2004/06/14

Força Portugal?

Parece-me que este fim de semana foi desastroso...

Sábado: a selecção perde no jogo de abertura!
Domingo: a coligação "Força Portugal" perde as eleições europeias!

Sobre o jogo, já falei.

Sobre as eleições, o que há a dizer?

Em primeiro, que a democracia foi a maior derrotada! Porque a abstenção rondou quase os dois terços da população com capacidade de voto, o que significa que apenas uma minoria está a decidir pela grande maioria. Depois, porque para além da subida residual de votos do PS (mais 18 mil votos) apenas os partidos radicais de extrema esquerda e fora do arco democrático que constituem o "Bloco de Esquerda" (BE) aumentaram significativamente a votação.
Sobre a falta de participação civica dos cidadãos nas eleições, defendo duas coisas. Por um lado, a introdução de novas tecnologias que permitão que os eleitores possam votar em qualquer assembleia de voto, independentemente de ser a da sua residência ou não, e até pela internet - afinal, se podemos entregar o IRS pela internet, porque não "entregar" o voto dessa forma? Por outro lado defendo o sistema belga que dá uma multa pecuniária a quem não votar sem ter uma justificação válida - e a partir do momento em que este sistema electrónico de voto esteja em funcionamento, não há justificação para não se cumprir com o dever cívico de votar!

Em segundo lugar, há que ser justo: a população portuguesa que votou, quis claramente penalizar o governo! Da análise que pude fazer aos resultados por freguesias de Guimarães, constatei que em muitas o PS e a CDU mantiveram o nível de votação de 1999 e que os votos que a cologação perdeu são a maior parte dos votos que a abstenção cresceu. Isto é, as pessoas que normalmente votam PSD desta vez não foram votar. Porquê? Talvez porque estejam descontentes com a governação, talvez porque estejam descontentes com a coligação com o PP. Do sentimento do cidadão anónimo com quem falo no café e do militante de base (mais ou menos como eu...) com quem confraternizo com que fico é que não gostam do PP de Paulo Portas. Aliás, se bem me lembro, no último congresso do PP que opôs Paulo Portas a Manuel Monteiro, antes das legislativas de 2002, o PSD estava claramente com Manuel Monteiro que então acenava como bandeira o bom entendimento com o PSD e a possibilidade de avançar para uma coligação, coisa que Paulo Portas então não defendia depois do fracasso da coligação com o PSD de Marcelo Rebelo de Sousa. Os tempos mudam... Assim, a clara sensação com que fico, e esta é meramente a minha opinião pessoal, é que a soma dos partidos coligados é inferior ao seu valor por si só. É claro que não sou analista político nem tenho grandes bases para sustentar esta minha opinião que não seja a mera intuição resultante das conversas que tenho dia a dia...

Em terceiro lugar, a nova Grande Área Metropolitana do Minho (GAMM) saiu claramente derrotada, pois dos 254 deputados eleitos, 3 são contra a UE e não vejo qual o tipo de auxilio que possam dar à GAMM e os restantes 21 não têm qualquer ligação com esta zona do país. A única hipótese era o Presidente da Câmara de Vila Verde, o eng. José Manuel Fernandes, ter sido eleito, mas como apenas conseguiu uma colocação no 12º posto, tendo apenas sido eleitos 9 deputados pela coligação "Força Portugal", dificilmente haverá um representante da GAMM no Parlamento Europeu...

Por último, a questão do BE. Esta é a coligação que manda na oposição. Mas a esolha dos temas não tem nada a ver com o interesse dos portugueses e de Portugal, apenas tem a ver com a possibilidade de o tema ser "capa" de jornal e noticia de abertura dos telejornais e rádio. Francisco Louçã, o rosto mais visivel do BE, é o maior demagogo que já vi na minha vida. Não vou dizer que felizmente nunca será governo, porque da forma como as coisas estão se o PS ganha umas eleições sem maioria ele entra para o Governo... e isso será um perigo para a Nação!
Quem são estes senhores que sob a capa moderna e irreverente do BE se escondem?
São os partidos PSR, UDP e Política XXI. Sobre este movimento que mais tarde se transformou em partido político, confesso pouco saber, mas julgo serem dissidentes de vários partidos de extrema esquerda como o POUS, o PCTP-MRPP, a UDP e o PSR. Já o PSR é um partido trotskista (uma versão como outra qualquer do comunismo, que não difere muito do estalinismo ou do leninismo...) que diz logo no seu primeiro artigo estatutário o seguinte: "O PSR é a secção portuguesa da IV Internacional. O seu objectivo é a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem, criando as bases para o desenvolvimento de uma sociedade socialista, iniciando a destruição do Estado pela instauração da mais ampla democracia social e pela associação livre dos produtores. A adesão a IV Internacional baseia-se no acordo com os seus princípios programáticos: os documentos fundacionais dos Congressos da Internacional Comunista, da oposição anti-estalinista e da fundação e dos Congressos Mundiais da IV Internacional, nomeadamente a resolução "Democracia Socialista e Ditadura do Proletariado"." Ora quanto a mim, só isto já devia ser suficiente para ILEGALIZAR este pseudo-partido político! Estes senhores que andam sempre com a democracia na boca defendem uma "revolução socialista que destrua o sistema capitalista" e a "destruição do Estado", isto é, defendem a queda do sistema que temos implantado em Portugal no presente e o fim do Governo como o conhecemos, e propõem em alternativa uma "Democracia Socialista e Ditadura do Proletariado" e uma forma de Governo denominada "ampla democracia social e pela associação livre dos produtores", isto é, defendem uma democracia tipo a da Coreia ou Cuba (que são ditaduras repressivas, como se sabe...) e um governo anárquico, de livre associação!
A UDP, que "é um partido marxista, de natureza comunista", continua a pensar que estamos em 1974, que o mundo é igual e não evoluiu! Diz a UDP que defende um "sistema político de real participação popular só é possível na base de um novo regime económico-social" que deverá incluir a "socialização da banca, dos principais meios de produção da indústria, da água, dos recursos energéticos e do agro-mar", ou seja, para além de defender o comunismo (que os últimos 100 anos provaram que não resultou em lado nenhum...) continuam a achar que não deve haver iniciativa privada e que tudo deve ser de todos e de ninguém ao mesmo tempo! Ou seja, enquanto uns se preocupam com assuntos sérios como a atracção de investidores estrangeiros que potenciem a criação de novos empregos, a formação profissional dos activos, a integração dos desempregados no mercado de trabalho ou a melhoria do nível de vida da população, a UDP continua a "brincar" às ideologias que já provaram em "n" sitios do mundo que não resultam!
Estes são os partidos que formam o BE. Partidos que ao contrário do que aparentam, não são nada modernos, são profundamente conservadores e retrógados. Partidos que para lá da boa imagem dos cartazes, defendem ditaduras e revoluções que acabem com o país e a democracia tal como a conhecemos e concebemos.
E são estes partidos que saíram claramente vitoriosos desta eleição! E isso preocupa-me imenso, porque nas décadas de 20 e 30 ninguém ligou nenhuma a um pequeno partido nacionalista alemão e depois deu no que deu! Há que chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome: estes senhores NÃO são democratas como aparentam e NÃO querem o melhor para Portugal. Querem ditaduras (do proletariado...) e defendem a IV Internacional (seja lá o que isso for...) e a destruição do Estado e a nacionalização da banca, da produção e dos recursos! Haja pachorra!!!
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