser promovida. Como? Por exemplo, apoiando a organização de exposições itinerantes na embaixadas portuguesas, trabalhando a comunicação / marketing das exposições na imprensa desse país. Apoiando a participação de arquitectos portugueses em actividades no estrangeiro, promovendo Workshops/Feiras de arquitectura (e porque não de engenharia também) na rede de embaixadas, dando a conhecer o trabalho, obra e conhecimentos dos arquitectos portugueses. Preferindo, sempre que possível (porque nem sempre é, devido à legislação comunitária), os arquitectos portugueses aos estrangeiros.

Era importante o Estado olhar com atenção para esta matéria. Como disse o presidente da Ordem dos Arquitectos há uns dias, cerca de 40% dos arquitectos não tem trabalho em Portugal. Assim, em vez de exportar arquitectos, seria bem melhor exportar arquitectura... E há um largo papel que a diplomacia portuguesa pode desenvolver de forma a ajudar esta classe profissional. Só é preciso boa vontade, muito mais que dinheiro.

2011/11/16

Uma mão cheia + um, e não é chinês

Imagem Público
Foi uma noite de festa, felizmente.

E bem que o país precisava de uma festa para variar! E viu-se o povo no final a festejar de tal forma que até parecia que tinhamos ganho o Europeu2012 em vez de termos conseguido apenas a qualificação para a competição.

Não pude ver o jogo, devido aos trabalhos para o mestrado, mas enquanto estávamos à volta de Marketing tinhamos uma orelha e um olho no ecrã da TV - e muitas vezes tivemos de nos levantar para ver os acontecimentos do jogo...

Foi, sem dúvida, merecido, apesar de sofrido. O momento do jogo foi, claramente, a expulsão do bósnio após o golo do Ronaldo, que veio desiquilibrar tacticamente e mentalmente a equipa adversária.

Agora, cabe a Paulo Bento encontrar mais alguns jogadores que encaixem na "equipa" para ter um "plantel" de uns 15 a 18 jogadores aptos a entrar na equipa - com excepção da Argentina em 1986, não me lembro de selecções ganharem competições com um plantel reduzido de 11/12 jogadores. Se não conseguir, o resultado será uma visita rápida à Polónia/Ucrânia em 2012...

Mais uma vez, um árbitro muito fraco foi escolhido para um jogo de Portugal - por mais que subamos nos rankings de clubes e selecções, Portugal nesse aspecto está sempre condenado a entrar a perder, não é respeitado pelas grandes entidades que gerem o futebol. Talvez Fernando Gomes, um dirigente com outra qualificação e mentalidade possa começar a trabalhar essa vertente para que no futuro, pelo menos, possamos jogar em condições de igualdade contra as selecções grandes e do centro da Europa, bem como contra clubes dos 4/5 países maiores da Europa (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França).

Agora, em Junho o país o parará, como habitualmente, mas até lá, a crise continua...

2011/11/15

Tira-teimas

Hoje é o tira-teimas da Selecção de Portugal, contra a congénere da Bósnia, depois do nulo da passada sexta-feira.

Portugal, que não falha nenhuma fase final de uma competição europeia ou mundial desde 1998 (o Mundial de França) tem tido crescente dificuldades a cada nova qualificação em atingir este objectivo. Se com Scolari já foi no último jogo que nos qualificamos em 2008 para o Europeu, com Queiroz já fomos ao paly-off contra esta mesma Bósnia há dois anos e desta vez voltamos a não conseguir o apuramento directo.

E é fácil de perceber a razão disto.

Os jogadores de grande craveira que têm terminado a carreira não têm sido substituidos por outros de igual quilate. Baía nunca teve um substituto à altura em rendimento constante. Costinha não teve nenhum secretário para o substituir no seu ministério. Maniche não teve ninguém que transportasse a bola e atacasse como ele. Deco, um mágico, que substituiu outro, não tem ninguém atrás para tomar o seu lugar. Pauleta, apesar de nunca ter resolvido nos jogos contra grandes selecções, marcava sempre e muito nos pequenos jogos - e como era importante termos resolvidos os pequenos jogos para nos termos qualificado directamente para o Europeu... - e Postiga e Hugo Almeida estão muito longe de assegurar a boa finalização das jogadas criadas pelos (bons) alas que temos.

