2004/05/13

Linha de Rumo n.º 61 - 30 anos...

Para muitos ainda foi ontem. Mas foi no já longínquo dia 6 de Maio de 1974 que Francisco Sá Carneiro, Magalhães Mota e Francisco Pinto Balsemão anunciaram a criação do PPD – Partido Popular Democrático.
Foi o primeiro partido que se assumiu como partido de poder a nascer após o 25 de Abril. Mais concretamente, nasceu 11 dias depois. Ao contrário dos outros partidos já existentes e até então na clandestinidade, em especial o PS e o PCP, claramente assumidos como socialistas, comunistas, marxistas e até leninistas, o PPD assumiu desde o princípio uma matriz social-democrata, semelhante ao que era praticado nos países nórdicos e muito distante daquilo que se fazia no bloco de leste e na União Soviética!
O reflexo foi imediato. A adesão ao projecto foi rápida e o PPD implantou-se um pouco por todo o país, mas com especial relevância para o norte, centro e ilhas.
No entanto, a sua principal característica foi a existência, quase desde o seu nascimento e desde a sua primeira Comissão Política, das hoje denominadas “facções” e que mais não eram do que formas de entender o desenvolvimento e caminho do partido: uma, mais próxima da ala “liberal” (então encabeçada pelo fundador Francisco Sá Carneiro) e outra mais próxima da ala “revolucionária” (então encabeçada pelo anterior líder da Sedes, Jorge Sá Borges) e que eram as tendências mais de direita e esquerda, respectivamente. Essa característica, que poderia fazer com que ambas as partes se anulassem numa “guerra fratricida” acabou por criar condições para que dentro do próprio PPD se encontrasse uma consciência critica e a uma opção. Por esse motivo, o PPD-PSD, que muitos analistas consideravam não ter espaço por onde crescer – uma vez que à esquerda o espaço seria destinado ao PS e à direita ao CDS – acabou não só por singrar como também por se transformar no partido fundamental da vida democrática portuguesa e assumindo-se verdadeiramente como um partido de centro, reformista, inovador, europeísta, virado para o progresso e para questões pragmáticas e menos direccionado para copiar sistemas aplicados noutros países e menos ainda para aplicação de ideologias e teorias à governação – sendo o símbolo maior desse espírito a famosa máxima do Prof. Cavaco Silva: “deixem-nos trabalhar”!
Em Guimarães, apesar de maior dificuldade de chegar ao poder, o PPD-PSD sempre foi uma referência e é desde sempre a única alternativa ao PS, em particular pelas personalidades que marcaram o concelho e o país nos diversos cargos que desempenharam, em particular nos primeiros 15/20 anos pós-25 de Abril. Destas, destacam-se, entre outras, figuras como António Xavier, Fernando Alberto Ribeiro da Silva e até mesmo Eurico de Melo, então militante de Guimarães. Depois, como é sabido, houve um hiato geracional (que se estendeu também ao PS de Guimarães, cujas figuras de hoje são maioritariamente aquelas de há 20 anos atrás) e que julgo poder vir a ser em breve resolvido, com a natural ascensão de toda a nova geração dos 25 aos 45 anos que tem trazido o PSD de Guimarães rumo a um novo projecto de liderança política regional – e da qual me orgulho de fazer parte e nela ter um (pequeno) papel.
Mas deixo aqui o repto para que as pessoas que criaram o PPD em Guimarães (ao que sei, em jantares e reuniões no Restaurante Jordão) e que o desenvolveram até ser o PSD que hoje está cada vez mais pujante, mas dizia que deixo o repto para que essas pessoas deixem o seu testemunho escrito num livro onde se historie as pessoas, os acontecimentos e as actividades que levaram à fundação do PPD em Guimarães.
Porque o melhor que o nosso passado tem não pode e não deve ser esquecido, deve ser lembrado com o orgulho e deve ser motivo de reflexão e lição para aquilo que hoje fazemos e no futuro iremos fazer. Afinal, sempre são 30 anos…

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