2011/03/30

O autismo

Ontem reuniu-se o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, organizadora da CEC2012 e apenas serviu para 3 coisas: dar umas senhas de presença do tamanho de um ordenado mínimo aos participantes por uma reunião de 4 horas, aprovar uma moção altamente crítica à gestão da CEC2012 e reforçar a ideia de autismo e distanciação da CEC2012 à realidade que a envolve.


Imagem retirada de De Guimarães

Vamos por partes.

As senhas de presença são na ordem dos 500 Euros. Um escândalo que personalidades que vivem do Estado (com reformas e outras prebendas) deveriam ter tido a coragem de recusar num momento de crise no país como este.

Jorge Sampaio, Adriano Moreira, José Manuel dos Santos e Luís Braga da Cruz, na moção que aprovaram, recomendam melhor comunicação da FCG, maior envolvimento e relacionamento com os actores culturais locais e, last but not least, que o envolvimento com a CMG seja maior, envolvendo mais a Vereadora da Cultura.

A tudo isto, como sempre, a presidente da FCG responde... nada. Atira para o lado, sacode a água do capote e faz a fuga em frente! Diz a presidente que na moção pode "encontrar uma metodologia para que cada um possa entender melhor o que está a ser montado"! Ou seja, sobre o essencial, que é a critica generalizada à forma como a CEC2012 está a passar ao lado das empresas de Guimarães, dos actores culturais de Guimarães, dos habitantes de Guimarães, prefere nada dizer.

Fica, para memória futura, uma frase lapidar em vários sentidos de Jorge Sampaio sobre o assunto:

"É preciso transformar o acontecimento em algo que os vimaranenses sintam também que é deles"


Ou seja, antes de mais, assume que isso não acontece actualmente, dando razão a muitos que o dizem há muito e colocando em causa a posição e estratégia da FCG e até da CMG que foi quem gizou a forma de actuar perante a CEC2012. Mas, mais grave, dá a entender que a CEC2012 não é dos vimaranenses, apenas que também é deles. O "também" aqui faz toda a diferença. Porque não devia lá estar. A CEC2012, por mais que custe à elite pseudo-intelectual de Lisboa, É dos vimaranenses! Sem Guimarães, não haveria CEC2012, sem a sua gente e o seu trabalho ao longo dos anos, não havia CEC2012. E todo o problema que tem dividido e afastado a FCG/CEC2012 das instituições e pessoas de Guimarães tem sido exactamente esse, o de não sentirem como SEU aquilo que alguns querem fazer NOSSO... Não é nosso, país ou Lisboa/Porto, é nosso, vimaranense!

E num país normal, com todos os escândalos que têm acontecido em torno da administração da CEC2012, já se teriam demitido. Mas em Portugal, tal nunca acontece, ficando os visados remetidos ao proverbial autismo que os atinge quando nesses cargos...
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