O futuro, diga-se, é inquietante. Não se antevê, apesar da recente boa prestação dos sub-20, jogadores de grande craveira que venham colmatar problemas crónicos da nossa Selecção. E por isso, mesmo que hoje a qualificação seja conquistada, não sei se a nossa presença em Junho não irá ser uma transição para um abismo maior num futuro próximo.

Por isso, mais importante que o jogo de hoje, são os jogos do futuro. É formar jovens, proteger jovens e permitir, nem que seja por obrigação, que estes tenham lugar nos nossos clubes e nas futuras selecções. Porque o que está em causa é a dificuldade deste (e dos futuros) seleccionadores em conseguir ter jogadores à disposição para formar Selecções competitivas e à altura dos pergaminhos que conquistamos nos últimos 15 anos.

2011/11/11

Os pastos da Bósnia

Parece que hoje, lá num pasto ermo da Bósnia, a UEFA vai patrocinar um jogo de futebol de alta competição, onde participam o melhor marcador do campeonato espanhol e do campeonato inglês, além de alguns dos melhores jogadores do mundo.

É um estádio sem condições para o público, para a comunicação social e para os jogadores. Está bem para pastar ovelhas, para um jogo destes, nem pensar.

A dualidade de critérios da UEFA para os países e estádios é gritante. A Portugal é constantemente exigido elevados padrões no que toca às condições dos nossos recintos desportivos. Amiúde, os estádios dos clubes pequenos não servem para poderem realizar jogos europeus - de selecções ou das provas de clubes como a Liga Europa - e o novo (de 2010) estádio Aviva em Dublin, onde vi a final da Liga Europa em Maio passado, não se compara com qualquer um dos nossos estádios do Euro2004 no que toca a acessos exteriores ao estádio, espaços de circulação dentro do estádio ou dimensão das casas de banho, sendo que eu diria até que este estádio, em Portugal, teria muitas dificuldades em obter licença de utilização por parte das autoridades competentes, nomeadamente os bombeiros e direcção geral de espectáculos...

Isto já para não falar das condições de trabalho dos jornalistas ou de golpes "baixos" como nas imediações do hotel haver ruído que perturbe o descanso, apontar lasers e focos de luz a jogadores, pressão e intimidação física, entre tantas outras práticas que nada têm a ver com o jogo. Alguém disse uma vez que o rugby é um jogo de hooligans jogado por cavalheiros, enquanto o irmão mais novo futebol é um jogo de cavalheiros jogado por hooligans. Eu aditava agora que é também gerido por hooligans e com espectadores hooligans!

E mais logo, pelas 19h por cá, cuidado com as ovelhas naquele pasto onde se vai dar uns pontapés na bola...

11.11.11

Tantos uns numa data só daqui a 100 anos. Aliás, então, serão ainda mais: serão 7, 11.11.111 ou 111.11.11.

A estes números associam-se sempre acontecimentos proféticos, o fim do mundo e outras coisas que tais. E a não ser que me saia o Euromilhões, para mim será apenas mais um dia como os outros. Trabalho, aulas...

2011/11/06

Setop!

Não sei o que está melhor se o S ao contrário e rebuscado, se o E a mais...

2011/11/03

Q: 20 anos de Achtung Baby

Esta revista (e o respectivo CD) já cá cantam.

Quer dizer, ainda não, porque só chegam pelo Natal via "cunhadinha" que me fez o favor de a comprar lá pelo Reino Unido.

Mas em todo o caso, este é um caso de "must have" na colecção dos U2.

Um álbum comemorativo dos 20 anos do fantástico álbum "Achtung Baby" onde vários grupos interpretam as músicas desse álbum.

O próprio Bono diz que "algumas das versões são melhores" que aquelas que os U2 criaram... O que só por si já diz muito. O set completo do CD é o seguinte:

  1. Nine Inch Nails - Zoo Station
  2. U2 - Even Better Than The Real Thing (Jacques Lu Cont Mix)
  3. Damien Rice - One
  4. Patti Smith - Until The End Of The World
  5. Garbage - Who's Gonna Ride Your Wild Horses
  6. Depeche Mode - So Cruel
  7. Snow Patrol - Mysterious Ways
  8. The Fray - Trying To Throw Your Arms Around The World
  9. Gavin Friday - The Fly
  10. The Killers - Ultraviolet (Light My Way)
  11. Glasvegas - Acrobat
  12. Jack White - Love Is Blindness
Quem quiser pode ainda comprar a revista pela internet, acedendo aqui.

