2011/06/21

Faltou Nobreza...

...na eleição do Presidente da Assembleia da República.

Nobre fez o que tinha de fazer - desistir da candidatura - mas tarde de mais. Expôs-se desnecessariamente ao ridículo de não conseguir ser eleito. Desnecessariamente porque já se sabia que o PS e o CDS tinham dado indicação para os seus deputados votarem em branco e do BE do PCP só se podia esperar um voto contra.

Assim, a desistência deveria ter acontecido na reunião do Grupo Parlamentar antes da eleição. Dessa forma, Pedro Passos Coelho teria cumprido a sua promessa de o apresentar e ele teria saído com o mesmo discurso que fez ao final da tarde de não ter condições para o poder fazer. A votação foi só um pró-forma porque antes disso ele já o sabia - ele e todos nós.

Aliás, se houve alguém responsável pelo mau resultado do episódio foi ele o maior de todos. A começar pelas infelizes declarações após o convite a dizer que se não fosse eleito Presidente da AR abdicava do cargo, passando pela altivez e sobranceria que sempre demonstrou sobre os demais deputados (eleitos e a eleger).

Ninguém pode negar o excelente trabalho cívico que produziu ao longo da sua vida. Que se traduziu inclusive num excelente resultado presidencial. Mas isso não é por si só o suficiente para se eleger Presidente da AR - precisava para tal do apoio de um partido, que o PSD deu, mas também da maioria dos deputados - e isso ele não soube conquistar, claramente. E oportunidades não lhe faltaram, ao longo da campanha, para o fazer.

Agora deixa o problema nas mãos de Passos Coelho.

Que não é de fácil resolução.

Fala-se assim nos nomes de Mota Amaral (eterna referência e Presidente da AR entre 2002 e 2005) mas também do madeirense Guilherme Silva e da Teresa Morais. Acredito a escolha venha a recair no açoreano, mas não me desagradava a ideia de ter a Teresa Morais a presidir à AR. Era, no mínimo, uma lufada de ar fresco ter uma mulher com 51 anos, outro corte geracional...

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