2009/06/13

A transferência de Ronaldo e o "mercado"

Todos sabemos que o mercado é livre e faz o seu preço, ajustando-se à oferta e à procura de forma natural - isto é válido para o pão, o leite, as casas, o combustivel ou o futebol. Mas por vezes à anormalidades. No combustível há uma evidente combinação de preços entre os principais operadores do mercado, apesar de por eles negada, o que distorce o mercado - não fossem alguns pequenos operadores fugirem da regra e nós nem dariamos por isso.

O futebol é também um caso particular.

Porque é mais dificil medir o valor de um jogador, pois não se consegue indexar o preço dele a nenhum dos elementos utilizados para aferir a sua prestação: golos marcados, assistencias, cortes, faltas cometidas ou sofridas, etc. Por isso, esses valores de mercado são normalmente ajustados ao ordenado do próprio jogador e por isso mesmo quanto mais ganha maior é o seu valor de mercado.

Ora nos ultimos tempos em que tanto se fala de crise e de contenção nas despesas, onde se previa um mercado de Verão calmo e moderado, de repente agitou-se com a entrada em cena do nóvel e recem-eleito presidente do Real Madrid, regressado e disposto a construir nova equipa de "galácticos".

E se antes os contratava um por época (Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham) agora mudou de táctica. Está a fazer montes de contratações e não regateia. Ronaldo por 93 milhões, Káká por 65 milhões e hoje David Villa por 37 milhões. Ou seja, no espaço de uma curta semana distibuiu quase 200 milhões por vários clubes e países, deixando transparecer que a crise não afecta os merengues. Que ainda há pouco tempo tinham um passivo na ordem dos 500 milhões...

Sinceramente, parece-me um disparate gastar este dinheiro e as contratações que estão a ser feitas, que não visam colmatar defeitos do plantel mas antes a parte de marketing do clube: atrair mais patrocinadores, ter mais receitas publicitárias e vender mais merchandising. Dúvido é que chegue a construir uma equipa e menos ainda que haja união no balneário.

Parece-me que a Uinão Europeia e a Uefa, em vez de se preocuparem tanto com o número de estrangeiro de cada plantel e liberdades de circulação de trabalhadores, deveriam mas é legislar sobre o futebol e o desporto em geral (atenção aos valores envolvidos noutros desportos como a formula 1, o golfe ou o basquetebol) de forma a dotar o mercado de regras que evitem estes números que o distorcem e não permitem uma concorrência saudável entre todos os intervenientes.
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