2011/10/29

7.000.000.000

Parece que a Terra terá nos próximos dias 7 biliões (ou mil milhões?, já não percebo nada...) de habitantes.

Este site da BBC mostra várias opções engraçadas e que nos fazem pensar.

Por exemplo, quando eu nasci era o habitante 3.860.349.726. Ou seja, no período da minha vida, a população no planeta quase duplicou - o que é uma barbaridade!

Mas outro dado mais engraçado e que nos deveria fazer pensar muito sobre o nosso futuro como Portugueses e como país, é que por hora morrem 12 pessoas, tantas quantas as que nascem. E se há um crescimento populacional mínimo (0,2%) deve-se aos 3 imigrantes por hora que cá chegam...

Ou que a esperança de vida das mulheres é superior a 81 anos e dos homens é de pouco mais de 75 anos, numa média de cerca de 78 anos.

Para reflectir.

2011/10/28

Semana complicada...

...esta que terminou. E, provavelmente, a próxima não será melhor.

Tempo para o blog: muito pouco, quase nada.

2011/10/23

O que se passa?

Há muitas críticas que têm segundas intenções e que vão no sentido de tentar atingir e desestabilizar o clube. Essas, temos de as separar das outras, pois não são legítimas nem genuínas.
Vítor Pereira



Não percebo o que se passa no FC Porto esta época.

Uma equipa regularmente titular quase igual à do ano passado, com uma excepção - de peso, é certo, mas é só um, Falcao.

Um plantel que até me parece mais equilibrado, pelo menos no meio campo e defesa, pois Defour e Mangala parecem mais fortes que Rubén Micael e Sereno. Um Hulk ainda mais decisivo e mais maduro.

E no entanto, o futebol tem piorado de jogo para jogo. Os maus resultados sucedem-se a um ritmo estranhamente regular. As falhas defensivas, nomeadamente em bolas paradas, já evidentes e motivos de criticas da época passada - apesar das vitórias retumbantes - são este ano ainda mais notadas e a média de 1 golo sofrido por jogo oficial é prova disso mesmo: 13 jogos, 13 golos. A desorientação dos jogadores em campo é visível a olho nu, tendo sido visto por várias vezes jogadores como Moutinho e Hulk a pedirem instruções ao banco para saber onde se iam posicionar. A falta de "plano B" em campo é notória: só há uma jogada tipo: bola em Hulk na direita, este corre com a bola a flectir para o centro e dispara, normalmente de fora da área. Ir à linha de fundo centrar é coisa muito rara esta época, só se joga pelo centro. E alguns jogadores, a meio de Outubro, já apresentam um claro desgaste físico - Moutinho, Fucile, Varela, todos eles estão já desgastados.

Logo, quando o treinador diz o que está reproduzido acima, algo de muito estranho se passa. Porque, é um facto, quando se critica está-se a apontar algo que não vai bem. Sendo que nem sempre é preciso dizer a solução, pois esta está implicita na critica: por exemplo, se eu digo que já há jogadores desgastados fisicamente em meados de Outubro, isso signifca que é preciso rever a preparação fisica ministrada à equipa; ou se digo que há falhas defensivas em bolas paradas, é porque é preciso treinar rotinas defensivas para este tipo de lances; ou se digo que não há "plano B" ofensivo e se resume a uma jogada tipo, é porque é necessário nos treinos semanais preparar os jogadores para outras alternativas ofensivas.

Quero eu com isto dizer que não percebo a critica de Vitor Pereira. Porque só dois tipos de criticas. As dos portistas e as dos não-portistas. A estas, não as leio, não quero saber delas. As dos portistas, há que olhar para elas com atenção porque reflectem o pulsar e sentimento dos adeptos que são o que tornam o clube grande. Ou alguém imagina que um clube pode ser grande e vitorioso num estádio vazio?

Vitor Pereira, para além de estar a demonstrar claras dificuldades em cumprir o papel que se lhe destinou, não percebe o valor das criticas. Bem ao contrário do que devia acontecer, não retira delas o sumo para corrigir o seu caminho.

E quando assim é, lamento, mas não perspectivo grande futuro sobre o estado de saúde do doente.

Espero que, ao menos, os jogadores se unam em campo e saibam mostrar que ainda se lembrar e sabem como é possível ser a 3ª melhor equipa do mundo. E que comecem a demonstrar isso mesmo ainda hoje à tarde, contra o Nacional.

