2011/06/06

Liberdade!



5 de Junho de 2011 foi um dia histórico, o Dia da Libertação, como ontem escrevi, porque finalmente Portugal conseguiu ver-se livre do pior governante que a história de Portugal registou nos seus anais.



E foi histórico também por vários outros motivos.

Porque pela primeira vez em Portugal um opositor derrotou um Primeiro Ministro em funções (excluindo o caso atípico de Santana Lopes que foi um PM cooptado e com poucos meses de funções) e chegou assim, da forma mais difícil, à eleição.

Porque foi um vitória clara e arrasadora - apesar de não ter chegado à maioria por si só - pois ganhou todo o país (com as habituais excepções dos distritos "vermelhos") por vezes com votações que dobravam a do PS, mas ganhando em vários concelhos desses distritos difíceis.

Porque, como muito bem disse Henrique Raposo no Expresso, "o PSD vence com um programa claro, ideologicamente separado da esquerda. A CDU não tem razão: o programa do PSD foi discutido. Ninguém pode dizer que "não sabia"" e porque "Passos vence contrariando os manuais do "comentário político português", isto é, Passos vence dizendo coisas complicadas e duras. Disse que era preciso acabar com feriados e ganhou de forma clara, disse que era preciso mudar a lei laboral e a TSU, e venceu de forma clara, disse que era preciso mexer na CGD e ganhou de forma clara, disse que não podia prometer nada e ganhou de forma clara. É por isso que a sua vitória representa um governo forte, porque disse o que ia fazer antes das eleições. Dentro da nossa III República, isto é uma novidade." E isto é fundamental, porque o Programa de Governo foi claramente anunciado e discutido, pelo que se espera que a esquerda seja DEMOCRÁTICA e aceite o claro veredicto do Povo português...

E foi uma vitória clara porque o PSD por si só quase chegava à maioria absoluta - que foi dada como possível nas sondagens à boca da urna da RTP e TVI. Durante semanas andaram a apresentar-nos empates técnicos, que eram claramente desditos pela realidade do dia a dia, mas que faziam parecer que não havia uma clara reprovação e rejeição das politicas do Governo. Como se viu, e conforme previ, o PS nem aos 30% chegou e o PSD andou boa parte da noite acima dos 40%, tendo só na recta final da contagem caído até aos 38%. Também a esquerda radical foi claramente chumbada, reprovada, bem como as suas propostas radicais - o nosso caminho é na Europa, no Euro, no cumprimento dos acordos e tratados internacionais que subscrevemos. Outro grande derrotado foi Carlos César, que perdeu estrondosamente os Açores, o que lhe deveria fazer reflectir sobre o seu futuro como governante, ainda mais após os disparates que disse durante a campanha eleitoral...

Derrotado foi também um certo PSD que viu assim que a forma de ganhar não é o populismo, o discurso fácil. Ganhou o outro PSD, de Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, que apelavam à responsabilidade e verdade.

E agora que Sócrates se afasta da vida política nos próximos tempos - estará ele a pensar nas Europeias do próximo ano? - o país respira melhor, cheira melhor, camminha melhor.

Gostei, também, foi da festa contida que em todo o país se fez. Porque ontem à noite não havia muita coisa a comemorar, o estado em que o País está não é para comemorar. Houve contentamento e alegria, como é evidente, mas sem entrar em euforias. Porque, como bem disse Pedro Passos Coelho (e Paulo Portas), este momento é de arregaçar mangas e trabalhar muito para reconstruir o país...

E unidos e mais fortes depois do resultado claro de ontem, vamos à obra!
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