Porque hoje ainda lá estarei para ver o jogo, como lá estive contra os cipriotas e em todos os outros jogos em casa desta temporada. Mas confesso que a minha paciência para ver maus jogos está a chegar ao fim. Para ver mais maus espectáculos fico em casa a ver no sofá. A vida não está para gastar pelo menos 17 euros para ir ver o jogo - portagens, 7,1 euros, combustível para 100 km, quase 7,5 euros, 2 bilhetes de metro, 2 euros (porque comprados em quantidade antes do recente aumento...) e ainda mais uns trocos para comidas e bebidas, é muita coisa. Em casa, fica mais barato... Aliás, basta ver a quantidade de público que tem ido ao Dragão e percebemos isso mesmo.


Confesso, estou cada vez mais preocupado.

Mas sempre com esperança que o próximo jogo seja o da cambalhota, que tudo vire e reinicie a trajectória que todos os adeptos esperam da equipa.

2011/10/20

Concreta 2011

Hoje fui à Concreta, a feira de materiais de construção, onde não ia desde o já longínquo ano de 2005.

Primeira impressão à vista desarmada, sem conhecer números: menos stands, menos gente, menos empresas. Logo, menos oportunidades de negócios. Provavelmente, reflexos do cenário de crise que a indústria da construção vive desde há vários anos e acentuada neste último ano, onde fecham cerca de 300 empresas do sector por mês, onde fecham imobiliárias, onde os técnicos emigram, onde os promotores pararam de investir como demonstram as constantes quedas de licenças de construção emitidas.

No restante, gostei de alguns produtos que vi. Algumas empresas procuram sobreviver à custa da diferenciação no mercado, de se tentarem colocar num patamar de qualidade ou inovação mais elevado do que a concorrência.

CONCRETA

 No entanto, também achei engraçado que há empresas que neste período de tempo não inovaram nada, pelo menos do ponto de vista expositivo. A Cimpor é o exemplo mais flagrante: o stand e os catálogos são do mesmo género desde 2005 - com excepção dos produtos que, mau era, foram evoluindo ao longo do tempo. Pelo contrário, a Valadares e a Sosoares tinham dos mais interessantes e bem conseguidos stands da feira, quanto a mim.

Num sinal positivo, de aposta e crença no país e no mercado, vi também bastantes empresas estrangeiras a tentarem entrar no nosso mercado (ou reentrarem) no que me parece um claro manifesto de que há ainda espaço para o sector progredir e voltar a ter melhores dias.

Lamentavelmente, não vi - ou não reparei - em nenhum empresa de Guimarães. Do distrito, sim: Braga, Barcelos, Famalicão. E assim, não havendo promoção, não há vendas nem há evolução do negócio...

Até ao próximo sábado (até sexta apenas aberto a profissionais do sector), na Exponor, em Matosinhos.

Está tudo louco?

Greve geral num momento destes. Soares a dizer bem de Cavaco. Seguro em périplo europeu, só faltou encontrar com quem nós sabemos em Paris.

Acho que não tarda muito vou ouvir Cavaco dizer que "há mais vida para além do orçamento"...

O que se passa neste país? Será que a única pessoa lúcida é Medina Carreira?

2011/10/18

Um livro que deve valer a pena

O novo livro de José Rodrigues dos Santos, intitulado "O Último Segredo", deve ser daqueles que me prende do principio ao fim.

E para mais, com uma temática semelhante ao último livro que li, do Luís Miguel Rocha, "A Mentira Sagrada".

Este será um dos próximos a comprar - e a lista aumenta, já vai nos 3 ou 4 livros...

2011/10/15

Indignados?

Pergunto-me quem são os promotores indignados... Porque de apartidário, nada tem. Um movimento onde só se vêm deputados do PC e do BE, onde só comentadores desses partidos destacam e defendem isso na TV, que defendem o fim do capitalismo (já agora, substituído por quê?) não é apartidário. É de esquerda, melhor dizendo ainda, de extrema-esquerda.

Compreendo que o cidadão esteja indignado e revoltado. Quem não pode ficar dessa forma, sentir-se assim, quando percebemos que o país está à beira da falência, que mal tem dinheiro para pagar os ordenados e que se não tivessem sido injectados muitos mil milhões de euros pela Troyka, neste momento o Estado tinha vários meses de ordenados em atraso, os organismos públicos estavam paralisados sem materiais para trabalhar e, possivelmente, sem luz, água e telefone.

É revoltante e é para ficar indignado, pois claro! Mas o problema não é deste Governo. Nem da Troyka. Por mais que a esquerda e alguma imprensa tente passar essa ideia, a Troyka foi um meio de atenuar o problema e o Governo é o instrumento para tentar resolver o problema.

É evidente que o país está a sofrer imenso com as medidas apresentadas no Orçamento de Estado. É evidente que se pode cortar mais noutros sítios - o problema é que só esses não chega. Há pensões douradas de políticos que podiam - e deviam - ser também congeladas. Por exemplo, os ex-Presidentes da Republica que têm imensas mordomias - escritórios, carros, secretárias, pensão - deveriam ver essas benesses retiradas nem que fosse temporariamente. Ou que deveriam passar a pagar as pensões aos "reformados" políticos após os 65 anos, idade da reforma - não se retirando direitos, eram postergados para daqui a alguns anos. Ou que cada político só devia receber uma pensão - em vez de 2, 3 e sei lá quantas pensões acumuladas que o comum do cidadão não tem direito. Poupava-se muito? Sim, mas não era o suficiente, valia mais pelo exemplo do que pelo valor em si. Sim, o Governo poderia taxar outras coisas como as operações bolsistas, por exemplo - mas da ultima vez que um Governo fez isso, muitas empresas mudaram a sua sede para fora de Portugal - Irlanda, Holanda, Galiza - porque esses países oferecem melhores condições de impostos do que Portugal - e que eu saiba, as suas sede oficiais ainda lá se mantêm...

Resumindo: indignado? Sim, estou. Com o facto de Sócrates e muitos outros responsáveis políticos responsáveis pela governação entre 2005 e 20011 não estarem ainda a serem julgados por gestão danosa - ainda há dias se soube que o anterior Secretário de Estado Paulo Campos ignorou o aviso que o negócio das SCUT seria ruinoso para o Estado, tendo assinado o contrato que favoreceu objectivamente uma empresa cujo presidente do CA é um destacado militante e ex-ministro do PS. Se isto não é gestão danosa, o que é gestão danosa? Estou indignado por saber que o nosso ex-Primeiro Ministro enquanto "estuda" (?) em Paris filosofia, como o ancestral Sócrates que morreu envenenado com cicuta, gosta de comer em restaurantes de luxo onde se paga mais de 100 euros por um prato de massa. Onde ganhou ele dinheiro para essa vida faustosa? Com os rendimentos de político não foi (no auge ele ganhava 100 mil euros por ano como Primeiro-Ministro) e como engenheiro civil trabalhou na CM da Covilhã e assinou uns projectos "bizarros" que no máximo lhe valeram umas centenas de contos à época. Gostava, sinceramente, de perceber isso... e gostava que o PGR investigasse os claros indícios de riqueza que ostenta (fatos de marca, cliente referenciado em lojas de alto luxo, estudante sem trabalho a residir em Paris, casa avaliada em mais do que 20 anos de trabalho do melhor ano de rendimentos dele...) porque se há 2000 anos atrás Júlio César divorciou-se porque à sua mulher não bastava ser séria, tinha também de parecer séria, hoje em dia isso é ainda muito mais válido.

Indignem-se, sim, contra estes senhores que ainda têm o topete de aí andar de nariz levantado e fazer de conta que nada tiveram a ver com os últimos 6 anos e meio de Governo de Sócrates. Fora o resto, deixem-se de ser levados por pretensas manifestações apartidárias cujo o único objectivo é cumprir aquilo que a ideologia comunista-marxista-leninista defende: o progresso da civilização só é possível pela ruptura violenta - como fizeram em 1917 na Rússia - e reparem que não é o progresso social, é o progresso da sociedade, é o dito homem-novo que nunca surgiu.

Indignados, sim, mas contra causas e pessoas responsáveis pela actual situação. Que não são a Troyka nem o actual Governo...

2011/10/12

O passo em falso!

Ontem pensei que fosse possível, quase natural, assegurar directamente a qualificação directa para o Euro2012.

Afinal, descobrimos que Shakespeare está mais actual do que nunca: havia algo de podre no reino da Dinamarca... e era a selecção de Portugal!

A equipa que ontem alinhou deveria ter todas as condições para garantir, no mínimo, o empate que bastava para arrumar o assunto. Mas algo falhou...

Falhou a atitude da equipa, que entrou a medo e lenta contra a velocidade e energia posta em campo desde o primeiro momento pelos dinamarqueses (golo sofrido aos 3 minutos, anulado, e golo validado aos 12 minutos). Falharam os principais jogadores da equipa que passaram ao lado do jogo: Cristiano Ronaldo só apareceu aos 91', Nani foi inconsequente o jogo todo, Carlos Martins foi uma nulidade absoluta.

É evidente que este jogo surgiu em má altura, com várias lesões e baixas de forma de peças nucleares do esquema de Paulo Bento. Felizmente que, pelo menos, Rui Patrício foi o melhor dos portugueses ou então em vez de comentarmos a derrota, estávamos a comentar a humilhação. Mas Paulo Bento não ajudou: afinal, porque não é convocado Bosingwa? E será que Postiga estava melhor que Nuno Gomes, apesar da sua proveta idade? E não haverá melhor que Carlos Martins?

Enfim, a realidade que este foi um passo em falso e em vez de carimbar o passaporte para a Polónia/Ucrânia, vamos ainda ter de fazer uma viagem à Bósnia, à Estónia, ao Montenegro ou à fava da Turquia para lá podermos chegar. Não vai ser fácil, mas desde que não joguem como ontem, ainda é possível...

2011/10/11

A um passo da Polónia e da Ucrânia

Dentro de momentos inicia-se o jogo decisivo da Selecção de Portugal que, após o inicio titubeante, conseguiu encarreirar com a entrada de Paulo Bento para o lugar de seleccionador, não sem mais algumas dificuldades e incongruências pelo caminho.

Em todo o caso, está nas mão - ou melhor, nos pés - dos nossos jogadores a qualificação directa para o Europeu de futebol de 2012 a realizar conjuntamente pela Polónia e Ucrânia. Basta para tanto não perder. O empate já garante a qualificação, a vitória confirma-a de forma categórica.

Começou bem, por isso, Paulo Bento, ao usar a equipa do costume, que deverá jogar na forma tradicional e não mudando o esquema, como tantas vezes os treinadores fazem quando jogam para o resultado - e normalmente com os resultados trágicos que sabemos...

Espero que corra bem o jogo, para no final podermos comemorar a ida ao 5º europeu, 3º consecutivo (desde que organizamos em 2004 o nosso que não falhamos) numa demonstração de competência e continuidade que o futebol português, mesmo com todos os seus problemas e idiossincrasias tem.

POR-TU-GAL! POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!

2011/10/10

Leituras [63] - A Mentira Sagrada, de Luís Miguel Rocha

Mais um excelente livro deste jovem autor português que merece todo o destaque que a imprensa internacional lhe tem dado (nomeadamente o New York Times) e que, pelo que tenho acompanhado na página do Facebook do autor, em breve valerá um contrato com uns estúdios americanos para passar este excelente thriller ao grande ecran.

Merecido!

Porque a história é excelente, contada em capítulos curtos que se lêem de um só travo, um atrás do outro. Uma trama bem amarrada, com pormenores muito interessantes, que nos conta no pano de fundo a história de um Jesus, o Nazareu, o homem que existiu para lá da religião a que deu nome.

Em 2007 já havia lido também deste autor "O Último Papa" e que então me deu a conhecer, de forma muito positiva, L.M. Rocha. Estou muito satisfeito em ver a evolução que sofreu, para melhor, desde então. E como ele anunciou já estar em "modo de escrita", estou ansioso para ver o que aí vem num futuro próximo.

E enquanto o futuro não chega, terei de me contentar com outro livro dele, dos mesmos moldes destes, "Bala Santa" e que em breve irei comprar para juntar à minha biblioteca...

Entretanto, fica aqui a sinopse deste "A Mentira Sagrada":

"Será que Jesus foi mesmo crucificado?

Terá tudo acontecido como a Bíblia descreve?

Na noite da sua eleição para o Trono de São Pedro, o Papa Bento XVI, como todos os seus antecessores, tem de ler um documento antigo que esconde o segredo mais bem guardado da História - a Mentira Sagrada. Em Londres, um Evangelho misterioso na posse de um milionário israelita contém informações sobre esse segredo. Se cair nas mãos erradas pode revelar ao mundo uma verdade chocante. Rafael, um agente do Vaticano, é enviado para investigar o Evangelho... e descobre algo que pode abalar não só a sua fé mas também os pilares da Igreja Católica.

Que segredos guardará o Papa?

E que verdade esconde o misterioso Evangelho?"